“[o cinema] não surgiu [como] uma linguagem autenticamente nova até que os cineastas começassem a cortar o filme em cenas, até o nascimento da montagem, da edição. Foi aí, na relação invisível de uma cena com a outra, que o cinema realmente gerou uma nova linguagem. No ardor de sua implementação, essa técnica aparentemente simples criou um vocabulário e uma gramática de incrível variedade. Nenhuma outra mídia ostenta um processo como esse.” – Jean-Claude-Carrière

Para todos nós que nascemos com o cinema consolidado como uma linguagem artística, de relevância mundial e que se faz presente em nosso cotidiano (seja propriamente no escuro da sala com a grande tela, ou em casa, nas televisões, computadores e telas minúsculas de tablets e smartphones), a técnica da edição parece extremamente simples. Nós nem a percebemos, para falar a verdade. Muitas vezes nem conseguimos enxergá-la como uma técnica realmente. Simplesmente vemos a sucessão de cenas e compreendemos o que ocorre, na maior parte do tempo.

Uma tomada mostra um homem em um parque público olhando para a direita e sorrindo, e em seguida surge outra imagem, outra tomada, sucedendo a primeira, que mostra uma mulher no mesmo parque, olhando para a esquerda e sorrindo. A simples justaposição dessas duas imagens, nessa ordem, revela, sem que necessitemos mais do raciocínio (tão acostumados que estamos com a linguagem cinematográfica), que o homem olhou para a mulher caminhando ao seu lado e sorriu, e que a mulher, ao olhar para o homem caminhando ao seu lado e receber o seu sorriso, também sorriu.

Essa justaposição de cenas em movimento pode fazer qualquer coisa: a segunda cena pode anular a primeira, ao sucedê-la, ou podemos ter ainda uma terceira que interrompa o que acontecia na segunda, ainda que não guarde aparente relação alguma com a primeira, de modo que apenas muito à frente na narrativa teremos percebido a importância daquele elemento estranho, ou mesmo um corte que remeta a uma lembrança visual de outro momento da história.

Em seu livro A linguagem secreta do cinema, Jean-Claude-Carrière diz que um crítico americano, que via a câmera como um engenho capaz de converter o espaço em tempo e vice-versa, se referia sobriamente ao cinema como “a maior surpresa filosófica desde Kant“. O cinema germinou como uma linguagem verdadeiramente nova, e do silêncio dos seus primórdios para uma incessante efervescência técnica que é sua marca registrada, talvez nada tenha evoluído tão rápido quanto a montagem.

Há uma máxima que diz que um filme nasce apenas na sala de montagem. E ela é uma verdade absoluta. Até ser devidamente recortado e editado, o que foi feito no estúdio, ou fora dele, não passa de um enorme apanhado de material filmado. No silêncio da sala de montagem é que aquele conteúdo irá ser trabalhado e retrabalhado até emergir do seu casulo e se revelar aos espectadores como um filme. E ninguém vê esse trabalho. Somente quando ele for mal-feito é que as pessoas o perceberão. E se ele for muito bem-feito, mesmo que as pessoas não o notem enquanto uma técnica essencial da linguagem cinematográfica, será esse trabalho, junto das outras engrenagens que constituem um filme, um dos grandes responsáveis por elas gostarem tanto daquela obra. É o caso de Columbus.

Jin (John Cho) é um bem-sucedido tradutor do inglês para o coreano. Tem 40 e poucos anos e uma relação distante com o pai, um renomado arquiteto sul-coreano. Quando o seu pai adoece repentinamente e entra em coma durante uma turnê de palestras nos EUA, Jin é obrigado a partir de Seul, na Coreia do Sul, para a pequena Columbus, onde irá acompanhar o seu estado de saúde. Hospedado em um hotel, enquanto precisa cumprir prazos de trabalho com a sua editora, Jin reencontra Eleanor (Parker Posey), assistente pessoal e anjo da guarda do seu pai, sua grande amiga desde a juventude, e por quem nutre uma paixão platônica.

Casey (Haley Lu Richardson) é uma jovem de 19 ou 20 anos aficionada por arquitetura. Enquanto todos os seus amigos deixaram a cidade rumo às universidades dos grandes centros, Casey permanece presa em Columbus, trabalhando em uma biblioteca, onde tem como amigo seu colega de trabalho Gabriel (Rory Culkin), um doutorando em biblioteconomia. Não permitindo muitas perspectivas futuras a si própria, Casey se preocupa, ama profundamente, e cuida de sua mãe Maria (Michelle Forbes), uma ex-usuária de drogas que se ressente por pouco ou nada ter acompanhado do crescimento da filha (que em nenhum momento a julga por causa disso) e atualmente trabalha meio-período em uma fábrica.

Casey pretendia assistir uma palestra do pai de Jin e o acaso – acompanhado por um maço de cigarros – fez com que os dois se conhecessem – em um plano-sequência primoroso que vai recuando gradativamente a câmera enquanto acompanha a conversa dos dois personagens, cada um de um dos lados do muro baixo e florido do hotel, fumando seus cigarros, até se encontrarem na entrada. Poderia ter sido apenas esse encontro – e se dependesse de Jin, provavelmente seria – mas a insistência de Casey (“Jin! Ei, Jin! Jin com “n”!) faz com que os dois se reencontrem outras vezes na pequena cidade. Uma relação mágica entre eles logo começa a brotar.

