Dois cavaleiros caminhavam em uma estrada. O horizonte era obscurecido por névoas e o único barulho que podia ser ouvido era o do vento que soprava sua fria melodia. O silêncio sombrio criava a atmosfera de uma calmaria que antecede a tempestade.

Dois monstros apareceram e atacaram os andarilhos. Um deles largou tudo o que tinha e fugiu. O outro, desembainhou sua espada e se preparou para o duelo.

Um dos monstros perseguiu o fugitivo, que corria, e corria, e corria. Aos poucos, o homem ia se cansando, e se esgotando, e se desgastando, até não conseguir correr mais. Quando a fadiga o dominou por completo, ele caiu, afinal, era humano. E o monstro o alcançou, e não estava nem um pouco exaurido, afinal, não era humano. O abatido andarilho não tinha forças para lutar, pois havia gastado tudo tentando escapar da besta, que o assassinou com facilidade. Sua decisão selou seu destino. Suas ações o levaram de encontro à sua sina. Um trágico desfecho. Derrota.

O outro errante combatia o monstro que tentava matá-lo. A princípio apanhou muito, mas nunca se dava por vencido. Sempre se postava de pé e retornava à batalha. Depois de ser atacado diversas vezes, o homem começara a entender o modus operandi da criatura. Pouco a pouco, conseguia se defender. Gradativamente, conseguia se esquivar. Progressivamente, conseguia contra-atacar. Conforme o duelo avançava, ele encontrava os pontos fracos de seu inimigo e os golpeava com força total. Com muito empenho, assassinou o monstro. Sua decisão selou seu destino. Suas ações o levaram de encontro à sua sina. Um glorioso desfecho. Vitória.

De cabeça erguida, o cavaleiro prosseguiu sua jornada. Se outros monstros aparecerem em seu caminho, ele já sabe como derrotá-los…

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Sobre o Autor

Hector Aliboni

21 anos. Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e heavy metal.

  • Mas que texto lindo, Dave! Agradeço imensamente o convite, é sempre, SEMPRE, um prazer prestigiá-lo.
    Adorei a narrativa curta, porém tocante. A forma como descreveu os acontecimentos é comovente e impossível de não se relacionar. Ressaltou a covardia de um, que o levou à derrota; e a bravura de outro, que lhe rendeu a vitória. Isso me fez pensar profundamente a respeito da vida. Cara, como a vida é difícil, como ela bate na gente, sem piedade, como o monstro que citou. Quem decide correr dela, não enfrentar os problemas inevitáveis, não chega a outro resultado senão a derrota. Mas os que são nobres o suficiente para continuar lutando, de cabeça erguida, uma hora ou outra (não importa o quanto demore), sempre alcança a vitória. Não podemos parar de sonhar, tampouco desistir com a primeira barreira.
    Eu lerei os outros em breve, que me convidou. Parabéns, meu amigo. Mesmo, mesmo!

    “Quando a fadiga o dominou por completo, ele caiu, afinal, era humano.”

    • Red Guy (Dave Mustaine)

      Muito obrigado bro, é muito gratificante saber que você gostou tanto. A mensagem é justamente essa, os monstros são uma metáfora para os problemas da vida, se nós ficarmos fugindo, só nos daremos mal. Temos sempre que enfrentar, pois é o que nos fortalece e nos prepara para enfrentarmos eventuais novos monstros que aparecem em nosso caminho