Observação: A história possui trilha sonora, escutá-la ou não durante a leitura fica a cargo de cada um.

Não leia esta história sem antes ler o capítulo anterior!
Capítulo I: Selvagem como as Trevas.


STAR WARS: OBSCURIDADE
Capítulo II – Pelas Sombras do Absoluto Mal


ATENÇÃO! Para o entendimento da narrativa, confira a abertura disponibilizada no vídeo abaixo:


1

EXEGOL. Regiões desconhecidas.

ㅤㅤTeu lento caminhado denotava contornos de uma apreensão imensurável. Os solados retirando pequenas sujeiras dos solos malditos, há muito pisoteado pelos seres mais perversos que já passaram pela galáxia; enaltecidos eras antes da República, muito além dos tempos de agora. Natas, conforme trocava os passos precisos, via-se genuinamente empoderada pelas recém-findadas habilidades; mesmo que fosse treinada para perceber o mundo na visão de uma Jedi, agora era praticamente o oposto desta definição, embora igualmente não pudesse ser denominada como uma genuína Sith — sentia larga aversão a este conceito bárbaro. Isto, obviamente, eram apenas diminutos traços da personalidade consolidada; como uma boa e velha jovem tola, caiu na tentação de pensar que, mesmo em sua meninice, esbanjava genialidade — esta pertencente aos autênticos donos de poder… ilimitado poder. Os pensamentos a levaram direto ao fundo do poço, aos flertes incansáveis com o Lado Sombrio da Força. E, conforme se locomovia, carregava, de modo forçado, à espreita, um espectro Jedi, sem que o mesmo nada pudesse fazer, senão comportar-se timidamente acorrentado a uma coleira.
ㅤㅤPassou ligeira pelos colossais palácios assustadores, erguidos a partir de rochas, escravidão e sangue; enquanto olvidava, a cada movimento natural dos pulmões, ecos perversos perdendo-se através das planuras nebulosas, recheadas de raios que cortavam impetuosamente os céus. Desceu tranquila pelos portões arredondados, em formato rochoso, sabendo exatamente por onde caminhar; quanto mais grotesco fosse o ambiente, mais perto estaria do almejado objetivo, como bem pensava. Observou as pesadas e grandiloquentes correntes, que facilmente podiam ser relacionadas a seres de deformado tamanho; enquanto, a cada milésimo, era abastecida por pensamentos de vingança, crescendo exponencialmente conforme imaginava os sonhos ganhando contornos reais. Chegando ao subsolo, andou pelas imensas estátuas, em nobre referência aos antigos e adorados Sith; quem sabe, até, aos primeiros e mais importantes deles, fundadores de toda a mitologia diabólica.
ㅤㅤAo passo que se aconchegava cada vez mais do destino que própria lhe impusera, já conseguia sentir… sentir a presença daquele que jurou destruir, desde muito pequena. Dono dos seus tormentos, principal responsável pelo horror que sua vida se transformara; a presença do infesto ser mecânico, que ainda tinha audácia de comportar-se como homem. A presença de Vader. Bem como sentia, obviamente, a presença de uma deletéria sombra… uma poderosa e praticamente inalcançável sombra, pairando logo acima do Escolhido.
ㅤㅤPousando através das estruturas desmedidas, passou por construtos eletrônicos, materiais comandados e projetados por diversas criaturas ádvenas, claramente ligadas à cultura e à magia pertencente aos lordes do mal. Até que, trocando mais meia dúzia de passos, por fim deparou-se com o estonteante e ocupado trono; repleto de espinhos, construído sob medida perante as ações e pensamentos de quem nele residia. Lá, descansava o homem — ou, agora, melhor dizendo: a criatura — por trás de todo o golpe de estado sofrido pela já denominada Antiga República. Aquele que, durante seus anos de vida, recebera diversificados nomes: batizado como Sheev, respeitosamente referenciado como Palpatine, tendo conquistado a alcunha de Chanceler, e, agora, auto-denominado Imperador. Abaixo dos seus pés, claramente ocupando o já confortável terreno baixo, jazia a figura de foco da menina, presente em cada pesadelo. O homem mais odiado de toda a galáxia; com ela, esta definição não era diferente.