Inspirado em Era uma Vez em Tóquio (1953), um dos maiores filme de todos os tempos, de um dos maiores diretores de todos os tempos, Yasujirô Ozu, o “cineasta do cotidiano“, Columbus marca a estreia – arrebatadora – de Kogonada como diretor de longa-metragens. Conhecido por seus vídeos-ensaios sobre cinema para a web, além de colaborar com ensaios visuais para a prestigiosa revista britânica de cinema Sight & Sound, o cineasta sul-coreano radicado nos EUA é um exímio montador que produz análises minuciosas sobre os estilos de filmagem de vários diretores consagrados. Com um olhar aguçado, Kogonada disseca a estrutura dos planos dos filmes estudados, identificando padrões recorrentes que revelam as particularidades das filmografias dos cineastas escolhidos.

A arquitetura surge como pano de fundo para um filme poético sobre cotidiano, relações familiares e existência, e a pequena Columbus é praticamente o terceiro vértice da história que Kogonada quer contar, entrelaçando-se com a trajetória dos protagonistas. Com pouco mais de 40 mil habitantes, a humilde cidade localizada em Indiana, no meio-oeste norte-americano, é conhecida como “a Atenas da padraria“. Desde a década de 1950, arquitetos de renome internacional, como Eliel e Eero Saarinen, Harry Weese e Deborah Berke, começaram a desenvolver projetos na cidade com uma regularidade assombrosa. Todo o núcleo da vida civil de Columbus (igrejas, pontes, torres, bancos, escolas e até mesmo prédios de escritórios) é constituído por obras-primas arquitetônicas, que transformaram a cidade em uma improvável “Meca” mundial da arquitetura modernista, atraindo milhares de visitantes do mundo inteiro todos os anos.

A curiosa combinação entre o charme de uma cidade pequena, interiorana em muitos aspectos, de uma tranquilidade incomum e excessivamente vazia e silenciosa, com a sofisticação de suas inúmeras construções mundialmente famosas, é explorada ao máximo pela estupenda fotografia de cores frias de Elisha Christian e pelos posicionamentos de Kogonada, com a câmera quase sempre parada, de um modo que cada cena parece uma arte fotográfica de uma revista – só parece haver movimento quando algo chacoalha as vidas dos dois. As composições de cenas invariavelmente são feitas com planos abertos e demorados, a câmera posicionada a uma certa distância dos atores, que aproximam-se aos poucos do foco, exigindo mais de suas atuações, que são acompanhadas por inteiro e não apenas em closes de rostos.

A arquitetura notável dos edifícios ajuda, mas cada plano de Columbus parece pensado com o rigor de um projeto arquitetônico. Os ângulos assimétricos das construções modernistas são colocados em paralelo com a simetria dos quartos de hotéis e dos escritórios de trabalhos em um desenho de cena soberbo, e cada enquadramento (no mais estrito sentido da palavra) do filme evidencia qualquer coisa, por mínima que seja, relacionada à arquitetura: um plano, um corte, uma profundidade, um posicionamento, uma perspectiva. Kogonada imerge o espectador no universo da arquitetura – e não é preciso ser um especialista para compreender os seus passos. Para além dos objetos e cenários, até mesmo o posicionamento dos personagens em cena é planejado, com Jin e Casey surgindo invariavelmente alinhados e simétricos – como no espetacular diálogo entre os dois com as cabeças apoiadas sobre os braços em cima do carro de Casey, cada um deles em um extremo do quadro.

Kogonada dirige como um arquiteto, desenhando e organizando nos mínimos detalhes os elementos de todas as composições, fazendo jus ao famoso ensaísta que é. E o seu evidente apuro visual e técnico não é vazio de significado, mas usado a favor da construção narrativa. Em um dos seus primeiros encontros, Casey apresenta, pelo lado de fora, um dos muitos edifícios de Columbus para Jin, listando os fatos de sua construção como se fosse uma guia turística. Jin pergunta por que ela gosta daquela construção, e a jovem começa a listar os fatos de sua fundação. Jin a interrompe: “Você gosta desse prédio por causa dos fatos? Não, você gosta por alguma outra coisa. Diga-me: o que te emociona na arquitetura?” E quando voltamos para Casey, dessa vez a câmera está dentro da edificação, por trás do vidro e não ouvimos mais som algum, nada do que é dito por ela: em vez disso a tela é preenchida pelo brilho nos olhos de Haley Lu Richardson, pelo movimento de seus lábios e de suas mãos, por seus gestos e seus sorrisos, e entende-se, sem a necessidade de uma única palavra, o que a emociona. Em outra sequência sublime, um longo diálogo entre Jin e Eleanor, permeado por desejos represados e lembranças do passado, ambos sentados em um sofá de uma sala, é inteiramente capturado através do reflexo em um espelho situado sobre uma estante.

O ritmo de Columbus é contemplativo e a narrativa é desenvolvida com lentidão – muitas são as lacunas que devem ser preenchidas pelo nosso raciocínio. Kogonada arquiteta a sua montagem com astuta habilidade, silenciando quando necessário, controlando o que deve ser dito e não dito, cortando e avançando de maneira não-convencional em determinadas passagens (como o “depois” da catártica dança de Casey diante dos faróis do carro; Jin dormindo no banco do carona), ou mesmo circundando imagens ao longo da obra – como o corredor do quarto de hotel onde Jin, de algum modo, se conecta com seu pai, que esteve hospedado ali antes do coma, e se repete estaticamente em inúmeros cortes. Enquanto isso, a trilha sonora do duo musical Hammock (Marc Byrd e Andrew Thompson) emerge quase sempre incidental, discreta (toques sutis de piano e sobreposições musicais), com a mesma naturalidade e convergência de todos os demais elementos do filme.

