LIGA DA JUSTIÇA
— Efeito Atômico —


1

Teus pés esbranquiçados afundavam-se nas areias radiantes de Mercúrio. Devido a toda aquela iluminação, excedendo a atmosfera planetária, o reflexo que acometia-se por todo teu corpo prateado não era capaz de chamar a mínima atenção. O solado sujo de teus membros já não eram mais qualificados em sentir o ambiente que pisava, nem o calor da grande estrela de fogo logo à sua frente, na mais sincera das emoções: prestes a explodir. Os raios solares cada vez mais incidentes perante tua pele clara, sua cabeça prateada, de cabelos igualmente tingidos metálicos toucados para trás, encontrava-se completamente estática. Nenhum vento atingia teu crânio, igualmente nem uma mínima parcela de oxigênio era capaz de adentrar em teus pulmões. Estava completamente isolado, o fulgor flamejante como única companhia.
ㅤㅤSeus olhos brancos refletiam toda a luz poderosa do fogaréu enlouquecido adiante, um reflexo não só da energia que vislumbrava, bem como da grandiosa onda de calor que corria sob tua pele, que era, assim como o Sol, incontrolável — dava à sua pessoa, e às criaturas à sua volta que nele confiavam, apenas uma noção de controle; pobres tolos, uma linda e, até então inofensiva, mentira. Seu poder era tão inimaginável quanto sua presença naquele lugar; parecia totalmente absurdo pensar que uma pessoa conseguiria encontrar-se em tal plano, porém, como todos bem sabiam, Nathaniel Adam deixara de ser um humano comum há muito, muito tempo. Suspirando um ar inexistente, fechou os olhos drasticamente, envergonhado de toda a tristeza interna e das circunstâncias que o fizeram estar ali.
ㅤㅤAdam…
ㅤㅤPodia ouvir ecoar pelo universo, de forma e figura bem sucinta, embora tivesse noção de que tudo ao seu redor era vácuo. Escutando vozes, ele pensava… será mesmo que fiquei louco? Será mesmo que ele tem razão? Não conseguia mais ver a si mesmo com os olhos de outrora, quando considerava-se um dos grandes honrados do Universo por possuir tais poderes. Hoje, sentia-se amaldiçoado, majoritariamente condenado. Mas, para ele, era uma memória tão recente. Como se tivesse sido colocada há horas em sua mente, obrigada a ficar lá para todo o sempre. Ou era louco o suficiente para não lembrar que vislumbrou tal sentimento durante eras?
ㅤㅤMovimentava suas mãos e braços lentamente, como em uma dança solitária e vil. Um gestual puro, ao mesmo tempo que portava uma angústia sem fim. A Dança da Morte.
ㅤㅤNat…
ㅤㅤVislumbrava pretéritos irremediáveis, repletos de glória, poder e bons frutos; do mesmo modo que analisava futuros possíveis que jamais aconteceriam. Era praticamente Deus, muito embora jamais conseguisse deter tal alcunha — ainda mais agora; uma marionete tão incompetente quanto as defeituosas. Sua mente conflituosa parecia lutar a todo instante para esconder a verdade, muito embora ele ansiasse em overdose conhecê-la. Diferente de tudo na sua vida, até então, aquela era a primeira vez que sentia a sensação de desconhecimento. Desconhecia, absurdamente, a si mesmo. Suas memórias pareciam extremamente bagunçadas, fora da corriqueira e importantíssima ordem que lhe permitia dar.
ㅤㅤNathaniel…
ㅤㅤObservava com seus olhos fechados caças da Força Aérea sobrevoando-o, fazendo tremer a superfície que derretia sob seus pés; eram parte de sua verdadeira memória, ou também escondiam segredos perversos? Aguardava ansiosamente, durante cada segundo passante, a hora certa, mesmo sem saber ao certo o que isso significava. A hora de pular e, mais inconsciente do que nunca, se vingar. Vingar de tudo e todos ao seu redor, pelas mazelas sofridas, pela indiferença, pela maldição que acometeu sua epiderme, músculos e ossos — ou pelo menos foi isso que obrigaram ele a pensar. Dizia-se na razão, como sempre. Na verdade, nem tanto. Não, não estava. Sim, permitia-se pensar e evocar sua superioridade. Algo lutava para sair, mas era grosseiramente impedido. Não, eu não vou permitir, era dito internamente. Eu vencerei. Todavia não vencia — nem venceria. Sua outra parte, incrivelmente mais poderosa, o controlava. É… realmente estava com a razão. Mas, para um louco: não deveria sempre estar?
ㅤㅤ— Adam! — escutou algo zumbir em seu ouvido. Uma formiga querendo se comunicar com ele. — Adam! Responda, caralho! Onde diabos você foi parar?

2

Torre de Vigilância. 14:36.

ㅤㅤ— ADAM! — Vociferava o Homem-Morcego, tomado pela fúria… e pelo medo.
ㅤㅤ— Não estamos obtendo resposta, Bruce. De parte alguma — rogou o Superman, caminhando rumo ao teu encontro. — Ele simplesmente desapareceu.
ㅤㅤ— Estou tentando comunicar o Senhor Destino, talvez consiga ver se foi para outra… — bradou o Flash, tão rápido como uma tartaruga. — Como se chama mesmo? Dimensão?
ㅤㅤ— Cale a boca, West — retrucou o Batman. — Cale a boca e se concentre aqui. É responsabilidade nossa e, conhecendo bem o Capitão Átomo, tenho certeza que não foi para longe. Corremos perigo, eu tenho certeza disto!
ㅤㅤ— Calma, Bruce. O que aconteceu? — Clark tentou entender a situação. — Tem que nos contar então, antes que seja tarde.
ㅤㅤ— Calma porra nenhuma. Adam enlouqueceu! Isto que aconteceu — o Morcego virou-se para eles, a parte que mostrava parcelas de teu rosto encontrava-se completamente rubra. — Ele tentou me matar!
ㅤㅤ— E por quê? — Muito curioso o Flash perguntou, sua presença voltando a ter alguma relevância.
ㅤㅤO Morcego, como sempre, transpareceu impaciência e foi o mais sem educação possível.
ㅤㅤ— Eu não sei, caralho! — deixou que algumas gotas de saliva escapassem em meio ao seu brado — Ele me disse algo sobre Guerra, sobre sangue e sobre onipotência. — Visualmente não transmitia tanto crédito quanto gostaria.
ㅤㅤ— E quando foi isso, Bruce? — Perguntou o Superman, encostando sua mão direita em um dos ombros do herói em fúria.
ㅤㅤ— Há poucas horas — expôs o Cavaleiro das Trevas. — Estou tentando alertar todo mundo!
ㅤㅤ— Será que o Nat tem alguma coisa a ver com o roubo da Equação Anti-Vida? — indagou o Flash, curioso, com os olhos arregalados e as sobrancelhas levantadas. — Talvez esteja sendo manipulado por Darkseid! Talvez faça parte da ameaça que recém recebemos.
ㅤㅤO Morcego nada disse, apenas observou o que Wally dizia com atenção e depois desconsiderou sua suposição internamente. No fundo, sabia o que realmente havia acontecido. E isso o deixava, mais do que todos ali, incrivelmente temoroso e preocupado com os segundos seguintes.
ㅤㅤNaquele momento, algo singrou até a Torre de Vigilância e adentrou em uma rapidez ímpar, parecia estar demasiadamente assustado e, assim como o Batman, tomado pela insatisfação e pelo amedrontamento. Aquele ser era J’onn J’onzz.
ㅤㅤ— Batman! — falou assim que conseguiu — O Capitão Átomo… ele… — caminhou, os passos tão pesados quanto a sua responsabilidade nesse instante; quase cambaleava. — Ele matou o Besouro Azul.
ㅤㅤO Morcego novamente contorceu teu pescoço, analisando a presença nobre à sua frente. O Caçador de Marte praticamente ajoelhava-se no chão, carregando uma lástima sem fim. E, acima de tudo: uma impotência imensurável — para um ser que praticamente tudo podia, aquilo era de se afligir.
ㅤㅤ— Ei, ei, ei… que merda está acontecendo aqui? — Interpelou o Velocista Escarlate.
ㅤㅤ— Ninguém sabe ainda ao certo — Batman voltou a falar, suas palavras carregado um certo tom de mentira; embora não fosse percebido por ninguém presente. — Mas pelo visto a coisa é mais séria do que eu pensava.
ㅤㅤMilhões de quilômetros longe dali, após incontáveis estrelas e poeira cosmológica, o Capitão Átomo finalmente partira de Mercúrio, caminhando pelo Universo amargurado pelo desespero próprio. Ele aproximou-se da superfície solar delongo, agudamente conflituoso em sua mente. Algo, bem no fundo de seu peito metálico, suplicava para que mudasse de ideia; embora outra coisa, muito mais poderosa e vil, que com certeza não era natural em tua constituição, dissesse o contrário. De uma maneira fugaz, ele chegou perto o suficiente do Sol para derreter-se instantaneamente, caso não fosse alto o seu nível de poder.
ㅤㅤPor fim, fechou novamente os olhos, como há minutos, e ergueu a cabeça como um nobre soldado — muito embora sua seguinte atitude não possuísse nenhuma nobreza. Estufou o peito, ainda pensativo mais do que qualquer coisa, e então voou supersonicamente até a a grande estrela de fogo, findando não só a queda segundos depois, mas também a própria vida.
ㅤㅤQuase que no instante seguinte, um dos alto-falantes espalhados pela Torre de Vigilância ligou-se automaticamente, transmitindo um certo espantamento nos presente. Brevemente após um pequeno chiado, todos puderam contemplar a voz inigualável de Diana Prince.
ㅤㅤ— Bruce… Clark! — parecia tão afoita quanto o Caçador de Marte. — O que é aquilo no céu? Estão vendo? — assim como o reclamo da Mulher-Maravilha, inúmeros gritos puderam ser percebidos, advindos do mesmo ambiente da heroína. — Estou em Washington. Alguém na escuta?
ㅤㅤ— No céu? — Perguntou o Flash, ao mesmo tempo que adentrou na Força de Aceleração e praticamente teleportou-se para uma das grandes janelas da Torre, no intuito de observar o espaço.
ㅤㅤSuperman correu a mão para o ponto localizado em sua orelha direita, apertou-o e finalmente conseguiu contato.
ㅤㅤ— Diana, é o Clark — falou, em súbito. — O que houve?
ㅤㅤNão houve resposta, além de um chiado incrivelmente incômodo.
ㅤㅤ— Pessoal… Pessoal…. — disse Wally, balançando as mãos de um lado para o outro, olhando estático para o Universo ao seu redor. — O que é aquilo?
ㅤㅤTodos correram em sua direção, para fitar o mesmo ambiente que o Velocista Escarlate. O que aconteceu depois seria capaz de deixar até o mais corajoso dos seres boquiaberto. Algo totalmente inimaginável. A grande estrela chamuscada de nosso sistema expandia-se de uma forma indescritível, soltando rajadas longínquas e, com certeza, poderosíssimas em meio ao cosmo. Sua coloração havia mudado, agora carregando um tom completamente rubro. Parecera tomada por sangue, sedenta por morte.
ㅤㅤ— Aquilo… era pra ser o Sol? — Perguntou o Caçador, buscando explicações.
ㅤㅤ— Era. — Disse Bruce.
ㅤㅤ— O que o Capitão Átomo fez desta vez? — Nem o Superman conseguia entender direito.
ㅤㅤ— Eu não faço ideia — respondeu o Morcego, com o coração nunca antes tão acelerado. — Mas parece que o Sol acabou de explodir.
ㅤㅤ— E o que isto significa? — questionou o Flash, assim como todos ali tremendo de medo. — Foi… foi o Nat?
ㅤㅤ— Não posso afirmar, mas algo me diz que sim — voltou a dizer o Morcego. — Algo me diz que, junto dele e de seu enlouquecimento repentino e inexplicável, todos nós iremos morrer.
ㅤㅤWest movimentava sua cabeça imparavelmente, querendo crer que nada daquilo realmente acontecia, ao mesmo tempo que não conseguia pensar em outra coisa.
ㅤㅤ— E quanto tempo temos? — Wally permitiu-se perguntar de novo.
ㅤㅤ— Faltou às aulas de física na escola, garoto? — Batman tentou amenizar um pouco a situação, zombando do rapaz.
ㅤㅤ— Temos pouco mais de oito minutos. — Disse por fim o Superman.

