Aquaman, o homem entre dois mundos, híbrido de atlante e humano, foi criado por Paul Norris e Mort Weisinger e fez sua estreia na revista de antologia More Fun Comics, em 1941. De herói secundário em seus primeiros anos a um papel de maior destaque nos anos posteriores, o Rei dos Mares tornou-se realmente um personagem do primeiro escalão da DC Comics apenas nos anos 1960, quando esteve entre os membros fundadores da Liga da Justiça da América.

Nas duas décadas seguintes, o ostracismo criativo foi o seu destino: enquanto todos os outros principais personagens da editora (Superman, Batman, Flash, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde) eram guiados pelos melhores artistas e escritores da casa, recebendo grandes histórias e protagonizando as principais sagas, Aquaman era relegado a segundo plano – até mesmo quando adaptado em outras mídias –, invariavelmente servindo como alívio cômico e fonte de ridicularização.

Os anos 1990 trouxeram novos ares para o Rei de Atlântida. A abordagem empreendida por Peter David reformulou a sua persona e o seu entorno, investindo na ampliação da mitologia do reino de Atlântida e no realce do poderio óbvio de um personagem que tem plenos poderes sobre 70% do planeta Terra – muito mais do que somente nadar com extrema aptidão, sobreviver debaixo d´água e se comunicar com animais marinhos.

O salto definitivo para a principal mídia capaz de conquistar novos fãs demoraria um pouco mais – outras duas décadas. E não poderia haver momento melhor do que a era em que o cinema de entretenimento é dominado pelos filmes de super-heróis e a tecnologia para criar o impossível está mais do que consolidada.

Oriundo do terror e responsável por um punhado dos grandes sucessos do gênero dos anos 2000 pra cá, James Wan talvez fosse a escolha menos óbvia para dirigir Aquaman – assim como Sam Raimi para o Homem-Aranha quase vinte anos atrás. Mas por fim revelou-se muito acertada.

Sua experiência prévia em um blockbuster de ação o credenciou para um filme que se baseia quase que inteiramente nisso – ação puxando ação, movendo ação – e seu talento visual soube, ao lado de outros profissionais, erguer um mundo de encantamento que parece fluir das páginas de quadrinhos diretamente para as telas do cinema.

Da paixão proibida entre um faroleiro (Temuera Morrison) e uma rainha de Atlântida (Nicole Kidman) fugida de um casamento arranjado, nasce o super-herói com nome de herói das lendas: Arthur Curry. Tal qual o rei bretão, também destinado a ser protagonista das narrativas de maravilhamento, Arthur é predito como aquele que será a ponte entre dois povos, o responsável por unir dois mundos (a terra e o mar). Atlanna some da vida de pai e filho para salvá-los da perseguição do seu povo. O pai jamais deixa de esperar o seu retorno, caminhando todas as manhãs no píer do farol. Arthur convence-se de sua morte.

Baseado em uma história de Geoff Johns, James Wan e Will Beall, o roteiro (do próprio Beall em parceria com David Leslie Johnson-McGoldrick) é o elemento mais fraco de Aquaman. Excessivamente expositivo, faz questão de narrar tudo que ocorrerá durante o longa-metragem em uma simples contação de história de Atlanna para um pequeno Arthur. Como se não bastasse, repete o mesmo recurso inúmeras outras vezes. Exagera sobremaneira em empurrar a narrativa adiante com explosões súbitas que sempre interrompem conversas importantes.

Tanto quanto é simplório de um modo ruim, o enredo é inchado em demasia. São dois vilões com histórias e motivações próprias – o Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II) busca vingança pelo pai que foi deixado pra morrer pelo Aquaman –, sete reinos sendo acossados por Orm (Patrick Wilson) e obrigados a tomar decisões de união ou guerra, o romance entre os pais de Aquaman, o destino de Atlanna, o tridente lendário, os flashbacks da infância e juventude do herói e a poluição global. Fica a nítida sensação de que se o filme tivesse uns trinta minutos – e dois plots – a menos, o ritmo fluiria muito melhor e o roteiro não precisaria apelar tanto para conveniências narrativas.

Os protagonistas Jason Momoa e Amber Heard são escolhas herdadas à força por James Wan. Se tivesse sido o responsável pela escolha do elenco desde o início, é pouco provável que escolhesse a dupla. A completa inabilidade que os dois possuem em expressar emoções gera risos involuntários e constrangimento – a sequência do reencontro com Atlanna no reino do Fosso é o melhor exemplo disso. O evidente romance que ocorrerá é insinuado em planos detalhes – como as mãos que instintivamente se buscam na sequência do Saara.