A genialidade dos diálogos cotidianos e corriqueiros de Kogonada enriquecem Columbus ao mesmo tempo em que antecipam temas a serem trabalhados nos atos seguintes. A conversa em que Gabriel explica uma tese do pai de Jin para Casey é um primor, uma das melhores que o cinema produziu em muito tempo: versando sobre interesse e concentração, traz a história do pai que ama livros, sendo capaz de passar horas absorto neles, mas não resiste a trinta minutos de videogame, e por isso não compreende como o filho, capaz de passar horas absorto no jogo, não consegue resistir a poucos minutos na leitura de um livro. Não é que o pai não seja capaz de se concentrar no jogo ou que o filho não seja capaz de se concentrar no livro; é questão de interesse. Interesse que mantém (ou desmorona) nossa concentração. Essa falta de entendimento e compreensão entre gerações (e os caminhos para os seus ajustes) termina por materializar-se no relacionamento de Casey e Jin, que a cada nova conversa veem abrir-se um mundo novo de perspectivas e pontos de vistas. A arquitetura da cidade é o pano de fundo da espontânea amizade, dos dilemas existenciais e também dos novos caminhos que ambos encontram em suas vidas.

Jin, o filho que (aparentemente) odeia arquitetura porque o pai, arquiteto, sempre esteve distante de casa por causa dela, logo é envolvido pelo entusiasmo de Casey, a jovem que adora arquitetura e encontra na contemplação dos edifícios um refúgio para as suas angústias – e para a vontade de escapar de tudo que nunca é dito às claras. Enquanto exploram os principais pontos da cidade (seguindo a lista de construções prediletas de Casey), as conversas sobre arquitetura, absolutamente deliciosas, vão sendo preenchidas, pouco a pouco, com digressões sobre desejos pessoais, anseios, sonhos e relações familiares. Enquanto a amizade vai sendo erguida sobre bases fortes, as afinidades entre os dois desabrocham e a intimidade se desenvolve, ao mesmo tempo em que notam-se as divergências, o desentendimento entre gerações. O vínculo de ambos com seus pais é o elemento que os aproxima, mas também aquilo que os separa.

Jin tenta fazer o que é esperado dele como um filho. Mais ainda de um filho coreano. De um povo apegado às tradições, onde dizem que se você não está por perto quando um familiar morre, o espírito dele fica vagando e vira um fantasma. Jin não acredita nisso, quer retornar urgentemente para Seul, para a sua rotina, mas ainda assim não consegue evitar permanecer em Columbus e cumprir o seu papel. Sofrendo em silêncio por ter sido privado a vida inteira do amor paterno, acaba sendo no amor de Casey pela arquitetura (que a moça despeja com alegria e entusiasmo sobre ele) que Jin encontra um ponto de conexão com esse passado – e, quem sabe, também com o perdão. Casey permanece sempre ao lado da mãe. Tendo sido privada do amor materno durante toda a infância, ela agora não quer estar longe, sacrificando seu crescimento profissional para não correr o risco de ver a mãe afundar novamente no vício. Mas nas conversas com Jin ela encontra um modo de se expressar abertamente – e, quem sabe, também mais coragem para buscar os seus próprios sonhos. Duas pessoas tão diferentes, em idades, nacionalidades, vivências e realidades, que acabam se enxergando em suas emoções conflitantes como reflexos em um espelho.

A sutileza marca o desenvolvimento da relação de profunda amizade que surge entre Jin e Casey, e Kogonada é econômico em muitos momentos, silenciando aquilo que o roteiro não precisa dizer, e efetuando cortes não-convencionais que avançam a história e deixam para o espectador a missão de preencher os seus espaços vazios. As performances brilhantes de John Cho e Haley Lu Richardson elevam todos esses aspectos e imprimem uma alma profunda e convincente em Columbus – ampliada pelas excelentes atuações do trio de apoio: Parker Posey, Rory Culkin e Michelle Forbes. Enquanto Cho interpreta com talento um personagem com uma carga pessoal forte, cravejado por dilemas e fragilidades escondidas sob o verniz de homem bem-sucedido – que o ator sutilmente vai descortinando –, Richardson hipnotiza os espectadores no papel de uma garota essencialmente comum, mas ao mesmo tempo madura além da sua idade, cativante, brilhante, e que transborda sentimentos. Ambos parecem pessoas reais, não personagens ficcionais interpretados por atores, e ter alcançado tal resultado é um grande trunfo do filme.

Simetricamente poético, profundamente lírico, com atuações destacadas, eivado de sutilezas estéticas, técnicas e narrativas, triste e alegre em iguais medidas de um modo estranhamente único, Columbus emerge como uma longa conversa sobre o cotidiano que se desenrola com vagar e absorve profundamente o espectador em seu seio. Kogonada disse em uma entrevista que para ele “toda separação é um tipo de morte“. A inevitabilidade da ausência que a separação provoca, sempre na corda-bamba dos pensamentos divididos entre as memórias (boas ou ruins) do passado e a imprevisibilidade (e os sonhos, realizáveis ou não) do futuro, é o ponto nevrálgico de uma obra terna, delicada e melancólica, pertencente àquele grupo raro de filmes capazes de fazer com que o espectador seja impulsionado a enxergar sua própria vida de uma outra forma.

