Paterson (Adam Driver) é um motorista de ônibus da linha Paterson na cidade de Paterson, Nova Jersey – sim, ele tem o mesmo nome da linha de ônibus e da cidade e não, isso não acontece por acaso. Todos os dias é acordado por volta das 06:00 pelo clique inaudível do seu relógio de pulso. Beija sua doce e ingênua mulher Laura (Golshifteh Farahani) – a quem adora incondicionalmente – e vai tomar o café da manhã, observado pelo buldogue Marvin (Nellie). Caminha algumas quadras até o trabalho, carregando o almoço em uma das mãos. Sentado dentro do ônibus, escreve poemas em seu caderno secreto até a chegada do seu supervisor Donny (Rizwan Manji), que marca o seu turno e o início da labuta diária. Dirige seu ônibus pelas horas seguintes do dia, entreouvindo atentamente os fragmentos de conversas que se desenrolam em seu coletivo e observando o universo cotidiano da cidade que se revela pela janela. Durante o intervalo, senta em um banco do Parque Histórico Nacional da cidade e observa as Grandes Quedas do Passaic River. No fim da tarde volta para casa, arruma a caixa de correio – que sempre volta a entortar… ou a ser entortada… –, desfruta o jantar insosso preparado pela sua mulher, agradece a ela pelo alimento e por todas as outras coisas e em seguida sai para o passeio noturno com Marvin. Entra no bar de Doc (Barry Shabaka Henley) – deixando o cachorro amarrado no lado de fora –, bebe uma única cerveja, ouve mais do que fala, e depois volta para casa, para os braços de Laura.

Talvez o representante mais perfeito do que poderia ser denominado “filme-poesia” surgido nos últimos anos, Paterson acompanha uma semana na vida de seu protagonista homônimo, de segunda-feira a domingo. Sete episódios, sete estrofes, que oferecem uma estrutura ligeiramente variada com a recorrência de locais, ações e personagens que reverberam sobre seus próprios padrões. Uma rotina cotidiana de uma pessoa ordinária. Simplicidade que transborda nos poemas enxutos e concisos de Paterson sobre caixas de fósforo, moléculas, tempo, amor, vida e para-brisas; versos que observam os menores detalhes do mundo e que surgem belamente, palavra a palavra, grafados sobre a tela enquanto a voz de Adam Driver recita-os pausadamente. Paterson, a cidade-berço dos poetas Allen Ginsberg e William Carlos Williams (de quem Jim Jarmusch foi admirador e amigo) revela-se também a pátria de um poeta anônimo, artista solitário, distante dos saraus, da academia e da torre de marfim – os poemas que Paterson escreve e verbaliza ao longo da narrativa são de autoria do poeta Ron Padgett, um dos nomes mais importantes da poesia norte-americana do século XX.

Uma das sensações de público e crítica do Festival de Cannes em 2016 (tendo sido indicado à Palma de Ouro), Paterson foi dirigido e roteirizado por Jim Jarmusch, autor seminal do cinema independente americano, famoso pelo incomum e cult Estranhos no Paraíso (1984) e por Dead Man (1995), anti-western surrealista em p&b estrelado por Johnny Deep com trilha sonora minimalista de Neil Young. De estilo único, Jarmusch é um mestre na arte da narrativa intimista, construída quase sempre sobre tipos desconexos, desajustados e sem ambições. No longa-metragem estrelado por Adam Driver, Jarmusch narra a sua crônica metódica sobre os sonhos de pessoas comuns através das infinitas repetições, com ínfimas variações, das banalidades cotidianas – a poesia surge de todos os lados como uma tentativa de encontrar excepcionalidade no trivial. Nas vitórias, derrotas e situações sem fim do dia a dia, o seu texto e a sua câmera enxergam poesia na franja dos pormenores – todos os dias são sempre iguais, mas diferentes; quando Laura sonha ter filhos gêmeos, logo Paterson começa a ver (e notar) gêmeos por toda a cidade, de todas as idades, no ônibus ou atravessando a rua, como se vivesse na capital mundial dos gêmeos.