Momoa ao menos sabe usar o seu físico e o seu carisma para suplantar os poucos momentos em que precisaria demonstrar algo a mais no campo da interpretação. Wan invariavelmente fecha o ator em planos que destacam o seu tamanho e os seus sorrisos, e a personalidade que foi estabelecida pelo roteiro (marrenta, boba, um tanto quanto criançona) garante a conexão imediata do personagem com o público.

O ator mais talentoso do elenco (Willem Dafoe) tem relativo espaço como o conselheiro Vulko, dividido entre seus deveres para com o Rei Orm e sua ligação emocional com Arthur, a quem treinou desde a infância, mas entrega uma atuação extremamente apagada, robótica, muito distante da sua capacidade. Nicole Kidman tem pouco tempo em cena, mas confere superioridade e nobreza ao papel que desempenha com uma atuação segura – permitindo-se até mesmo protagonizar uma ótima cena de luta no primeiro ato.

Quem realmente brilha intensamente é Patrick Wilson, como um vilão de muitas nuances, capaz de transitar entre a ardilosidade e a compaixão – convencendo em ambas – e motivado por ódios cristalinos: contra a poluição mais e mais crescente da superfície que assassina o seu povo pouco a pouco, pela suposta traição de sua mãe e pelo ódio contra o irmão mestiço. O Orm de Wilson é intenso em sua raiva beligerante, cínico em suas tramoias e altivo em sua arrogância.

A direção de James Wan é segura e competente, destacando-se nas cenas de ação, apostando em um jogo de câmeras sinuoso, sempre rodeando os personagens, girando sobre o eixo da câmera, subindo e descendo, se aproximando, como na batalha entre Aquaman e Orm no “Coliseu” subaquático. Na enorme guerra do terceiro ato, mistura quadrinhos e videogame, com “naves” e montarias de tubarões e crustáceos, água convertida em plasma colorido, com a câmera acompanhando a destruição em focos, enquanto zilhões de coisas ocorrem ao fundo, em uma enorme “confusão” coordenada.

O design de produção Bill Brzeski constrói muitos reinos submarinos e criaturas diversas, muito embora o ritmo do longa-metragem não permita que se aprofunde na cultura e nos costumes: tudo é sempre mostrado ao fundo, em segundo plano, como um belo papel de parede. Os ótimos figurinos de Kym Barrett – os uniformes do Aquaman e do Arraia Negra estão entre as coisas mais “quadrinescas” já feitas em filmes do gênero – e os excelentes efeitos visuais supervisionados por Kelvin McIlwain completam o deslumbrante visual de Aquaman, o mais solar dos filmes do UEDC, apesar de ambientado no fundo do mar na maior parte do tempo.

Em meio a tanto CGI, a fotografia de Don Burgess acaba produzindo uma das mais belas sequências de Aquaman justamente quando desnuda-se do excesso e filma ao natural, capturando a costa da Sicília na melhor e mais inventiva sequência de ação do filme. Burgess e Wan constroem um fantástico plano-sequência que acompanha Mera e os vilões que a perseguem enquanto todos correm por cima de vários telhados e arrebentam inúmeras paredes. Por fim, um traveling leva-nos até Aquaman e sua batalha pessoal contra o Arraia Negra.

No desenrolar da tensa sequência em alto-mar contra as criaturas do Reino do Fosso, quando o diretor faz seu flerte único (e rápido) com o terror, está também o mais belo quadro do longa-metragem: em um corte frontal, Arthur e Mera mergulham e a luz vermelha dos sinalizadores que carregam ilumina o negrume do mar à noite; enquanto o plano se expande, nos damos conta das dezenas, centenas, milhares de monstros que se avolumam, tentando persegui-los, impedidos de atacá-los pela forte luminosidade.

Aquaman é um filme simples e objetivo. A ação faz a narrativa girar, encadeando eventos com rapidez e eficiência. Tudo é muito esplendoroso: uma Atlântida reluzente, vastas paisagens habitadas por criaturas estranhas, vestimentas de todos os tipos, muita cor e muito frescor. O Rei dos Mares finalmente recupera o grau de relevância que possuía nos quadrinhos dos primeiros anos da DC Comics e que foi perdendo ao longo das décadas. Sua nova ascensão deve-se à precisa condução de James Wan, que compõe uma fantasia aventureira que acerta em cheio no elemento mais essencial para um filme de super-herói: diversão.

