Uma das batalhas mais relevantes da Segunda Guerra Mundial se desenrolou em Dunquerque, na França, entre 25 de maio e de 4 de junho de 1940, poucos meses depois do início do conflito mais mortífero da história da humanidade. A França e o Reino Unido estavam oficialmente em guerra contra a Alemanha desde o começo de setembro de 1939, quando uma ofensiva alemã invadiu, partilhou e anexou a Polônia, valendo-se do blitzkrieg, a “guerra-relâmpago”, uma tática militar que combina infantaria, blindados e forte apoio aéreo em ataques rápidos e inesperados, de modo a impedir que as forças adversárias organizem suas defesas com celeridade.

Em 10 de maio de 1940, a Alemanha já havia invadido a Bélgica e os Países Baixos. O espectro nazista insinuava-se sobre toda a Europa e milhares de soldados das forças combinadas dos países aliados defendiam as fronteiras francesas. Só que apenas dois dias depois os mais de 800 mil soldados das divisões alemãs conquistavam Calais, na França, e cercavam cerca de 400 mil soldados aliados na cidade portuária de Dunquerque, distante apenas 76 quilômetros de Dover, o maior porto britânico do Canal da Mancha. Também em 10 de maio de 1940, Winston Churchill assumia como primeiro-ministro britânico no lugar de Neville Chamberlain, que pensou ser possível evitar uma nova guerra com uma política externa de apaziguamento, cedendo territórios à Alemanha, e terminou sendo obrigado a tentar resistir ao poderio nazista.

Nas mãos daquele que se tornaria a maior personalidade política do século XX ficou a responsabilidade de recuar as forças britânicas e salvar milhares de soldados diante da derrota certa. E o inimaginável se fez realidade, graças a uma soma de fatores que confluíram para uma espantosa operação de resgate (batizada de Operação Dínamo) conduzida por militares e civis. É sobre esse enredo triunfante sem precedentes (ou subsequentes) na história que Christopher Nolan se debruça em seu décimo longa-metragem.

O Molhe. O Mar. O Ar.

Um grupo de soldados caminha em silêncio pelas ruas desertas de Dunquerque. Dos céus caem a todo instante os panfletos despejados pelos alemães, oferecendo rendição ou morte. Repentinamente, o estampido dos tiros explode o ambiente sonoro que até aquele momento era preenchido apenas por passos secos. Desorientados, cada um daqueles soldados sem nome é abatido, enquanto a câmera de Christopher Nolan acompanha o único sobrevivente: o soldado britânico Tommy (Fionn Whitehead). Saltando desesperadamente através dos quintais das casas vazias ele consegue chegar a uma trincheira francesa – e dela, a uma praia.

A composição de cena expande seu escopo e o jovem Tommy se vê na areia lotada com dezenas de milhares de soldados dispostos em filas. Alvos fáceis para os constantes ataques dos aviões alemães, que nem se ocupam mais no trabalho de escolher seus alvos – simplesmente despejam as bombas ao longo da praia. Ao longe, um molhe – uma longa e estreita estrutura que se estende da terra em direção ao mar – avança mar adentro, por onde o comandante Bolton (Kenneth Branagh) tenta organizar o embarque dos soldados. Ao círculo de Tommy, juntar-se-ão os soldados Gibson (Aneurin Barnard) e Alex (Harry Styles), todos preocupados unicamente em salvar suas próprias vidas.

A Marinha Real Britânica requisita todos os barcos civis para a missão de evacuação (grandes navios não tinham como se aproximar da praia de Dunquerque, que era muito rasa) e o sr. Dawson (Mark Rylance) coopera sem questionamentos. Só que em vez de ceder a sua embarcação para os militares, parte ele próprio para o alto-mar, acompanhado por seu filho Peter (Tom Glynn-Carney), e de última hora pelo impulsivo adolescente George (Barry Keoghan). A caminho de Dunquerque resgatam o único sobrevivente (interpretado por Cillian Murphy) do ataque de um submarino alemão. No ar, um esquadrão de três pilotos da Força Aérea Real (RAF) sobrevoa todo o Canal da Mancha, dando suporte às tropas de Dunquerque – sem que os soldados na praia consigam vê-los. Collins (Jack Lowden) e Farrier (Tom Hardy) pilotam seus Spitfires contra os Me-109 da Luftwaffe alemã em um perigoso balé aéreo.