Jim Jarmusch e Frederick Elmes, o diretor de fotografia, arquitetam em Paterson um estilo visual extremamente apurado, banhado em cores definidas e calmas, tão sereno quanto o seu texto e o seu protagonista, capturando momentos de rara beleza em situações das mais prosaicas como simples imagens refletidas nas janelas do ônibus. O ritmo é preciso. Paterson é um filme litúrgico, por assim dizer. Sua montagem é ritualística, sem pressa, angústia ou reviravoltas surpreendentes: nada disso encontra lugar aqui – a não ser em dois momentos específicos de ação e drama que são, respectivamente, de surpreender e deixar o coração apertado. A edição de Affonso Gonçalves sedimenta uma película tranquila, repetindo os mesmo fatos dia após dia em looping, com novas anedotas encaixando-se pouco a pouco nos hábitos invariáveis de Paterson. Jarmusch evoca um mundo particular nascido de sua própria imaginação e produz um filme que não está apenas repleto de poesia mas que é um poema em si mesmo, ancorado em uma estrutura circular e falsamente simplista.

Enquanto o universo ao redor de Paterson é estático e imutável, o de Laura, interpretada pela atriz iraniana Golshifteh Farahani, é um redemoinho de ideias e fantasias que se altera diariamente. Todos os dias ela acorda lembrando o que sonhou durante a noite – viagens idílicas em elefantes prateados na Pérsia antiga estão entre os seus sonhos mais normais. Um tanto quanto excêntrica, com uma notável veia artística, impulsiva, entusiástica e apaixonada, Laura não sabe muito bem o que fazer da vida. É uma sonhadora. Pinta quadros, cortinas, tapetes, toalhas, paredes, vestidos e utensílios – tudo que for possível –, sempre em preto e branco, em padrões de xadrez. No sábado irá vender cupcakes na cabine de doces de uma feira de produtores rurais e durante toda a semana já ambiciona um negócio bem-sucedido no ramo, ao mesmo tempo em que imagina-se como uma futura cantora country de sucesso – e estuda música no violão Esteban Harlequin (também preto e branco), presente que pediu e ganhou do marido, que apoia todos os seus anseios. Ela encoraja o talento de Paterson para a poesia: adora ouvi-lo recitar, e há um ano insiste para que ele faça cópias dos seus poemas e deixe o mundo conhecê-los. Os dois se amam: ele a sustenta em cada novo intento, ela celebra nele o dom poético. Na vida ordenada de Paterson, Laura é a desordem, o belo e adorável desalinho que estimula sua criação e aflora suas emoções.

Além dos protagonistas, todos os personagens secundários que orbitam o mundo de Paterson possuem arcos próprios e significativos, apareçam muito ou pouco no decorrer da trama: o Doc de Barry Shabaka Henley conhece todas as histórias da cidade, emoldurando as paredes do seu estabelecimento com fotos de figuras legendárias que nasceram em Paterson, como Lou Costello (1906-1959), da dupla cômica Abbott & Costello, enquanto escuta as lamúrias e histórias dos seus clientes e participa de campeonatos de xadrez (treinando consigo mesmo); as desilusões que o trágicômico Everett (William Jackson Harper) vive quando seu amor pela sua amiga Marie (Chasten Harmon) não é correspondido; o colega de trabalho (Rizwan Manji) que despeja sobre Paterson os seus problemas familiares toda vez que este pergunta “como você está?”; os dois jovens estudantes anarquistas (Kara Hayward e Jared Gilman) que conversam dentro do ônibus; o rapper (Method Man) que ensaia suas letras à noite na lavanderia; a poetisa mirim (Sterling Jerins), que recita um poema para Paterson enquanto espera sua mãe e sua irmã gêmea e acha graça por conhecer um motorista de ônibus que gosta de poesia; o misterioso poeta japonês (Masatoshi Nagase) que surge na vida de Paterson oferecendo-lhe uma página vazia e muitas possibilidades e aquele que é o melhor personagem de todos: Marvin, o buldogue. Interpretado por Nellie (falecido logo após a produção do filme), que recebeu a Palm Dog em 2016, premiação alternativa em Cannes para melhor “performance canina em live-action ou animação“, o simpático cachorro rouba a cena, expressivo e matreiro, sendo um dos responsáveis por chacoalhar a narrativa em seu terço final, quando Paterson e Laura saem para jantar e ver um filme de terror antigo no cinema.

