A história do Pantera Negra começa em julho de 1966, nas páginas de Fantastic Four #52, revista da família de super-heróis que deu origem ao universo Marvel e de onde saíram várias das mais extraordinárias criações da editora. Concebido pela dupla Stan Lee e Jack Kirby em plena ebulição da luta pelos direitos civis dos negros americanos, o protetor de Wakanda tem uma grande importância, já que foi o primeiro super-herói negro dos quadrinhos – antes dele tivemos poucos heróis negros, e nenhum com superpoderes –, e ainda abriu o caminho para vários outros super-heróis surgirem nos anos seguintes, como Falcão (1969), Luke Cage (1972), John Stewart (1971), Blade (1973), Raio Negro (1977) e Ciborgue (1980).

Cinquenta e dois anos após a sua criação, o descendente mais famoso de uma longa linhagem de heróis-guerreiros ganha o seu primeiro filme solo em live-action, após uma participação importante e destacada em Capitão América: Guerra Civil (2016), com uma produção histórica para o cinema de entretenimento, de orçamento estimado em US$ 200 milhões, protagonista negro, elenco majoritariamente negro, um talentoso e jovem diretor negro e também uma equipe técnica por trás das câmeras de maioria negra – roteirista, produtor, figurinista, designer de produção, curador de trilha sonora… todos negros.

Uma semana após a morte do rei T´Chaka no atentado perpetrado pelo Barão Zemo na ONU, o príncipe T´Challa (Chadwick Boseman) retorna à Wakanda para ser coroado o novo rei. Diante das aparentes divisões tribais que compõem a misteriosa e avançada nação africana, o Pantera Negra precisa manter a união do seu povo, enquanto luta para que as conquistas tecnológicas e riquezas do lugar permaneçam ocultas ao resto do mundo sob a capa de um pobre país africano de terceiro mundo. Em meio às cerimônias religiosas e às reuniões com um conselho de sábios de todas as tribos, duas sombras do passado ressurgem nas peles do vilão Ulysses Klaue (Andy Serkis) e do misterioso Eric (Michael B. Jordan) para amplificar todos os problemas e colocar em risco o futuro do reino.

O roteiro de autoria de Ryan Coogler e Joe Robert Cole é extremamente eficiente na condução de uma história amarrada, mas sem excessos, repleta de intrigas políticas e ação obrigatória a filmes do tipo, além de resvaladas sutis em aspectos históricos sobre colonização e dominação, e também na introdução de uma enorme gama de novos personagens coadjuvantes que orbitam ao redor do protagonista, todos eles possuindo arcos relevantes ao longo da narrativa e relações aprofundadas entre si – não há um único personagem que seja descartável na teia narrativa criada pela dupla.

Em poucas linhas de diálogo, Coogler e Cole estabelecem a relação de irmandade e implicâncias constantes que existe entre T´Challa e Shuri (uma carismática Letitia Wright), sua irmã mais nova, gênio tecnológico de Wakanda, que é responsável por alguns dos momentos mais engraçados do longa-metragem; a fidelidade irrestrita de Okoye (Danai Gurira roubando a cena a todo instante) ao seu país, a liderança que exerce sobre as Dora Milaje, o esquadrão de elite wakandiano composto apenas por mulheres, além do seu sarcasmo constante; a espiã Nakia (uma sempre encantadora Lupita Nyong’o), ex-namorada do protagonista, e os resquícios ainda visíveis da relação romântica entre os dois, além da necessidade que a personagem sente de auxiliar os que sofrem fora das fronteiras do país; W´Kabi (Daniel Kaluuya), amigo do novo rei e marido de Okoye, treinador de incríveis rinocerontes gigantes, e líder da Tribo da Fronteira, responsável por proteger as fronteiras de Wakanda e M´Baku (Winston Duke), poderoso guerreiro da tribo dos Jabari, nas montanhas geladas de Wakanda, apegado às tradições da sua terra e disposto a contestar o reinado do Pantera Negra.