3

Mogo. 14:37 (horário terrestre).

ㅤㅤHavia uma minguada praça nos campos centrais do planeta — e também patrulheiro — Mogo, próximo à mais nova e poderosa Bateria Energética. Vários membros da Tropa dos Lanternas Verdes aproveitavam-a para conversar levemente e descansar enquanto estavam de plantão. Muitos comiam especiarias peculiares que trouxeram de casa — uma mais estranha do que a outra —, enquanto outros aproveitavam o tempo livre unicamente para jogar conversa fora e esperar algum chamado de última hora; como bons policiais intergaláticos, deveriam estar sempre esperando por uma missão inóspita.
ㅤㅤSua bunda amassava-se em uma estrutura esverdeada, bem parecida com um banco, erguida pelas habilidades do Anel de Poder — afinal, nada mais útil do que portar a arma mais poderosa do universo e fazer banquinhos com ela. Sua jaqueta era feiosa, ao mesmo tempo que trasbordava um estilo completamente único. Possuía uma risada forçadamente engraçada, impossível de não ser reconhecida a quilômetros de distância, e uma voz tão irritante quanto parecia. Membro ferrenho da escória da Tropa; a atrocidade adorável chamada Guy Garder.
ㅤㅤ— Sabe, seu monstrengo horrendo… eu tô um pouquinho alterado. Aquelas vagabundas do Setor 2828 são loucas! — Disse Guy, totalmente bêbado em decorrência das bebidas de Vega, praticamente babando ao lembrar dos corpos amarelados daquelas alienígenas estranhas e, em sua concepção, gostosas pra caralho, dos quais falava.
ㅤㅤKilowog o observava com um desdém gigantesco, como era de se esperar; em teu íntimo, não via a hora de surgir em seu Anel alguma projeção chamando ele, ou o humano, para alguma ocorrência. Refletia durante todo o tempo o que havia feito para merecer alguém como Guy em sua cola o dia inteiro; não importava para onde fosse, o ruivo o seguia na única intensão de encher, da maneira mais dissonante possível, o seu saco. Ninguém em todo o grupo dos Lanternas era tão medíocre, babaca e completamente insuportável quanto Gardner. Todo mundo se questionava o que aquele palerma fez para merecer estar ali.
ㅤㅤ— Ei, seu otário. Monstrengo horrendo é o seu buraco da bunda! — A criatura pensou responder à altura.
ㅤㅤ— Haha. Eu adoro você, Kilo. Você faz eu me sentir lindão! — Gargalhou Gardner em seguida, ele adorava correr perigo.
ㅤㅤO natalino de Bolovax Vik fechou mais ainda sua feição hedionda. Queria dar um soco memorial na cara do ruivo, para balançar todo o seu penteadinho ridículo de cuia. Ele imaginou tal cena durante milésimos de segundos, sorrindo para o alto. Uma pena não se tornar realidade naquele exato momento.
ㅤㅤ— Kilo… — voltou a falar Guy — Meu Deus, que merda! Na Terra seu nome teria tudo a ver com sua pessoa. Você tem muitos quilos, Kilowog, se é que me entende. —  Expressou por último, dando uma singela piscadinha e batendo levemente o cotovelo em teu braço rosa.
ㅤㅤ— Filho da puta! — finalmente parou de sonhar o alienígena e fez teu devaneio virar realidade, erguendo seu ramo musculoso grosso aos céus e acertando com tamanha robustez o rosto de Gardner.
ㅤㅤO ruivo quase teve todos os dentes de sua boa dilacerados. Mas persistiu firme, rindo muito; parecia quase um masoquista na maioria das vezes. Ele adorava provocar as pessoas, em especial os seres mais feios. Achava-se a última bolacha do pacote, impensavelmente. Afinal, como trabalhar com algo sem se divertir um pouco? Embora levar alguns socos na fuça e chutes do saco fizessem parte do pacote.
ㅤㅤ— Nossa, seu Hipopótamo horrível… não precisava bater tão forte! — Esforçou-se para bradar, a boca praticamente dormente.
ㅤㅤ— Cale a porra da boca, jardinzinho! Senão vai levar outro. — Retrucou Kilowog, transparecendo um sorriso bem gostoso e maligno no rosto. Assim como Gardner se divertia em apanhar, ele divertia-se em bater; era sempre um prazer indescritível.
ㅤㅤGuy sorriu. Babacão de merda, ele pensou. Um dia ainda cago na cabeça dele e saio correndo. Mas tem que ser logo quando eu estiver velhinho, sem muita esperança de viver por mais longos anos. Porque aposto que ele me mataria de verdade nos segundos seguintes.
ㅤㅤAo mesmo tempo que parecia se divertir intensamente, algo surgiu como um holograma em seu Anel de Poder. Um mensageiro azul, sábio ser do Universo. Há muito tempo não transmitia tamanho medo. Era Ganthet, remexendo-se como um louco mensageiro do Apocalipse.
ㅤㅤ— Guy Gardner da Terra — iniciou dizendo, com o semblante tomado pela preocupação. — Hal Jordan está pedindo sua ajuda no Setor 2814. Todos correm perigo!
ㅤㅤ— Ah… o que foi desta vez? — perguntou o Lanterna, ridicularizando a mensagem. — Não venha me falar que é algo relacionado a polvos gigantes. Eu fiquei todo sujo de graxa marinha da última vez!
ㅤㅤ— Rápido! — Disse por fim a diminuta presença, fazendo o holograma sumir no segundo seguinte.
ㅤㅤ— Ah, mas que cacete! — Resmungou Gardner, batendo as mãos contra a estrutura verde na qual sentava.
ㅤㅤSubsequentemente, fez seu banquinho sumir instantaneamente e pôs-se de pé num átimo. Consertou a posição de sua jaqueta que tanto amava, esticando-a para baixo e alinhando-a, assim como retirou com a ponta dos dedos a parte da cueca que estava enfiada na bunda.
ㅤㅤ— Ei, Peppa Pig. O dever me chama! —  voltou a se comunicar com Kilowog. — Mais tarde eu volto para te alegrar. Vê se não chora!
ㅤㅤO alienígena trancou o olhar, suas sobrancelhas quase encontrando-se. Embora tenha esboçado um pequeno sorriso que respondia àquela fala. Até que enfim vou ficar em paz, ele refletiu.
ㅤㅤ— E você… vê se não caga tudo!
ㅤㅤGuy sorriu igualmente, já flutuando uns três metros de altura.
ㅤㅤ— Eu não tenho como evitar! — Respondeu rispidamente.
ㅤㅤEm seguida singrou o mais rápido possível pelo Universo, em direção à Terra.

4

Terra. 14:38.

ㅤㅤEm seu grandioso Laboratório, o doutor Ray Palmer agilizava suas obrigações imediatas com uma corpulenta pressa. Estava tão desesperado que mal conseguia pensar direito, embora soubesse a importância de uma vasta calmaria momentânea, para que nada fosse prejudicado. Vestia-se já a caráter, todo seu equipamento de super-herói colado em teu corpo, pronto para ser utilizado.
ㅤㅤ— SHAZAM! — Foi gritado de fora da estalagem, acompanhado por um forte trovão e um barulho de quebra aérea, quase ensurdecedor. O grande, mas ainda jovem, Relâmpado Vermelho.
ㅤㅤAtentou-se para o que entrava pela porta atrás de suas costas, virando minimamente o pescoço. De súbito, após, retornou seus olhares para a pequena mesa à sua frente, na qual depositava muitos de seus aparelhos.
ㅤㅤ— Doutor Palmer… — iniciou o Capitão Marvel. — Batman me mandou aqui. Eu não entendi direito, mas parece que preciso levá-lo para a Torre de Vigilância o mais rápido possível.
ㅤㅤ— Sim, Billy — disse Ray, atentando-se de vez para a criatura elétrica. — Quer dizer… Shazam! Temos pouquíssimo tempo, estou só agrupando algumas pequenas pequenas peças nesta bugiganga aqui.
ㅤㅤ— Tudo bem, sem problemas! — Respondeu o Trovão Humano, levantando suas sobrancelhas e agraciando o outro herói com uma bela feição. Adorava sorrir para todo mundo, não era de seu feitio ir contra tal ato.
ㅤㅤA seguir, Billy observou o ambiente ao seu redor de maneira inocentemente contemplativa, incrivelmente admirado pelo mundaréu de coisas interessantes que nunca antes havia visto. Tal como ficou admirado ao adentrar na Batcaverna e na Fortaleza da Solidão pela primeira vez.
ㅤㅤ— Seu laboratório é magnífico, doutor Palmer! É uma honra ver bem de perto todas essas coisas que guarda. — Conseguiu bradar educadamente, logo após pegar seu queixo do chão.
ㅤㅤ— Obrigado, meu rapaz. É muito trabalhoso manter tudo em perfeita ordem. — Falou Ray, sorridente.
ㅤㅤLogo em seguida, o Capitão Marvel atentou-se para as paredes azuis, tomadas por apetrechos e pequenos objetos pendurados; armas de encolhimento, quadros de anotações, estudos de forma geral e utensílios diminutos. Enquanto igualmente sondou o grande computador central — todo bom herói tinha um desses; e Batson sabia que com certeza um dia também teria —, lotado de informações confidenciais relacionadas às suas instruções científicas, assim como fitou as várias mesas metálicas espalhadas por lá, todas também repletas de peças, que seriam consideradas por muitos como dispensáveis; eram parte do empenho profissional do Eléktron.
ㅤㅤ— Olha só! Uma Batwing de brinquedo! — Como uma criança, correu ao seu encontro, ansioso por colocá-la em suas mãos e, quem sabe, pegá-la para si.
ㅤㅤ— Digamos que… ela não é bem um brinquedo — voltou a sorrir Palmer, divertido. — Não conte pro Batman!
ㅤㅤBilly sorriu novamente, como sempre.
ㅤㅤ— Pode deixar! — Respondeu seguidamente.
ㅤㅤ— Sabe me dizer se conseguiram localizar o Nuclear? O Superman estava à procura dele. — Inqueriu o Eléktron, já quase terminando de coletar suas coisas.
ㅤㅤ— Ah, eu não sei ao certo — Batson coçou a cabeça e mexeu os braços. — Eu sou sempre o último a saber das coisas.
ㅤㅤRay mostrou os dentes em grado. Achou aquilo fofo, embora não dissesse com todas as palavras do mundo seus atuais pensamentos. Preferiu guardá-los apenas para si mesmo, embora não fizesse muita diferença proferi-los.
ㅤㅤ— Devem tê-lo contactado — suspirou o doutor. — Para o nosso bem.
ㅤㅤ— É. Tomara — disse Billy, ao mesmo tempo que agarrava seu uniforme pela ponta dos dedos da mão direita e balançava-o sem parar, movimentando o ar de dentro dele. — Diacho! Mas que calor está fazendo aqui.
ㅤㅤ— Não só aqui, garoto. No mundo inteiro — retrucou o outro herói instantaneamente, dessa vez sem contato ocular direto. — O Sol está se expandindo.
ㅤㅤPosicionou, enfim, o apetrecho que acabara de remendar na mesa e jogou-o em uma maleta metálica que retirou debaixo da estrutura. Corria contra o tempo, embora tentasse transmitir ao garoto uma paciência e uma calmaria descomunal; sentia-se responsável por todo o pânico sofrido pela criança interior do Shazam.
ㅤㅤ— Pronto. Vamos! — Disse, por fim.
ㅤㅤO Eléktron diminuiu-se instantaneamente logo após e, com um certo esforço e ajuda, subiu nas mãos do Capitão Trovão. Billy fechou os punhos com uma certa força, para que Palmer ficasse minimamente confortável em sua maúça, e correu rumo à fenda local. Logo depois de fecha a porta, decolou. Singraram tão rápidos quanto um raio, praticamente teleportando-se para a Torre de Vigilância. Talvez carregassem a única ferramenta capaz de salvar, não só a humanidade, bem como todo o sistema solar.

