“– Hoje tem marmelada? – Tem, sim senhor! – Hoje tem goiabada? – Tem, sim senhor! – E o palhaço, o que é? – E ladrão de mulher! – E o palhaço, o que é? – E ladrão de mulher!”

O Palhaço acompanha a história do Circo Esperança, uma pequena companhia mambembe que percorre as cidades do interior de Minas Gerais com suas apresentações teatrais. A nômade trupe é encabeçada pelos palhaços Puro Sangue (Paulo José) e Pangaré (Selton Mello), os nomes artísticos de Valdemar e Benjamim, pai e filho. Sem animais no picadeiro, ou grandes estruturas e cenários, eles mantêm o trabalho vivo através de performances imaginativas que encantam o humilde e reduzido público, quase sempre variando entre trinta a cinquenta pessoas.

“Eu faço o povo rir, mas aí quem é que vai me fazer rir?”

Os risos e aplausos da platéia ecoam pelo diminuto e simplório ambiente circense, enquanto Pangaré deixa o picadeiro em mais uma divertida palhaçada. No corte seguinte, a câmera parte da escuridão para acompanhar o palhaço em um traveling pela lona desmontada: exausto e amuado, postura encurvada, Benja (como é chamado pelos amigos) precisa fazer mágica com o pouco dinheiro que recebem, resolver a questão do alvará do circo, além de escutar e, na medida do possível, também atender, os mais diversos anseios dos seus companheiros de profissão – de adiantamentos de pagamentos a novas roupas ou instrumentos de trabalho.

Essa dualidade eficiente e espontânea entre humor e drama compõe a essência desse fantástico road movie, segundo longa-metragem do ator Selton Mello, que estreou na direção em 2008 com Feliz Natal, um sombrio e amargo drama. O seu protagonista está em crise existencial e o contraste entre suas duas vidas é evidente. Pangaré faz todo mundo rir no picadeiro, mas não consegue encontrar motivos para a felicidade quando o sorriso pintado é desfeito e ele volta a ser o Benjamim, sem endereço fixo e carteira de identidade – apenas uma certidão de nascimento carcomida pelo tempo, que ele carrega sempre no bolso para não perder. Benja começa a se questionar se a vida de palhaço é mesmo a sua vocação e o que ele quer para o seu futuro, e um dia deixa tudo para trás, partindo em uma deliciosa jornada em busca dos seus sonhos: tirar seu RG, comprar um ventilador, encontrar um novo emprego e, quem sabe, também a mulher ideal. No caminho, irá redescobrir o sentido da sua própria existência.

A trupe do Circo Esperança

O Circo Esperança é formado ainda pelos irmãos João Lorota (Álamo Facó) e Chico Lorota (Hossen Minussi), músicos da trupe e pelo casal Tony Lo Bianco (Cadu Fávero) e Justine (Bruna Chiaradia), pais da pequena Guilhermina (Larissa Manoela), a princesinha do circo, que cresce no itinerante ambiente circense; por Dona Zaira (Teuda Bara) e seu filho Borrachinha (Renato Macedo), pelo anão Meio Quilo (Tony Tonelada), o enorme Gordini (Thogun), os trapezistas Robson Felix (Erom Cordeiro) e Lara Lane (Maíra Chasseraux) e a dançarina Lola (Giselle Motta), nova mulher de Valdemar.

Todo mundo faz de tudo um pouco no circo. Quem não está em cena auxilia o outro a trocar de roupa e se maquiar, ou toma conta das luzes e dos efeitos sonoros, ou circula pela plateia vendendo doces, salgados e refrescos, ou contempla a apresentação do amigo com um sorriso de alegria e satisfação no rosto. A rotina é dura, dificultosa e desgastante, a recompensa financeira é irrisória, mas o olhar aguçado e terno da direção – de cena e atores – de Selton Mello consegue captar a paixão sensível com a qual todos eles desempenham suas profissões e tarefas.

A dinâmica de convivência – profissional e familiar – entre todos os integrantes da trupe é muito bem explorada durante todo o filme. A direção de Selton Mello investe em muitos planos geométricos, posicionando os personagens no centro das cenas, invariavelmente voltados para o espectador, que tem a impressão de estar na arquibancada do circo assistindo ao espetáculo. Em maior ou menor grau, todos os personagens ganham destaque – dramático ou cômico –, brilhando em pequenos episódios que fluem organicamente na montagem (feita pelo próprio Mello, em parceria com Marilia Moraes), ao mesmo tempo em que funcionam como cenas independentes.