Martin Freeman retorna como o agente da CIA Everett K. Ross, servindo como ponte entre Wakanda e o resto do mundo e tendo uma participação decisiva no terceiro ato. Os dois peso-pesados Angela Bassett e Forest Whitaker interpretam, respectivamente, a rainha Ramonda, mãe de T´Challa, e o líder espiritual Zuri, que trazem experiência e sabedoria para tudo aquilo que cerca o novo rei. Rei que Boseman interpreta com ainda mais elegância do que já havia mostrado anteriormente, esbanjando realeza como um monarca poderoso e justo, transitando entre as várias fases por que seu personagem passa, da necessidade de ser um líder perfeito que tome decisões corretas para o bem da sua nação, do peso que a culpa pelos atos de T´Chaka lançam em seus ombros, até ser capaz de escutar os argumentos daqueles que querem matá-lo e aproveitar o que de bom eles possam ter, rejeitando uma herança que permaneceu imutável por séculos.

Os adversários do novo rei de Wakanda surgem no cenário adicionando doses elevadas de ambiguidade ao roteiro. Se Ulysses Klaue – um Serkis de cara limpa em participação pequena, mas destacada, inserindo camadas divertidas de insanidade e esquizofrenia ao primeiro vilão do Pantera Negra nas HQs – é um “homem mau” em stricto sensu, um cruel e imprevisível gângster e contrabandista de armas que foi o único estrangeiro a entrar em Wakanda, roubar vibranium, assassinar algumas pessoas (entre elas o pai de W´Kabi) e sair com vida, Killmonger é um antagonista, um opositor, um radical perigoso, caminhando na tênue linha que separa opiniões moralmente válidas de atitudes amplamente questionáveis – não hesitando em matar quem quer que seja para alcançar seus objetivos.

Movimentando-se na direção contrária à de T´Challa, o personagem de Michael B. Jordan possui uma história com motivações críveis. Um trágico prólogo em um conjunto habitacional de Oakland no ano de 1992, envolvendo Zuri, T´Chaka e N´Jobu (participação curta do excelente Sterling K. Brown), um Cão de Guerra, espião de Wakanda, estabelece as raízes do passado tortuoso de Erik, justificando as origens da sua revolta contra os sistemas de governo ao redor do mundo, que transparece através de inflamados discursos ideológicos, em mais uma ótima atuação de Jordan, que estrelou os dois filmes anteriores de Ryan Coogler.

Atuando como um paralelo ao nascituro governo de T´Challa, que ao herdar o trono vê-se obrigado a lidar com os pecados escondidos que emergem do reinado de T´Chaka, o ex-soldado expõe os dilemas e contradições da conduta isolacionista de Wakanda, servindo como um obstáculo que o Pantera Negra precisa superar para retomar o leme de um país dividido, e também como um contraponto que termina fazendo com que o rei wakandiano repense as próprias escolhas históricas da avançada nação africana e a sua postura como líder – ratificada com perfeição na nobreza digna de um verdadeiro rei na conversa entre os dois diante do pôr do sol de Wakanda, logo após o confronto final.

Para além de todas as muitas qualidades evidentes, uma das coisas que mais impressiona em Pantera Negra é a construção do país (e dos povos que o habitam) que compõe o universo fictício do super-herói, incrustado no coração da África. Wakanda é uma antiga civilização erguida ao redor de uma fonte inesgotável de vibranium, o mais resistente e valioso metal do universo Marvel, que veio parar na Terra após a colisão de um meteorito – uma bela animação no início conta toda essa história.

O encontro entre o design de produção de Hannah Beachler, do premiado Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016), além de parceira de Coogler em Fruitvale Station: A Última Parada (2013) e Creed: Nascido para Lutar (2015), a fotografia de Rachel Morrison, também de Fruitvale, e que assina a fotografia de Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi (2017), e o figurino da lendária Ruth E. Carter, de Mais e Melhores Blues (1990), Malcom X (1993) e Amistad (1998), entrega um dos trabalhos mais espetaculares da Marvel Studios nesses aspectos, sendo responsável por construir um mundo fictício palpável e crível, na sua mescla particular de ancestralidade e futurismo.