Essas são as três linhas narrativas sobre as quais Christopher Nolan tece o seu roteiro, manejando a noção de tempo dentro do seu já característico estilo. Uma semana no molhe. Um dia no mar. Uma hora no ar. Os três fios da história compreendem noções de tempo distintas em ambientes igualmente diversos – terra, mar e céu –, todos devidamente ilustrados em tela nos minutos iniciais. Enquanto a tensão cresce, com o medo da morte tomando as mentes de cada soldado e a salvação ainda longe de surgir, os eventos vividos por esses personagens se entrelaçam e se desdobram entre si, convergindo as experiências para o esperado final em comum – o resgate –, mas sem obedecer uma linearidade compartilhada – as três histórias submetem-se aos ditames dos seus próprios ciclos temporais. É uma estrutura incomum que a edição de Lee Smith consegue construir com eficácia em uma montagem contrastada, que mantém o suspense no topo, sem que ocorra uma confusão generalizada no espectador sobre o ordenamento fragmentado dos eventos.

Christopher Nolan faz uma opção deliberada por uma história multifacetada e sem muita contextualização. Não há uma figura central – e aquele que talvez mais se aproxime disso (interpretado por Fionn Whitehead) está preocupado unicamente em salvar a si próprio –, mas sim uma espécie de protagonismo “coletivo”, com o roteiro buscando múltiplos ângulos da jornada daqueles civis e militares que participaram do chamado “milagre de Dunquerque“. A escolha de elenco também se submete a essa visão, e o uso de atores estreantes ou pouco conhecidos nos papéis com maior tempo de tela não é sem motivação, servindo de realce ao anonimato dos soldados, que pouco ou quase nada falam, afogados em uma atmosfera de medo e tensão diante de uma ameaça real, mas invisível, que pode surgir de todos os lugares – os nazistas não aparecem, apenas seus instrumentos de morte.

A virtuose técnica do diretor britânico se escancara em Dunkirk. O filme foi todo rodado no panorâmico formato 70 milímetros, em IMAX, usando câmera de mão e com o mínimo possível de efeitos digitais. As sequências de ação são impressionantes (em terra, mar e céu) e a direção de Christopher Nolan coloca o espectador dentro delas, em todos os lugares: no cockpit ou na asa dos Spitfires, no caos da devastação do molhe ou da praia atingidos pelos bombardeios inimigos e no desespero da luta contra o afogamento no bojo dos navios inundados. O primor das cenas é amplificado pelo deleite que é a fotografia de Hoyte van Hoytema – soturna e deslumbrante –, com enquadramentos perfeitos e meticulosos, explorando a vastidão infinda das águas do oceano e das brumas do céu, além de uma escolha consciente por conceder um aspecto onírico à praia de Dunquerque, que em muitos momentos aparenta habitar uma realidade própria e particular.

Dunkirk é um filme muito sensorial e a imersão sonora desempenha um papel narrativo crucial. O filme tem poucos – e intensos – diálogos, apostando na força das imagens e da arquitetura de som. O agourento silêncio que antecede o perigo é sempre cortado repentinamente por uma explosão sonora que serpenteia por todos os cantos, atemorizando e desnorteando. Os disparos das metralhadoras e o ribombar das explosões submergem o espectador no caos. Um voo rasante de um avião alemão começa a assustar os soldados quando o barulho do motor ainda mal se faz ouvir ao longe, e os bombardeios trovejam imparáveis e incontornáveis, causando a destruição contra a qual não se pode lutar – e esse sentimento de desalento e impotência permeia toda a obra, consumindo a expectativa dos personagens. O espetacular trabalho sonoro é complementado pela trilha de Hans Zimmer, eficiente na construção do suspense, com seus movimentos agonizantes repetidos à exaustão – o tema principal (O Molhe) aparenta emular o tique-taque de uma bomba-relógio e o ressoar incessante de um alarme.