Columbus (Columbus) – EUA, 2017, cor, 104 minutos.
Direção: Kogonada. Roteiro: Kogonada. Música: Hammock. Cinematografia: Elisha Christian. Edição: Kogonada. Elenco: John Cho, Haley Lu Richardson, Parker Posey, Rory Culkin, Michelle Forbes, Jim Dougherty e Erin Allegretti.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Lutércia

    Texto sensancional!
    Vc escreve que o filme “absorve profundamente o espectador em seio”, e sua crítica absorve profundamente o leitor em seu texto, pois é impossível ler algum dos seus textos sem se sentir convidado, envolvido, chamado a assistir…
    Parabéns! Mais um para minha lista. Rss

    • Muito obrigado…rs Assim que ele sair em torrent te passo (quero revê-lo também…rs).

      • Lutércia

        “O ritmo de Columbus é contemplativo e a narrativa é desenvolvida com lentidão – muitas são as lacunas que devem ser preenchidas pelo nosso raciocínio…”
        De fato é um filme primoroso. Ter a arquitetura como pano de fundo dessa historia, que gira em torno de uma amizade tão natural qto os dilemas q ela faz emergir, onde como vc escreveu “Ambos parecem pessoas reais, não personagens ficcionais interpretados por atores”, torna ele de fato uma conversa sobre o cotidiano, onde enxergamos nossa vida, nossas duvidas, nossos medos, e etc. Valeu por mais essa recomendação, moço! Rss

        • =) É uma obra naquela rara categoria de filmes que fazem com que olhemos pras nossas próprias vidas.

  • Ótima crítica, Rodrigod!
    Não conheço esse filme.

    Obs: Tenho dois posts prontos para edição (e mais o gigante que termino só mês que vem, provavelmente kkkkk).

  • Dave Mustaine Rebirth

    Crítica primorosa Rodrigo,é incrível como você consegue ressaltar as qualidades de um filme.
    Já tratei de adicionar na lista de filmes desse ano que eu tenho que ver e o coloquei na sessão “possíveis candidatos ao Oscar 2018”,rs.

    Achei interessante essa sua introdução onde você cita a importância da edição para a criação de um filme,e realmente é algo que acaba passando batido,só percebemos mesmo quando é mal feita,ou quando o filme utiliza narrativa não-linear e as cenas são montadas fora de ordem cronológica.

    • Valeu, meu amigo. Como é um filme indie, e ainda de um diretor sul-coreano, apesar de ser produção norte-americana, eu acho que vai ser solenemente ignorado no Oscar – do mesmo modo que o espetacular Paterson, de um americano, Jim Jarmusch, mas também indie e independente, foi ignorado no Oscar passado. Se não for ignorado, teria que ser indicado em Filme, Diretor, Roteiro Original, Montagem e ao menos a atuação da garota.

      Depois entra no site desse diretor, Konogada, e vê os vídeos que ele fez analisando as obras de Kubrick e outros direitos. São sensacionais.

      • Dave Mustaine Rebirth

        Ah,pior que é verdade,o que tem de filmes bons que são esnobados pelo Oscar,não é brincadeira.
        Pode deixar,vou ver sim.

        Aliás,falando em Oscar,você já chegou a ver todos os filmes vencedores do Oscar de Melhor Filme?

        • Sim. Sem ter lobby e um grande estúdio divulgando por trás, certos filmes passam longe do Oscar. Por isso que outras premiações como de Veneza, Sundance, Cannes, são mais amplas, nas seleções desses festivais que se consegue descobrir filmes menores.

          Todos? Desde sempre? Não. Vou até dar uma olhada na lista…rs

          • Dave Mustaine Rebirth

            Dá uma olhada então. Ver todos os filmes vencedores da categoria máxima é uma meta que eu estabeleci pra ampliar meus conhecimentos cinematográficos,e quando eu atingir a meta,vou dobrar a meta,pretendo ver todos os filmes que foram indicados também.

          • Bem. 89 filmes. Pelas minhas contas eu vi 34. E tenho uns 10 dos que eu ainda não vi.

            Eu tenho ido por diretores. Ampliando o que já vi de Ford e Kurosawa. E indo pra outros: Mizoguchi, Ozu, Bergman, Fellini. E às vezes por gênero. Ou por períodos.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Sim,eu também quero ampliar por diretores,e era isso que eu queria conversar com você.
            Primeiramente,sobre o John Ford,eu não sou digno de ser chamado de cinéfilo enquanto não tiver visto nenhum filme dele,eu dei uma pesquisada na filmografia dele e fiz uma lista de filmes dele pra ver,dá uma olhada e me diz se tem mais algum que eu deva acrescentar:

            O Delator (The Informer)

            No Tempo das Diligências (Stagecoach)

            A Mocidade de Lincoln (Young Mr Lincoln)

            As Vinhas da Ira (The Grapes Of Wrath)

            A Longa Viagem de Volta (The Long Voyage Home)

            Como Era Verde Meu Vale (How Green Was My Valley)

            Fomos Os Sacrificados (They Were Expendable)

            Paixão dos Fortes (My Darling Clementine)

            Domínio de Bárbaros (The Fugitive)

            O Céu Mandou Alguém (Three Godfathers)

            O Azar de um Valente (When Willie Comes Marching Home)

            Caravana de Bravos (Waggon Master)

            Sangue de Heróis (Fort Apache)

            Legião Invencível (She Wore A Yellow Ribbon)

            Rio Grande (Rio Bravo)

            Depois do Vendaval (The Quiet Man)

            Rastros de Ódio (The Searchers)

            Asas de Águia (The Wings Of Eagles)

            Ao Cair da Noite (The Rising Of The Moon)

            Marcha de Heróis (The Horse Soldiers)