Aquaman (Aquaman) – EUA, 2018, cor, 143 minutos.
Direção: James Wan. Roteiro: David Leslie Johnson e Will Beall. Música: Rupert Gregson-Williams. Cinematografia: Don Burgess. Edição: Kirk M. Morri. Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Temuera Morrison, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Patrick Wilson, Nicole Kidman, Djimon Hounsou, Ludy Lin, Randall Park.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Ótima crítica, Rodrigo!
    Aquaman talvez seja o filme que eu mais me diverti assistindo do DCUE. O CGI foi um trabalho impressionante. A Atlântida vista brevemente em Liga da Justiça não era nada do que esperávamos. Quadrinho puro, e a sequência na Sicília é espetacular!
    “Exagera sobremaneira em empurrar a narrativa adiante com explosões súbitas que sempre interrompem conversas importantes.”
    Meu, acho que rolaram 4 vezes a mesma cena no filme. Aquela cena final do “Eu sou o Aquaman”, com ele fazendo aquela pose super-heroica até demais bateu uma leve vergonha.
    Ainda sim, é o filme que a DC precisava pra esse universo. Eu imaginava uma boa bilheteria, mas nada como 1 bilhão kkkkkkkkkk. Por quê será que fez tanto dinheiro assim? A China deu uma boa ajudada, mas mesmo assim, é incrível…

    • A SEQUÊNCIA DA SICÍLIA É A PIOR COISA DO FILME!!!
      Tá, exagerei. Uma das piores… kkkkkk

    • Estephano

      Aquela cena final do “Eu sou o Aquaman”, com ele fazendo aquela pose super-heroica até demais bateu uma leve vergonha.

      KKKKKKK. Pô, confesso que essas cenas (tem outras desse mesmo tipo) me lembraram da minha infância assistindo Power Rangers.

    • Valeu! Era melhor que nem tivessem mostrado nada de Atlântida em Liga da Justiça. Porque a diferença realmente ficou enorme…rs

      Acho que o sucesso financeiro é um efeito parecido com Jumanji ano passado: história simples, diversão e humor, ação desenfreada e visual bonito.Tipo de filme que agrada um público amplo.

  • Muito boa a crítica, meu amigo. Como sempre!

    Eu concordo com bastante coisa e discordo de muitas outras.
    Realmente, Atlântida e todos os seus efeitos é magnífica. Parece que simplesmente trasportaram o que se vê nos gibis pra tela grande. Tudo é muito rico, deslumbrante e majestoso. O maior problema, como você citou, e como discutimos no podcast, é que tá muito mais pra papel de parede do que qualquer outra coisa. Até na cena do “Coliseu” os costumes do povo (arquibancada) são pouquíssimos explorados.

    “Baseado em uma história de Geoff Johns […] o roteiro […] é o elemento mais fraco de Aquaman.”
    Infelizmente, esta é a mais pura das verdades. É bem inspirado, mas a trama como um todo é diferente. Não seria um defeito, se fosse feita de uma forma melhor elaborada.
    Jason Momoa, de longe, foi uma das piores decisões do Zack Snyder. E, como você mesmo citou, o Wan foi obrigado a trabalhar com ele por causa disso. Enfim, eu até entendo colocar o personagem com uma abordagem mais cômica, bobo-alegre, mas isso foi exatamente uma das coisas que me fez detestar o filme. o público vibrou, mas eu não; meu Rei tá longe de ser um babacão.
    Falando nisso… em certos momentos, enquanto o pessoal ao lado dava risada, eu cobria o rosto, tomado por um dos sentimentos que eu resumo este filme: vergonha-alheia. Não pelo visual, o galhofa é parte intrínseca da mitologia Atlante, mas sim pelas atitules tomadas pelo casal protagonista ao longo da história.

    E, outra coisa (que esqueci de citar no podcast)… a Mera, Rodrigo… a Mera não estava no filme. Ela só pareceu inteligente porque emburreceram o Arthur. Puta merda. E eu esperando ela usar a aquocinese para quase matar alguém, como ela faz na fase do Johns… kkkkkkk

    O Arraia, mano… puta merda. TODAS AS CENAS dele me deram vergonha alheia. Aquele ator PATÉTICO, com a ajuda do roteiro, cagaram toda a dramaticidade e terror que o personagem carrega. Posado, ridículo e, principalmente, bebê-chorão. Orm, um pouco menos descaracterizado, também não conseguiu brilhar como o vilão foda que é. Mas, dos males o menos… muito pelo Patrick foi, de longe, o melhor personagem do filme. Também, assim como você, achei o Vulko bem desperdiçado, muito pelo potencial do Dafoe.