O inimaginável salvamento de centenas de milhares de soldados fez de uma fragorosa derrota uma vitória triunfante e motivadora. Ao lado da marinha mercante e da marinha de guerra, civis em barcos de pesca, iates, lanchas, rebocadores, botes, e vários outros tipos de embarcações, saíram corajosamente de suas casas e atravessaram o Canal da Mancha para ajudar no resgate de milhares de soldados, que não tinham mais para onde fugir ou recuar diante do poderio da Alemanha nazista. A Batalha de Dunquerque foi uma enorme catástrofe militar, que poderia ter sido ainda mais assombrosa se o exército do Reino Unido tivesse capitulado diante do III Reich. O objetivo inicial da Operação Dínamo era resgatar 44.000 soldados, mas no fim, cerca de 338.226 foram salvos, na maior operação de resgate já registrada na história.

Guerras não se vencem com evacuações“, enfatizou Winston Churchill, ao mesmo tempo em que delineou uma retórica imbatível: “Iremos até ao fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos, (…) lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos.” O lendário discurso do primeiro-ministro britânico é reproduzido em Dunkirk através de um jornal, lido por um dos personagens. Os ingleses continuaram resistindo pelos meses seguintes até que a grande virada de sorte acontecesse, com a entrada definitiva dos americanos na guerra ao lado dos aliados. No grande jogo de xadrez que é uma guerra, o “milagre de Dunquerque” renovou o espírito do povo e das tropas.

Christopher Nolan mergulha fundo na convincente reconstituição desse evento histórico, testando sua criatividade ao rodar um filme de guerra que subverte o gênero, com pouco sangue ou corpos despedaçados espalhados pelo chão. Trabalhando em cima de uma perspectiva alternada, o diretor e roteirista reconta um dos capítulos mais extraordinários da maior de todas as guerras em um filme de atmosfera de suspense reinante, íntimo e meditativo, através de personagens ordinários em ações e sequências diversificadas. Bravura, covardia, heroísmo, decência, medo, desespero e sobrevivência compõem a miríade de sentimentos explorados pelo fascinante retrato cinematográfico que Nolan expõe em Dunkirk, devidamente emoldurado por uma excelência técnica que não se vê a todo momento.

Dunkirk (Dunkirk) – Reino Unido/ Países Baixos/ França/EUA, 2017, cor, 106 minutos.
Direção: Christopher Nolan. Roteiro: Christopher Nolan. Música: Hans Zimmer. Cinematografia: Hoyte van Hoytema. Edição: Lee Smith. Elenco: Fionn Whitehead, Tom Glynn-Carney, Jack Lowden, Harry Styles, Aneurin Barnard, James D’Arcy, Barry Keoghan, Kenneth Branagh, Cillian Murphy, Mark Rylance e Tom Hardy.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Estephano

    Opa, ai sim. rs
    Verei o filme no início da semana e volto aqui para comentar sobre.

    • Beleza. Vamos ver se entra em alguma lista sua de filmes de guerra…rs

      • Estephano

        Muito bom seu texto.
        Bom filme, tecnicamente é um filme estupendo. O trabalho visual é impressionante, a trilha sonora casa muito bem com o filme, Hans Zimmer faz um excelente trabalho.
        A sensação de claustrofobia que o filme passa em vários momentos é muito bem executada, a trilha do Hans Zimmer ajudou ainda mais a dar essa sensação. Interessante o filme não ter uma faceta para os inimigos, uma abordagem diferente do usual. Senti falta de algum personagem com mais peso no filme, entendo o que o Nolan quis fazer, mas acho que dava para algum deles ter um melhor desenvolvimento.
        Por fim, se der, vale muito a pena assistir ao filme em uma sala de melhor qualidade, vai aproveitar bem o que tem de melhor no filme.