5

Torre de Vigilância. 14:40.

ㅤㅤAo chegarem, ambos entraram apressados, completamente ansiosos pelo que estava por vir — no pior sentido. Ray Palmer retornou à forma de segundos atrás e atingiu sua altura corriqueira, enquanto Billy correu para perto de Wally assim que pôde, no intuito de entender melhor a situação — ele, realmente, era o último a saber direito das coisas; isto é, quando ficava sabendo. Começaram a cochichar como crianças levadas, quase que escondidos, enquanto os verdadeiros adultos trocavam palavras sérias no saguão central.
ㅤㅤ— Aqui está. A Desaceleradora de Partículas que pediu. Eu confesso que nunca pensei que ela seria tão útil — disse Palmer, esticando a mão com o objeto para as maúças do Batman, que a pegou instantaneamente sem ao menos agradecer. Estava ocupado demais pensando se seu plano daria mesmo certo. — Peço perdão pela pequena demora, estava fazendo uns últimos ajustes nela.
ㅤㅤ— Obrigado, Ray — proferiu o Superman.
ㅤㅤ— Acha que pode dar certo? Uma arma tão diminuta desacelerar o crescimento de uma estrela do tamanho do Sol? — Inqueriu Hal Jordan, também já marcando presença no local.
ㅤㅤO Lanterna havia recebido um aviso do Anel que guardara o setor 2814, assim como um chamado da Torre, e revoou o mais rápido que conseguiu, já chamando ajuda.
ㅤㅤ— Eu não sei. Mas não temos muitas opções no momento, não é mesmo? — Disse o Eléktron, balançando suas mãos. Era uma das mentes mais geniais da Liga e, diferente de todos os outros, duvidava que essa sua invenção antiga daria mesmo certo. Embora mantivesse uma pacata esperança.
ㅤㅤNo átimo seguinte, Diana chegou, incrivelmente acelerada e pálida, acompanhada pelo Nuclear; ficou encarregada de encontrar o herói flamejante a mando do próprio Morcego. Ambos estavam tão temorosos quanto todos ali presentes — e por que não dizer em todo os cantos da Terra —; principalmente a Mulher-Maravilha, que presenciou diretamente o desespero e a dúvida populacional perante o que acontecia.
ㅤㅤ— Pessoal… — Falou Ronnie Raymond, sua cabeça em chamas e seus olhos amarelados fitando todos ao mesmo tempo. — Pretendo ajudar no que for possível. Compartilho da mesma preocupação.
ㅤㅤ— Sabemos que sim, meu bom rapaz — voltou a dizer o Superman. — Tenho certeza que sua presença aqui não será em vão. É um nobre membro de nosso grupo.
ㅤㅤEnquanto isso, Diana fora de encontro a Bruce, investigar como o Morcego pretendia, com aquele objeto, parar os raios explosivos e mortais da estrela ardente que caminhava em suas direções. Acomodou-se em uma das cadeiras giratórias da corpulenta mesa do saguão e observou o Batman fazer pequenos retoques na invenção do Eléktron.
ㅤㅤ— Bruce, estou com medo — proferiu, encarando o parceiro bem nos olhos. — Estou com muito medo mesmo.
ㅤㅤ— Eu também, Diana — parou por alguns segundos, contemplando a face de sua nova amada. — Eu também.
ㅤㅤ— Me diga… — deu um sucinto suspiro, fechando os olhos. — Me diga que nada disso tem a ver com aquele experimento que chegou a comentar comigo. — Encostou por fim sua mão no braço do Cavaleiro das Trevas.
ㅤㅤEle igualmente suspirou, culpado. Desviou novamente seus olhares para a pequena arma e não respondeu. Por fora, apenas transparecia preocupar-se em mexer unicamente no objeto sobre suas mãos; mas, por dentro, antagonizava uma força monstruosa de arrependimento.
ㅤㅤ— Experimento? — questionou o Superman, virando sua cabeça na direção deles após usar sua super-audição involuntariamente. — Que tipo de experimento, Bruce?
ㅤㅤMais uma vez o Morcego permaneceu calado; a ignorância afetiva, como sempre, mais alta que qualquer outro sentimento. Involuntariamente, os resquícios de tua face albugínea finalmente transpareceram toda a lamentação que acometia teus pensamentos, e teus olhos castanhos agora refletiam o início de autênticos líquidos lacrimais.
ㅤㅤ— Eu fiz uma burrada, pessoal — disse, bem baixinho. — Mas é responsabilidade minha. Eu vou resolver!
ㅤㅤ— Responsabilidade sua? — perguntou o Caçador de Marte, indo de encontro ao Morcego. — Responsabilidade nossa! O que você fez?
ㅤㅤRelutante por milésimos de segundos, o Batman piscou de maneira assustadoramente lenta e, logo após, fitou todos os seus amigos de combate com um ar de impaciência. Estava completamente transtornado com si mesmo.
ㅤㅤ— Não temos tempo para isso agora! — foi capaz de dizer. — Primeiro, temos que resolver o problema!
ㅤㅤTodos observaram o Morcego dizer isso em um tom alterado, praticamente contemplando aquela peça como expectadores incrivelmente interessados.
ㅤㅤ— Batman! — as palavras do Superman não mais pareciam de um amigo. — Nos conte agora o que aconteceu!
ㅤㅤO Vigilante de Gotham novamente travou os lábios, com o coração voltando a se acelerar. Aquela patife e infantil atitude do herói foi capaz de enfurecer a todos no segundo seguinte, a situação tornando cada vez mais complicada e desesperadora — principalmente em função do tempo. O Caçador, de repente, aproximou-se ainda mais do Justiceiro Encapuzado e, com toda a força que detinha, agarrou teu pescoço com vontade, erguendo-o uns vinte centímetros. Aquela poderosa mão verde era sanguinária, não hesitaria em machucá-lo; tampouco em fazer o que fosse necessário.
ㅤㅤ— J’ONN! — interpelou Diana, tomada ainda mais pela preocupação. — J’onn, por favor!
ㅤㅤ— Explique-nos, Mulher-Maravilha! — Falou Hal Jordan, assim como todos, curioso.
ㅤㅤ— Antes que seja tarde demais. — Disse agora o Nuclear, igualmente furioso.
ㅤㅤBruce remexia todo o seu corpo de uma maneira desengonçada, encontrava-se praticamente sem ar. Seus amigos, embora, não seriam capazes de mexer um só músculo para mudar tal situação, enquanto todas as peças não estivessem na mesa, as informações completamente detalhadas. Nem mesmo o Homem do Amanhã esboçou vontade em fazer algo a respeito.
ㅤㅤ— Ele… me disse algo sobre manipular o Capitão Átomo — deixou as palavras escaparem, não conseguiria mantê-las escondidas por muito tempo. — Me contou que queria fazê-lo destruir, de uma vez por todas, Apokolips, uma vez que há poucos dias Darkseid evocou novamente uma investida contra a Terra!
ㅤㅤ— Você… sabia de tudo isso… e não foi capaz de alertar a mim? A todos nós? — os olhos do Superman avermelharam-se rapidamente, encontrava-se tão nervoso quanto nos dias mais sombrios. — Não foi capaz de pará-lo? Diana, você está tão loucamente perdida quanto ele!
ㅤㅤ— Era inevitável, Clark — emitiu a Mulher-Maravilha, as lágrimas fortes e pesadas descendo grosseiramente pelo teu rosto claro, tomada pela vergonha e pela culpa da cumplicidade. — De uma forma ou de outra, sabíamos que Darkseid mataria todos nós. Destruiria a Terra e, enfim, alcançaria o que sempre almejou: governaria o universo.
ㅤㅤ— Mas… manipular a mente de alguém? Mexer no cérebro de uma pessoa sem o consentimento de ninguém, nem mesmo o dele? — a interlocução do azulão quase fez tremer o ambiente. — Isto é um absurdo!
ㅤㅤ— Houve consentimento — Bruce levantou um pouco o pescoço para conseguir ar suficiente para narrar. — Ele dispôs a findar essa missão. Disse que queria ter um propósito! Que lutou a vida toda para encontrá-lo e finalmente conseguiu.
ㅤㅤ— É mentira! — vociferou Superman no átimo seguinte, transtornado de ódio. — Suas mentiras não têm mais relevância aqui, Bruce. Estou cansado delas! Pare de uma vez por todas de ser esse escroto que é.
ㅤㅤO Morcego engoliu seco. Intimamente, sabia que não era um avantajado exemplo de pessoa; vide o que fez com os prisioneiros do Arkham semanas antes, com Dick durante sua adolescência e, finalmente, com toda a humanidade agora.
ㅤㅤ— E como conseguiu manipulá-lo, Batman? — A pergunta de Hal Jordan não parecera tão fora de hora, uma vez que os ponteiros corriam ágeis e as vidas de bilhões estavam em jogo.
ㅤㅤ— A Equação Anti-Vida… — interpelou Palmer no momento seguinte. — Uma partícula dela sumiu dos cofres da Torre semana passada. Pensávamos que havia sido algum capanga de Darkseid, mas, por mais absurdo que parecesse alguém tê-la conseguido entrando aqui sem ser avistado, era mais absurdo ainda pensar que um de nós a havia roubado.
ㅤㅤ— Com tudo o que está acontecendo, estava na cara que o Capitão Átomo a havia roubado — voltou a dizer o Lanterna. — Caímos feito patinhos!
ㅤㅤ— E não deu certo, não é mesmo, Batman? — demandou o Nuclear. — Ele não virou seu fantochezinho, como bem pretendia. Muito pelo contrário: em vez de Darkseid, assumiu uma briga contra a própria Terra! E não descansaria enquanto não cumprisse teu dito propósito! Enquanto não acabasse com aquilo que, sobriamente, jurou proteger!
ㅤㅤ— Não… — as palavras amassadas saíram em meio à boca do Morcego, com tamanha dificuldade. — Eu juro que não…
ㅤㅤ— O Bezouro Azul morreu, panaca! — Ronnie voltou a bradar. — Olha o que essa merda de plano seu fez com ele. E veja só o que está prestes a fazer com todos nós!
ㅤㅤ— Gente… — interrompeu o Flash, aproximando-se — Eu não queria me meter no papo, ele parece estar bem tenso — gesticulava enquanto introduzia seu raciocínio — Inclusive, Batman, você é um babaca…
ㅤㅤ— É mesmo, Morcego — bradou o Shazam logo atrás; assim como Wally, esse tempo todo calado e impressionado com o decorrer dos acontecimentos. — Eu adoro você, porém… puta mancada. Desculpa!
ㅤㅤ— Mas… tem um Sol vindo na nossa direção, que vai nos acertar em questão de um minuto e meio — continuou o Velocista Escarlate, rapidamente. — Então temos que agir rápido!
ㅤㅤTodos escutaram a mensagem atentamente. Entreolharam-se e assentiram. Diálogos, desculpas esfarrapadas e acusações poderiam, com toda certeza, esperar.
ㅤㅤ— Wally tem razão. Temos que correr! — Emitiu Clark.
ㅤㅤO Caçador alçou o corpo do Batman com demasia força contra a parede, como se fosse um pequeno e leve boneco. O corpo do Cavaleiro das Trevas atingiu a estrutura e logo depois foi de encontro ao chão, com bastante empenho. Diana correu para socorrê-lo, ainda tomada pelas lágrimas. A acidez que escorria pelo teu rosto branco jamais seria tão ferrenha quanto a que todos ali possuíam agora em teu peito, sentido que foram traídos por um de seus iguais. Talvez aquele em quem mais depositavam esperanças. No fundo, talvez fosse positivista demais esperar algo bom do mais humano dos heróis; essa raça sempre arranja um jeito de acabar com si mesma, e o mais atual dos fatos não provara algo diferente.
ㅤㅤ— Quando eu voltar… — iniciou o Superman. — Quero dizer… se eu voltar… teremos uma séria conversa, Bruce. Mas já adianto: você acabou para mim. Acabou para a Liga. Junte suas coisas. — Terminou dizendo, flutuando rumo à saída da Torre.
ㅤㅤBruce fitou-o bem em seus olhos, estático, e acompanhou o girar de teu crânio e o findar de teu contato visual forte e imponente. Nunca antes havia se sentido tão envergonhado e culpado. Diana aproximou-se dele, tão envergonhada quanto, e lhe permitiu dar um abraço, completamente aos prantos. Clark fora acompanhado pelo Caçador, que pegou a arma Desaceleradora de Partículas de cima da mesa, Nuclear, Eléktron e Jordan. Esses outros caminharam ao encontro ao Homem de Aço, enquanto o Shazam igualmente acercou-se, idealizando fazer parte do grupo que tentaria parar o Sol.
ㅤㅤ— Você fica, garoto — exprimiu o Caçador, encostando a mão em seu peito para suspender teu andado. — Fará companhia para o Flash, enquanto Palmer assume o computador e nos auxilia no que for necessário.
ㅤㅤ— Mas… eu quero ajudar! Eu quero muito mesmo! — Dissertou Billy, com um olhar de misericórdia; internamente, almejava ser como suas grandes inspirações e fazer parte do grande time de poderosos que empenharia para salvar a humanidade.
ㅤㅤ— É uma missão suicida, Batson. Fique aqui. — Relatou Jordan, de longe, unicamente olhando para o Capitão Trovão.
ㅤㅤ— Ei, Billy. Por favor, obedeça J’onn e Hal — enunciou Clark. — Você tem um futuro brilhante aqui na Liga. Nunca deixe de ser o herói que é. Talvez um dia, com a sabedoria que sei que alcançará, poderá liderar a todos. Mas, agora, não há nada que possa fazer.
ㅤㅤO Shazam emocionou-se instantaneamente. Aquelas palavras atingiram teu peito e doeram de uma forma bem forte. Remoía um avassalador medo de que, no fundo, carregassem um tom de despedida. Se o tempo não fosse tão escasso, pediria-lhe um abraço bem apertado e desejaria toda a sorte do Universo. Que assim fosse.
ㅤㅤ— Então… até daqui a pouco! — Permitiu-se dizer, com o restante do ar que possuía em seus pulmões.
ㅤㅤ— Até! — Responderam em conjunto o Caçador, o Nuclear, o Lanterna e o Superman.
ㅤㅤPartiram, enfim, para fora da Torre. O espaço calmo e completamente gelado os aguardava. Tal sensação que diminuía com o passar dos milésimos de segundo, uma vez que o calor da estrela derretia tudo o que via pela frente, crescendo cada vez mais. A própria estrutura da Torre já parecia ser atingida pelo poder das ondas advindas do Sol, quando sua constituição metálica começou a ameaçar um pequeno derretimento.
Agora, restavam apenas alguns segundos antes de um contato direto começar a acontecer.