    É… podia muito mesmo ter me proporcionado diversão. Mas proporcionou muita raiva e descontentamento. Fico surpreso pelo filme já ter batido o bilhão, e estar muito próximo de se tornar o maior filme da história da DC/Warner. Merecer não merecia. Mas tem muita merda aí se dando bem nas bilheterias (Venom, Homem de Ferro 3, etc) que não vejo outro caminho senão abandonar muitas dessas produções e dar um jeito de não financiar mais esta merda.

      • Interessante. De todo modo, ele não era o diretor. A bênção não anula a crucial visão do Wan e do estúdio para com a abordagem que o personagem possuiu.
        Se ele falasse “tá uma bosta”, acha que o Wan mudaria alguma coisa? kkkkkk. Claro que não. De certa forma, o Aquaman do filme solo é menos ridículo que o do Whedon.

        • De qualquer forma, você foi estuprado pelo Momoa e agora critica o filme, mas todos sabem que você gostou.
          HUEHEHE

    • Jipeiro, o YouTube fez isso com seu vídeo:
      https://uploads.disquscdn.com/images/ab8feab245d5f498da14c6266813e27bcc96b03b2cc489ead604ce946bf8be4f.png
      Eu sou meio Meirelles, então…o que diabos é WMG?

    • Estephano

      Mas que rebeldia é essa jovem? Rs
      Pô, cara, não achei que você ia ficar tão injuriado. Essa abordagem que deram no Aquaman é basicamente deixar o Momoa ser ele mesmo.
      Pelo nível de ator que ele é ia ser difícil se tentassem outra coisa, e o Wan já tem experiência com isso em Velozes e Furiosos, inclusive, pensando nisso agora, acho até que pode ter sido um caminho que ele optou, só não posso cravar porque não sou o Wan e nem vejo Velozes e Furiosos. Kkkk

      Também não curti o Arraia, inclusive achei bem desnecessário no filme Pô, colocaram o cara de capanga nesse filme para colocar ele de vilão principal no próximo? Se fizerem isso acharei muito zoado.

      Shazam parece que vai ser bem legal, mas para realmente acalmar seu coração dcneco, a WB vai mandar uma trilogia protagonizada pela Arlequina, só aguarde. kkkkkk

      • Sim, deixar o Momoa ser ele mesmo é FURADA!!! kkkkkk
        Sim, verdade. Também não sou ele, nem vejo Velozes, mas deve ter sido bem por aí mesmo.
        kkkkkkkkkkk exatamente. Optaram por colocar um cara ali só pra tampar buraco, nem desenvolver o fdp direito desenvolveram…

        Shazam é minha esperança aleatória. Provavelmente não voltarei ao cinema pra ver filmes do DCU. E VÁ À MERDA ARLEQUINA E SUAS AMIGAS!!! kkkkkkkkkkk

        • Estephano

          Vish, não vai ver os outros? Esse da Arlequina eu entendo, mas até os outros projetos anunciados você não vai ver?

          • Não pretendo. Coringa verei por curiosidade. Batman do Reeves só irei se, realmente, alguém me convencer quando for lançado. Os outros (Mulher-Maravilha 2, Aquaman 2, Arlequina, Esquadrão 2, etc) não pretendo.

          • Estephano

            Puts… Pelo que me lembro, você tinha gostado do primeiro WW. Desanimou, mano?

    • Valeu!

      A escolha do Momoa ferrou tudo. Se o Wan pudesse escolher um ator, e escolhesse alguém como o Wilson, por exemplo, eu duvido que o Aquaman seria esse bobalhão que vimos no filme. Foi assim porque era a única forma de fazer o ator funcionar. Basta ver o ridículo de atuação que é a cena em que ele reencontra a mãe.

      Que o Wan possa explorar Atlântida no segundo filme. Que não seja apenas um pano de fundo, mas vejamos o costume dos povos, o cotidiano e etc.

      Shazam não irá decepcionar, meu amigo. Confie! kkkkkkkkkk

      • Sim, verdade. O poder de escolha do protagonista pesou demais.