Da evidente – e necessária – inspiração no traço do genial Jack Kirby, que fundiu tribalismo com tecnologia avançada de ares alienígenas nas histórias do Pantera Negra, Beachler cria um desenho de tecnologia que se difere daquele que habita o universo de Tony Stark, marcando a singularidade do desenvolvimento de Wakanda, e um país fulgurante, onde regiões rurais, com criações de ovelhas e outros animais, convivem em harmonia com opulentas cidades futuristas, recheadas com arranha-céus de arquiteturas particulares e autênticas – a primeira vez que vemos Wakanda resume com perfeição essa dualidade, quando a nave que transporta T´Challa, Okoye e Nakia sobrevoa vários cenários naturais típicos da África, até ultrapassar o escudo holográfico de proteção e adentrar os céus de uma cidade tecnológica no coração da selva.

A fotografia de Morrison auxilia Coogler na composição de belas sequências. Enquanto Wakanda surge brilhante e preenchida por cores quentes, o negrume e a roxidão fundem-se na nova versão do traje do Pantera Negra, que está todo contido no colar que T´Challa carrega e absorve energia cinética, e no líquido extraído da erva coração, responsável pelos poderes do protetor de Wakanda através de um ritual milenar que também transporta a sua mente para o plano ancestral, onde estão as almas de todos os antepassados que carregaram o título do herói, transformados em felinos que descansam nos galhos de uma árvore iluminada por místicos céus púrpuras. Nesse cenário idílico, T´Challa tem conversas tristes e duras com o seu pai, na curta, mas certeira, participação do experiente John Kani.

Sendo Wakanda um país africano que jamais foi colonizado pelos europeus, Carter aproveita esse distanciamento para mergulhar de cabeça na cultura de várias civilizações antigas do berço da humanidade. O resultado é simplesmente espetacular e o trabalho de figurino estabelece os costumes de uma nação única, com dezenas de belíssimas composições extremamente variadas que constituem um verdadeiro quebra-cabeça da história africana. Figurino, maquiagem, penteados, adereços, pinturas corporais, cânticos religiosos, ritos cerimoniais, roupas de combate, simbolismos… todos esses aspectos são encharcadamente multicoloridos e visualmente únicos, diferenciando não apenas cada uma das tribos de Wakanda em características ímpares, como também distribuindo traços peculiares a cada indivíduo que surge em tela, por menor que seja a sua participação. O trabalho da figurinista é impressionante de tal modo, que não causa estranheza que aquela infinidade de tribos que constituem o reino africano caminhem pelas ruas de um país altamente tecnológico com trajes que parecem saídos de séculos passados.

Para ser rei, T´Challa precisa lutar em um combate cerimonial na borda de uma altíssima catarata contra guerreiros de outras tribos que, por direito, desafiem a sua coroação – seja contra M’Baku ou Killmonger, Coogler roda ótimas lutas corporais. Na batalha contra traficantes de mulheres temos os golpes ágeis e certeiros de um Pantera Negra engolido pela escuridão sendo iluminados pelos disparos das metralhadoras dos adversários que caem um a um. Já em um luxuoso cassino clandestino em Busan, na Coreia do Sul, o jovem cineasta conduz a melhor sequência de ação do longa-metragem (de inspirações nítidas em filmes do 007), fazendo uso de plano-sequência e de múltiplas situações que ocorrem ao mesmo tempo em um espaço sob tiroteio, culminando com uma estonteante perseguição de carros pelas ruas estreitas e iluminadas por letreiros néon da cidade. Pantera Negra é dirigido com segurança pelo excelente cineasta, com sua câmera a rodear constantemente os personagens.