Um dos atores mais promissores da sua geração e vivendo uma carreira em contínua ascensão, Adam Driver é o destaque absoluto de Paterson, visivelmente confortável no papel-título. Extremamente alto, esguio e desengonçado, Driver parece uma pessoa normal – e encarna Paterson dessa forma, até mesmo no jeito de andar. Uma atuação fantástica que exala honestidade por todos os poros. Paterson é um observador. Não reclama da sua vida suburbana, não é revoltado nem frustrado; gosta do seu trabalho e não vê valor algum naquilo que pode alterar significativamente a imutabilidade da sua existência – não tem smartphone por opção, e quando seu ônibus sofre uma pane elétrica vê-se obrigado a se comunicar com a empresa através do telefone emprestado por uma passageira mirim, em uma das muitas cenas hilárias do longa-metragem. Vê em William Carlos Williams um modelo literário e existencial, emulando o seu estilo. É uma antítese do poeta estereotipado. Não é temperamental, não possui vícios, não é um gênio e não é boêmio – suas idas ao bar não são motivadas por melancolia ou tristeza e nunca se perdem em excessos. Driver preenche seu personagem com tonalidades tão líricas quanto verdadeiras, celebrando a riqueza que há por trás da monotonia.

Em seu trabalho como motorista de ônibus, Paterson vivencia um silêncio prolongado e uma solidão pública – seu isolamento é uno com o mundo. Ele não exerce um trabalho em grupo, mas ganha a vida em uma atividade que não atrapalha sua expressão intelectual. Sua paciência monástica e a generosidade com que aceita as circunstâncias da vida encarnam uma visão da arte como a prática das almas humildes e retas. A sua vida trabalhadora é a arte em si mesma. A banalidade tediosa da rotina diária adquire contornos encantadores em seu inspirado universo contemplativo.

Paterson é diferente de tudo que você pode encontrar no cinema atualmente – um presente maravilhoso nascido da inventiva mente de Jim Jarmusch. Transpira poética e simplicidade e exala doçura e sensibilidade. É a prova definitiva de que o lirismo é capaz de estabelecer uma morada eterna em um simples registro ordinário do cotidiano. Construído como um poema e alicerçado em um protagonista singular, Paterson é um filme belo e delicioso, emocionante e espirituoso, cômico e dramático, uma deslumbrante, irresistível e modesta ode à lentidão e à banalidade da vida cotidiana.

Paterson (Paterson) – EUA/Alemanha/França, 2016, cor, 118 minutos.
Direção: Jim Jarmusch. Roteiro: Jim Jarmusch. Música: Carter Logan. Cinematografia: Frederick Elmes. Edição: Affonso Gonçalves. Elenco: Adam Driver, Golshifteh Farahani, William Jackson Harper, Chasten Harmon, Barry Shabaka Henley, Rizwan Manji, Masatoshi Nagase, Kara Hayward, Jared Gilma, Cliff Smith (a.k.a. Method Man) e Sterling Jerins.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Dave Mustaine Rebirth

    Ah,então é esse o Paterson que vez ou outra você menciona como um filme ignorado pelo Oscar,pelo seu texto,parecia ter um potencial gigantesco mesmo hein.

    Excelente crítica,como sempre,pela forma como você descreveu,parece ser uma obra-prima moderna,eu já o achei interessante logo no primeiro parágrafo,mas quando eu li o nome do Jim Jarmusch que eu percebi que tenho obrigação de assisti-lo,esse cara fez um filme recentemente chamado Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive,outro filme que também tinha um baita potencial pra ir pro Oscar),que é um dos melhores filmes sobre vampiros que eu já vi na vida,aliás,é O melhor,e ele tem todas essas características que você citou,mas vistas do ponto de vista de um vampiro imortal melancólico,intimista,deprimido e niilista.

    Aliás,o que seria um “anti-western”?

    • Valeu. Esse filme é sensacional. O Jarmusch é fera demais, e um dos cineastas atuais que produzem muito desse tal “cinema do cotidiano”, que Ozu, Ford, Kurosawa tantos outros fizeram bastante e eu gosto muito. Em vez de um filme como Paterson no Oscar, tivemos Estrelas Além do Tempo. Bizarro.

      Anti-western é um outro termo pra western revisionista. Normalmente colocam o cenário do velho oeste de forma mais sombria, os cowboys e os índios em contextos diferentes dos habituais e não há uma linha muito divisória sobre o bem e o mal, não há heróis virtuosos, as ações dos protagonistas e antagonistas muitas vezes e assemelham. Ainda escreverei sobre o Dead Man, muito curioso. E você ia gostar da trilha, totalmente incomum: só a guitarra do Neil Young. Mais nada.