        • Ele na verdade fez um suspense disfarçado de filme de guerra. Tecnicamente impecável, com uma atmosfera imersiva perfeita, mas realmente poderia ter um personagem de peso no filme. Faltou algo pra que subisse um patamar a mais. A montagem não-linear me lembrou A Chegada, com aqueles flashforwards deles entrando pelo tempo presente sem aviso.

          • Estephano

            Guerra é um gênero bem eclético. Da para seguir diversas vertentes.
            A montagem lembra um pouco mesmo, mas em A Chegada isso é o grande trunfo do filme, aqui já esta claro desde o primeiro ato.

  • Max Eisenhardt

    Como esperei por essa crítica… Kkkkkkkkkk Sério! Já estava ficando preocupado. Rs’
    E que bom que esperei, afinal, porque ficou esplêndida. Conseguiu me empolgar ainda mais para o filme, que irei conferir nesta semana. As reviews vêm dando notas altas para Dunkirk, ainda que mencionem certos problemas, como a ausência de um fator simpatizante nos personagens que prejudica o interesse emocional do espectador, bem como alguma confusão em relação às sequências temporais entre os núcleos da trama – coisa que talvez até passe batida para mim, já que seu texto fornece uma boa noção de como essa narrativa se dá no longa. Isso eu vou saber quando assistir. Só não sei se poderei ver em IMAX, que seria a experiência ideal. De qualquer forma, devo gostar muito do filme, pois essa proposta de abordagem diferenciada me agrada. Talvez eu volte para deixar meu veredicto. ^^

    • Valeu! Os personagens são bem impessoais. Mas essa é uma escolha deliberada do Nolan. Sobre a montagem não linear eu não achei confusa. Ela é bem construída e dá pra se situar sem problemas em todas as sequências e compreender que elas acontecem em períodos distintos. Enfim, o filme é ótimo. Do Nolan deve ser o melhor mesmo, sua obra-prima – mas eu gosto mais de Interestellar. Só não se coloca entre os grandes filmes de guerra da história, como alguns estão dizendo É excelente, mas faltou muita coisa pra que chegasse no mesmo patamar de clássicos do gênero.

      • Max Eisenhardt

        Espero por um filme muito bom mesmo. Não o melhor do diretor, mas extraordinário em termos áudio-visuais. Deve valer o ingresso.

        Saindo do assunto, aproveito aqui para dizer que li os dois primeiros volumes de Lobo Solitário lançados recentemente pela Panini. Confesso que fiquei impressionado com o mangá. Fui ler com as melhores expectativas, por todos os elogios feitos à obra, e fui fisgado já nas primeiras páginas​. Simplesmente me viciou. Devorei o quadrinho. Acho que vai ser difícil esperar pelos próximos volumes (rs). Grato pela recomendação. ^^

        • Aí sim! Vai demorar pra Panini republicar Lobo Solitário completo, mas olha, vai valer muito a pena…rs Quando comprei, no primeiro lançamento, também foi assim, mês a mês, e a expectativa pela história só aumentando. Espero este ano ainda conseguir reler as minhas edições e fazer a resenha. E será sem spoilers…rs

          • Max Eisenhardt

            “Espero este ano ainda conseguir reler as minhas edições e fazer a resenha. E será sem spoilers…rs”

            Já vou contando os dias…Kkkkkkkkkk Lobo Solitário ficaria incrível numa adaptação pela HBO. *-*

          • Já teve seis filmes excelentes lançados no Japão entre 1972 e 1974, todos muito cultuados, estrelados pelo grande ator de filmes de samurai Tomisaburo Wakayamas. A Versátil Home Video lançou um digistack com os 6 filmes aqui no Brasil. Trabalho de primeira. Devo escrever separadamente sobre os filmes também, mas talvez sobre os 6 em um post só, não sei.