A edição cadenciada da dupla Debbie Berman e Michael P. Shawver consegue fazer um dos filmes mais longos (134 minutos) da Marvel Studios se tornar um dos menos cansativos. A trilha sonora é outro destaque, com dois trabalhos distintos coexistindo. Os temas instrumentais de Ludwig Göransson transportam o espectador para a África, com seus sons tribais, tambores e vocais ritmados que combinam perfeitamente com as sequências nas quais são utilizados. E sob a curadoria do rapper Kendrick Lamar (também compositor e produtor), as canções originais conferem ao filme um ar contemporâneo – Lamar monta uma equipe de estrelas da música e de revelações de fora do mainstream para compôr um painel moderno da música negra que passeia pelo hip-hop, o rhythm and blues e o soul.

Pantera Negra mergulha fundo na mitologia híbrida criada por Stan Lee e Jack Kirby em 1966 para o primeiro super-herói negro dos quadrinhos e também na riquíssima cultura africana, estabelecendo um universo fictício repleto de personalidade que funciona tanto em seus aspecto futurista quanto em seu aspecto ancestral. Com um visual único, ótimas sequências de ação, roteiro auto-contido, uma história povoada por personagens carismáticos, devidamente interpretados por um elenco recheado de atores talentosos, um protagonista de presença e um antagonista como poucas vezes se vê em filmes do gênero, o décimo-oitavo filme do Universo Cinematográfico da Marvel e terceiro filme da carreira do talentosíssimo Ryan Coogler é mais um acerto da Marvel Studios em sua caminhada de dez anos na produção exclusiva de filmes de super-heróis.

Sem fazer proselitismo, discursos ideológicos baratos ou forçar a barra em debates raciais, Pantera Negra permite que a representação do que poderia ser uma África livre da exploração alheia e altamente desenvolvida seja percebida a todo instante (o monólogo da cena pós-créditos é um espetáculo) em um blockbuster de ação e aventura de primeira linha, com toques de thriller político, significativamente cultural, representativo, dotado de uma forte identidade própria, e que resvala em temas importantes e sempre atuais sobre isolacionismo, colonialismo e postura de países ricos em relação a países pobres, mas sem jamais perder de vista o ludismo de uma história fantástica sobre um super-herói que se veste como uma pantera negra e governa uma nação inteira no coração da África.

Pantera Negra (Black Panther) – EUA, 2018, cor, 134 minutos.
Direção: Ryan Coogler. Roteiro: Joe Robert Cole e Ryan Coogler. Música: Ludwig Göransson e Kendrick Lamar. Cinematografia: Rachel Morrison. Edição: Debbie Berman e Michael P. Shawver. Design de produção: Hannah Beachler. Figurino: Ruth E. Carter. Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Letitia Wright, Winston Duke, Andy Serkis, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Angela Bassett, Forest Whitaker, Florence Kasumba, John Kani e Sterling K. Brown.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Boa crítica, como sempre!
    Gostei bastante de Creed: Nascido para Lutar. E o Coogler não parece ter decepcionado nem um pouco em Pantera Negra. Vi também uma vez metade de uma cinebiografia do James Brown com o Chadwick Boseman lhe interpretando.
    Como já deve ter percebido, eu não tenho muitos problemas com spoilers rs. O filme faz alguma espécie de ligação com Guerra Infinita?

    • Valeu. Não, não tem ligação com Guerra Infinita.

  • Dave Mustaine Wakandiano

    Excelente crítica, concordo com cada palavra, filmaço!!!

    Roteiro redondinho, muito bem amarrado, não tem uma única cena que seja desnecessária ou irrelevante, tudo ali tem um propósito, e a trama se desenrola de uma forma bem fluida e dinâmica, mas sem ficar apressado ou corrido. Os personagens são todos muito bem construídos e bem desenvolvidos, até mesmo os mais secundários e coadjuvantes conseguem ser excelentes! O elenco é de primeira, todas as atuações foram ótimas.

