Um filme sempre tem uma história por trás das câmeras. Mas o que nos interessa mais são os filmes clássicos, tão bons que você não se cansa de rever, e um dos melhores exemplos desse tipo é Mary Poppins. Lançado em 1964, foi a primeira maior bilheteria da Disney para um live-action e conquistou em um passe de mágica os críticos e grupos de todas as idades. Realmente, é um longa para assistir mais de uma vez. Entretanto, você sabe como a Walt Disney Pictures fez essa babá mágica voar para as telas de cinema?

O básico deve ser de seu conhecimento: uma escritora ranzinza que quer participar ativamente da produção de sua querida obra, enquanto tem que lidar com o inteligente Walt Disney, que tem em mente suas próprias ideias para o roteiro de Mary Poppins. Isto foi, basicamente, visto em Saving Mr. Banks (traduzido porcamente como Walt nos Bastidores de Mary Poppins). É um bom filme mas, como em quase toda a cinebiografia, há alguns pequenos elementos que faltaram na transposição da realidade para o papel.

Existe fato e ficção em Saving Mr. Banks. Isso é perceptível em vários momentos, como Walt levando Travers para a Disneylândia e o motorista Ralph (inspirado em um funcionário real chamado Bill Dover). Claro, nenhum filme com o propósito de contar uma história real fará isso com 100% de verdade. Adaptações acontecem e sempre acontecerão. Mas, acredito eu, que o verdadeiro objetivo de uma cinebiografia é fazer o espectador ir atrás de mais. Como realmente tudo ocorreu.

E esta é a intenção desta publicação: levar mais conhecimento ao leitor. Adaptado do texto em duas partes escrito por Jim Korkis (um historiador e um dos maiores conhecedores da Disney), espero que desfrutem desses fatos, tão interessantes quanto o próprio longa-metragem.

Nascida Helen Lyndon Goff (9 de agosto de 1899), morreu como Pamela Travers (23 de abril de 1996). Helen desde jovem amava os contos dos Irmãos Grimm (tal quais A Bela Adormecida, Cinderela e Rapunzel). Aos 21 anos, quando tinha o sonho de ser uma atriz ou dançarina, adotou o nome “Pamela”. Segundo ela, soava bonito e teatral. Já o nome “Travers” veio de seu pai, Travers Robert Goff. O homem era gerente de um banco, a inspiração principal para o Sr. Banks. Faleceu devido ao excesso de bebida, logo quando Pamela tinha 7 anos. Durante toda a sua vida, ela sempre o amou e sentia sua falta.

OBS: Talvez o seu amor pelos Irmãos Grimm explicasse o porque dela não ser muito fã do trabalho da Walt Disney Pictures, que fazia mudanças nessas histórias para que agradasse o público em geral. Para se ter uma ideia, ela não gostou de Branca de Neve e os Sete Anões (1937).

O nome “Poppins” veio, muito provavelmente, de Poppins Court, uma rua perto da St Paul’s Cathedral, que aparece no filme e ficava perto do escritório da London Fleet Street, onde Travers trabalhou como escritora de um jornal. A irmã mais nova de Travers se chamava Mary. A personalidade mais fria da babá se originou de sua tia solteirona chamada Ellie. O guarda-chuva com cabeça de papagaio era um item único que a empregada irlandesa da família utilizava cuidadosamente, e quando não estava em uso, era embrulhado em papel.

O primeiro livro com a personagem saiu em 1934, com a trama se estabelecendo na época da Depressão em Londres. Pamela foi creditada como “P.L Travers” por motivos parecidos com J. K. Rowling. Ela não queria que as pessoas soubessem se era um homem ou mulher que escrevia os livros. As ilustrações foram feitas por Mary Shepard, a filha de EH Shepard, o ilustrador das histórias do Ursinho Pooh. Com a ajuda de seu próprio agente e nenhuma de Pamela (que muitas vezes a maltratava), Shepard recebeu uma compensação da Disney Company quando o live-action foi feito.

Em 1935, Travers lançou Mary Poppins Comes Back, que também compilava uma série de contos. E em 1938, após o lançamento de Branca de Neve e os Sete Anões, Walt Disney estava procurando mais histórias para adaptar. A editora americana dos livros de Travers havia enviado cópias para Walt na época, mas muitos dos livros que Walt recebeu simplesmente não foram lidos. Se Walt realmente leu mais do que um resumo dos personagens e histórias, ele nunca mencionou isso. No entanto, no mesmo ano, o Disney Studios fez perguntas sobre a disponibilidade dos livros de Mary Poppins.