      • Dave Mustaine Rebirth

        Nossa cara,esse Estrelas Além do Tempo foi forçado demais,bizarro é pouco para definir a decisão da Academia de indicar ele e ter deixado filmes como Paterson,Sully e Silencio de fora.
        Voce chegou á ver esse filme que eu citei,o Amantes Eternos?

        Essa sua definição para anti-western eu vejo ela sendo comumente atribuida por ae aos spaggheti western,onde eles estão sempre citando as diferenças entre os arquétipos representados pelos personagens do John Wayne e os arquétipos representados pelos cowboys do Clint Eastwood.

        Ah,vou ver o Dead Man também,Neil Young é fera demais!

        • Sim, os filmes do Leone tinham muito disso. E tem muito tipo de western revisionistas. Da Terra Nascem os Homens por exemplo é revisionista e o protagonista é honrado como eram os tipos de John Wayne. No caso do Dead Man ele vai mais pra linha de não ter heróis, as linhas entre os personagens são tênues, os índios são bem representados, e o filme em si é surrealista demais, é muito viajado…rs Esse Amantes Eternos eu não vi.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Ah,então o revisionismo é mais complexo do que eu imaginava.
            Assista o Amantes Eternos depois então,ele é mais ou menos que nem o O Que Fazemos Nas Sombras,mostrar os vampiros vivendo situações cotidianas,só que de drama ao invés de comédia,é mais sobre a questão da imortalidade do que do vampirismo em si.

            Mudando um pouco o assunto,o que você achou da série dos Defensores?

          • Vou baixar esse. O Jarmusch é um que quero ver boa parte da filmografia. Ontem vi O Que Fazemos nas Sombras. Agora é o único filme do Taika que ainda não terminei uma crítica pra postar aqui. Vou postar todos em sequência perto do lançamento de Thor.

            Achei Defensores legal. Mas bem abaixo de Demolidor 1 e 2, Jessica Jones e Luke Cage. Até comecei a escrever sobre, mas foi justamente no período que tava mal, acabei deixando o texto de lado.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Estarei no aguardo dos seus textos sobre os filmes do Taika.

            Eu concordo,também achei Defensores bacana e divertido,mas acho que ficou um pouco abaixo do esperado,é bom,mas podia ser melhor. Pretende retomar o texto?

          • Se eu criar coragem, escrevo sobre todas as séries da Marvel na Netflix quando Justiceiro estrear. Preciso de ânimo…rs Demolidor 1 e Jessica Jones eu queria rever.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Putz,então é melhor decidir rápido e se apressar caso a decisão for sim,pois Justiceiro estreia em dezembro,parece longe,mas não é…rs.
            Demolidor 1 eu revi na época do lançamento da segunda temporada,agora só vou ver de novo quando for lançar a terceira. Jessica Jones e Luke Cage eu ainda não estou com vontade de rever,Punho de Ferro eu não quero ver de novo nunca,rs.

          • É. Eu pesquisei aqui comentários longos que fiz em críticas sobre essas séries pela internet e já tenho bastante coisa pra desenvolver melhor sobre Demolidor 1, Jessica Jones e Luke Cage. De Demolidor 2 que não achei nada. E sobre Punho de Ferro só vou escrever pra não ficar faltando…rs

          • Dave Mustaine Rebirth

            Pô,mas Punho de Ferro é justamente a mais divertida de se escrever sobre,pra você poder esculachar kkk que nem o Ciclope fez naquele “Não Recomendo”.

            E o hype pro Justiceiro,como é que está?

          • Não consigo escrever nesse estilo, não. Quando o produto é ruim acabo sendo mais sucinto, prefiro escrever sobre coisas boas…rs O que farei provavelmente será uma crítica estilo Omelete: 4 ou 5 parágrafos…rs

            Justiceiro eu estou na expectativa. Só ele dividindo espaço com Demolidor naquela metade da season 2 já foi incrível. Imagina agora sendo o protagonista. Acho que tem grandes chances de se igualar à primeira temporada de Demolidor.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Cara,eu estou com expectativa que vá superar a primeira temporada de Demolidor.
            O Justiceiro carregou a segunda temporada de DD nas costas,ele como protagonista agora vai ser fenomenal. Eu sou um fanboy desgraçado do Justiceiro (o Pedro não fica me chamando de Frankboy à toa kkkk),e o Jon Bernthal já é o Justiceiro definitivo.