        É… veremos. E aquela notícia do spin-off das criaturas da fossa? kkkkkkkkkkkkk. Eu ri demais. Se fosse dois anos atrás já teria ficado puto. Hoje em dia eu bato palma e vejo a Warner se auto-sabotar kkkkkkk.

        SE DECEPCIONAR EU PARO LÁ NA PORTA COM UMA BAZUCA E DESTRUO AQUELA MERDA TODA.

  • Jeferson_do_Valle

    Excelente, Rodrigo. Porém, alguns pontos podem ser (re)considerados, ehehehe…
    – Momoa, apesar de ter sido uma escolha inusitada Daquele Diretor Que Não Pode Ter Seu Nome Citado Aqui, não decepciona. Pode não saber atuar, mas também não atrapalha o ritmo do filme;
    – Amber Heard está tão bonita no filme que a gente até esquece que ela não sabe atuar, heheeh…
    – o design de produção, os efeitos visuais e a trilha sonora são muito old school, sendo nítidas as influências dos senhores Ray Harryhausen e John Carpenter na feitura desse filme.
    Enfim, bom filme pipoca. Parece que a DC/Warner está finalmente aprendendo com seus erros anteriores (ninguém merece sair de casa, pegar estacionamento cheio, gastar com ingressos, fora as guloseimas, pra assistir aberrações como BvS, né?).
    Grande abraço!

    • Valeu! Já era hora de aprenderem, né? rs O caminho é esse aí, iniciado com Mulher-Maravilha (que eu gostei muito mais que esse e é bem superior enquanto filme) e continuado agora com Aquaman: bons filmes pipocas. Visual bonito, boa ação e diversão. Agora é Shazam!

  • Estephano

    Ótimo texto.

    Gostei do filme, tem seus problemas, mas acho que suas qualidades pesam muito mais, e é bem intencionado, então fiquei satisfeito e animado.

    O visual e a estética dos personagens é bonito, o filme tem cenas de ação bem inventivas e fluidas, conseguiu unir isso com um senso de diversão que ficou bem legal.
    As cenas embaixo d’água eu gostei mais quando eram mais focalizadas do que aqueles planos mais abertos, fiquei com muito mais impressão de espaço com bolhas do que embaixo do mar nesses planos, inclusive me lembrou o visual de A Ameaça Fantasma, só que obviamente muito mais bem feito. Mas faz sentido baseado nas influências que o próprio Wan disse que teve.

    Achei o roteiro bem estruturado, talvez alguns minutos (e plots) a menos realmente ajudariam, mas não me incomodou, o problema mesmo esta na construção de diálogos, ali deram algumas deslizadas, mas o Wan tantou dar um jeito. Talvez um diretor mais fraco se embananaria todo.

    O casal protagonista é fraco demais, mas pelo menos o Momoa é animado e carismático, claramente abraçou o personagem, abraçou tanto que fez o Aquaman virar ele. rs
    Essa vibe mais cômica que seguiram acho que foi o melhor para o filme, o Momoa é fraquíssimo, se precisassem de algum outro tipo de atuação as chances de ele não conseguir entregar eram altas, e ai iria tudo para o brejo.
    Já a Heard é ruim demais, e me deu a impressão que tava querendo ir embora enquanto tava gravando, além de ter o carisma de uma pedra. Sua química com o Momoa era negativa, parece que enquanto ele estava ligado no 220W, ela tava em stand by.

    Gostei do Orm, achei o visual do personagem o mais legal do filme, tem uns takes bem foda com ele, o Patrick Wilson tava muito bom no papel, o texto não colaborou muito com ele (construíram um vilão bem caricato), mas eu gostei, acho que ele fez o possível para tornar o personagem o mínimo interessante e conseguiu.
    O Arraia Negra tem um visual muito bom, mas achei o plot dele desnecessário. As cenas dele com o pai me geraram mais vergonha alheia do que emoção, inclusive tem uma cena que fizeram o Arthur tomar uma atitude bem ridícula só para criar o sentimento de vingança no personagem.
    De resto o elenco ta bem, sem muitos destaques, mas nenhuma crítica

    No fim, eu gostei bastante do filme, estou animado para a sequência. Só dar uma melhorada no roteiro (ou roteiristas) e colocar o Momoa e a Heard em alguma escola de atuação que já resolvem uns 90% dos problemas para a sequência. rs

    • Se for indicar uma escola de atuação pra Heard, ela vai é chamar o Wan de machista e misógino kkkkkkkkkkkkkkkkkk
      Mas o melhor do filme, sem sombra de dúvidas, é a Mary Poppins…quer dizer, o Karathen.