            No ano passado saiu a notícia de que um estúdio de Hollywood iria fazer uma nova versão cinematográfica de Lobo Solitário. Não levo muito fé nisso não e espero que não saia…rs

          • Max Eisenhardt

            Sim, sim, eu fiquei sabendo desses filmes, só que, pelo o que ouvi, parece que apenas os primeiros foram bons, então nem me interessei. Posto que todos os seis são excelentes, com certeza assistirei para tirar minhas próprias conclusões. Vou procurar por esse digistack. Obg pela dica.

            Essas adaptações causam um receio e tanto msm kkkkkkk Ainda assim eu gostaria de ver o mangá sendo adaptado pela HBO, visto a qualidade dos seriados da emissora.

  • cleber

    Ainda estou na esperança que passe aqui na minha cidade.

    Até hoje meu filme preferido do Nolan é The Prestige. Acho que o ficção científica é um gênero que ele deveria explorar muito mais. Mas imagino que agora ele vá fazer um western, rs.

    E quanto algumas teorias que dizem que o Exercito Alemão deixou a maioria das pessoas escaparem de propósito. O filme tem algum tipo de tom triunfalista? Esse lado político estratégico esta no filme?

    E não tem como não citar o fotografo Hoyte van Hoytema (Deixa Ela Entrar, Ela, Interstellar, O Vencedor).

    • Max Eisenhardt

      “Até hoje meu filme preferido do Nolan é The Prestige. Acho que o ficção científica é um gênero que ele deveria explorar muito mais. Mas imagino que agora ele vá fazer um western, rs.”

      The Prestige e Memento são filmes brilhantes, perfeitos! Facilmente os melhores de Nolan. Batman Begins e The Dark Night são estupendos, já Batman Rises é um horror (rs). O pior do diretor, disparado. Inseption não é ruim, mas achei o menos envolvente. Esquecível. E Interestelar, interessante, porém enfadonho. 15 minutos, no mínimo, poderiam ser retirados do corte final.

      Nolan é um excelente diretor que busca conciliar cinema blockbuster com arthouse, atraindo o público de ambas as vertentes. Mal posso esperar para vê-lo trabalhar com o terror.

    • Tomara que ele faça mesmo um western no futuro.

      As divisões alemãs terem parado por 36 horas é um dos movimentos militares mais nebulosos e indecifráveis da história. Mas inclino-me com a teoria de que a soberba extrema de Hitler acabou sendo preponderante nessa decisão (como foi em várias outras decisões “burras” no front de batalha).

      O final do filme é triunfalista, patriótico. Mas não há nada sobre estratégia. Não há cenas com generais debatendo ou nada do tipo. E os nazistas nem aparecem no filme, são inimigos invisíveis.

      • cleber

        Depois de algum tempo finalmente consegui ver o filme.

        Gostei muito. A trilha realmente dita as cenas. E a fotografia é um espetáculo.

        Mas não. Não achei um dos “melhores filmes de guerra” do cinema. E não é querer desmerecer. É que simplesmente há filmes demais e gente que realmente viu esses filmes de menos, pra sair falando coisas do tipo.

        Desses sites de cadastros onde se marca os filmes que já viu e etc. O máximo que consegui cadastrar foram 4000 mil filmes. Isso só os que consegui lembrar. Mas que não é nada comparado aos mais de 3 milhões de títulos cadastrados no imdb. Existem muitos filmes, dos mais variados temas. Então essa coisa de a melhor banda da ultima semana ta saturando muito. Ainda mais por ser um filme do Nolan. Mas é uma grande direção sim. Só saquei sobre a montagem dos eventos a partir da metade do filme. Achei mais incrível é a maquina de propaganda da guerra, em reverter aquela derrota em algo positivo.

        Vendo Dunkirk e comparando com seu primeiro longa. Já se percebe um diretor bem centrado. O rigor de certos ângulos de câmera. Dá pra notar muita coisa que ele desenvolveria ao longo da carreira. Essa trilha abaixo é desse filme. Já da pra sentir a obsessão por temas como o tempo, a melancolia. Aquele tic tac do relógio ou cronometro que muitas musicas de seus filmes tem.
        .