ㅤㅤNo momento em que adentrou as estruturas reais, a pomposa Sala do Trono, os sucintos ouvidos captaram, além dos incontáveis e imparáveis sussurros sombrios que apoderaram-se do local há séculos, uma horrenda e inescrupulosa gargalhada. Aquele som inconfundível, já captados por muitos que agora pertenciam ao reino dos mortos. Darth Sidious se deliciava em glória, enquanto praticava uma única, porém empolada, salva de palmas.
ㅤㅤO brilho da armadura de Vader agora refletia a presença da moça cheia de ódio, aproximando-se de modo irreparável com sua crente capacidade. A figura mecânica posava-se com os punhos colados à cintura, sua clássica pose de outrora; a latente respiração asmática sendo produzida a todo vapor. E, no momento em que deu-se o avizinhamento recheado de esplendor sanguinário, ambos Lordes Sith fitaram o espectro que carregava, logo atrás de sua presença, reduzido a mero prêmio.
ㅤㅤ— Oh… mas que presente majestoso você trouxe para nós, minha querida Natas. — Palpatine agraciou-se.
ㅤㅤNão questionava os conhecimentos a respeito de seu nome. Podia ser uma mera ovação advinda das mensagens enviadas… ou, quem sabe, dos ainda muito confusos, em sua jovem mente, distúrbios da Força.
ㅤㅤ— Então, ao que parece… as lendas contadas pelo meu mestre eram verdadeiras… — acariciou uma mão com a outra, numa atitude reflexiva. — Assim como nós, existe mesmo uma maneira de os Jedi voltarem à vida…
ㅤㅤQui-Gon fixou a criatura demoníaca sem dizer uma palavra. Não estava mais atado ao sufocamento produzido pela sobrinha; agora, de alguma forma, ela encontrara um modo de concentrar-se na conexão que tinham, buscando a continuidade do elo.
ㅤㅤ— Estive no seu funeral, Jedi… — descolou minimamente as costas da poltrona e apontou para a presença, cerrando as pálpebras. — O vi queimar, não desaparecer.
ㅤㅤNão escondia sua curiosidade em saber como aquilo havia acontecido. Enquanto Vader, também de olho no fantasma, bem como na garota, refletia em relação à mesma coisa. Inconsistências narrativas eram observadas, muito embora, mesmo sendo donos de um grande poder perante à Força, como reles mortais, pouco podiam compreender a respeito de toda sua magnificência.
ㅤㅤ— Mas… eu não estou aqui para questionar o que vejo com meus próprios olhos — recobrou a postura. — Meu ceticismo não levaria a lugar algum, porque nada me nega o fato de, por mais que eu não compreenda, você está aqui, agora. Caminhando não pelo mundo dos seus mortos, mas nas planuras dos meus.
ㅤㅤEle forçou os músculos da perna para que pudesse levantar, ao tempo que ergueu ambas palmas, no intuito que todos ali pudessem vê-las.
ㅤㅤ— Bem-vindo a Exegol, Jedi. Bem-vindo ao meu lar, ao lar de todos os Sith. Uma presença ilustre como a sua jamais fora aguardada. Mas creio… creio que a surpresa dela é animadora.
ㅤㅤLento, começou a descer os degraus da poltrona de pedra altiva, caminhando ao encontro dos dois aguardados visitantes.