Travers rejeitou rapidamente a oferta da Disney e as que se seguiram por muitos anos, tanto dele quanto de outros estúdios. A única exceção foi para um episódio lançado em 1949 da série de televisão ao vivo da CBS “Studio One”, que apresentava uma jovem Mary Wickes interpretando Poppins. Quando o terceiro livro de Poppins saiu em 1943, a filha de Walt, Diane, tinha cerca de 11 anos e era uma grande fã da personagem junto de sua irmã mais nova, Sharon. Diane mantinha uma cópia ao lado da cama e Walt a ouvia rindo com frequência.

Quando ele descobriu que Travers estava em Nova York no ano de 1944 por causa da guerra, Walt pediu a seu irmão mais velho, Roy, para viajar até lá e contatar Travers diretamente para ver sobre a disponibilidade do livro e como era a personalidade da escritora. “Sra. Travers disse que não poderia conceber Mary Poppins como um personagem de desenho animado”, escreveu Roy, que achava que Travers estava sendo cautelosa demais com tudo. “Eu tentei dizer a ela que este era um assunto que deveria ser deixado para estudos futuros – que poderia ser melhor para Mary Poppins ser produzida em uma combinação de live-action e desenho animado. Eu disse a ela que estávamos totalmente qualificados e equipados para produzir neste estilo e, na verdade, estamos produzindo esses tipos de filmes”. Roy disse a mais pura verdade. A aquela altura, a Disney estava produzindo Você já foi à Bahia? (1945) e o polêmico A Canção do Sul (1946). Os dois combinavam atores reais com cartoons.

Pamela não estava ali somente por dinheiro, e embora não interessada nesse tipo de escolha para o seu trabalho, ela indicou que estava interessada em novas discussões sobre o projeto.  Vários meses depois, Walt ligou para ela e, em 1946, achou que tinha um acordo – mas Travers recusou no último minuto. Disney se encontrou com ela na Inglaterra durante o início da década de 50 para mais uma vez persistir sobre os direitos enquanto estava produzindo live-actions lá. Como Travers lembrou: “Era como se ele estivesse balançando um relógio, hipnoticamente, diante dos olhos de uma criança”.

Arnold Goodman, da firma de advogados de Nova York que representava Travers, foi quem negociou a venda de Mary Poppins para a Disney. Ele sabia que a venda de seus livros estava definhando e que Pamela entraria em uma situação cada vez mais difícil. Em uma carta feita em 3 de julho de 1959 para Travers, Goodman descreveu três partes significativas:

  • Travers poderia fornecer um esboço da história ou roteiro para a apresentação à Disney, mas isso não impediria que a Disney tivesse sua própria equipe criativa para fazer um roteiro. Em qualquer caso, Travers teria que dar sua bênção final a qualquer história que fosse finalmente escolhida.
  • Travers seria consultado sobre questões artísticas, como elenco. A palavra “consultado” foi especificamente escolhida porque, embora Walt aceitasse sua contribuição, ele precisava ser a autoridade final na produção. Travers não teve experiência com filmes, enquanto Walt tinha 35 anos em saber o que atrairia uma audiência e o que poderia ser realizado.
  • Ela receberia um adiantamento de US $ 100.000 (estimado hoje em cerca de US$ 2 milhões) para 5% do faturamento do produtor (calculado a partir de custos de impressões, publicidade, custos de distribuição, entre outras coisas).

No entanto, este foi apenas um acordo preliminar, e não final. A produção não prosseguiu até Travers concordar com um roteiro. Walt trabalhou no projeto por dois anos sem que Travers assinasse a permissão final. Ele tinha tanta certeza de que o acordo acabaria sendo finalizado que ele chamou os compositores Robert e Richard Sherman para olhar o livro e dizer o que pensavam. Em seguida, os Irmãos Sherman decidiram mudar o período de tempo da Depressão para a Era Eduardiana, uma época que teria uma elegância maior. Travers afirmou mais tarde que foi ela quem fez a sugestão.

As primeiras versões da história enviavam o Sr. Banks para a Guerra dos Bôeres, exigindo que a mãe necessitasse de ajuda adicional com as crianças. O final feliz seria o retorno seguro do Sr. Banks e a restauração da família para que Poppins pudesse ir embora. Os Irmãos Sherman decidiram logo depois que, em vez de deixar o pai para trás, seria melhor deixá-lo “emocionalmente ausente”. O roteirista Don DaGradi foi contratado para criar sequências visuais e estimular ideias. Ele foi fundamental no desenvolvimento de enredo, personagens e até mesmo ângulos de câmera. Suas obras muitas vezes inspiraram as canções dos Irmãos Sherman. DaGradi já havia trabalhado em A Dama e o Vagabundo, Susie The Little Blue Coupe (que mais tarde serviria de inspiração para Se Meu Fusca Falasse, que ele também roteirizou, e a franquia Carros da Pixar) e muitos outros curtas e filmes do estúdio.