            O Homem Que Matou O Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance)

            A Conquista do Oeste (How The West Was Non)

            Os Aventureiros do Pacífico (Donovan’s Reef)

            Crepúsculo de uma Raça (Sheyenne’s Autumn)

          • Da fase falada é praticamente isso aí mesmo. Todas as maiores obras dele estão entre esses filmes. De 1935 a 1940 (entre O Delator e No Tempo das Diligências) tem mais alguns, e na fase final também (como Audazes e Malditos), mas esses aí já são um ótimo começo…rs Caso queira ir pelas maiores obras primeiro: No Tempo das Diligências, Depois do Vendaval, Rastros de Ódio, As Vinhas da Ira, Como Era Verde Meu Vale, A Mocidade de Lincoln, O Homem Que Matou o Facínora, Rastros de Ódio, Caravana de Bravos e Paixão dos Fortes. Qualquer um desses é começar pelo melhor de Ford. Eu tenho um zip aqui com quase tudo isso aí em torrent, que enviei para o Estephano muito tempo atrás. Se quiser.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Estão todos legendados?
            Se sim,vou aceitar sim.

          • Já enviei.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Beleza,valeu.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Do Akira Kurosawa,eu também fiz uma pesquisinha,a lista ficou assim:
            Um Domingo Maravilhoso (Subarashiki Nichiyobi)

            As Portas do Inferno (Rashomon)

            O Idiota (Hakuchi)

            Viver (Ikiru)

            Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai)

            O Guarda-Costas (Yojimbo)

            O Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jō)

            A Fortaleza Escondida (Kakushi toride no san akunin)

            Senhores da Guerra (Ran)

            A Sombra de um Samurai (Kagemusha)

            Sonhos (Yume)

            A Águia das Estepes (Dersu Uzala)

            Cão Danado (Nora Inu)

            Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi)

            Os Homens Que Pisaram na Cauda do Tigre (Tora no o wo fumu otokotachi )

            Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô)

            Homem Mau, Dorme Bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru)

            Céu e Inferno (Tengoku to jigoku)

            O Caminho da Vida (Dodeskaden)

            Ralé (Donzoko)

            Barba Ruiva (Akahige)

            Escândalo (Shubun)

            Duelo Silencioso (Shizukanaru ketto)

            Não Lamento Minha Juventude (Waga seishun ni kuinashi)

          • O primeiro que eu vi dele foi Um Domingo Maravilhoso. E até hoje permanece um dos meus filmes prediletos…rs Sensacional. Os Sete Samurais, Rashomon, Sanjuro, Yojimbo, Um Domingo Maravilhoso, Viver, Ralé, Ran, Sonhos, Kagemusha – A Sombra do Samurai, A Fortaleza Escondida, Dersu Uzala, essas seriam as maiores obras dele.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Tem muitos outros cineastas que eu pesquisei também,um deles foi o Ingmar Bergman,que você citou.
            A minha lista está:

            Quando Duas Mulheres Pecam (Persona)

            Gritos e Sussurros (Viskningar och rop)

            Fanny e Alexander (Fanny Och Alexander)

            Cenas de um Casamento (Scener ur ett äktenskap)

            Através de um Espelho (Såsom i en spegel)

            Luz de Inverno (Nattvardsgästerna)

            A Fonte da Donzela (Jungfrukällan)

            O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet)

            Sorrisos de uma Noite de Amor (Sommarnattens leende)

            Morangos Silvestres (Smultronstället)

            No Limiar da Vida (Nära livet)

            A Flauta Mágica (Trollflöjten)

            O Ovo da Serpente (Ormens ägg)

            Sonata de Outono (Höstsonaten)

            Face À Face (Ansikte mot ansikte)

            A Hora do Lobo (Vargtimmen)

            Vergonha (Skammen)

          • Tem Crise também, o primeiro filme dele. Eu estou lendo a autobiografia dele, Lanterna Mágica. Muito boa.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Legal,vou acrescentar na lista.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Quando eu tava pesquisando a filmografia do John Ford,eu dei uma olhada na filmografia do John Wayne também,e pelo que eu vi,além do Ford,ele também teve uma forte parceria com o Howard Hawks,Henry Hathaway e William A. Wellman,além,é claro,dos filmes dirigidos por ele próprio.
            Eu pretendo ver tudo isso também,será que o John Wayne vai vir a ser meu ator favorito também?

          • Howard Hawks está entre meus diretores prediletos. Fez grandes westerns com Wayne, especialmente Rio Vermelho e Onde Começa o Inferno, dois clássicos incontestes, sendo este último um dos meus 5 westerns prediletos. Ele que auxiliou Donner a dirigir o Superman de 1978. Do Wellman eu postei a crítica de um grande western dele aqui, Consciências Mortas, com outro fera: Henry Fonda, que também fez muito filme com Ford. Curioso que os filmes do Wayne com Wellman que vi não eram westerns, mas sim os precursores dos filmes catástrofes: As Geleiras do Inferno e Um Fio de Esperança, muito bons. Tenho os dois em DVD. Hathaway fez Bravura Indômita, filme que deu o Oscar a Wayne. Muito bom, apesar de o remake dos irmãos Coen ser ainda melhor. Filmou um dos atos de A Conquista do Oeste também, grande épico western. Outro grande diretor do gênero é Anthony Mann, que curiosamente nunca trabalhou com Wayne, mas fez um ciclo e westerns lendários com outro que é um dos maiores cowboys de todos os tempos: James Stewart.