Uma obra-prima popular e sofisticada

As atuações de todo o elenco são destacadas, em especial do trio de protagonistas: Selton Mello, Paulo José e Larissa Manoela. A história de Benjamim é também a história de Guilhermina, que vive a sua infância na rotina do circo, encantando-se com a magia das apresentações, preocupando-se com seus amigos – Benja, em especial –, protegida por São Filomeno, o santo protetor dos músicos, dos comediantes e dos palhaços, e percebendo, antes de todo mundo, a dubiedade do caráter de Lola. A direção de O Palhaço explora a reação da garotinha a todos os acontecimentos, derramando sobre toda a película um terno e inocente olhar infantil – que amplia o alcance encantatório da história, porque na vida de uma criança as coisas mais banais são todas elas grandiosas. Um dos grandes atores brasileiros de sempre, Paulo José fascina com a simplicidade de sua interpretação, que diz muito com pouco, traduzida em uma presença mágica e expressiva em cena – mesmo já afetado fortemente pelo mal de Parkison. E Selton Mello entrega um protagonista cativante, que enxerga a vida de um modo muito particular e caminha pela estrada da melancolia dramática com a mesma facilidade com a qual se transforma completamente na magia do picadeiro. Aliás, a dupla Puro Sangue e Pangaré (os dois atores foram treinados na arte circense pelo palhaço Kuxixo) convence e encanta com as perfeitas caracterizações visuais e composições físicas das esquetes circenses sobre o chão empoeirado do circo.

Uma galeria de personagens pictóricos surge na periferia dos acontecimentos, entrando e saindo de cena em sequências curtas – como se fossem artistas que se apresentam em um circo –, mas que garantem alguns dos momentos mais divertidos do longa-metragem e auxiliam a compôr o quadro geral da história que está sendo contada. Emílio Orciollo Netto faz o malandro de bicicleta que vende mapas da Venezuela para incautos viajantes perdidos. Tonico Pereira interpreta dois gêmeos que vivem na mesma casa mas não se falam há mais de 15 anos, Beto e Deto, donos da “Ofissina dos Irmãos Papagaio”. Ferrugem é o atendente da Prefeitura, metido a engraçadinho, que providencia a carteira de identidade para Benja, e Jorge Loredo (o eterno Zé Bonitinho) é um funcionário da repartição onde o palhaço consegue um emprego que conta piadas na hora do almoço e desempenha um papel crucial na redescoberta que ele faz da sua verdadeira vocação. Ainda há espaço para participações especiais de Fabiana Karla, Danton Mello, Pritty Borges e Michelle Martins.

Moacyr Franco estreia no cinema no papel do delegado Justo, que tem uma cena antológica, com um monólogo impagável sobre o seu gato Lincoln, a câmera de Selton Mello parada em um plano fechado, alternando entre Moacyr e os demais personagens que estão sentados em um banco à sua frente, aproximando-se lentamente deles enquanto a sua insólita história atinge o clímax. E Jackson Antunes interpreta Juca Bigode, dono do Recanto do Cowboy. O tocante monólogo que o seu personagem recita sobre os fracassos da sua vida profissional é resumido em uma espécie de adágio que será dito por Valdemar para Benjamim e devolvido pelo filho ao pai, em uma elipse que encerra as dúvidas existenciais e devolve a alegria de viver a Benja e a todos os outros artistas do Circo Esperança.

“O gato bebe leite. O rato come queijo. E eu sou palhaço.”

O roteiro de Selton Mello e Marcelo Vindicatto segue uma estrutura circular, abrindo e encerrando a história com uma apresentação da dupla Puro Sangue e Pangaré, reprisando elementos (a cada momento com um efeito distinto) e posicionando nos dois extremos da narrativa a figura de uma moça que trabalha em uma lavoura. Os dois escrevem um filme de estrada que integra com perfeição os elementos da natureza com um insólito verniz de fábula. Os rústicos cenários de cidades interioranas de São Paulo e Minas Gerais, por onde passam o carro, a kombi e o caminhão que transportam o Circo Esperança e seus integrantes, são capturados em arroubos de beleza pela luminosa fotografia de Adrian Teijido. Ambientes abrilhantados pelo competente desenho sonoro de George Saldanha e pela trilha composta por famosas canções românticas de Altemar Dutra, Nelson Ned e Lindomar Castilho e pelos temas melancólicos de Plínio Profeta, que evocam elementos circenses com seus violões dedilhados e seus clarinetes e acordeões.

A fabulosa direção de arte de Claudio Amaral Peixoto cria uma atmosfera mágica, que transforma cenários e localidades decadentes (o circo paupérrimo viaja por cidades ainda mais paupérrimas) em ambientes de sonho e fascinação – as luzes, os tecidos, a maquiagem, os sorrisos, o olhar infantil… são os recursos cênicos que a pobreza toma de empréstimo para se revestir de luxo e encantamento. O universo de O Palhaço amalgama realidade e fábula, e isso é reforçado pela obsessão de Benjamin por um ventilador, que ele começa a ver surgir por todos os lugares – com o movimento giratório de suas hélices também servindo de alegoria para a circularidade narrativa.