        • Tem gente por aí que diz que 300 é top 5 de filme de guerra…kkkkkkkkkkk Pra você ter noção do nível. Dunkirk é ótimo, mas realmente está longe de figurar entre os melhores filmes de guerra de sempre. Os que afirmaram isso sem dúvida viram poucos filmes do gênero.

          • One Nice Guy

            Sem dúvida não, War Movies é o meu gênero favorito, eu já vi pelo menos uns 450~500 filmes de guerra, e diria que Dunkirk está ao menos entre os meus 15 favoritos, junto de O Encouraçado Potemkin, Glória Feita de Sangue, Apocalypse Now, Das Boot, Lawrence da Arábia, O Resgate do Soldado Ryan, Ran , A Batalha de Argel, A Ponte do Rio Kwai, Nada de Novo no Front, A Grande Ilusão, Full Metal Jacket, Platoon e Exército das Sombras.

            Enfim, questão de opinião, eu acho que Dunkirk é um filme diferente, perfeitamente dirigido e que inclusive fica melhor quanto mais você conhece o gênero.

    • O Grande Truque é um filmaço!

      • cleber

        I KNOW YOU KNOW?!

        Tesla, um toque steampunk, doppelganger. Muito boa essa mistura.

        • Eu não lembrava dessa cena, pra te falar a verdade… kkkkkk

  • Leo

    Puxa Rodrigo, parabéns pela crítica. Esse com certeza é um filme que vou conferir.
    Ah gostei muito do site aqui tbm, em tempos de Omelete, Vício, LDH onde só comentam besteira não é todo dia que se acha um site com resenhas de qualidade realmente.
    Bem que podiam fazer reviews de alguns animes tbm tenho ctz que ia ficar top kkkkkkk, mas de qqr forma parabéns mano. 😉

    • Valeu. Seja bem-vindo. Coloque o site nos favoritos e siga a página no disqus (apesar do disqus ser cheio de bug, é melhor conferir sempre pelo site…rs).

      A nossa ideia aqui, minha, do Victor, do Pedro, foi justamente criar um site onde pudéssemos colocar textos mais amplos. E focar só nisso. Tanto que optamos por não postar notícias. O pessoal nos outros sites, na maioria, só se interessa mesmo pelas notícias (a maioria inúteis e polêmicas desnecessárias). Então preferimos nos distanciar disso…rs

      Não consumo muitos animes (só os mais antigos, e são sempre os mesmos…rs), mas está na minha lista fazer de alguns mangás. Lobo Solitário será o primeiro. Evangelion, Cowboy Bebop, Slam Dunk, Yu Yu Hakusho, GEN, são outros sobre os quais pretendo ainda escrever, mangá e anime. Mas nossa equipe não está fechada a um número limite…rs Surgindo alguém que escreva e que esteja interessado em participar e contribuir de modo mais direto com textos sobre animes, será bem-vindo.

      • Leo

        EVA realmente dá muito o que falar rs, haja texto para se fazer uma crítica deste, se tornou um dos meus animes favoritos.

        Se um dia lhe interessar ou quando tiver tempo, recomendo animes como:
        Code Geass, Steins Gate, Shigatsu Kimi no Uso, Expelled From Paradise, Ginga Eiyuu Densetsu, Gurren Laggan, Hotaru no Haka, Tsuki Ga Kirei e filmes do Makoto Shinkai.
        Acho que irá gostar dessas e outras obras eventualmente, porque qualidades não faltam a elas, embora sempre haja clichês e saturação de gêneros como os shounens famosos que vemos hoje. Mas vez ou outra aparece algo bom para se apreciar.

        • Valeu. Anotei as recomendações aqui e em breve vou pesquisar sobre elas.