ㅤㅤ— Bom, bom. Muito bom. Tanto a sua presença, quanto a informação que acabo de me deparar, serão de grande valia. A vida após a morte é algo que sempre me fascinou, ter a chance de aprender como ela funciona do outro lado será muito, muito interessante…
ㅤㅤNatas deu um singelo passo para trás, na tentativa de retirar qualquer desejo do Imperador perante a figura. Observando de maneira calma a ação da jovem, Sidious cessou o andado, relutante.
ㅤㅤ— Este prêmio não é seu. É meu — profanou, convicta. — Eu o trouxe aqui. E, quando for embora, após cumprir meu desejo, o levarei comigo.
ㅤㅤO Imperador sorriu, debochado. Tais palavras, dotadas de uma delegação de poder tão meiga às suas percepções, não lhe causaram efeito algum. Pressentia que aquilo não era o que verdadeiramente aconteceria, ao final de tudo. E foi justamente esse sentimento que o fez perceber a outra valiosidade de tal encontro; que havia algo de muito mais atraente à própria índole para se fazer com aquele fantasma.
ㅤㅤ— Gananciosa… — um ar pútrido saiu pelos lábios albugíneos. — Eu tenho grande admiração por esse sentimento. Admito que… ao trazê-los para teu caráter, só tende a conquistar. Se tomar as escolhas certas, é claro.
ㅤㅤAguardando o perfeito momento de se pronunciar, Vader soube acalmar os ânimos, para enfim apresentá-los quando fosse necessário.
ㅤㅤ— Qui-Gon… — a voz grossa ecoou pelo palácio. — Veja só no que a morte lhe transformou.
ㅤㅤE, por mais que os olhos do falecido Jedi não quisessem acreditar, e o coração negasse com todas as forças, estava ali, de frente para a mais cruel das verdades; uma que, como mortal, jamais ousou imaginar. Recordou-se daquela criança… daquela doce criança pela qual nutriu uma verdadeira e atípica admiração. Teu maior achado, o majestoso Escolhido. O antes carinhoso menino, cheio de conflitos e sonhos, como qualquer outro que já tenha passado pela cruel realidade da escravidão. Aquele jovem que residia, agora, ali. Embaixo daquela armadura. Skywalker.
ㅤㅤ— Algo muito pior aconteceu a você. — Respondeu, convicto.
ㅤㅤIsto no instante em que Natas, por fim, deu um passo à frente, fazendo com que o espírito fosse praticamente tampado pela sua presença. Os sentimentos do encontro não levariam ninguém a lugar algum. Apenas serviam para que seu grande anseio fosse adiado.
ㅤㅤ— Não estamos aqui para conversa — bufou, erguendo as sobrancelhas; a face tomando contornos expressivamente impacientes. — Vamos acabar logo com isso.
ㅤㅤEla ligou o sabre avermelhado, sem pestanejo, e encarou ambas figuras sombrias com vistas cada vez mais desafiantes. Ao ponto em que o Imperador soltou outra gostosa e ensurdecedora gargalhada maligna. A situação ia ficando exponencialmente mais suculenta aos seus olhos, digna de uma das conjunturas mais estonteantes que já tivera o prazer de presenciar. Achava cativante e via com bons olhos a audácia da manceba. E isto o fez, por um circunscrito momento, cogitar tê-la ao seu lado. Mas teu ódio, embora apreciado e pujante, era totalmente relativo às suas presenças. Além, claro, do fato de Vader não ser velho o suficiente ainda; seus anos de serviço e escravidão no Império estavam longe de terminar.
ㅤㅤSentia, também, há algum tempo, que havia algo além. Uma figura que, num futuro bem nebuloso às atuais habilidades visionárias, apareceria. Alguém muito mais competente e poderoso que aquela jovem tola que desafiava o aprendiz trevoso. De sangue mais poderoso. Como…. como o do próprio Vader.
ㅤㅤ— Antes, minha querida… eu gostaria de um favor do meu grande companheiro. — Virou a fuça para rapidamente fitá-lo.