Mais tarde, Bill Walsh foi trazido a bordo para escrever um roteiro conectando todas as músicas e as ideias da história. Além de produzir, Walsh contribuiu com muitos de seus próprios conceitos. Embora grande parte do enredo tenha sido desenvolvido por DaGradi e os Irmãos Shermans, o diálogo é 90% do trabalho de Walsh, que mais tarde escreveria outros filmes significativos da Disney, a maior parte em parceria com DaGradi. Bill produziu muitos seriados Disney na década de 50, o mais famoso deles sendo o Mickey Mouse Club. Dessa série que saíram várias estrelas, como a cantora Annette. Muitos anos depois, o clube contou com a presença de Ryan Gosling, Justin Timberlake e Britney Spears.

Walt também estava profundamente envolvido na história, muitas vezes expandindo cenas. Originalmente, o segmento “Jolly Holliday” apresentava todos os atores apenas com os planos de fundo animados. Quando Walt viu o conceito de quatro garçons cantores, ele afirmou que garçons sempre o faziam lembrar de pinguins. Todos pensavam que ele queria treinar pinguins de verdade para atuar como garçons, mas Walt estava pensando em animação. Ele havia solicitado a exibição de A Canção do Sul para sua equipe e isso os inspirou a incluir uma sequência com live-action e animação interagindo. Disney também sugeriu as possibilidades visualmente cômicas quando o vizinho, Almirante Boom, disparava seu canhão.

Os Irmãos Sherman escreveram muitas das canções populares que acabariam no filme. Na verdade, eles acabaram escrevendo 32 músicas e menos da metade foram usadas. Não querendo descartá-las, elas foram reaproveitadas em Mogli – O Menino Lobo (1967) e Se Minha Cama Voasse (1971). Mas enquanto isso, a história criada pela casa do Mickey Mouse estava se diferenciando dos livros de Travers, que tinham tramas mais soltas que não se conectavam tanto entre si.

Walt esperava impressionar Travers com um passeio privado na Disneylândia e uma exibição de um dos mais recentes filmes de ação ao vivo da Disney, O Grande Amor de Nossas Vidas (1961), que mais tarde ganharia o remake conhecido com Lindsay Lohan (Operação Cupido, 1998). Ele também lhe deu uma visita ao Disney Studio. Mas nada a impressionava. Ela chegou no final de março de 1962 e permaneceu nos primeiros dias de abril retornando a Nova York algum tempo depois. Travers sentiu que lá dentro existia “muito sentimentalismo falso”.

Ao ler o roteiro de 46 páginas preparado pelos Shermans e DaGradi, ela ficou chocada, descrevendo-o como “tão grosseiro e tão errado em todos os sentidos”. Quando os Irmãos Sherman começavam a contar a história nos storyboards, ela parava-os rapidamente, criticando não apenas todas as frases, mas quase todas as escolhas de palavras. Pamela queria que as músicas fossem removidas completamente pois as achava desnecessárias e confusas, mas adiou que, se fossem necessárias, elas deveriam usar músicas populares do período. Apesar de serem pedidos muito exagerados, a Disney já utilizou composições existentes como de Tchaikovsky (Ballet em A Bela Adormecida) e Johann Strauss (Tik-Tak-Polka em Se Meu Fusca Falasse). Travers também pensava que os capítulos selecionados para o desenvolvimento eram os piores de seu livro.

À medida que os storyboards foram andando, Travers ia tomando nota de cada detalhe. Walt tornou-se cada vez mais frustrado, já que não estava acostumado a ter suas opiniões desafiadas daquele jeito e estava feliz com a evolução da história. Como Travers mais tarde apontou, Walt muitas vezes trabalhava com obras de autores falecidos (como Robert Louis Stevenson, que gerou A Ilha do Tesouro (1950) e Raptado (1960) para o estúdio) que não estavam por perto para questionar seu julgamento. Os autores vivos que vendiam suas histórias para Walt tinham pouca ou nenhuma participação, como por exemplo Samuel W. Taylor em O Fantástico Super-Homem (1961).