          • Dave Mustaine Rebirth

            O Howard Hawks também trabalhou com Filmes B né?
            Aquele O Monstro do Ártico,que inspirou o John Carpenter a fazer O Enigma de Outro Mundo,é dele,não é?
            Sim,eu estou ciente que o negócio do Wellman é filmes de aviação,tanto é que o primeiro filme que ganhou o Oscar de Melhor Filme foi uma de suas maiores obras: Asas. Eu li o texto do Consciencias Mortas no 3G,tenho que passar lá depois pra comentar.
            Bravura Indômita eu queria ver o original antes de ver o remake,mas eu vi que o remake ia sair do catalogo da Netflix,ae eu tive que correr pra assistir,rs. É ótimo mesmo.
            Vou pesquisar sobre o Anthony Mann depois,do James Stewart eu só vi algumas das parcerias dele com o Hitchcock

          • Sim. Hawks é um dos maiores do cinema americano, mas é subestimado e esquecido. As famosas parcerias do Stewart foram com o Hitchcock (fez todos os melhores filmes dele) e com o Mann. Mas também estrelou com Wayne O Homem Que Matou o Facínora, último grande western de Ford. E também atuou no último filme de Wayne, do Don Siegel: O Último Pistoleiro.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Don Siegel,tá ae mais um cineasta que pretendo conhecer.
            Eu vi que ele trabalhou bastante com o Clint Eastwood,também pretendo assistir os filmes da parceria entre esses dois.
            O mesmo vale pro Sergio Leone,eu quero ver A Trilogia dos Dólares (vi só o terceiro,The Good,The Bad And The Ugly) e a Trilogia Era Uma Vez (vi só o primeiro,Era Uma Vez No Oeste)

          • O Siegel é um dos mestres do Eastwood, ao lado do Leone. Em Um Estranho Sem Nome, grande western e um dos primeiros filmes que o Eastwood dirigiu, em uma cena no cemitério tem duas lápides com os nomes de Siegel e Leone. Os dois influenciaram demais o estilo dele.

            Leone é fenomenal. Eu ainda vou escrever sobre os filmes dele (Era Uma Vez no Oeste é meu segundo western predileto, só fica atrás de Rastros de Ódio), e pretendo escrever sobre todos. Como ele fez só uns 6 ou 7 filmes será mais fácil…rs

          • Dave Mustaine Rebirth

            Tem algum outro grande filme do Leone fora essas duas trilogias?

          • Ele basicamente só fez essas duas trilogias…rs Fora isso, só dirigiu solo O colosso de rodes. O restante é tudo co-direção, ou do começo de carreira, ou depois com amigos.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Ah,assim facilita bastante,rs.
            E falando no Clint,os únicos filmes dirigidos por ele que eu vi (até agora) foram o Sully e o Sniper Americano (que eu preciso rever).
            A lista que eu fiz dele está assim:

            O Estranho Sem Nome
            O Cavaleiro Solitário
            Bird
            Um Mundo Perfeito
            As Pontes de Madison
            Cowboys do Espaço
            Os Imperdoáveis
            Sobre Meninos e Lobos
            Menina de Ouro
            A Troca
            Gran Torino
            Conquista de Honra
            Cartas de Iwo Jima
            Invictus
            J. Edgar

          • Dele também preciso ver alguns ainda. Preciso de mais horas no dia…rs

            Falta aí o segundo melhor western que ele dirigiu, atrás apenas de Os Imperdoáveis: Josey Wales.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Putz,eu ainda não acrescentei o Josey Wales.
            Já coloquei

          • Dave Mustaine Rebirth

            Eu andei pesquisando também sobre cinema francês e cinema italiano.
            Dos italianos,eu quero conhecer as obras do Federico Fellini e do Vittorio de Sicca,eu listei também os filmes deles pra mim ver,mas por ora estão bem modestas:

            Fellini:

            A Estrada da Vida (La strada)

            Noites de Cabiria (Le notti di Cabiria)

            Oito e Meio (8½)

            Amarcord (Amarcord)

            A Doce Vida (La dolce vita)

            Satyricon (Satyricon)

            Os Boas-Vidas (I vitelloni)

            Casanova (Il Casanova di Federico Fellini)

            Roma de Fellini (Roma)

            De Sicca:
            Vítimas de Tormenta (Sciuscià)

            Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette)

            Ontem,Hoje e Amanhã (Ieri, oggi, domani)

            O Jardim dos Finzi-Contini (Il giardino dei Finzi-Contini)

            Umberto D. (Umberto D.)

            Bocaccio 70 (Bocaccio 70)

            Matrimônio À Italiana (Matrimonio all’italiana)

            Os Girassóis da Rússia (I girasoli)

          • Do Fellini tenho uns três apenas. Quero comprar o 8 1/2. De italianos teno muito Giallo (gênero italiano de suspense e romance policial), especialmente do Dario Argento (que escreveu o roteiro de Era Uma Vez no Oeste ao lado de Sergio Leone e Bernardo Bertolucci, antes de se tornar diretor – ele era crítico de cinema).

            Um ótimo lugar pra você conhecer novos diretores e novos filmes, de vários gêneros e épocas diferentes, é acompanhar os lançamentos da Versátil Home Video. Pode segui-los no twitter. E no YouTube eles lançam vídeos falando mais demoradamente sobre os filmes dos boxs, com informações bem legais. O site deles é esse: http://www.versatilhv.com.br. O bom é que são sempre versões restauradas dos filmes e sempre com extras. Mesmo que você não vá comprar, só pelas descrições e da seleção que eles fazem, já te aponta novos caminhos.