6

ㅤㅤSua capa avermelhada ondulava esbelta em meio à negritude do universo, mesmo que não houvesse ar para balançá-la. Teu corpo kryptoniano nadava em meio à gravidade zero sem dificuldade alguma — já era acostumado com missões intergalácticas, logo não mais enfrentava barreiras em cruzar o cosmo; por vezes solitário e perdido —, acompanhado pelos companheiros de guerra, a chama humana e os virtuosos heróis esverdeados, que singravam pelo espaço logo atrás de sua pessoa.
ㅤㅤAs poderosíssimas ondas flamejantes astrais atingiam-os com corpulência, mas a força de vontade em perpetuar o caminho e vencer mais essa batalha obliterava todos os receios e lamentações dos grandes hodiernos salvadores. O calor que ia de encontro às suas carnes era tão brutal quanto o que agora atingia a superfície da Terra. Pessoas eram completamente derretidas em praça pública, como outrora algumas fêmeas penaram, nos tempos sombrios da história da humanidade; casas, automóveis e objetos em geral sofriam do mesmo dano; os majestosos lagos e rios, assim como grande parte do salgado mar, evaporavam-se em pequenas camadas com o passar dos segundos; alguns desses acontecimentos tornariam irreversíveis caso a história perpetuasse a ser contada. Quanto mais o Sol se expandia e suas chamas atingiam sem misericórdia os planetas de nosso sistema, mais difícil se tornava de tentar, simplesmente, pará-lo.
ㅤㅤNaquele exato momento, a estrela assemelhava-se a qualquer vilão faminto e de proporções colossais. Havia acabado de engolir Mercúrio, sem martírio, e não precisaria de muito mais tempo para igualmente devorar Vênus e, posteriormente, a Terra; assim sucessivamente.
ㅤㅤ— Clark, não dá para se aproximar mais — rogou o Lanterna. — Simplesmente não dá!
ㅤㅤ— Eu tenho que conseguir me aproximar para não errar — o Homem do Amanhã retrucou, olhando sempre para frente, sem tempo para parar. — Pelo que imagino, o efeito já será mínimo. Quanto mais próximos estivermos, mais chances temos de vencer.
ㅤㅤ— Eu não consigo, Azulão — voltou a proferiu o Patrulheiro Esmeralda, visualmente cabisbaixo. — Eu sinto muito.
ㅤㅤO Superman observou-o em seguida, de maneira atenta. O corpo de Jordan não se comparava ao seu, em questão de poder e resistência, mesmo que ele portasse a maior de todas as armas em um dos dedos da mão.
ㅤㅤ— Tudo bem — findou teu voo para dizer. — Caçador, dê-me a Desaceleradora de Partículas. Eu tentarei me aproximar um pouco mais para atingir o Sol.
ㅤㅤ— E por que deve ir sozinho, Clark? — evidenciou o Marciano. — Estamos aqui para dividir esta bronca.
ㅤㅤ— Então venham. Hal fica e nos protege de qualquer coisa — retrucou o Superman. — Mas, mesmo assim, me dê a arma. Eu ficarei à frente.
ㅤㅤO Marciano assentiu e balançou teu crânio verde. Em seguida, ergueu seu braço robusto e lançou o objeto com a maior força que conseguiu, rumo ao Homem de Aço. O pequeno utensílio caminhou delongo pelo cosmo e foi, flutuando, até as mãos do krypnoniano. Clark alçou-o e perpetuou a caminhada esvoaçante.
ㅤㅤ— Ronnie, não podemos nos distanciar. Tentaremos ficar o mais próximo possível dele — falou o Caçador, olhando diretamente para o Nuclear. — Ele não conseguirá sem a nossa ajuda.
ㅤㅤO herói em chamas olhou ao redor e balançou sua cabeça positivamente, concordando com o alienígena, mesmo sem pronunciar uma única palavra para o Marciano.
ㅤㅤ— Jordan, tente nos proteger com algum escudo provido pelo Anel. — Permitiu-se dizer, agora encarando Hal.
ㅤㅤ— Tudo bem. Estava pensando exatamente nisso! — bradou o Lanterna. — Mas eu não sei se consigo por muito tempo.
ㅤㅤ— Ao menos tente, humano — lançou o Caçador. — Já.
ㅤㅤHal então alçou teu Anel de Poder e englobou ambos heróis em uma cúpula verde, possibilitando que conseguissem se proteger um pouco mais dos efeitos dos raios solares. Sem perder tempo, voaram para longe, de encontro ao Superman, até que a grande bolha verde protetora conseguisse enquadrar todos os três.
ㅤㅤ— Clark, o raio pode se dissipar pelo espaço e não conseguir atingir a estrela. — Expressou J’onn, assim que chegou perto o suficiente para se comunicar com o Homem do Amanhã.
ㅤㅤ— Consegue canalizar mentalmente e direcioná-lo, J’onn? — Questionou o kryptoniano.
ㅤㅤ— Eu posso tentar — respondeu o Caçador no instante que se seguiu. — Na verdade… consigo sim. Só preciso me concentrar.
ㅤㅤ— Pessoal… — uma voz pronunciou nos ouvidos de cada um, de uma forma praticamente imperceptível aos mais desatentos. Era o doutor Palmer, direto da Torre de Vigilância. — Dez segundos para o contato irremediável.
ㅤㅤ— É agora ou nunca, rapazes. — Falou o Nuclear, tentando não ficar para trás no ato.
ㅤㅤO Superman não perdeu tempo. Apertou o gatilho localizado rente ao bico da arma o mais rápido que conseguiu. Todos observaram um raio composto por inúmeras e diminutas ondas começando a ser produzido pelo cano da Desaceleradora de Partículas e, com a ajuda telepática do Marciano, o disparo contínuo singrou na Velocidade da Luz rumo ao Sol. Era tão minguado quanto, teoricamente, parecia que seria. Mas teria que fazer efeito. Naquele instante, era o melhor e único plano que todos tinham.
ㅤㅤApós dois míseros segundos, as ondas brilhantes da estrela começaram a diminuir, gradativamente, em um estágio pouco avançado. Ainda vinham, com uma descomunal força e velocidade, mas agora pouco menos incidentes e robustas. Com a ajuda da criação do Eléktron, a grande estrela de fogo parecia continuar a crescer, porém de uma forma um pouco mais lenta.
ㅤㅤ— Cinco segundos viraram quinze, rapazes — voltou a se expressar Palmer. — Continuem. Está dando certo!
ㅤㅤAs ondas que saíam da arma percorriam rápidas demais para serem contadas. Olhos comuns não conseguiriam mesmo observar algo que não fosse uma linha completamente concisa de um raio extremamente poderoso e uniforme, que, por mais que não pudesse ser contemplado em sua essência, atingia a superfície solar sem maiores transtornos. O feixe luminoso da arma era praticamente irrisório perto da quantidade de luz provida pelo astro rubro, mas perpetuava-se lá, firme e forte. Com uma presença tão marcante e dominante quanto o próprio calor.
ㅤㅤOs braços do Superman, imaginavelmente, começaram a doer. Era tanta força correndo pelo objeto e sendo revertida à sua frente que, nem mesmo o ser mais poderoso da Terra conseguia suportar. O Sol, entretanto, era um dos frutos de seu poder, e ajudava-o a aguentar toda a situação, renovando e aflorando habilidades que nem ele sabia que tinha.
ㅤㅤ— Isso! — gritou a mesma vozinha no ouvido deles. — Conseguimos dois minutos de vantagem. Está diminuindo.
ㅤㅤ— Ray, estou com medo de me sobrecarregar! — bradou o Homem de Aço. — Eu nunca experimentei tanta incidência solar na minha vida.
ㅤㅤ— Acalme-se, Superman — expressou o Caçador, logo ao seu lado. — Aguente um pouco mais e depois deixe que eu assumo.
ㅤㅤNo interior da Torre, o Batman apoiou ambas as mãos no solo e, com uma certa dificuldade, conseguiu se levantar. Foi amparado por Diana, que havia se recusado a afastar-se. Suas costas doíam muito, não conseguia se lembrar da última vez que ficara tão derrotado — talvez com Bane, quando o mesmo praticamente dilacerou tua coluna. A Mulher-Maravilha esforçava-se para fazer-lhe um minguado carinho, apalpando teu rosto agora inchado e incrivelmente vergonhoso.
ㅤㅤ— Ray… — de forma diminuta falou o Morcego. — Temos que pensar em outro plano. O mais rápido que conseguirmos. Duvido que, exposta a essa quantidade de energia, sua arma irá suportar por muito tempo.
ㅤㅤ— Eu estou pensando, Batman — respondeu o Eléktron no átimo seguinte, sem olhar para trás; suas atenções estavam completamente voltadas para a tela do computador central, onde analisava todas as anormalidades termogênicas e acompanhava os heróis de fora da plataforma. — Talvez eu tenha que ter tempo suficiente para desenvolver uma Desaceleradora ainda mais potente. Que consiga funcionar vinte e quatro horas por dia e possa funcionar sem interferência humana.
ㅤㅤ— Desenvolver uma nova arma? — interessada questionou Diana. — E… isso levaria quanto tempo? Dias? Semanas?
ㅤㅤ— Talvez meses — o doutor Palmer disse, instantaneamente. — Eu não sei.
ㅤㅤ— Ray, Clark não pode ficar lá por muito tempo, suas células não aguentariam tanta presença solar. — Interpelou a Amazona.
ㅤㅤ— A senhora Vasquez diz muito isso pra gente — falou o Shazam no canto do salão; sua presença, assim como a do Flash, eram quase imperceptíveis que já haviam sido esquecidos por todo o resto. — Tudo em excesso faz mal.
ㅤㅤ— É isso aí — esforçou-se Wally para também dizer alguma coisa. — Minha tia Íris falava a mesma coisa. Eu sempre imaginei que fosse alguma pegadinha para que eu parasse de comer chocolate.
ㅤㅤ— Você é viciado em chocolates, Wally? — Interpelou o Shazam, com uma de suas sobrancelhas levantadas.
ㅤㅤ— Mas é claro — West respondeu no momento seguinte. — Tem coisa melhor no mundo? Mas eu sei dos danos do açúcar. Ele sempre me deixa agitado demais. — Movimentou teu crânio e fez todo seu corpo tremer por meio segundo, como um verdadeiro louco.
ㅤㅤ— É… eu percebi. — Billy findou sua fala, olhando com uma cara bem estranha para seu amigo escarlate.
ㅤㅤO Sol parecia, a cada instante, mais controlado e calmo. Como se a arma de Palmer servisse como uma gigantesca coleira para o cachorro insano e flamejante que estava prestes a destruir todo mundo.
ㅤㅤSem ser esperada pela maioria, uma luz verde singrou pelo cosmo, veloz demais para ser contemplada majoritariamente. Parecia mais uma velha desengonçada e bêbada assumido o controle de uma nave espacial do que qualquer outra coisa. Era a ajuda mais dispensável que todos poderiam pedir — mas que reservava, no fundo, algo de muito especial.
ㅤㅤO ser verde se aproximou do local, deu um tchauzinho para os tripulantes da Torre de Vigilância que o observavam curiosos pelo vitrô panorâmico e voou velozmente ao encontro de Hal Jordan, que ainda produzia o feixe de luz protetor dos heróis.
ㅤㅤ— Ahhhhhhhh… — expressou Guy Gardner, chegando perto o suficiente para ser escutado. — O papai chegou!
ㅤㅤHal o olhou imersivamente, transparecia conter em si um sentimento de desprezo, ódio e decepção quanto ao companheiro de combate esverdeado.
ㅤㅤ— Está atrasado, Guy — vociferou, ainda mantendo o olhar estático em sua pessoa. — Se dependêssemos de você, estaríamos todos mortos! Era pro Sol ter nos atingido minutos atrás!
ㅤㅤEle observou o ambiente ao seu redor e finalmente percebeu o calor descomunal que estava fazendo, além de vislumbrar, bem longe, os heróis dando o melhor de si para evitar que a estrela os atingisse.