ㅤㅤOs olhares curiosos de Natas igualmente voltaram-se para o ser de armadura, ao passo que o Imperador agora iniciava um profundo contato visual com o Jedi falecido, ali aprisionado pelos poderes da menina.
ㅤㅤ— Sabe… — lambeu os lábios, aliciador. — Certa vez foi-me ensinado como manipular vida. A vida dos outros. E você, Jedi… você não merece viver para sempre. A sua escória jamais merecerá.
ㅤㅤNatas engoliu seco, sentindo os batimentos cardíacos acelerarem.
ㅤㅤ— Vader… tente matá-lo — disse, apontando novamente na direção do espectro. — Vamos ver se até os mortos podem morrer!
ㅤㅤ— O quê? — A menina pareceu não entender. De fato, não compreendia suas intenções; muito menos como tal desejo poderia ser possível.
ㅤㅤ— Calada, garota. — O Imperador, agora sem qualquer senso de comicidade, levantou novamente a palma de uma das mãos e voltou-a contra ela.
ㅤㅤSem perder tempo, iniciou os movimentos. Foi cruel ao enforcá-la, ao ponto que a menina sentia sua presença e posse diminuir perante os cuidados e a guarda do fantasma. Com a maúça livre, o poderoso Lorde Sith tomou repentinamente o controle do pobre coitado para si, enclausurando ele próprio o já enfraquecido espírito de Qui-Gon; reduzindo ainda mais sua figura de poder luminoso, abdicando-se de qualquer tipo de cortesia. Deixou-o completamente entregue às próprias vontades perversas, como há pouco decidira — no instante em que percebeu a outra utilidade que tal visita podia lhe oferecer. E a ação fez com que um lapso ainda mais assustador fosse produzido pela figura fantasmagórica; mais imponente e perigosa que o aprisionamento causado pela sobrinha.
ㅤㅤAgora dispondo-se de poucos resquícios de complacência, o virtuoso Imperador finalmente fez jus ao seu apetite. Sem a mínima dificuldade, alçou o corpo da pequena, já quase desfalecida pela falta de ar, para uma larga distância, como um simples objeto desprovido da menor relevância. E, de um instante ao outro, em decorrência da perversa ação Sith concebida pelo Lorde das Trevas, o Jedi fantasmagórico começou a transitar entre o mundo dos vivos e dos mortos, puxado para fora da atual morada astral. Demonstrando novamente a Vader, após muitos anos, que o poder do Lado Sombrio sempre havia sido, e sempre seria, um caminho para várias habilidades que alguns não consideravam naturais.
ㅤㅤ— O que está esperando? — voltou a encarar o companheiro mecânico. — Cumpra mais uma etapa do seu destino, Skywalker! Mate o homem que um dia lhe salvou! Desvincule-se de mais essa parte do seu patético passado!
ㅤㅤPor baixo da escurecida máscara, os olhos claros da criatura encaravam a angústia física sofrida pelo velho Jedi. Seria… possível que alguém morresse duas vezes numa só existência? Era o que seu mestre estava disposto a descobrir.
ㅤㅤA menina, largada aos eventos que tomavam forma, esforçou-se para erguer novamente o corpo quando olvidou, à distância, as palavras do Imperador. Ao passo pôs-se de pé, iniciou uma ligeira locomoção de volta ao epicentro do encontro, a todo instante de olho na expressão duvidosa e covarde que o antigo padawan portava, escondido em teu silêncio vocal, perdido num mar de dúvidas. O único som catalogado da criatura advinha de imparável e característica respiração.
ㅤㅤ— Não! — conseguiu gritar, aos tropeços. — VADER, NÃO!
ㅤㅤE, como se já não bastasse os vultosos ruídos de tal operação, somado aos gritos inconsoláveis do Jedi, Darth Sidious viu outra excelente oportunidade de soltar sua característica gargalhada, deixando que diminutas gotas de saliva lhe escapassem pela boca.