    Chadwick Boseman com certeza é o Pantera Negra definitivo, ele já tinha se mostrado digno do papel em Guerra Civil, mas agora ele deixou sua marca, o cara tem uma presença em tela fortíssima e consegue passar com perfeição toda a honra, nobreza, dignidade e caráter forte do Rei T’Challa. As três mulheres principais são realmente incríveis, a Shuri é carismática pra caramba, a Okoye é badass, e a Nakia é muito simpática, elas são respectivamente: o cérebro, os músculos e o coração. Outros personagens secundários que eu gostei bastante foram o W’ Kabi (não tinha percebido o Daniel Kaluuya nos trailers, ele estava ótimo, o personagem dele é muito bem desenvolvido), o Zuri (Forrest Whitaker ótimo como sempre), o Ross (foi muito bom ver ele ganhando mais espaço, eu tinha ficado um pouco chateado pela participação dele em Guerra Civil ter sido tão curta, agora sim tivemos um trabalho à altura do excelente Martin Freeman, grande Watson/Bilbo Bolseiro), e o M’ Baku (aquela luta dele com o T’Challa no início do filme foi sensacional, e admito que achei bem inusitado ver ele como um aliado do Pantera, grata surpresa. E aliás, as tiradas cômicas dele também eram ótimas, rs). Agora os vilões são um destaque à parte: Michael B. Jordan estava fenomenal na pele do Killmonger, indiscutivelmente um dos melhores vilões de todo o MCU, ele me lembrou bastante o Magneto, um personagem com uma história trágica e com motivações nobres, mas cheio de ódio e que toma atitudes violentas para alcançar seus objetivos, e no fim acaba se tornando aquilo que ele mais odeia. O Garra Sônica também foi um excelente vilão secundário, Andy Serkis mandou muito bem, aliás, talvez a única ressalva que eu tenha em relação à esse filme seja o fato de terem matado ele, acho que ele tinha potencial pra ser usado mais vezes futuramente, mas nem disso dá pra mim reclamar direito, porque a morte dele não é nem um pouco gratuita e faz total sentido dentro da trama do filme. Ah, e a cena dele cantando é impagável kkkkkkk

    As sequências de ação são incríveis, destaco a cena do Cassino na Coréia do Norte Sul, que começa como uma cena frenética de pancadaria e se torna uma perseguição alucinante, e as duas lutas do T’Challa com o Killmonger (especialmente a primeira, em que o T’Challa perde), o CGI realmente estava um pouquinho artificial no começo da luta final, mas logo melhora. O visual do filme é maravilhoso, fotografia, direção de arte, figurinos, maquiagens, efeitos visuais, eles realmente criaram uma identidade visual única para Wakanda, extremamente fiel às HQs, com toda aquela mistura de tecnologia avançada futurista e tribalismo ancestral. A trilha sonora também é ótima, tanto a instrumental quanto às músicas de Rap e Hip-Hop (só achei meio esquisito umas partes que parecia que tava tocando batida de funk kkkkk).

    E cara, o pessoalzinho que fica com aquela ladainha de “não pode ter piada” não tem o que reclamar, o filme é um dos mais sérios do MCU, e tem uma carga dramática bem forte (achei bem emocionante aquela cena em que o Killmonger começa a chorar e diz que tudo o que ele queria era ver o pôr-do-sol em Wakanda). Mas claro, ele tem também os seus momentos engraçados, e que são hilários. Shuri mostrando o dedo do meio pro T’Challa, as tiradas sarcásticas da Okoye, e os já citados M’Baku e Garra Sônica, que são surpreendentemente engraçados, rs. E também não tem essa de “fórmula Marvel” aqui não, primeiro que isso nem sequer existe, depois que o filme é totalmente diferente dos outros filmes do MCU, definitivamente não segue fórmula nenhuma. Aquela conversinha que “Marvel não sabe fazer vilão” também já afundou, ano passado tivemos os excelentes Ego, Abutre e Hela, e agora temos o ainda melhor Killmonger. E pra quem tava achando que o filme fosse ser panfletário ou coisa do tipo, também quebrou a cara, não tem “esquerdismo” nenhum nesse filme, é um blockbuster de super-herói como todos os outros.