ㅤㅤ— Eita, porra. O vilão da vez é o Sol? — conseguiu perguntar ao companheiro, dobrando seu pescoço e admirando-o novamente. — Como assim?
ㅤㅤ— Pois é… longa história — disse Hal, sem paciência para explicar nada. — E muito obrigado pela ajuda.
ㅤㅤ— Ah, qual é, Jordan… para de ser dramático —  Gardner deu um tapa no ar. — Se orgulharia de mim se eu te mostrasse a gatinha que consegui o número vindo pra cá. Alías, acho que até já conhece. Biarth, patrulheira do setor 2317. Que pitelzinho.
ㅤㅤ— Você parou no caminho para paquerar? — bradou bem alto o maior dos Lanternas, incrivelmente nervoso. — Caralho, Guy… você não toma jeito!
ㅤㅤ— Ei, seu bostinha. Estou aqui já, para de ser molenga — respondeu o ser de jaqueta estilosa, agora fechando a cara. — E outra… não deixou nada especificado que era uma missão, realmente, de vida ou morte, tá okay?
ㅤㅤNo mesmo instante, o Anel de Poder de Gardner esboçou uma singela alteração. De súbito, reproduziu a mesma mensagem que havia sido entregue a ele minutos mais cedo. Até o seu maior companheiro parecia estar contra ele nessa.
ㅤㅤ— Guy Gardner da Terra. Hal Jordan está pedindo sua ajuda no Setor 2814. Todos correm perigo! — deu uma pequena chiada. — Rápido!
ㅤㅤOs policiais intergaláticos se olharam brevemente. A expressão no rosto de Jordan já dizia tudo, mesmo sem necessidade de ele abrir a boca.
ㅤㅤ— Em minha defesa: você não especificou que era o Sol. Nem que aqui iria fazer calor pra cacete. Porra, eu teria até colocado uma bermuda — falou rapidamente Guy, dando uma curta risada. — Então é isso… eu estava certo!
ㅤㅤ— Vai se fuder, Gardner. E me ajuda aqui — sem perder tempo expressou Hal. — Emita o mesmo feixe e proteja os três logo à frente. A bateria do meu Anel está quase acabando.
ㅤㅤ— Tubo bem — respondeu, fazendo um esforço e aplicando aos heróis o que Jordan lhe pedira — Onde irá se recarregar? — Questionou em seguida Guy, extremamente interessado na resposta.
ㅤㅤ— Em casa. Deixo a minha Bateria Energética sempre lá — replicou Jordan. — Mas eu não demoro.
ㅤㅤ— Tem como você trazer um cheeseburger pra mim? Eu tô cagado de fome. — Finalmente expressou o porque de tanto interesse.
ㅤㅤHal balançou a cabeça em negação, sequer acreditava que Guy falava mesmo sério — e realmente falava. Singrou posteriormente o mais rápido que conseguiu rumo à Terra, deixando um incrível e majestoso trilho de luz verde como um rastro. Mas que panaca, nem me respondeu, refletiu Gardner, fazendo um singelo biquinho com a boca.
ㅤㅤAs mãos brancas do Superman seguravam a arma com astúcia, prestes a passá-la para as maúças do Caçador. O Sol cada vez mais diminuto, controlando toda a sua insanidade — e a loucura que o Capitão Átomo findara minutos antes.
ㅤㅤEntão, pegando a todos de surpresa, algo começou a sair do controle. A Desaceleradora de Partículas empeçou a lançar ondas incrivelmente trêmulas e desengonçadas, denotando que realmente havia algo de errado naquele instante. Teu funcionamento diminuiu a eficiência, deteriorando a mesma em milésimos de segundos e…
ㅤㅤ— Ray, tem algo de errado com a arma! — Rogou o Nuclear, mais rápido que todos.
ㅤㅤExplodiu.
ㅤㅤO barulho e toda a energia dissiparam-se instantaneamente, ferindo de maneira completa e grave o Caçador, o residente mais próximo do objeto, e o Superman — que, de tão abastecido, demonstrava uma certa fraqueza. O Homem de Aço fora igualmente atingido, ficando sem conseguir enxergar ou escutar nada, desacordado e distante. Foi um baque tão forte e inesperado que nem mesmo o homem mais poderoso do mundo pôde imaginar.
ㅤㅤ— CLARK! — Gritou Palmar da Torre de Vigilância.
ㅤㅤBatman, Flash, Shazam e Mulher-Maravilha ficaram igualmente atônitos e desesperados. Mas não havia muito o que fazer, todos tinham noção disso. A lamentação e a impotência fizeram-se tão presentes quanto o medo dos acontecimentos posteriores.
ㅤㅤGuy contemplou a situação boquiaberto. Assustado demais para fazer qualquer piada, mesmo que ninguém escutasse. Só conseguiu imaginar o perigo que corria, finalmente compreendendo que a situação era realmente séria.
ㅤㅤNo momento que seguiu a pequena explosão, o Sol voltou a crescer. Dessa vez, talvez, mais acelerado do que nunca. Os raios voltando a ser tão perigosos e incidentes quanto há minutos. Agora mais destrutivos e insanos; na mais louca das hipóteses, praticamente plantava tua vingança.
ㅤㅤ— Meu Deus… descontrolou-se ainda mais. — Rogou Palmer, retomando as atenções para o comutador.
ㅤㅤ— Eu avisei! — Disse o Morcego, com o ego nas alturas.
ㅤㅤ— Pode parar de ser um otário ao menos por um segundo, Batman? — vociferou o Eléktron, transtornado e nervoso demais para aguentar aquilo.
ㅤㅤ— E agora? — perguntou o Flash, incrivelmente preocupado, olhando de maneira direta para o Shazam. O Relâmpago Vermelho balançou as mãos, igualmente temoroso. Não soube responder.
ㅤㅤ— Agora não há mais nada o que fazer — voltou a se expressar Bruce, com as feições tão desamparadas quanto a de todos ali. — Vamos morrer.
ㅤㅤEntreolharam-se subsequentemente, a expressão de sofrimento nadando na mente de cada um. E, por fim, a Mulher-Maravilha segurou nas mãos de Wayne e West, que por ventura puxou Batson, levando todos os corpos a um mesmo encontro. Se abraçaram, deixando de remoer qualquer sentimento de ódio ou desprezo. Era, talvez, a grande despedida de todos.
ㅤㅤ— Clark! J’onn! — bravejou o Nuclear, acompanhado tudo pessoalmente, ainda um pouco zonzo.
ㅤㅤSem obter resposta, fitou a grande e descontrolada estrela à sua frente. Tentava ter alguma ideia, um resquício de esperança que fosse. Qualquer coisa. E, ao menos naqueles milésimos, nada conseguiu.
ㅤㅤOs ponteiros corriam novamente. 60 segundos.
ㅤㅤ— Oh, meu Deus… — soltou, cabisbaixo, erguendo ambos braços. — O que será de todos nós, Senhor?
ㅤㅤEscutou um alto e completamente insuportável assobio.
ㅤㅤ— Ei! — a voz acompanhou o chiado fino. — Ou, fogueira de São João!
ㅤㅤNuclear olhou imediatamente para trás, intrigado. Guy Gardner aproximava-se de forma tão notória que seria impossível não perceber aquela esmeralda brilhando em meio ao cosmo.
ㅤㅤ— Gardner? — perguntou, cabreiro. Estava tão concentrado na missão com o Superman e o Caçador que mal viu os Lanternas mudarem. — Onde está o Hal?
ㅤㅤ— Ele foi carregar o Anel — disse o Patrulheiro. — Disse que não iria demorar, mas até agora não voltou.
ㅤㅤRonnie apenas fitou-o. Sua mente encontrava-se imparável demais para concentrar-se em qualquer outra coisa que não fosse o grandioso problema que tinham logo à frente. Na melhor das hipóteses, sofreriam bastante quando, enfim, fossem queimados vivos.
ㅤㅤ41 segundos.
ㅤㅤ— Ei, tochinha… estou com medo pra cacete — Exprimiu Gardner, baixinho. Há muito não ficava tanto tempo sem contar uma piada, ou ser um completo imbecil.
ㅤㅤ— Eu também — falou o Nuclear em seguida, sua feição completamente melancólica. — Estou tentando de todas as maneiras pensar em alguma coisa, mas não consigo. Ao que tudo indica, teremos que usar o plano B.
ㅤㅤ— Plano B? — inqueriu Guy, curioso e temoroso. — Do que você está falando?
ㅤㅤRonnie suspirou bem fundo, olhando para baixo, seu peito lento, o corpo cada vez mais relaxado. Abastecendo-se. Por um segundo, vislumbrou o Sol crescendo constantemente logo adiante, e, em seguida, voltou a encarar o Lanterna, as lágrimas caindo, praticamente evaporando-se antes de chegar até a boca.
ㅤㅤ— Sim, Gardner. O meu plano B. — Bradou.
ㅤㅤ— Espera… você não está pensando em… — balançou loucamente sua cabeça, o cabelo de cuia remexendo-se. — Não. Não!
ㅤㅤ— Sou eu… ou todos os outros — pôs teu crânio para o lado, abatido. — E, mesmo assim, vou rezar para dar certo.
ㅤㅤGuy engoliu seco. Seu coração, assim como o pulsante flamejante do companheiro, disparado. Em teu íntimo, foi instantaneamente ocupado por pensamentos bons e altruístas, aqueles que vez ou outra sentiu durante toda a sua existência. Afinal, ele era um herói, alguma hora deveria fazer jus a tal alcunha.
ㅤㅤ— Pode contar com a minha ajuda. — Levantou seu punho, em cumprimento. A palma da mão aberta, os dedos esticados.
ㅤㅤO Nuclear fez a mesma coisa, ergueu teu musculoso e robusto braço, levando sua maúça em direção a do companheiro. Apertaram as mãos, como guerreiros, agora ambos deixando que as corpulentas lágrimas descessem pelo rosto.
ㅤㅤ23 segundos.
ㅤㅤNaquele mesmo instante, uma nova luz esverdeada pairou sobre o Universo. Hal Jordan esvoaçava tão rápido quanto um foguete-humano. Chegou ao lugar em que os heróis se encontravam, o mesmo de onde antes não conseguira se aproximar. Assustado, observou os corpos do Superman e do Caçador flutuando em meio à negritude estelar, de mesmo modo que encarou Guy e Ronnie, desorientado.
ㅤㅤ— Demorou. — Rogou Gardner, sorrindo.
ㅤㅤ— O que aconteceu? — Perguntou Hal, expondo as palmas das mãos.
ㅤㅤ— Depois. Agora, preciso de um favor seu — protelou o Lanterna de jaqueta estilosa. — Preciso que faça aquela mesma bolha de antes e leve J’onn e Clark para a Torre. Eu e o Nuclear tivemos uma ideia.
ㅤㅤ— Não deixarei vocês sozinhos! — Bradou Jordan seguidamente.
ㅤㅤGuy se aproximou do companheiro, gentil, colocando suas duas mãos em seu ombro.
ㅤㅤ— Hal. Eu sempre admirei muito você. Fui babaca na maioria das vezes, enchendo o saco de todo mundo. Mas você, seu panaca, sempre foi uma referência para a Tropa. Uma referência para mim — suspirou. — Porém agora, mais do que nunca, preciso que me obedeça.
ㅤㅤ— Para fazer o quê? Morrer? — Vociferou ele, bravo.
ㅤㅤ— Para fazer aquilo que você sempre faz, dodói. Todas as vezes. E eu jamais consegui — encarou seu parceiro nos olhos, como nunca antes; pela primeira vez, pensando em fazer algo realmente bom. — Salvar o mundo!
ㅤㅤHal igualmente vislumbrou os olhos do rapaz, sentindo fisgadas doídas em teu coração. Afinal, sentia que todos ali, em especial Guy, eram de sua responsabilidade.
ㅤㅤ— E quanto ao seu encontro? — Jordan também deixava uma acanhada lágrima escapar por um dos olhos.
ㅤㅤ— Diz à Biarth que eu tive um compromisso de última hora!
ㅤㅤ— Guy… — Ele balançou a cabeça.
ㅤㅤ— Vá! Agora! — Retirou uma das mãos e apontou direto para a Torre.
ㅤㅤPor fim, desgrudou a outra maúça e deu meia volta. Observou relativamente Jordan encobrir o Superman e o Caçador com um feixe luminoso do Anel e singrar rapidamente para a base do grupo, volta e meia olhando para trás, tremendamente relutante. Mas obediente.
ㅤㅤAgora, era tudo ou nada.
ㅤㅤ8 segundos.
ㅤㅤ— Nuclear… quando quiser! — rogou, já abrangendo o companheiro em chamas com a mesma proteção esverdeada.
ㅤㅤRonnie assentiu. Virou na direção do Sol e, no instante seguinte, colocou seu plano B em ação.