  • Então temos aqui mais um grande acerto desse talentosíssimo diretor.
    Sabe, Rodrigo, filmes de guerra sempre me chamaram bastante atenção. Nunca esquecerei quando assisti O Resgate do Soldado Ryan pela primeira vez, pois aquela cena de abertura me marcou bastante. Outro grande filme, que tive o prazer de assistir recentemente, por uma indicação sua, foi Até o Último Homem. Enfim, eu adoro esse tipo de filme.

    Lendo sua crítica, esse se mostrou ser mais um grande longa do gênero, ambientado de uma maneira impecável e possuindo uma atmosfera assustadora.
    “… os nazistas não aparecem, apenas seus instrumentos de morte.”… Isso é bom, não é? Dar unicamente a perspectiva daqueles que estavam sofrendo no local, muitos que perderam suas vidas ali. Esses dias eu estava navegando pelo YouTube e fiquei sabendo que a trilha do filme era feita pelo Hans Zimmer. Nada melhor que um talentoso cineasta trabalhando com um talentoso compositor. Eu sou fanboy do Zimmer desde Piratas do Caribe 1… kkkkkkkkk
    Estou escrevendo esse comentário escutando “O Molhe”, canção que cita em seu texto e que dá a impressão de ser uma bomba relógio. Genial, meu amigo.

    Parabéns por mais uma incrível crítica, Rodrigo!
    E antes que eu me esqueça, situar o leitor no contexto histórico em que se passa o filme, no começo do post, foi sensacional. Lembro da Batalha de Dunquerque das aulas na escola, mas não recordava de nenhum desses detalhes.

    • Valeu, meu amigo! Ano passado (apesar de ter visto este ano), tivemos o filmaço do Mel Gibson. E agora esse do Christopher Nolan. Tomara que ano que vem teha mais um de guerra (e westerns também, esses não podem faltar…rs). Um dos meus gêneros prediletos. Aos poucos vamos conseguindo fazer os textos dos filmes que queremos…rs Ainda tem uns clássicos de guerra sobre os quais quero escrever e que estão na minha lista. Apocalypse Now, Platoon, Nascido para matar, Além da linha vermelha. Precisa vê-los.

      A ideia da montagem não-linear e em tempos distintos, mais a escolha de não mostrar o inimigo, apenas os que tentam sobreviver, jogam diretamente com a ideia do Nolan. Dunkirk é na verdade um suspense travestido de filme de guerra. E o som, o som é soberbo. Nessas categorias o filme com certeza deve levar uma estatueta ou as duas.

      • Acredita que eu NUNCA vi Apocalypse Now? É inegavelmente um clássico, mas nunca vi. Dá pra fazer um texto muito completo e interessante sobre esse filme, não? Já fiquei sabendo do tempo de produção que ele teve, e dos diversos problemas para chegar aos cinemas.

        “Dunkirk é na verdade um suspense travestido de filme de guerra.”
        Isso é sensacional, meu amigo. Eu quero muito assisti-lo, só não sei se conseguirei vê-lo nos cinemas. Mas quando o Oscar chegar, com certeza nós dois estaremos torcendo para que essa produção leve algumas estatuetas pra casa! kkkkkk

        • Poxa, precisa ver…rs Esse é um dos vários que pretendo fazer texto “duplo” (por isso também demora tanto…rs). Porque tem o livro do Joseph Conrad no qual o filme é baseado. Procure pela versão Redux. Sim, a produção dele já é uma história interessante em si só, de tanta coisa que aconteceu. Tem muito detalhe legal sobre esse filme.

          • Eu não sabia que era baseado em livro, Rodrigo. Sensacional!
            É verdade que essa é uma das melhores performances do Marlon Brando, fora O Poderoso Chefão?

          • É livremente inspirado em O Coração das Trevas, clássico romance de Joseph Conrad, ambientado no Congo. Coppola transpôs a ideia da história para a Guerra do Vietnã.

            O Brando tem outras performances tão incríveis quanto em O Poderoso Chefão. Sindicato de Ladrões, Uma Rua Chamada Pecado. Em Apocalypse Now sua participação é extremamente curta (ele é o lendário coronel que os soldados buscam no coração da selva), mas incrível também.