            E cara,teve Metallica no trailer,parece que os produtores estavam tentando atingir especificamente a minha pessoa kkkk

          • O Bernthal só naquela cena inicial do hospital já mostra que incorporou o Justiceiro por completo…rs Depois ainda termina o episódio atirando na cabeça do Demolidor. Putz. Se essa série superar Demolidor vai ser incrível. Só espero que não fique a temporada toda ele contra a CIA, FBI e SWAT. Que mate muito vagabundo também…rs

            Bem, eis aí um personagem que combina com esse estilo musical. Será que usarão músicas de metal na série?

          • Dave Mustaine Rebirth

            Pode crer,só aquela primeira aparição dele na série já foi de arrepiar,no restante da temporada então…

            Eu também espero que a temporada não seja o Justiceiro contra a Polícia,eu quero ver ele lutando contra seus verdadeiros inimigos: os vagabundos (e cá entre nós,eu torço para que a série dê um gás para os movimentos à favor de porte de armas e punições mais severas para criminosos).

            O Metal definitivamente é o estilo para o Justiceiro,quero muito que tenha bastante Metal em sua série,assim como teve Rap,Hip-Hop,Jazz e Soul em Luke Cage,mas eu gostaria que eles não se prendessem apenas à bandas mainstream como o Metallica,e usassem umas mais underground,como Testament,Exodus,Sodom,Kreator,etc.

  • Obrigado! Sem dúvida, somos todos, em certa medida, Patersons também. Resta, como ele, sabe enxergar poesia no cotidiano. A indicação do filme valeu a pena, então? =)

  • Estephano

    Novamente, muito bom texto. O filme foge bastante do convencional nos dias de hoje. Afinal, não é tão comum o plot de um filme ser seguir a semana rotineira de alguém.
    Adam Driver manda bem demais, até a cara dele ajuda na interpretação. E não se pode esquecer do Nellie.
    O filme é muito bom mesmo e foi um dos seus favoritos do ano passado, né? Só de você o colocar junto a Rastros de Ódio na sua lista de injustiças do Oscar, já da para saber. kkkk

    • Dave Mustaine Rebirth

      Queria saber a lista completa do Rodrigo de “injustiças do Oscar”.

      • Estephano

        Rastros de Ódio ocupa a 1º, 2º e 3º colocação. rs

        • Dave Mustaine Rebirth

          À partir da quarta colocação vem o Silêncio

          • Estephano

            Puts! Verdade. Tem também as esnobada no Scorsese.

      • Tem muitos. Acho que Ford (apesar de ser o recordista de prêmio de Diretor) e Kurosawa e Leone (por serem estrangeiros) são os recordistas…rs Além de Rastros de Ódio, Paixão dos Fortes não teve nenhuma indicação. Nenhuma. Vários filmes do Kurosawa foram ignorados. Era Uma Vez no Oeste e Era Uma Vez na América também foram completamente esquecidos. Caramba, Era Uma Vez no Oeste foi desancado na época por ser “muito lento”…rs E Era Uma Vez na América (todo picotado pela Warner) foi considerado uma bomba. Surreal. E aquela trilha do Morricone de Era Uma Vez no Oeste, que é uma das maiores da história, não foi indicada. E olha que foi em um ano em que TRÊS westerns tiveram trilhas e canção original indicadas, e um deles venceu os dois prêmios. Solaris, O Sétimo Selo, Tempos Modernos, Nosferatu (do Herzog), Johny Guitar, Onde começa o inferno, Scarface, Gilda, todos clássicos influentes sem nenhuma indicação sequer. Mas a história felizmente sempre mostra que a qualidade dos filmes é maior que qualquer premiação. Esse ano acho que teremos outro ignorado: Columbus.

        • Dave Mustaine Rebirth

          Nossa,então não é de hoje que a Warner adora uma tesoura…rs.
          Eu vi que Era Uma Vez Na América tem quase 4 horas de duração,esse é o tempo do filme PICOTADO???? Ou é o tempo total?
          De todos esses que você citou,além de Era Uma Vez No Oeste,o único que eu vi – por enquanto – foi Scarface,e eu fiquei pasmo ao saber que ele não teve uma única indicação sequer.
          Não adianta,o Oscar não é confiável mesmo.