    • Valeu!

      A cena em que tanto a Heard quanto o Momoa reencontram a Kidman é de dar vergonha alheia. Parece que ela tá encenando com alunos principiantes em uma escola de atuação.

      Não só o Orm é caricato. Tudo no filme é caricato…rs Toda hora alguém fala algo como “eu sou um herói”, ou “eu sou um vilão”. Só faltou uma risada maquiavélica. Mas é uma cafonice que funciona muito bem (afinal, é o Aquaman), aliada à simplicidade ao visual multicolor e ao ritmo acelerado;

      Na sequência se puder trocar a Mera por outro interesse amoroso (com uma atriz de verdade no lugar) seria ótimo…rs E aí mantém o Momoa bobo alegre, só completando os diálogos e sem decidir absolutamente nada sobre nada…rs

  • Excelente crítica, Rodrigo!
    Gostei do filme e achei Atlântida MUITO bonita. As cenas de batalha ficaram INCRÍVEIS e o Orm foi o personagem que eu mais gostei do filme.
    Não consegui simpatizar em momento algum com a Mera, meu desejo era que ela fosse embora do filme o mais cedo possível.
    O Arraia Negra só serviu para a atrapalhar a narrativa, deixava ele para um próximo filme e tava ótimo. Poderiam ter colocado mais cenas com o Vulko e o Wilson que ficaria muito melhor.
    Enfim, foi outro ótimo passo firme do DCUE e que venha Shazam!

    • Valeu. Bem que podiam matar a Mera e trazer outra personagem no próximo filme…rs O Orm realmente foi o melhor e acho que o Wilson teria sido um Aquaman muito mais incrível. O Arraia Negra só inchou a narrativa e agora fica a questão: como o capanga do primeiro filme vai virar vilão principal do segundo depois do Aquaman ter derrotado exércitos atlantes? rs

  • Dave Mustaine

    Excelente crítica, meu amigo. Desculpe a demora absurda que eu levei pra ler.

    Eu gostei pra caramba do filme do Aquaman, ele tem sim os seus defeitos, mas de um modo geral, é bem mais pra mais do que pra menos. O roteiro é problemático: eu gostei bastante do enredo, achei uma aventura muito divertida de acompanhar, apesar de ser sim um tanto quanto inchado e ter uns problemas de ritmo, uma hora o filme tá com força total no acelerador, pra depois ficar meio parado, pra depois ficar frenético de novo e depois ficar cansativo, e assim vai, e os diálogos expositivos são uma merda mesmo, o pior momento sem dúvidas é aquela cena do Arraia Negra, que o pai dele para do nada pra entregar uma faca pro filho e começa a contar a história dela, tosqueira total, mas ainda sim achei que a história ficou bem contada.

    Sobre os personagens e atuações, eu acho que a dupla de protagonistas também é deveras problemática. Não adianta, Jason Momoa e Amber Heard são duas portas, o Momoa ao menos consegue ser bem carismático com o seu jeitão fanfarrão e também sabe ser badass, mas é só isso mesmo. Já a Mera eu achei uma personagem bem chatinha, e a Amber, que já é ruim, parecia que tava fazendo o filme morrendo de má vontade. E os dois juntos até tem uma certa química, mas eu achei que o relacionamento deles ficou mal escrito. Tem horas que ela chega lá toda “Atlântida precisa urgentemente de você Arthur!”, pra depois ficar naquela de “ainn, você é um idiota, você é um tapado, você é um bobão”. E também os vários momentos onde eles emburrecem o Arthur pra fazer a Mera parecer inteligente também são um porre. E o romance deles ficou bem mal construído, a cena do beijo é bonita, mas não convence muito que eles estavam perdidamente apaixonados um pelo outro.

    Sobre os coadjuvantes, achei que o Vulko e o Rei Nereus ficaram apenas ok, agora quem brilhou de fato foi a Rainha Attlanna, a Nicole Kidman mandou bem DEMAIS no papel, roubava a cena sempre que aparecia. Já os vilões, eu achei que o Orm podia ser melhor desenvolvido, imaginava que ele ia ser tipo um Killmonger, mas passou longe, deu a impressão que suas motivações eram apenas uma desculpinha pra tomar o poder, ele cumpre bem o seu propósito na narrativa, mas tá longe de ser um antagonista realmente memorável. Já o Arraia Negra eu curti bastante, muitos acharam que o plot dele era desnecessário e podia ter ficado de fora, mas eu gostei e achei que a participação dele ficou muito bem encaixada na história.