ㅤㅤ— Ele é meu! — Novamente cravou Natas, firme ao ponto de vista em relação à posse do espectro.
ㅤㅤNaquele derradeiro ensejo, Vader ainda continuava acovardado, somente a encarar todas as súplicas advindas de Qui-Gon. E, observador, durante a frustrante atitude de acanhação, percebeu uma presente resistência advinda do espectro, como se ele não respondesse totalmente aos poderes do Lado Sombrio, bem como das atuais vontades do Imperador. Como se, mesmo com tamanha dor, transitando entre o fantástico e o palpável, não pudesse, de fato, sucumbir novamente à morte.
ㅤㅤ— Natas… — conseguiu expressar através do enforcamento atroz, já farto de ficar tanto tempo perdido na situação constrangedora. — Natas, por favor. Me ajude! Liberte-me desta dor… — E, no tempo em que profanou tais dizeres, dos olhos esperançosos brotou uma lágrima espectral.
ㅤㅤ— VAMOS, VADER! — O Imperador gritou repetidamente, maquiavélico. — MATE-O!
ㅤㅤAntes que ele pudesse perceber, em decorrência da abundante concentração e atitude desgastante, e Vader pudesse enfim escolher o que faria, Natas correu aos solavancos e dores, o mais rápido que conseguiu, apalpando o magnífico sabre de lâmina carmim ativada.
ㅤㅤAos berros, foi corajosa o suficiente para atravessar o peito do tio com a arma devastadora, sem hesitação. Perplexos em decorrência do absurdo susto, tanto o Imperador quanto seu fiel lacaio nada fizeram; apenas escoltaram visualmente o desenrolar da situação, e as consequências que a inesperada atitude da jovem causaria em relação ao espectro e a ela própria, de modo geral. Contemplaram a ajuda milagrosa que a fantasmática criatura recebera, a fim de libertá-lo da insuportável dor que dizia sentir. Para que não mais, no citado instante, pudesse permitir que a ferisse.
ㅤㅤDeste modo, mais um ciclo se encerrava. E, uma vez mais… seu tronco havia sido atravessado. Como no passado, via-se ser entregue à dama de preto, por meio da mesma cruel ocorrência.
ㅤㅤO Imperador, ainda atônito, foi tomado por um sentimento grandioso de decepção.
ㅤㅤ— Criança patética… — resmungou, olhando fixamente na direção de Vader. — Você não teve coragem! A hora chegou e você não teve coragem! 
ㅤㅤEm conjunto com tal atitude e elevação vocal, não controlou a pose. Os olhos ficaram, de um segundo ao outro, ainda mais amarelados e raivosos, ao passo que um pulso gigantesco de energia foi emanado pela prórpia concepção corporal.
ㅤㅤ— Já você… você teve! — testemunhou os contornos da garota agastada. — Mesmo sendo o oposto do que você queria… não houve um segundo apenas de dúvida. Quem sabe, minha querida… quem você possa ser uma aliada muito mais poderosa que ele.
ㅤㅤOlhou com profundo desdém rumo à figura do homem-máquina, dando um pomposo suspiro.
ㅤㅤ— Oh, sim… sim… — lambeu os lábios com a língua afiada. — Você tem tudo o que um bom Sith aprecia. Juventude… poder… e um verdadeiro e poderoso sangue!
ㅤㅤJá desperto do enclausurante estado de reflexão, Skywalker sofreu um fulminante e incoercível ataque de fúria. Ligou de forma imponente e amedrontadora o sabre de luz, erguendo-o até que a ponta fosse direcionada na direção do crânio da menina.
ㅤㅤ— Isso não será necessário, meu mestre.
ㅤㅤNão ficando para trás, Natas realizou o necessário modo de defesa: posou-se em posição de ataque.
ㅤㅤE, para a diversão e graça divina do Imperador… o belo e aguardado duelo ganhou contornos muito mais sólidos do que segundos atrás. Agora, havia motivação imperando ambos lados. E o confronto… o confronto derradeiro estava prestes a começar!