    WAKANDA FOREVER!!!!!! https://uploads.disquscdn.com/images/e40bc06eaeee135d682504a9e24b929afa860eda407fbdf1f68e534afa13b609.gif

    • Pedro, o Homem Sem Medo

      “Só me joguem no oceano, junto com meus ancestrais que pularam dos navios. Eles sabiam que a morte era melhor que a escravidão.”
      Killmonger

      Cara, que vilão filho da mãe…kkkkk
      Ele era brutal, mas ainda assim tinha um propósito compreensível, que nos fazia até torcer por ele.

      • Dave Mustaine Wakandiano

        Demais!

      • Essa frase é sensacional.

      • Cleber Rosa

        Essa frase já ficou marcada na historia cara!

        • Pedro, o Homem Sem Medo

          😉

        • “Bury me in the ocean with my ancestors who jumped from ships, ‘cause they knew death was better than bondage.”

          Essa frase incrível me lembra o título do extraordinário best-seller de Dee Brown sobre a história índia do Oeste Americano, “Bury My Heart at Wounded Knee” (Enterrem Meu Coração na Curva do Rio), de significado similar.

    • Valeu. Excelente análise, meu amigo.

      O modo como o Ryan Coogler e o Joe Robert Cole desenvolveram esse tanto de personagem tão bem só tinha visto antes em Guerra Civil. Sendo que há uma diferença: dessa vez todos eram novos. Só conhecíamos o T´Challa, o T´Chaka, o Klaue e o Ross (sendo que os três últimos vinham de participações ínfimas, e tiveram bom destaque dessa vez). E ele introduz Okoye, Nakia, Shuri, W´Kabi, M´Baku, Ramonda, Zuri, Killmonger… e todo mundo tem espaço, e todo mundo tem importância na história.

      Fica a vontade de ver mais do Killmonger (merecia um filme só pra ele…rs) e do Garra Sônica (o Garra eu ainda acho que podem trazer de volta, já que ele vira uma criatura de som sólido já na segunda vez que aparece nas HQs).

      Agora é imaginar o que o Coogler pode fazer em uma trilogia do Pantera Negra… Se o primeiro já foi assim…

      • Dave Mustaine Wakandiano

        Valeu. Putz, é verdade mesmo, o Coogler e o Cole conseguiram a proeza de apresentar essa porrada de personagens desconhecidos e fazer com que TODOS eles ganhassem a simpatia do público (aprende Snyder).
        Sobre o Killmonger, eu acho que foi melhor ele ter morrido,
        achei que foi um ótimo desfecho para o seu arco. Já o Garra Sônica eu também torço para que volte, mas esse lance de ser uma criatura de som sólido é meio bizarra kkkk mas é o MCU né? Eles certamente saberão como fazer isso bem feito.
        Quero muito que mantenham o Coogler e o Cole no comando dos próximos filmes do Rei de Wakanda!

        • Estephano

          Pois é. É complicado esse negócio de matar ou não personagem, mas temos que lembrar que diferente das HQs, cinema tem um número bem mais limitado, e é tanto personagem bom que da para usar, que as vezes não tem muito o que fazer, deixar no limbo pode até ser pior, a não ser que seja um Magneto ou Loki da vida mesmo. E sobre o Killmonger, realmente seria ótimo vê-lo de novo (atuação monstruosa do Michael B. Jordan), mas aquele final é tão impactante, que completa o personagem e suas ideologias, acho que não foi aquele caso de matar só por matar mesmo.

    • Estephano

      Esse filme é igualzinho Thor Ragnarok, só que os fanboys nunca admitem isso, tudo que a Disney faz, eles aplaudem. Ridículo.

      • Dave Mustaine Wakandiano

        Pois é, e é idêntico à Homecoming, Doutor Estranho e Guardiões da Galáxia também.

      • Cleber Rosa

        Mas é claro que ele é igual ao Thor…sucesso de critica e publico e estrondo de bilheteria…

        • Estephano

          Para de mentir. Thor foi um fracasso, a Disney esperava 1.8 bi. A crítica não quer dizer nada, tudo pago. Sucesso de público? Ta na cara que o público esta cansando desses filmes da Marvel.

          • Cleber Rosa

            kkkkkkkk, desculpe, não consigo me controlar…sou um marveco safado e mentiroso! rsrs

  • Pedro, o Homem Sem Medo

    “É difícil para um bom homem ser rei.”