Em determinado momento, Walt olhou para ela e disse que era muito vaidosa pensar que ela era a única que sabia sobre Mary Poppins e como contar sua história. No final da primeira reunião, Travers chorou e pediu a Walt que a marcasse em um voo noturno para retornar imediatamente a Nova York. Walt se desculpou, mas confidenciou aos Sherman que Travers era “toda deles”, pois ele estava cansado de seu negativismo. Ele foi para sua casa em Palm Springs, assumindo que eles resolveriam as coisas enquanto ele estivesse fora.

As reuniões da história continuaram por um total de 10 dias com um gravador anotando os comentários de Travers, de modo que todos seriam, como disse ela, “muito claros” sobre Poppins. As seis fitas ainda existem e mostram um pouco da personalidade de Travers, interrompendo, corrigindo, e até mesmo envergonhando. Por outro lado, o time parecia diferente quanto a isto e entusiasmados, o que de certa forma só confirmava na cabeça de Travers os seus temores de não entenderem Mary Poppins ou seu relacionamento com Banks e os filhos. Mesmo depois que a última reunião terminou e Travers voltou ao hotel em Beverly Hills para fazer as malas em sua viagem de volta para casa, ela pegou nove folhas de papel e escreveu ainda mais desvios de seu texto e outras objeções que não haviam sido abordadas durante os dias de conferências da história. Mais importante ainda, ela enfatizou o comportamento calmo e quieto de Mary Poppins. Quando voltou para Nova York, ela enviou a Walt outra longa lista de tudo que estava errado na sua versão.

Em certo ponto, Walt disse aos Sherman para não se preocupar porque ele tinha comprado os direitos para um outro livro: The Magic Bedknob de Mary Norton (mais tarde feito como Se Minha Cama Voasse em 1971) e que a maioria das músicas cortadas que tinham escrito para Mary Poppins poderia ser usado nesse filme. Uma delas, The Beautiful Briny, foi utilizada. Em fevereiro de 1963, Walt enviou a última versão do roteiro para Travers e, embora ela o elogiasse, sua carta de 14 páginas continha mais preocupações sobre a Sra. Banks se tornar sufragista. No entanto, uma vez que Travers assinou o roteiro, ela raramente foi consultada. Quando enviava novas críticas à produção em desenvolvimento, Walt respondia com educação afirmando que fariam uso de suas sugestões sempre que pudessem. Com as filmagens começando, ela enviou longas cartas para Julie Andrews sobre como deveria ser a sua interpretação. Andrews constantemente tentou tranquilizá-la dizendo que tudo estava indo bem.

Walt originalmente queria que Cary Grant desempenhasse o papel de Bert. Travers insistiu que ele poderia interpretar o pai. Walt também considerou Laurence Harvey e Anthony Newley para o papel. Até certo tempo, ele considerou a atriz Mary Martin para Poppins, mas Travers sugeriu Julie Harris e conversou com ela sobre o papel, o que obrigou a Disney em responde-la com uma carta explicando que eles estavam considerando outras pessoas. Angela Lansbury, coincidentemente, também foi um dos alvos do estúdio. As discordâncias continuavam acontecendo, como quando Pamela queria Margaret Rutherford como a mulher dos pássaros, enquanto Walt escolheu Jane Darwell.

Parece o suficiente, mas os conflitos em torno dessa babá não terminam por aqui. No próximo post, teremos um pouco mais das ideias de Pamela, a estreia em 1964, a sua opinião pessoal e uma sequência que não saiu do papel, tendo o Rei do Pop. Sim, estou falando de Michael Jackson em um filme de Mary Poppins.

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Sobre o Autor

Thiago Ranieri

Amo filmes, histórias em quadrinhos, livros e, principalmente, Fuscas.

  • A edição do post foi uma cortesia do seu amigo de sempre, Jipeiro Espacial 🙂

  • Dave Mustaine

    Excelente texto, Herbie! Ele parece enorme a principio, mas prende a atenção e passa bem rápido. Essa P.L. Travers era uma velha bruxa louca e diabólica! Você chegou a ler os livros dela?

  • Obi-Wan Kenobi

    Post muito bacana, Herbie! Muito bom saber curiosidades de vez em quando, a P. L Travers pareceu ser um saco pra se trabalhar. Ainda não assisti Mary Poppins, mas, planejo, assim como TODOS os filmes (me referi a filmes, não sessões de tortura) da sua franquia !