            De dois anos pra cá só compro filmes dele. Tenho várias das coleções que eles lançaram, e conheci muita coisa boa através deles, que fazem uma curadoria incrível, dando quase sempre predileção a obras que nunca foram lançadas aqui antes, ou se foram, você não acha mais. Todos os filmes que tenho do Kurosawa são edições deles, já comprei vários do Bergman também, clássicos do terror, de zumbis, da ficção científica, tenho 5 volumes da coleção Faroeste deles. Pra quem gosta de cinema, o trabalho dos caras é incrível – ainda mais quando lembramos que os das grandes distribuidoras costuma ser bem fraco, praticamente só filmes novos é que eles lançam mesmo e um ou outro clássico de maior apelo.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Nossa,que bom.
            Se não me falha a memória,voce já havia mencionado a Versátil uma vez,mas não me recordava do nome,interessante,vou acompanhar,muito bom ver uma distribuidora que lança esses filmes mais antigos e menos conhecidos.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Do cinema francês,tem dois também que eu destaquei: François Truffaut e Jean-Luc Goodard.
            Do Goddard eu ainda não pesquisei à fundo sua filmografia,então por ora ainda não listei.
            Já do Truffaut,a lista está um tanto extensa:

            A Noite Americana (La nuit américaine)

            O Último Metrô (Le dernier métro)

            Os Incompreendidos (Les 400 coups)

            O Amor aos Vinte Anos (L’amour à vingt ans)

            Beijos Proibidos (Baisers volés)

            Domicílio Conjugal (Domicile conjugal)

            Amor em Fuga (L’amour en fuite)

            Uma Mulher Para Dois (Jules et Jim)

            A História de Adele H (L’histoire d’Adèle H.)

            A Sereia do Mississipi (La sirène du Mississipi)

            As Duas Inglesas e o Amor (Les Deux Anglaises et le Continent)

            Atirem no Pianista (Tirez sur le pianiste)

            Fahrenheit 451 (Fahrenheit 451)

            O Quarto Verde (La chambre verte)

            O Homem Que Amava as Mulheres (L’homme qui aimait les femmes)

            A Noiva Estava de Preto (La mariée était en noir)

            Na Idade da Inocência (L’argent de poche)

            O Garoto Selvagem (L’enfant sauvage)

            Um Só Pecado (La peau douce)

            A Mulher do Lado (La Femme d’à Coté)

            De Repente Num Domingo (Vivement Dimanche!)

          • Você está anotando suas listas em que lugar? Faz um perfil no IMDB que lá você pode organizar bem essas listas de filmes a ver. Fiz um perfil lá essa semana.

          • Dave Mustaine Rebirth

            Tá anotado no meu celular.

          • Vi bem mais entre os que foram indicados e não venceram…rs Uns 90, Ou mesmo entre os que sequer foram indicados (como Rastros de Ódio, por exemplo).

          • Dave Mustaine Rebirth

            Ah cara,o que tem de filme bom que merecia ganhar e nem sequer teve indicação…Scorsese que o diga

  • Estephano

    Estava inspirado, hein, Rodrigo? rs
    Referente a montagem, realmente é muito mais fácil de perceber quando ela é mal feita do que o inverso, é aquele tipo de trabalho que não aparece muito para o público, mas é primordial para um filme. Alguns diretores inclusive possuem um estilo peculiar nesse quesito, se um dia tiver interesse, procure ver algum dos filmes mais famosos do Jean-Luc Godard, vai ser no mínimo uma experiência diferente.

    Depois de tantos elogios proferidos por você ao filme, estou bem curioso para ver. Existem muitos filmes interessantes com essa abordagem do cotidiano da vida, e a influência do diretor é excelente. Já esta na minha lista para conferir.

    • Valeu…rs Godard está na minha lista a ser visto. E outros franceses também.

      Sim. O “cinema do cotidiano” tem muitos filmes interessantes, e também muito cineastas incríveis que produziram obras nesse estilo. E a influência do Kogonada não poderia ser melhor. Essa estreia dele em Columbus foi fenomenal, agora é mais um para ficar de olho nos próximos filmes.

  • Aragorn II, King of Gondor

    Crítica magnífica, Rodrigo! Os parágrafos referentes à montagem foram sublimes. Mais um filme para minha extensa lista… e sequer tinha ouvido falar sobre ele até essa postagem.

    • Obrigado! Esse filme está totalmente fora do radar mesmo. Só soube da existência porque um cinema daqui exibe filmes assim…rs

  • Caramba, Rodrigo… Que crítica foi essa, meu amigo? Eu estou no chão aqui kkkkkk
    Então esse é o magnífico e, até então, melhor filme do ano? Quanta inspiração! (Como disse o Estephano ali embaixo kkkkkk)

    Esse início do teu texto me deixou boquiaberto. Falando um pouco sobre a montagem, eu achei muito interessante e, sem dúvida, essencial para a compreensão da obra e do seu texto. Montagem em um filme é como a arquitetura, ela estrutura a obra. Excelente.
    Eu destaco uma parte do seu post que me tocou (e interessou bastante). O sentimento do Gabriel quanto à profissão do seu pai. Eu me identifiquei muito, muito mesmo. Meu pai sempre esteve muito ausente durante toda a minha vida, muito por causa do trabalho dele, e, com o tempo, passei a tomar raiva do que ele fazia. Até hoje não gosto. É como se ele conseguisse ter tempo pra aquilo, mas não conseguisse ter tempo pra mim. Hoje eu entendo melhor a situação, sou adulto (ou projeto de um), mas ainda me magoo muito pensando.
    Ah, e a relação de “interesse” entre ler um livro ou passar o dia em um jogo é brilhante. Realmente, é tudo uma questão de interesse!

