o conhecimento primevo
um marco inicial e referencial
meio oceano ao norte daqui
longitude e latitude e quilômetros
a serem levados
(pelos ventos) em conta
a distância intransponível
— um tanto (ou nem tanto?)
talvez… certamente:
definitivamente!
metamorfoseando-se:
o intervalo fustigado
pelas palavras
também os sorrisos
e ainda as sensações;
o tempo de espera que nunca passa
os segundos que navegam
em mares de expectativas
também rios de pensamentos
e aproximações

e num repente…

singularidade:
a dilatação do tempo ampliado no espaço
para além dos absolutismos
e das regras do universo
encurvado;
e um segundo renasce em um minuto
e um minuto renasce em uma hora
e os meses…
— tão poucos
— tão curtos
— tão velozes
… parecem percorridos
no ritmo dos anos
e o sorriso
que me atinge no rosto
é uma esfinge inabalável
além do tempo
um instante
ou
um intervalo
eterno.


Escassamente inspirado no estilo do genial poeta norte-americano e. e. cummings (sim, grafado em minúsculas mesmo, era como Edward Estlin Cummings assinava e publicava), um dos maiores do nosso tempo, que fez inúmeras inovações em tipografia e pontuação na poesia. O que para muitos eram simples “efeitos”, na verdade representavam a busca incessante pela clareza da expressão dos sentimentos, pensamentos e emoções.

© Na imagem de capa, String, óleo sobre tela de Odd Nerdrum, extraordinário pintor figurativo norueguês.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Lutércia

    Meio oceano ao sul daqui… e os quilômetros transformam em longa espera o desejo de ver o distante se tornar superável…

    Tempo de espera que converte dias em anos…

    Coração dilatado no desejo de ver esse intervalo eterno acabar…

    • Já saiu quase um outro poema, hein? rs =D

  • Lindo poema, Rodrigod.

  • Rodrigo, que coisa mais linda, meu amigo!
    Amei, novamente, esse texto seu. Fiquei intrigado com o título iniciar com letra minúscula, mas entendi a proposta lendo sua explicaçãozinha ao final do post.
    Eu li, mas lerei novamente agora, para absorver mais coisas, que com certeza deixei passar.
    Parabéns por mais um belíssimo poema, meu amigo!

    • Obrigado, meu amigo. =) E legal que foi ao mesmo tempo em que você publicou o seu texto com um título extremamente intrigante…rs

      Ah, e hoje esperando fazer o exame, comecei a rascunhar no celular aquela ideia de história que falei contigo, que eu ia fazer. Vamos ver se sai…rs

      • Você merece!!!

        Sério???? CARAMBA, RODRIGO!!!
        Estou louco para ler uma história escrita por ti. Seus poemas já são lindos, maravilhosos, quero ver o que pode fazer com uma história. Vai ficar foda!

  • Aragorn II, King of Gondor

    Incrível a proposta envolvendo grafar as palavras com letras minúsculas. Além disso, é possível perceber com facilidade o sentimento presente nos versos… belíssimo texto, Rodrigo, como sempre!

    • Obrigado! Se você ler algo do Cummings vai ver que vai muito além do que as palavras em caixa baixa. Mas isso foi o máximo que eu consegui fazer no meu poema…rs

  • Dave Mustaine Rebirth

    Mas está apaixonado mesmo,rs.
    Mais um poema excelente,meu amigo.

    • Quando estamos apaixonado, meu amigo, somos capazes de fazer maravilhas com simples palavras. O que o Rodrigo fez, nesse caso!

      • Dave Mustaine Rebirth

        Pois é.
        Se eu fosse tentar escrever um poema agora,provavelmente seria algo terrivelmente pessimista,rs.

        • Porra, Dave. Por que, mano?

          • Dave Mustaine Rebirth

            Porque é esse tipo de coisa que se passa na minha cabeça a maior parte do tempo

          • Eita, mano 🙁

    • Valeu, meu amigo…rs