7

ㅤㅤTeus olhos encantadoramente azuis se abriram, observando uma luz completamente forte sobre tua face, advinda de uma potente luminária logo acima da pequena maca. Clark encontrava-se confuso demais, sua mente não respondendo diretamente aos seus comandos. Demorou um certo tempo para levar uma das mãos à cabeça, esforçando-se bastante para lembrar dos últimos momentos que precederam o apagão. Não conseguiu imediatamente. Recordava-se apenas do escudo verde protetor, do Sol enlouquecido, do Caçador acompanhando os raios da Desaceleradora de Partículas rumo à estrela e do Nuclear pensativo ao seu lado. Nada mais.
ㅤㅤUma figura engraçada aproximou-se de teu corpo, a face tomada por um grande sorriso, ao mesmo tempo que era repleta de esmorecimento.
ㅤㅤ— Oi, Super. — Disse o Shazam, minguado.
ㅤㅤ— Billy — sorriu. — Como é bom te ver.
ㅤㅤO menino esticou os lábios, enquanto levava teus olhares para o lado.
ㅤㅤ— O quê…? — Esforçou-se para questionar o Homem do Amanhã, ainda passando a mão sobre o crânio.
ㅤㅤ— Salvamos o mundo. Mais uma vez. — Bradou Batson. Alegremente abatido.
ㅤㅤ— Como? — Abriu bem os olhos.
ㅤㅤ— Digamos que Ronnie agora é nossa querida estrela — olhou triste, segurando as lágrimas inevitáveis. — E Guy agora também brilha no céu. Como uma estrela corajosa.
ㅤㅤ— Gardner?
ㅤㅤ— Chegou pouco antes da arma explodir e desacordar você e J’onn. Vimos ele ajudar o Ronnie a controlar o Sol.
ㅤㅤClark refletiu, cada vez mais confuso e curioso.
ㅤㅤ— O doutor Palmer explicou pra gente que só seria possível Ronnie estabelecer contato com as moléculas do Sol se ficasse 100% protegido do calor extremo. Meio que ele e a estrela conseguiam falar a mesma língua. Tiveram essa ideia sozinhos e colocaram em prática sem comunicar nada pra gente. Não tínhamos tempo.
ㅤㅤ— Eles…
ㅤㅤ— Sim — exprimiu, respirando fundo. — Nuclear.
ㅤㅤKent olhou para os lados, ainda meio confuso. Com uma certa dificuldade, esforçou-se para levantar e, caminhando delongo, passou pelo portal metálico, adentrou o grande saguão e finalmente chegou no vitrô panorâmico. Calmo, contemplou o cosmo, observando atentamente o Sol, diminuto e distante, finalmente controlado.
ㅤㅤ— Fez isso por nós. Por todos nós. — Escapou.
ㅤㅤ— É — falou Billy, logo atrás, igualmente fitando a estrela de fogo. — Eles mandaram muito bem.
ㅤㅤClark sorriu, ao mesmo tempo que Billy fazia o mesmo.
ㅤㅤ— Onde estão os outros? — Superman virou o rosto para perguntar.
ㅤㅤ— O doutor Palmer desceu para separar umas coisas e alertar a família do Ronnie. Hal saiu tremendamente derrotado, rumo a Mogo. J’onn está em uma das alas, também se recuperando — falou rápido, gesticulando. — E o Wally tá no banheiro. Já tem um tempinho, já.
ㅤㅤKent olhou para baixo, pensativo.
ㅤㅤ— E Bruce e Diana?
ㅤㅤ— Eles saíram há pouco. Não falaram nada.
ㅤㅤ— Hum… — pronunciou Clark, colocando uma das mãos no queixo. — Devem estar em Gotham.
ㅤㅤ— Vai descer para conversarem? — manifestou Billy em sequência, não escondendo a ânsia de saber como a relação dos dois ficaria após os eventos daquele dia.
ㅤㅤ— Eu não sei — respirou fundo. — Ao menos não por enquanto.
ㅤㅤ— Eu entendo — manifestou Batson, a boca esticada, os olhos tristes. — Mas creio que, daqui algum tempo, seria bom para vocês dois terem uma longa conversa. Bruce é uma pessoa boa. Essencialmente.
ㅤㅤ— Por tempos acreditei, meu rapaz. Mas não creio que seja — enunciou, agora já virando-se e andando novamente rumo à sala de recuperação. — Vou acordar J’onn e resolver alguns assuntos. Se quiser, já pode ir. Os Vasquez devem estar preocupados.
ㅤㅤ— Ah, claro — Billy coçou a cabeça. — Eu… vou esperar Wally e já vou. Ele deve querer uma carona.
ㅤㅤClark sorriu, sem mostrar os dentes, e perpetuou tua caminhada. Sentia uma dor tão forte no coração, sem relação com a fisicalidade de teus músculos. Algo que dificilmente superaria, embora fosse lutar dia após dia para tal. Perda.
ㅤㅤO Shazam fitou-o desolado, completamente em silêncio. Assim como Kent, e todos os outros, partilhava do mesmo sentimento. Piscou rapidamente e suspirou uma vez mais.