    No livro O Príncipe, Maquiavel anunciava a dualidade entre ser um rei amado ou temido. Ainda que ele seja temível, T’Challa, sabiamente, opta pelo equilíbrio da diplomacia, usando a força apenas quando é necessário.
    E ainda dizem que os filmes da Marvel são rasos e mais do mesmo. Se levarmos em conta que ela produz apenas blockbusters, a Marvel elevou a qualidade do gênero nos últimos anos. Mas os haters sempre irão trazer seus argumentos contraditórios.

    Ótima crítica, meu amigo:-)

    • Eu sempre me sinto um merda quando vejo essas obras e filmes aclamados que vocês viram e eu não. Espero um dia poder me redimir…kkkkkk

      • Pedro, o Homem Sem Medo

        Kkkkk
        Vai em frente:-)

    • Valeu, meu amigo. O modo como trabalharam a postura de T´Challa como rei nesse filme foi sensacional. Pode ser algo a ser retrabalhado no segundo ou no terceiro, talvez até mesmo sem um vilão específico, mas sim uma guerra civil no país ou algo do tipo.

      Os haters nunca vão dar o braço a torcer. Podem até mudar as ladainhas de tempos em tempos, mas sempre insistirão em algo idiota…rs

      • Pedro, o Homem Sem Medo

        O arco “Uma Nação Sob Nossos Pés” aborda justamente isso, Rodrigo. Seria interessantíssimo se adaptassem numa futura sequência.

        • Estephano

          Esse primeiro filme deu umas boas pinceladas nesse tema. Eu não tenho a mínima ideia o que eles planejam para o futuro, mas gostaria muito que fosse o Namor como antagonista na sequência. Já pensou Wakanda x Atlântida?

  • Estephano

    Acho que esse foi o seu maior texto em um filme de super-herói, hein? Muito bom, cara.

    O time que montaram para esse filme é muito bom, desde elenco até a produção. Não é à toa esse sucesso estrondoso que o filme esta fazendo, embora, confesso que não achei que seria tão grande assim.
    O que o filme tem de bom o seu texto e a galera já comentaram a esmo, e tirando alguns momentos nos efeitos especiais, o negócio foi excelente. Acho que ai entrou um pouco da falta de experiência do Coogler na área, mas nada que atrapalhe e não corrijam nos próximos. E a primeira coisa que tem que fazer agora é prender o Coogler e a equipe lá dentro da Marvel Studios. rs

    Outra coisa, acho que a melhor coisa que fizeram nesses últimos tempos na Marvel Studios foi abraçar o legado dos maiores lá da editora. Usar Kirby, Ditko, Stan Lee, Romita, Buscema e aquela galera monstruosa que coexistiu naquele período histórico da Marvel como base, é o caminho a seguir.

    • Valeu. Se o Ryan conseguir terminar a trilogia com a mesma equipe (mesmo roteirista, diretora de fotografia, figurinista, trilha, diretora de arte, etc.) seria um negócio incrível. Potencial de sobra pra ser uma trilogia de alta qualidade, depois de um ótimo primeiro filme.

      Abraçar o legado dos criadores foi mesmo a melhor coisa. Depois de muita coisa nos primeiros filmes inspirada em fases mais recentes, tanto ideias quanto visuais, dessa vez foram atrás de ideias e visuais das origens do universo Marvel. Que siga assim pelos próximos filmes.

  • Chandler BING

    Ótima analise Rodrigo,que você venha ganhando cada vez mais visualização e credibilidade,pois você merece.

    Marvel entrou em uma ótima fase aonde se permitiu dar mais e mais liberdade aos seus diretores,isso já tinha se mostrado eficiente após o resultado de capitão america soldado in vernal/guerra civil e guardiões da galáxia que são de longe os melhores filmes feitos pelo estúdio (Guerra civil marcando como o melhor,pelo menos pra min). Guardiões da galáxia vol 2,homem aranha de volta ao lar e thor ragnarok se mostraram filmes completamente independentes funcionando muito bem de forma isolado e construindo seu próprio universo dentro da Marvel e isso se repete aqui em pantera negra,um filme totalmente Ryan Cogler.