          • Essa é a versão original, 269 minutos. A versão final tem 229 minutos (é essa que eu tenho e assisti) e teve uma versão estendida do Leone com 251 minutos. Nos EUA, a Warner cortou… 90 MINUTOS DO FILME. Sério. 90 minutos. Cortaram um filme de dentro do filme…rs Foi um fracasso de público e crítica. Dizem até que foi isso que apressou a morte do Leone, que ficou arrasado com a situação e nunca mais foi o mesmo, falecendo cinco anos depois (e esse foi seu último filme). Muitos anos depois, nos anos 1990, é que a versão final foi lançada nos EUA, aí passou a ser reconhecida como um dos grandes clássicos do cinema.

          • Estephano

            Essa WB, hein?! Ano passado aconteceu a mesma coisa…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

          • Mas será que se cortassem 90 minutos desse filme do ano passado não teria ficado melhor que a versão que foi ao cinema? Fica a dúvida…kkkkkkkkkkkkk

          • Dave Mustaine Rebirth

            Ah,é um filme grande demais pra sua mente pequena (hehe,nunca perde a graça).

          • Dave Mustaine Rebirth

            Nossa cara,que triste :/

        • Estephano

          Praticamente tudo que não for americano é esnobado no Oscar, parece que criaram a categoria de filme estrangeiro só como prêmio de consolação mesmo.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Existem alguns raros casos de filmes não-americanos ou não-britânicos sendo indicados em categorias principais,mas no geral,a grande maioria é esnobada mesmo.

    • Valeu. Pois é, é bem incomum mesmo. E o cara conseguir fazer um filme que te prende contando sete dias iguais da semana de um motorista de ônibus poeta já mostra o talento…rs Ainda bem que li a crítica da Boscov e conheci esse filme. Uma pena que Nellie faleceu depois das filmagens. Um dos melhores cães-atores que já vi…rs Surreal esse cachorrinho.

      Sim. Levando-se em conta os filmes lançados em 2016, acho que o que mais gostei de todos foi esse, seguido de Silêncio e Moonlight.

      • Dave Mustaine Rebirth

        Ah cara,agora quando eu assistir o Paterson eu vou ficar triste por causa do cachorro ter morrido ;-;

        • É uma pena mesmo. Uma carreira promissora encerrada tão cedo…rs O cachorro é demais, muito expressivo. Parece que tá sabendo tudo que tá acontecendo em cena.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Que legal,dá pra notar a competencia de um grande cineasta quando ele consegue fazer um cachorro dar um show de atuação.

  • Ainda me lembro do dia que li esse teu texto pela primeira vez. Me deixou tão entusiasmado que corri para assistir ao filme, e, como sempre, era impossível uma indicação sua ser ruim, meu amigo.

    Eu tenho muito do Paterson em mim. Muito mesmo. Da timidez ao sentimento de que o que eu faço não está bom o suficiente; que o “talento” não deve ser compartilhado. Além de, claro, seu ser metódico. Até hoje não acredito que Marvin não está mais entre nós, o que é uma pena. Cara, Jarmusch nos faz apaixonar por um cachorro, se isso não é saber desenvolver bem algum personagem, eu não sei o que é. Enfim, um grande talento canino, que deixa saudades.

    A poesia realmente define a história, e os personagens. Tudo é muito bem feito, pensado e executado. Eu, após ver o filme, voltei a escrever poemas. Sério, Rodrigo, eu me apaixonei por tudo nesse filme. Me disse naquela época, e eu ainda concordo… Um dos melhores do ano, sem sombra de dúvidas!

    É sempre um prazer ler e reler teus excelentes posts, @alordesh:disqus!

    • Pois é, meu amigo, todos temos um pouco de Paterson em nós. Um mais que os outros…rs Mas ao que parece, aqui com o Ovest, resolvemos seguir o conselho da Laura, certo? kkkkkkkkkkkkkk

      Em breve espero escrever sobre outros dois filmes que são bem similares a Paterson, no sentido de retratarem o cotidiano: O Balão Branco e Depois da Tempestade. Acho que você ia gostar dos dois também.

      • Sim… Seguimos o conselho dela kkkkkk
        Somos a parte do Paterson que tenta ao máximo mostrar aos outros o que pensamos.

        Nunca vi, nenhum dos dois. Vamos ver. Espero conferir seus textos sobre eles para ver se empolgarei pra assistir.