2

ㅤㅤDescansando acima da acolchoada e humilde cama, o velho Ben Kenobi viu-se surpreendido por um ansiado fenômeno sobrenatural; de uma só vez, foi capaz de sentir todos os pelos dos braços se arrepiarem, como se alguma energia maior pairasse ao redor da própria composição corporal. Isto foi o suficiente para fazê-lo abrir os olhos, tomado por uma amálgama de susto e curiosidade a respeito do que tal enigmático evento significava.
ㅤㅤIgualmente, em seu distante e apaziguado cantinho no universo, em Dagobah, o puído Yoda intuiu o mesmo sentimento de surpresa que o humano de Tatooine, jazendo-se agora concentrado na aura congelante que aproximava-se das feições.
ㅤㅤ— Obi-Wan…? Yoda…? — Ambos escutaram um sussurro pueril advindo de locais mais plácidos.
ㅤㅤRapidamente colocaram-se numa posição mais respeitosa, erguendo as colunas relaxadas e sabendo, de modo exato, o que aquilo significava. Não era um vocábulo qualquer, tampouco uma visita indesejada aos seus arroubos.
ㅤㅤ— Qui-Gon…? — Disse o envelhecido humano, esperançoso; a preocupação que nutriu nas horas que antecederam o momento andavam conjurando um peso considerável acima da consciência.
ㅤㅤ— Eu… sofri sérios ferimentos… — continuou de onde parara, a voz rouca simbolizando toda a fraqueza. — Descansar eu preciso. Bem como meu espírito…
ㅤㅤ— Mestre Qui-Gon, o que houve? — Balançou a cabeça, ensandecido. Queria respostas! Posava-se desesperado por elas.
ㅤㅤ— Hum… — Yoda baixou a guarda, concentrado na energia astral; e constatou o que mais temia. — A presença do Imperador eu posso sentir. Atrelada a Vader e Natas ela está.
ㅤㅤ— O… Imperador provocou esses ferimentos? — Kenobi desesperou-se ainda mais, dando um singelo pulo.
ㅤㅤAo passo que ambos sobreviventes questionaram a si mesmos sobre o instigante episódio. Poderia, de fato, um morto ser ferido como uma carne vívida? Suspeitas e suposições começaram a flutuar em meio aos intelectos sábios e poderosos.
ㅤㅤ— Eu preciso… descansar… — perpetuou a fala mansa. — Recobrar toda minha força, toda minha energia. Sinto que a perdi de uma só vez, como em um estalar de dedos…
ㅤㅤ— Mestre, explique-nos. Eu não compreendo! — Obi-Wan era esforçado quando necessitava de explicações além do próprio alcance.
ㅤㅤ— Quando sentir a Força poderosa em mim novamente… estarei pronto para retornar… — Caminhou para o fim da fala dificultosa, já praticamente sem energias.
ㅤㅤNão podia responder todos os questionamentos direcionados, não possuía força nem tempo para tal.
ㅤㅤ— Até lá… espero vê-los ascenderem ao meu encontro. Unindo-se à Força, como um dia eu me uni.
ㅤㅤE, como um passe de mágica, toda sua presença espiritual em forma de sonoridade desapareceu, permitindo que o espírito fosse, enfim, recobrar o extremo vigor através das profundezas do amanhã.
ㅤㅤ— Mestre Yoda? — Esforçou-se para compreender; todavia, por mais que tentasse, não era capaz.
ㅤㅤ— Sim, jovem Kenobi? — Temeu não saber a resposta para o inquérito que caminhava ao encontro, independente de qual fosse.
ㅤㅤ— Ele… ele se foi? — Um sentimento de angústia descomunal tomou seu peito, acelerando os batimentos do provecto coração.
ㅤㅤ— Hum — como já imaginava, desconhecia a resposta almejada. — Não acredito eu. Sinto que aguardar para compreender devemos. Agora… não ainda possuímos a habilidade do saber altivo. Treinar para alcançá-lo, continuaremos. E somente assim as respostas desejadas alcançaremos.
ㅤㅤAbatido por imensa tristeza e parcelas de solidão, Kenobi involuntariamente levou ambas mãos na direção da face.
ㅤㅤ— Uma hora… — Iniciou, pouco antes de debruçar-se em lágrimas. Teu medo era crescente, medo de jamais conseguirem contornar a situação adversa, que cada vez mais pendia para suntuosa vitória do Lado Sombrio.
ㅤㅤAssolando seu peito, a mesma dor e solidão o Mestre Yoda sentia, muito embora esta claramente possuísse uma escala menor. Era inevitável não acostumar-se com a morte, com a partida definitiva de pessoas amadas e respeitadas, na visão de um indivíduo como ele; onde o fim da vida acontecia por volta dos novecentos anos.
ㅤㅤ— Uma hora… — achou correto findar a frase do companheiro melancólico. — Uma hora com certeza vê-lo de novo iremos.
ㅤㅤE, num súbito momento, ambos tiveram a conexão rompida, representando o total desligamento do falecido mestre Jedi em relação às suas carnes.

CONTINUA…

A SEGUIR: DUELO MORTAL!


Inspirado pelos personagens da Lucasfilm/Walt Disney Pictures.
A saga Star Wars é uma criação do diretor, produtor e roteirista George Lucas.

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Sobre o Autor

Victor Dourado

Apaixonado por quadrinhos, cinema e literatura. Estudante de Matemática e autor nas horas vagas. Posso também ser considerado como um antigo explorador espacial, portador do Jipe intergaláctico que fez o Percurso de Kessel em menos de 11 parsecs — chupa, Han Solo!