    O diretor entendeu completamente seu personagem e construiu da forma que ele o enxerga,transpondo toda a essência do mesmo nas telas. Seus dilemas,conflitos,cultura e ainda assim o aproximando mais e mais da realidade,trazendo toda uma atmosfera fictícia que por vezes migra ao realismo. Você acredita em wakanda e percebe a presença do pantera negra envolto do mundo,algo muito difícil de se fazer (Snyder vem tentando fazer isso desde man of steel e até agora não conseguiu). Em apenas um filme ele explorou tudo que fora feito do pantera até aqui.Marvel knights,uma nação sobre nossos pés e Who is Black Panther? (Os poucos quadrinhos que li do personagem e tive que reler pra me preparar pro filme hehe) tudo estava ali,qualquer fã do personagem sentiria isso e não precisaria refilmar tudo que estava nos quadrinhos,apenas transmitir oque se entende do personagem. A dinâmica,sutileza,riqueza visual,ritmo frenético,toda a marca do cogler se encaixa perfeitamente com o personagem,é como os russos para o capitão america,o raimi para homem aranha,Gunn para os guardiões,poucos diretores que entenderam seus heróis.

    Enfim,os elogios para esse filme são muitos,seja na direção,atuações.roteiro,trilha sonora, visual e principalmente o figurino (E QUE FIGURINO).Pantera negra é um dos melhores filmes de super herói já feito e começa muito bem um ano promissor ao “gênero”.

    • Pedro, o Homem Sem Medo

      As críticas do Rodrigo são muito melhores que a maioria dos sites que eu frequento.

    • Valeu! Também acho Guerra Civil o melhor. E concordo plenamente: todos os últimos filmes estão funcionando muito bem de forma independente, ao mesmo tempo em que estabelecem conexões sutis e eficientes entre si. E estão tendo as “caras” dos seus diretores.

      Você acredita em wakanda e percebe a presença do pantera negra envolto do mundo,algo muito difícil de se fazer

      Perfeito! Eles conseguiram tornar Wakanda “real” e o seu monarca crível. Na sequência devem mostrar ainda mais do interior do país, e tudo deve ficar ainda mais incrível.

  • Cleber Rosa

    Perfeita a critica Rodrigo!! Parabéns!!!

    Pantera realmente está cravando seu nome na historia do entretenimento…e as manifestações que ele anda recebendo se me fazem sentir mais feliz por todos os envolvidos.

    Vida longa ao REI!!

    • Valeu! E o filme não cansa de surpreender e quebrar recordes. Vai ser assim até sair de cartaz…rs

      • Cleber Rosa

        E queimar muito a lingue dos idiotas de plantão! rsrs

  • Groucho Marx

    Desculpe pela demora em te visitar em casa, Rodrigo. Site muito bacana, e essa crítica do Pantera Negra ficou badass. Ressaltou bem as qualidades e os (poucos) defeitos do longa. Assim que puder passo por aqui de novo, pra elogiar, ou pra lhe dar um pau de mulão (se falar mal de Zack Snyder, meu diretor preferido… hehe…). Grande abraço.

    • Valeu, cara. Seja bem vindo! Minha próxima meta é fazer a crítica da filmografia completa do Snyder, até mesmo dos clips…kkkkkkkkkkkk

      Aqui no site tem críticas de alguns westerns clássicos, incluindo do Ford. Não tantas quanto eu gostaria, mas já é alguma coisa…rs

      • Groucho Marx

        “Minha próxima meta é fazer a crítica da filmografia completa do Snyder, até mesmo dos clips…kkkkkkkkkkkk”

        Pô, quase nunca venho no seu cafofo, e é assim que você me recebe? Sacanagem… brincadeiras à parte, estamos aí. Vou ler as outras críticas e, sempre que puder, dar meus pitacos. Grande abraço.