Uma doce fábula circense

O circo foi uma das primeiras linguagens cinematográficas da história da humanidade, feito da mesma matéria fantástica que compõe o cinema. Uma arte ancestral que é uma verdadeira colcha de retalhos de sonhos e devaneios; o circo é a desordem em forma de espetáculo, um descendente quase extinto de um saber antigo que é transmitido de pai para filho, geração após geração. E a figura cômica do palhaço é o seu principal símbolo. O palhaço é um viajante no tempo e na história. O palhaço é um espelho grotesco de nós mesmos, belo e feio em partes iguais, uma criatura que entra e sai da poesia, caminhando na tênue corda bamba que separa a ilusão da realidade, saltando pela calçada do absurdo. O palhaço nos bastidores, de frente para o espelho, é introspecção, é solidão; no picadeiro é riso, sonho, fábula e magia.

O Palhaço é um filme solar, uma obra encantadora e comovente, extremamente amorosa. Com um elenco afinado, um apuro técnico impecável, uma história terna e um olhar sensível, Selton Mello costura uma doce e delicada comédia que tem a lona do seu picadeiro fincada em um solo dramático e melancólico – e faz uma belíssima ode aos artistas circenses que termina alcançando todo o público. Um filme de estrada que revela belíssimas paisagens do coração interiorano do Brasil em uma fotografia sonhadora. Mas uma obra onde o que é externo se posiciona em segundo plano diante daquilo que o ator-diretor-roteirista-montador realmente quer expôr: as paisagens internas. O que aqueles palhaços, aquela criança e aquela trupe sentem em seus corações.

Selton Mello ainda se permite fechar o longa-metragem com um luminoso plano-sequência de 110 segundos, que acompanha a pequena Guilhermina por toda a extensão do Circo Esperança, passeando pelos afazeres domésticos da vida comunitária daquele grupo itinerante, recebendo os afagos dos seus pais e de todos os seus amigos. É uma família, afinal – de sangue e de afeto. Benjamim precisou se afastar dela para descobrir que aquilo tudo (o picadeiro, a profissão, a convivência, a amizade) era o que dava sentido à sua vida. Seu rito de passagem trouxe de volta a alegria de viver para a sua rotina. Fazer o povo rir é o que faz ele próprio rir. O Palhaço é feito da mesma matéria do sonho. E sob a lona do ilusionismo, sua história consegue transportar o espectador para o seu universo particular de fantasia. O Palhaço é arte. Arte pura.

O Palhaço – Brasil, 2011, cor, 88 minutos.
Direção: Selton Mello. Produção: Vânia Catani. Roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto. Música: Plínio Profeta. Cinematografia: Adrian Teijido. Edição: Selton Mello e Marilia Moraes. Direção de Arte: Claudio Amaral Peixoto. Figurino: Kika Lopes. Elenco: Selton Mello, Paulo José, Giselle Motta, Larissa Manoela, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Hossen Minussi, Maíra Chasseraux, Michelle Martins, Thogun, Bruna Chiaradia, Renato Macedo, Tony, Teuda Bara, Fabiana Karla, Tonico Pereira, Moacyr Franco, Jackson Antunes, Jorge Loredo, Ferrugem, Emílio Orciollo Netto e Danton Mello.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Estephano

    Mesmo eu não sendo grande fã do cinema nacional, ainda encontro filmes muito bons, esse é um deles.
    Grande trabalho do Selton Melo, em todos os quesitos. O filme explora bastante a simplicidade, tanto na construção do filme, como na simplicidade da vida mesmo.
    O roteiro é simples, mas consegue trabalhar muito bem a mistura de drama com comédia, possui atuações e diálogos sensacionais.
    O filme é cheio de personagens carismáticos, o que já é meio caminho andando para um bom filme, inclusive até quem não tem muito espaço se destaca (as participações de Moacyr Franco e Tonico Pereira são geniais e hilárias).

    Ótimo texto, Rodrigo. O cinema nacional precisa de mais filmes como esse e menos filmes de youtubers…

    • Valeu. Esse filme é extraordinário. Da simplicidade, Selton Mello conseguiu criar uma obra sofisticada e bem produzida em todos os aspectos técnicos. E com um elenco inteiro de primeira linha.