EPÍLOGO

ㅤㅤSuas mãos apalpavam o grandioso teclado do computador, enquanto analisava todo o ambiente ao seu redor com lamentação — uma pura e inquebrável mágoa perante si mesmo. É tudo culpa minha, ele pensava. Todos os anos de combate ao crime jamais foram capazes de saciar tua majestosa ânsia por vingança travestida de justiça. O temido e amado Cavaleiro das Trevas, em sua própria concepção, não passava da mais cruel e inescrupulosa das mentiras; nenhuma vez mais conseguiria enganar a qualquer um, muito mesmo a ele próprio. E, acima de tudo, não era ao menos digno de tamanho reconhecimento e prestígio. O íntegro Batman era apenas o sonho de uma de criança tola, que recusou-se a crescer.
ㅤㅤEncarou seu super-carro, monstruosamente imponente, assim como sua área local predileta: a banda onde mantinha todos os seus interessantíssimos apetrechos, não encontrados em parte alguma do planeta que não ali, assim como seus inúmeros uniformes-reserva enfileirados de maneira perfeccionista e ordenada — Alfred era mesmo caprichoso; coisa que ele jamais conseguiu ser.
ㅤㅤPor fim, analisou as faustosas paredes de rocha negra, majoritariamente umedecidas e, assim como ele, perfeitamente assustadoras. Contemplou, por fim, os mamíferos voadores que lá residiam, alguns descansando, outros alertas, alguns outros bolando suas diminutas casas, enquanto outros mais cuidavam de seus filhotes, alimentando-os com ódio e medo. Céus, aqueles malditos morcegos ainda lhe davam calafrios.
ㅤㅤ— Alfred — apertou um pequeno botão localizado em sua orelha. — Pode apagar todos os arquivos e abandonar a energia pra cá enviada.
ㅤㅤ— Tem certeza, senhor? — Disse o velhinho do outro lado.
ㅤㅤ— Sim. Eu não vou utilizar o elevador.
ㅤㅤ— Como quiser, patrão Bruce.
ㅤㅤEnquanto virava suas costas, todo o ambiente trevoso ia ficando, aos poucos, ainda mais sombrio; as luzes se apagando, no intuito de jamais serem reacesas.
ㅤㅤWayne subia os degraus igualmente negros, rochosos, enquanto esforçava-se em deixar tudo para trás, finalmente. Em sua mente, estava conclusivamente pronto para abandonar o capuz e toda a responsabilidade de vigiar e zelar pela cidade violenta em que vivia; mesmo que fosse contra seus próprios princípios descumprir a provecta promessa feita no túmulo de seus pais.
ㅤㅤEle havia falhado, enfim martelava e reconhecia a vil verdade em seus pensamentos. Era capaz de errar, como todos os outros, e, justamente pela imperfeição que assolava tua vida, não sentia-se capaz de continuar. Não sentia-se capaz de olhar nos olhos dos oprimidos sem achar a si mesmo um opressor. Fazia daquilo sua despedida — ao menos, era o que ele imaginava.
ㅤㅤAssim, o Morcego se foi, restando unicamente o defeituoso homem por trás do manto. Bruce Wayne, milionário, playboy, solitário.
ㅤㅤDepois daquele dia, o mundo, e principalmente Gotham, nunca mais conseguiu vislumbrar a esplendorosa era dos heróis novamente. Naquele instante, a virtuosa Liga da Justiça começou a se desmoronar.

FIM.


Inspirado nos personagens da DC Comics.
Liga da Justiça foi inicialmente desenvolvida por Gardner Fox.

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Sobre o Autor

Victor Dourado

Fissurado por quadrinhos, cinema e literatura. Estudante de Matemática e autor nas horas vagas. Posso também ser considerado como um antigo explorador espacial, portador do jipe intergaláctico que fez o Percurso de Kessel em menos de 12 parsecs.

  • Eu só não vou te xingar neste comentário porque não gosto de usar esse palavreado no site… mas saiba que, mentalmente, eu estou até inventando palavrões novos.

    “PREPARADO PARA O FINAL MAIS DECEPCIONANTE DE TODOS OS TEMPOS???”

    Respondo-te agora: não. Eu não estava preparado para esse final absolutamente… SENSACIONAL.
    Mano, mano, mano. Eu, sinceramente, não sei o que diabos você viu de errado neste texto. Não faço a menor ideia. O QUE TEM DE ERRADO AQUI, CARAMBA? Ele foi absolutamente prazeroso, do começo ao fim. E esse final foi simplesmente ÉPICO, em todos os sentidos.

    A imagem do Super voando rapidamente contra o sol, seguido pelos companheiros, foi tão clara na minha mente que eu senti arrepios. Isso foi LINDO! E teria sido sublime ver esta cena desenhada… conseguir contemplá-la nos mínimos detalhes. Teve todo um ar de sacrifício e heroísmo tão real e profundo… Quem sabe um dia? Sem dúvidas, a atmosfera criada é digna de tal. Em poucos momentos o heroísmo do Superman ficou tão claro para mim, a capacidade surreal dele sendo desafiada por um dos poucos oponentes capazes de derrubá-lo: a própria fonte de seus poderes.
    (Aproveitando, pergunto: irá explorar essa “supercarga” do Azulão de alguma forma futuramente? Acho que poderia gerar algo bacana, se ela for tão grande quanto imagino.)

    E, rapaz… as interações entre o Hal e o Guy foram tão perfeitas! Sinceramente, todos os diálogos deste último capítulo captaram perfeitamente as essências desses personagens lendários, mas o que você fez com esses dois em especial foi apenas fora de série. Passei a desejar fortemente o Guy no filme da Tropa (isso é, se um dia essa merda sair do papel) — talvez não no primeiro, mas, futuramente, creio que seria muito bom.
    O sacrifício dos dois ao final foi sensacional, me arrepiando do começo ao fim. Quando a arma começou a falhar, imaginei que tudo estaria perdido de vez — imaginando, talvez, que fosse haver algum tipo de viagem temporal ou Deus Ex Machina para impedir que tudo fosse destruído — uma vez que temos histórias se passando após esta. Não poderia estar mais enganado: a solução foi heroica, bela e satisfatória como precisava ser.

    Destaco também o Billy e o Wally, que, servindo como alívios cômicos (além, é claro, das piadas do Guy), funcionaram PERFEITAMENTE em dupla.

    Por fim, tanto o diálogo do Superman e a cena com o Batman concluíram com um clima agridoce perfeito. A desilusão com o Morcego, seu “mito” sendo derrubado às machadadas dos erros do próprio Bruce, e a Liga caindo junto… foi sublime, meu amigo. Simplesmente sublime.

    Repito o que disse anteriormente: essa história foi EXCELENTE, do começo ao fim. Agora que posso vê-la por completo, afirmo novamente: você trabalha com esses personagens como pouco. Parabéns pela capacidade fenomenal de moldar um enredo tão cativante e uma atmosfera tão incrivelmente REAL, tensa.

    Não sei o que o decepcionou, do fundo do meu coração. Seja o que for, eu sequer fui capaz de notar. O que deve querer dizer que, talvez, esses “defeitos” não sejam tão reais quanto você imaginou, não é?

    • Caramba. Eu JURO que não esperava uma reação assim. JURO!
      MUITO OBRIGADO, SEU BUNDA! MUITO OBRIGADO MESMO!! <333

      Ah, com o decorrer de minha escrita, encontrei MUITAS dificuldades. E nada saía do jeito que eu queria, me entende? E, bem, esse NÃO ERA o final que eu queria contar, mas foi o final que eu consegui. Infelizmente, acho que o "Jipeiro's Cut" jamais verá a luz do dia kkkkkkkkkkkkkkkkk

      Fico imensamente contente que tenha conseguido transpassar todo esse sentimento perante ao Superman. Ele é o líder da porra toda, tem que tomar a frente! E quanto à fonte dos poderes ser o Sol, ao mesmo tempo que era a ameaça iminente… foi uma sacada que só consegui perceber naquele momento, puro improviso; e que bom que eu percebi, senão seria um puta furo kkkkkkkkkkk. Confesso que, ao menos por enquanto, não deva explorar esse artifício de sobrecarregá-lo, mas é mesmo bem interessante. Vamos ver.

      Ahhhhh… o Guy foi o personagem que eu mais me esforcei para trabalhar! E foi MUITO FÁCIL criar essa interação entre os dois Lanternas; sentia, enquanto escrevia, que tudo era muito natural, palpável. E fico feliz que tenha achado também.
      Caralho, eu dediquei UMA CENA INTEIRA só pra apresentar o cara (como você mesmo citou dias atrás), então LÓGICO que ele teria um papel fundamental, e, como eu sempre imaginei ele se sacrificando ao final, junto com o Nuclear, o pessoal deveria primeiramente se familiarizar com ele, para sentir a perda.
      Falando nas nossas conversas… a parte de ele parar para paquerar foi uma referência aos comentários do capítulo 2 no disqus kkkkkkkkkkkk
      Eu AMARIA ver ele no filme da Tropa, mas mantendo a essência. Falando nisso, você já leu Liga da Justiça Internacional?

      Fico contente que eu tenha te surpreendido com o final. Eu acho que não teria capacidade suficiente para colocar viagens temporais nesta história kkkkkkkkk. Dá um trabalho do caralho.
      Wally e Billy… tiveram pouca presença (praticamente dispensáveis), mas adorei escrever os diálogos deles kkkkkkk

      Batman pau no cu. Tem que pagar por ser esse completo babaca que é kkkkkk. A Liga cair junto a ele foi algo que, desde o início, eu pensei e concebi. Afinal, acho que somente dois heróis poderiam levar toda a Liga junto se falhassem: o Super e ele. Enfim… é isso kkkkkkkk

      MUITO, MUITO OBRIGADO MESMO, MEU AMIGO! Seus elogios só me fazem sentir segurança para continuar. E… eu disse em outro comentário, mas repetirei: a maior "inspiração" para o final foi O Hobbit, já que o Tolkien foi ixpertinho em não contar tudo o que aconteceu, de fato, e usar as cenas posteriores para completar no imaginário dos leitores.
      Esta foi uma desculpa esfarrapada para eu não ter que descrever o sacrifício do Nuclear por PURA PREGUIÇA E FALTA DE CAPACIDADE kkkkkkkkkkkk

      Talvez! kkkkkk. Acho que a próxima fanfic deste universo vai te deixar bem animado.