    Meu amigo, essa obra deve ser realmente brilhante. As sutilezas e o empenho do diretor em transpor uma história que “relaciona” com o assunto que aborda é genial.
    “A arquitetura notável dos edifícios ajuda, mas cada plano de Columbus parece pensado com o rigor de um projeto arquitetônico.”
    Incrível, meu amigo.

    Excelente crítica, como sempre.

    • Valeu, meu amigo.

      A imagem que mais ficou em mim quando sai do filme foi essa: o Kogonada dirigiu como se fosse um arquiteto. E realmente ele o fez. Levou o tema de fundo do filme aos limites. Simplesmente incrivel.

      Meu amigo, você irá gostar muito desse filme então quando puder vê-lo (espero que saia logo em torrent porque quero rever). Irá se identificar tanto com o Jin quanto com a Casey. Todos temos nossas dores e dilemas, nossos sonhos e medos. Como disse no final, é daqueles filmes raros capazes de fazer com que analisemos nossas próprias vidas.

      • Simplesmente incrível mesmo, Rodrigo!

        Eu sei que irei adorar, meu amigo. Assim que sair no torrent, vou assistir. Filmes assim, que nos fazem refletir, são os melhores!

    • cleber
      • Que coisa mais linda, cleber <3
        E olha que eu ainda nem assisti ao trailer kkkkkkk
        (Ainda estou pensando se vejo ou não)

        • cleber

          Não resisti e assisti. Épico e com um ótimo gancho. Mas o visual… que coisa linda! Esse diretor tem uma sensibilidade muito grande.

        • Dave Mustaine Rebirth

          Seu grande monte de esterco!

          • Me respeita, seu pato cagado

          • Dave Mustaine Rebirth

            Quem é vivo aparece.

          • Nossa, cara… como você é um gênio, hein? Se não me falasse isso, não saberia.

          • Dave Mustaine Asgaardiano

            Hur dur

  • Marciano de outro mundo

    Parece ser muito interessante. Belo texto!

  • cleber

    Já faz uns 5 dias que assisti e até agora não saiu da minha cabeça. Simplesmente esplendido.

    Estou impressionado que vários “cutscenes” do vimeo, e que eu já amava tem uns anos, são desse cara. Aquele do Kubrick, nossa… vários mesmo. Alias, ali é um oasis de videos do tipo. Como é uma plataforma mais voltada pra qualidade dos videos, muitos profissionais da área tem conta lá. Mas mesmo que eu tivesse associado o nome do diretor aqueles cuts, jamais poderia me preparar pra esse filme.

    É tanta coisa positiva que vou mesmo falar das mais óbvias:

    A fotografia desse filme é uma ignorância! Tá certo que o cara conhece do riscado. Mas o que foi aquilo? A unica palavra que não saia da minha cabeça era enquadramento. A maneira como as pessoas interagem em cena e com o ambiente. Alem da cidade já ser bonita por “natureza”. Ontem mesmo vi uma lista dos melhores trabalhos de fotografia de 2017 e esse filme não estava entre eles. Isso é uma coisa que eu aprendi depois de muito tempo. Nem sempre a fotografia mais “bela” é a melhor. Foco, iluminação, enquadramento e outros fatores estão sempre no jogo.

    Haley Lu Richardson: Se tiver algum premio de “magnetismo do ano” pode dar pra essa menina. Que atriz! Sua naturalidade e empatia iluminam as cenas. Incrível como duas ótimas atrizes fizeram aqueles estereótipos ambulantes em Fragmentado. Que acho um filme bem superestimado. De qualquer forma já atesto que nasce uma estrela. Que mulher!

    Os diálogos: e aqui confesso que até me surpreendi com sua critica. Pois faz muito tempo que vi Era uma Vez em Tóquio, então não consegui ainda associar com isso. Pois eu só ficava pensando no cinema do Richard Linklater. Vi que o Kogonada fez um video sobre a passagem de tempo no cinema dele e entrou nos extras da coleção da Criterion da trilogia Before. No canal do vimeo do diretor tem esse video. É que quando começou o filme ele mostra varias “paisagens” da cidade. E dai a historia do filmes segue, com todo aquele “naturalismo”, a relação dos dois protagonistas e seus dramas. A diferença é que na trilogia Before os atores ficavam meio que “presos” durante o período que se passa a trama. Mas quando ele encerrou o filme com as paisagens, mas dessa vez vazias, ali eu tive certeza da influencia. Essa é umas marcas registradas da trilogia. Que todos os lugares pelas quais os protagonistas passam, ao final do filme são mostrados vazios. Lindo demais.

    Por falar em não reparar nas coisas. Outro lado do filme que me tocou foram as conversas entre os personagens. Nem faço ideia da quantidade de vezes que isso aconteceu comigo. Ao conversar com uma mulher por ex, principalmente se estou interessado. Acabo falando algo que soa diferente para o outro. As vezes uma brincadeira mau compreendida, uma opinião a respeito de algo. Já faz com que o clima “derreta” e tudo vá abaixo.

    • Até agora segue sendo o meu filme predileto no ano. Em breve vou rever. Tecnicamente Columbus é impecável, em todos os aspectos. E as atuações são brilhantes. Fiquei fascinado com tudo. Uma estreia soberba do Kogonada. Uma pena que está sendo solenemente ignorado em premiações.