    • Obrigado, Erik!
      Mary Poppins é o caso da história por trás dos bastidores ser tão interessante, ou até mais, que o próprio filme kkkkkkkkkkkkk
      (AINDA BEM. Pule o filme da Lohan, obviamente, Herbie Goes Bananas…e o filme méh com o Peyton Reed acho que ainda é um pouco assistível, já que tem o Bruce Campbell)

  • Isso não foi uma batalha, foi uma epopeia…rs Ótimo texto, @Lohan_no:disqus . Walt Disney era realmente um gênio. E que escritora mala, hein? 90% dos escritores são assim quando vão ter suas obras adaptadas. Penso que se não querem alterações de nenhuma sorte, que não vendam os direitos de adaptação…rs Ou façam como King fez, que resolveu ele próprio fazer a sua versão televisiva de O Iluminado para “provar” que Kubrick tinha “feito merda”. O resultado foi uma minissérie fiel ao livro mas terrivelmente ridícula em quase todos os aspectos técnicos. Bem, ao menos ele foi lá e fez, né? rs

    • Obrigado, Rodrigo!
      Engraçado que a Travers não parece ter dito nada sobre uma versão musical russa que fizeram de Mary Poppins: “Mary Poppins, Goodbye (1983)”. Ele foi até que bem recebido no lançamento, e tem mais personagens do livro dela…talvez seja por isso, mas de qualquer forma é meio bizarro kkkkkkk
      O Walt Disney teve uma grande paciência pra trabalhar com essa mulher. Houve o mesmo lenga-lenga pra adaptar as histórias do Ursinho Pooh. Ele tava tentando desde os anos 30 e só conseguiu em 1961. O A.A Milne já havia falecido (não sei muito sobre a história por trás, mas acredito que ele também tenha sido um empecilho para essa demora). Quem mais queria ver esses personagens era a filha dele, mas em 1961 ela já era um adulta casada e esperando filhos kkkkkk
      A Travers só tem que agradecer. Pois desses escritores que venderam suas obras pra Disney, só ela, a família Milne e provavelmente Gordon Buford (o cara desconhecido que escreveu a base para Se Meu Fusca Falasse) ganharam dinheiro para o resto da vida.
      O Roy O. Disney também ajudou demais ele, em todos os aspectos. Ele incentivava desde os primeiros passos do estúdio e cuidada da parte financeira (pois, por incrível que pareça, o Walt naquela época era péssimo com essa questão kkkk). A única coisa que faltava nele era o carisma, senão ele seria tão famoso quanto o irmão e não teria evitado as câmeras quando Walt veio a falecer em 66.

      • Quem mais queria ver esses personagens era a filha dele, mas em 1961 ela já era um adulta casada e esperando filhos kkkkkk

        Kkkkkkkkkkkkkkkkkk Essa esperou bastante. Mas acho que valeu a pena.

        Pois é. Tem escritores aí que se não tivessem tido suas obras adaptadas dessa forma dificilmente teriam o alcance que têm hoje. Esses filmes certamente fizeram com que muitas pessoas que jamais conheceriam o livro fossem atrás dele. E tem essa fato simples, né? Eles venderam os direitos das obras por livre e espontânea vontade. Ninguém os obrigou…rs

        • A Travers estava em uma situação financeira um pouco perigosa, de qualquer forma não existia só a Disney. Tinha também a Warner, Fox (que devem ter conversado com ela sobre o direitos dos livros em algum momento de sua vida)…felizmente ela começou a compreender, mesmo que lentamente, que o filme não era toda essa barbaridade que ela impôs.
          O único que talvez estivesse mais bem de vida é o Gordon Buford. Pelo pouco que sabem, ele era um professor de San Francisco (seria engraçado descobrir que ele era professor de uma auto-escola) que escrevia em tempo livre, sem compromisso. Em 1961 ele conheceu o Bill Walsh, e decidiu vender a história inédita dele pra Disney. O Walt deve ter visto que um carro com vida poderia gerar tanto lucro quanto O Fantástico Super-Homem gerou. Infelizmente, ele não estava lá para barrar essas sequências intermináveis que fizeram do Herbie e que estagnaram a franquia. O Buford, estando vivo ou não, deve ter ficado com uma boa grana. Usavam o Herbie em brinquedos, nos desfiles do Walt Disney World e na Disneyland, nesses show “de circo” que circulavam o país, Disney on Ice…
          E sobre o Ursinho Pooh, existe uma versão russa em animação (de 1969) extremamente mais fiel aos livros do Milne. Porém, é igualmente mais bizarra. Pro pessoal daquela época que lia os livros e não gostou da versão Disney, é uma boa pedida (talvez). Tem bons reviews, no IMDb a nota é 8,4.