      • <3<3<3<3

        #ReleaseJipeiro'sCut
        O que pretendia contar, seu bunda mole?

        O Superman PRECISA dessa aura foda, né? Conseguiu captá-la perfeitamente. LÍDER DA PORRA TODA SIM, e o mais heroico de todos.

        Deu para sentir isso. Era REALMENTE natural, como uma interação entre amigos DEVE ser. Falhar nisso NÃO ERA uma opção, né? Kkkkkkk!
        Faz sentido. E deu para sentir MESMO…

        Porra, sério? GENIAL… KKKKKKKKKKKK!

        Não, seu bunda. Never.

        Ia precisar de mais uns dois capítulos mesmo, se fosse explorar esse lado… viagem temporal ainda corre o risco de dar merda com furos. Eu, sinceramente, prefiro não mexer com algo assim tão cedo… kkkkkk!

        Realmente. São os dois maiores medalhões. Eles falharem é praticamente inimaginável, ainda mais para os outros personagens desse Universo. Nós sempre os imaginamos com caráter ilibado… mas ninguém é assim, não é?

        Tolkien espertinho cortou meu hype naquela cena… kkkkkkkkkkkkkkk! Mas pior que é uma estratégia que funciona MESMO. E não corta o clímax de forma desgostosa.

        HMMMMM… mal posso esperar!

        • Pretendia matar o Superman também. De uma forma grandiosa.

          Precisa! Sem essa aura, ele NÃO É O SUPERMAN!

          Bem, se gostou o Gardner nesta história, AMARIA Liga da Justiça Internacional. Eu nunca li tudo, mas as poucas edições que conferi são excelentes. Dizem os mais sábios que é a “Liga que vale!” kkkkkk

          Também acho kkkkkk

          Ninguém. Nem mesmo o Superman. Ele já matou, fez coisas contestáveis, mas sempre visando o bem maior. O Batman é bom e bem trabalhado porque vende bem, mas o maior de todos sempre foi e sempre será o azulão.

          NÃO CORTA. Aquele filho de uma putinha. Mas genial.

          Melhor não esperar tanto. Talvez nem saia kkkkkkk

  • Leonardo Fazzi

    Cara descobri o site de vocês a pouco tempo, e posso diser o trabalho de vocês é ótimo, continue empenhados, veleu!

    • Pode deixar, Leonardo! E seja muito bem-vindo!

      Críticas, análises, fanfics… aqui tem de tudo um pouco kkkkkk
      Acompanhe nosso canal no YouTube também, o Velho Ovest. Tem quatro vídeos, uma periodicidade não muito boa, mas já é um começo kkkkk

  • Mr. Doom

    Desfecho magnífico, Jipeiro!

    Eu acho impressionante como a narrativa teve uma proposta aparentemente simples e desenvolveu-se de forma tão majestosa. Em uma análise pragmática, temos a Liga da Justiça beirando ao rompimento lutando com todas as suas forças para impedir o total colapso do planeta Terra e do nosso sistema solar. Olhando assim, parece ser apenas mais uma aventura comum dos quadrinhos da equipe, mas o que você fez aqui é digno de aplausos. Eu fico boquiaberto com a maneira de como desenvolveu as coisas até aqui. A sua narração adentrou o interior de cada um dos personagens de forma jamais vista, nenhum deles ficou de lado – sejam os momentos de tensão entre os grandes integrantes da equipe ou os alívios cômicos proporcionados pelo Billy, Wally e Gardner. Por falar nisso, foram elementos muito bem encaixados na trama, divertidíssimos e ao mesmo tempo não quebraram a gravidade da situação.

    Sempre enxerguei os heróis da DC como figuras idealistas, símbolos do ápice da humanidade, bastiões da justiça e personificações do significado de heroísmo. Eles já tiveram seus momentos de fraqueza, ou melhor dizendo, de humanidade – Afinal, qual de nós não é falho? – contudo, você conseguiu afetar de maneira natural até mesmo os mais “íntegros”. Desde o Batman falando palavrão nos primeiros capítulos, o centrado Caçador de Marte perdendo a paciência e as lágrimas na face do Nuclear… São detalhes que enriqueceram absurdamente a narrativa, tornaram essas personagens mais identificáveis, realistas. Não agiram como “deuses entre nós”, agiram como qualquer um de nós teria feito em situações desesperadoras.

    Quanto ao desfecho em si, achei uma sacada genial a transição empregada de uma cena para a outra. Sequências sem ligações diretas, mas ainda assim, encaixadas perfeitamente na narrativa e servindo o seu propósito em aprofundar as consequências de cada ato sob a perspectiva de cada personagem, em especial o Batman. Ter abandonado o manto permanentemente, reconhecer as suas falhas, é a prova máxima de que o maior vilão de Bruce Wayne não era o Coringa, o Charada, o Espantalho, Ra’s Al Ghul ou qualquer um dos outros integrantes de sua esplendorosa galeria de antagonistas. O maior adversário do Bruce era ele mesmo, o seguinte trecho em específico foi uma das melhores análises que já vi acerca do psicológico da personagem:

    O temido e amado Cavaleiro das Trevas, em sua própria concepção, não passava da mais cruel e inescrupulosa das mentiras; nenhuma vez mais conseguiria enganar a qualquer um, muito mesmo a ele próprio. E, acima de tudo, não era ao menos digno de tamanho reconhecimento e prestígio. O íntegro Batman era apenas o sonho de uma de criança tola, que recusou-se a crescer.

    Não vou me prolongar por muito mais do que isso, caso contrário esse comentário vira uma enciclopédia kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Todavia, eu quero que você saiba que eu AMEI a trama,do início ao fim. De longe, é uma das melhores fanfics que já li. Eu inclusive ousaria dizer que “Efeito Atômico” é o atestado de que super-heróis são muito mais do que trocas de socos, invasões alienígenas e viagens temporais. Tratam-se de super-seres, sim… Mas acima de tudo, trata-se do que realmente é ser humano. Não importa se você é um vigilante bilionário ou um refugiado de outro mundo… No ponto final da estrada, todos estão sujeitos ao erro.

    • Muito obrigado, Doom! Pela presença e elogios!

      Fico feliz que tenha gostado tanto, mesmo sendo, como você mesmo disse (e como sempre foi a proposta) uma história simples, sem grandes pretensões.

      Eu também, sempre os enxerguei de tal maneira. Afinal, são mais deuses do que homens. Trabalhar um aspecto humano deles nesta história foi divertido. Sim, todos somos falhos, ninguém é perfeito. Por isso que histórias que desconstroem os personagens são tão legais. A Vertigo, por exemplo, caminha por uma veia inversa. Os personagens tendem a se tornar mais humanos, mais falhos, por isso é um universo que me atrai tanto.

      Que bom que gostou da sacada de transição. É uma estratégia usada por vários romancistas renomados. E, bem, fico feliz que tenha funcionado aqui.
      Com certeza. O maior vilão do Batman sempre foi ele mesmo. Falando nisso, já que citou essa parte do texto, deixo um questionamento: tu já leu O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas, do Gaiman? É genial!!

      Esta parte final do seu comentário me emocionou. Muito, muito obrigado mesmo!
      E, falando em fanfics… Eu e o Aragorn enfim daremos continuação àquela história do Homem-Animal. Se lembra?

  • Dave Mustaine

    Excelente, seu bunda!

    Você conseguiu criar uma excelente história com base em um enredo absurdamente simples, explorando como cada personagem se sente e se comporta diante dessa situação. E esse é o ponto alto da história, os personagens. Todos foram muito bem utilizados e nenhum ficou sobrando. Destaco principalmente o Batman, que acabou sendo o vilão dessa história, todo quebrado, desesperado e assombrado pelo erro que cometeu, falando palavrão, e caindo em desgraça no final. Esse epílogo, aliás, foi uma ótima análise da psiquê do personagem. Mas o melhor personagem foi o Guy Gardner, a cena de introdução dele foi hilaria, e ver ele discutindo com o Hal Jordan sobre assuntos fúteis em meio a toda aquela tensão foi sensacional kkkkkk o sol tá engolindo a galáxia e o cara quer um hambúrguer kkkk mas depois a “redenção” dele e seu sacrifício heróico compensaram tudo, foi realmente emocionante. Idem para o Nuclear, que é um personagem que eu gosto bastante e achei legal você tê-lo utilizado nessa história, também foi muito triste vê-lo partir. Outro personagem que eu acho bem legal e gostei de ver você utilizando foi o Dr. Ray Palmer, A.K.A. Elektron, o diálogo dele com o Shazam no laboratório foi uma das melhores coisas nessa história. E aliás, o Shazam e o Wally West também foram excelentes em trazer aquela sensação de alívio em meio a toda essa situação caótica. E não posso deixar de elogiar mais uma vez o começo com o Átomo filosofando em Mercúrio, foi incrível!

    • Muito obrigado, seu babaquinha!

      É gratificante que consegui fazer você gostar tanto do conto. Desde o início quis que fosse algo realmente simplório, longe de toda aquela megalomania das histórias da Liga.

      kkkkkkkkkkkkkkkk o Guy é foda.
      Contento-me em saber, também, que o final tenha lhe agradado. Eu passei por diversos problemas ao escrevê-lo, não sabia muito bem o que queria. Acabou que não saiu o jeito que eu planejava, mas até que o resultado foi satisfatório.

      Deixar que cada personagem tivesse seu espacinho foi essencial. Em toda história deveria ser assim.
      Mais uma vez… muito obrigado por tudo, seu bunda mole! <3

  • Morfeus

    Eu sou como a justiça, tardo mas não falho.
    Jipeiro, me sinto meio repetitivo já que todos falam da sua narrativa, mas sério, ela é fantástica. Deu uma ameaça perfeita para Liga numa situação onde eles realmente tem que salvar o mundo, a história foi profunda mas conseguiu equilibrar-se muito bem graças aos personagens mais cômicos. Guy não é o meu Lanterna Verde favorito como é o seu, mas nessa história foi o meu personagem favorito. Por favor, continue escrevendo outras histórias.

    • Muito obrigado pelos elogios, Morfeus! E fico imensamente grato com sua presença!
      Uma ameaça perfeita sem grandes vilões que querem dominar o mundo, né? Certas vezes os clichês prejudicam a trama como um todo.
      Fico contente que tenha gostado dos alívios cômicos e, principalmente, por ter conseguido fazer o Guy ser seu personagem favorito nesta história.
      Continuarei. E você, também, não pare. Mesmo que eu leia um ou outro texto seu com o tempo (a falta de tempo atualmente é minha maior vilã), gostaria que jamais perdesse o gosto que tem por contá-las. Vivam as fanfics. Vivam as fics!