      Infelizmente no Brasil temos um problema duplo: não produzem tantos filmes bons quanto poderiam se tivessem mais incentivo e espaço (talento para isso tem, capacidade técnica, idem), e os poucos que ainda assim são feitos, invariavelmente não recebem o devido espaçon nos cinemas, totalmente tomado pelas comédias enlatadas e pelos filmes de youtubers. É triste. Na época que vi O Palhaço no cinema, assisti também Capitães de Areia e A morte e a morte de Quincas Berro D´água (estrelado peo Paulo José), dois filmes que hoje dificilmente seriam exibidos nos cinemas.

      obs: não acha que faltou um pouco de seriedade adulta? kkkkkkkkkk

      • Estephano

        Esse filme em alguns aspectos me fez lembrar de As Vinhas da Ira. Estilo, temática, diálogos… Claro que não chega a ser tão fenomenal como o clássico de John Ford, mas não faz feio.

        Complicado que basicamente só temos filmes feitos em parceria com a Globo Filmes. Então fica complicado visto a clara preferência da empresa em filmes como os que você citou (por N motivos), fora que são mais comerciais, né? Ai já viu. Mas ainda da para garimpar coisa boa.

        Faltou. Não sei de onde tiraram que pode misturar humor com drama. Não se faz mais filmes como antigamente…

        • Interessante a comparação. Realmente lembra mesmo, com a viagem itinerante de uma família (no clássico de Ford uma família inteira procurando emprego, aqui uma família pelas circunstâncias sobrevivendo do circo) pelo coração de seus respectivos países.

  • Lutércia

    Excelente texto! Nos convida a assistir… Quando não conhecemos o filme, ficamos no desejo de fazê-lo, mesmo que não seja o gênero preferido, mas a crítica é extremamente convidativa. Quando já assistimos, há apenas a comprovação de uma escolha acertada.
    Filme simples, ainda que tratando de tema complexo, como a crise existencial de um palhaço: sua imagem triste, que pinta um sorriso no rosto, faz todos rirem mas chora por dentro…
    Igualmente simples e encantadora é sua auto-descoberta ao final do filme: encontrou-se em uma piada. Piada q o fez rir por fora e por dentro…
    Sensacional! Selton Melo se afirmando cada vez mais em seus talentos.

    • Obrigado! Você precisa ver agora algum dos westerns =P Esse filme é realmente incrível, não? Tive a sorte de vê-lo no cinema quando lançou e depois outras vezes em casa. E sempre soa ainda melhor.

      Igualmente simples e encantadora é sua auto-descoberta ao final do filme: encontrou-se em uma piada. Piada q o fez rir por fora e por dentro…

      Nem me toquei nessa metáfora que ele fez! Devia entrar no texto =D =D =D

  • É legal ver como Benja possui ambições, mas elas pouco saem das convencionais. Ele quer algo tão simples, e busca aquilo com determinação.
    Toda a sua trupe de personagens, assim como cita, são mais que profissionais circenses. São uma família.

    Louco pensar que um filme tão doce e bem feito é apenas a segunda obra de um ator/diretor/roteirista/montador. O Selton foi super competente em suas escolhas para a história e para a produção de todo o filme. Ah, e todas as coisas que fala, de montagem a direção de arte, também estavam realmente fabulosas. Um grande profissional, com uma grande equipe.
    E que elenco, não?

    Parabéns por mais um excelente texto, @alordesh:disqus. É sempre um prazer, meu amigo.
    Eu assisti ao filme quando lançou, e torci bastante pra ele representar o Brasil no Oscar, mas infelizmente não deu. Estou precisando reassistir essa “obra-prima popular e sofisticada”! kkkk

    “O palhaço nos bastidores, de frente para o espelho, é introspecção, é solidão; no picadeiro é riso, sonho, fábula e magia.”
    Afinal… seriam mesmo os palhaços um poço de solidão? A maquiagem como uma máscara.

    • Valeu, meu amigo. Além de ser apenas o segundo filme dele, também é muito pessoal, já que na época ele próprio vivia esse sentimento de não saber se aquilo que ele fazia desde criança era mesmo o que ele queria pra vida dele. Daí saiu a ideia do roteiro.

      Eu vi no cinema, e foi incrível. Depois em casa já vi umas 4 vezes em Blu-ray. Filme estupendo, Ah, o mais recente do Selton Mello, O filme da minha vida, saiu em torrent. Vou rever depois pra acabar meu texto…rs

      Afinal… seriam mesmo os palhaços um poço de solidão? A maquiagem como uma máscara.

      Essa ideia do palhaço como uma pessoa triste que se transforma com a maquiagem é antiga, muito explorada em peças de séculos passados, e realmente é verídica na maioria das vezes. A fábula do humor no picadeiro serve de maquiagem para as dores pessoais.

      • Já saiu? Vou procurar pra ver. Tomara que consiga antes de conferir teu texto.

        Sim, muito antiga mesmo, e a acho bem interessante.