    O visual do filme… sei lá, continuo achando muito artificial. E a trilha sonora também é complicada, tem hora que é legal, tem hora que é ruim, mas aquela versão de Africa do Toto usada na cena do Saara me deu muita vergonha alheia.

    Agora, falemos sobre o ponto mais alto do filme: a direção do Wan. Cara, o filme é cheio de cenas maravilhosas proporcionadas pela ótima direção dele. Eu gostei muito da sequência inicial mostrando a história de amor entre uma rainha e um simples faroleiro, achei muito bonita, e aquela cena da Attlanna descendo a porrada nos soldados que vierem buscá-la foi sensacional. A cena do submarino, que o Aquaman desce a porrada nos piratas e deixa-os para morrer foi fenomenal, acho que foi a minha favorita. Quando o Aquaman e a Mera reencontram o Vulko, tem uma cena bem legal também que aparecem uns soldados lá pra capturá-los, e parecia coisa de jogos beat’em up, primeiro vem uns três soldados normais, o Aquaman derrota eles, pra depois vir um outro maior e com uma arma diferente, achei bem maneiro isso. A luta do Aquaman contra o Orm no círculo de fogo também foi bem legal, apesar do fato de que, pelo menos pra mim, ser uma das cenas com o CGI mais artificial. Aí depois a aventura do Arthur com a Mera foi bem divertida de acompanhar, toda a sequência na Sicilia é simplesmente fantástica, a fotografia ali é belíssima e todo aquele plano-sequência da batalha contra o Arraia Negra e os capangas do Orm foi de tirar o fôlego, absurdamente incrível. A cena das Criaturas do Fosso é lindíssima, o encontro do Aquaman com a Mary Poppins Karathen eu também achei bem legal, só a cena dele saindo da cachoeira com o traje clássico acabou ficando meio brega, mas fora isso foi legal. E a batalha final, meu Deus, que épica! Toda aquela guerra entre todos aqueles povos, e tinha tubarões, e cavalos-marinhos e dragões-marinhos, foi foda pra caralho, pqp. E por fim, o mano-a-mano entre o Arthur e o Orm também foi muito bom, e eu gostei da forma como terminou, com a Attlanna chegando lá e impedindo, deixando o gancho para uma possível redenção do Orm. E a cena pós-creditos deixando o gancho para que o Arraia seja o grande vilão da sequência foi ótima também.

    Além disso tudo, outra coisa que eu não gostei foram os flashbacks da infância e juventude do Arthur, achei vergonha alheia total. E outras coisas que eu gostei foram: o filme não tem viadagem. Ele vai fundo na mitologia do personagem, tem trajes clássicos, tem breguice, o Aquaman é um super-herói e todo mundo chama ele de Aquaman, enfim, é um filme que não tem vergonha de abraçar as HQs, que não tem frescura. E eu também gostei do fato de que, pela primeira vez na história do multiverso, tivemos um filme de super-herói onde o protagonista não é um órfão!

    De um modo geral, é isso. O filme mereceu todo o sucesso que fez, e que arrumem o que deu errado na sequência. E que abandonem essa idéia estúpida de filme sobre as criaturas da Trincheira.

    • Valeu! A dupla de protagonistas é a herança maldita do PT… ops, do Snyder, que o Wan recebeu. Mas agora Inês é morta…rs Vamos ver se até a sequência ambos conseguem melhorar um pouco.

      O visual do filme… sei lá, continuo achando muito artificial.

      É bem artificial mesmo. O fundo do mar simplesmente tem aquele efeito borrado, esmaecido e pronto. É tipo como se eles estivessem no espaço. E os cenários de fundo são meros cenários de fundo. Os efeitos são muito bons, mas nada além do que já vimos em tantos blockbusters.

      E que abandonem essa idéia estúpida de filme sobre as criaturas da Trincheira.

      Sabe o que é capaz? James Wan sequer dirigir a sequência e ficar produzindo spin-off de terror do Aquaman…kkkkkkkkk Que nem ele faz com suas franquias de terror.