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18NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS

Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção-Científica.
Contém: Linguagem Imprópria, Violência, Analogias a Abuso Sexual.

Aviso!
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

NEXUS-X
Uma história Blade Runner

O Caminho da Vida

O Caminho da Vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio, e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e a morte.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será violenta e tudo se encontrará perdido.”

Charles Chaplin.


Contexto:

O ano era 2019. Uma época onde a humanidade experimentava o seu auge científico, assim como as consequências de sua responsabilidade socioambiental. Ao que parecia, os recursos congênitos haviam sido consumados, e não restava outra alternativa aos seres humanos a não ser iniciar um processo de colonização extraterrestre — ou, aglomerar-se em cidades superpopulosas e decadentes, para aqueles sem possibilidades financeiras. Ainda nos primeiros anos do Século XXI, a visionária Tyrell Corporation deu um novo passo no campo da robótica, criando os Replicantes: seres vivos inteligentes, virtualmente idênticos aos humanos em todos os aspectos, exceto na capacidade de desenvolver emoções; foram concebidos para serem utilizá-los como mãos-de-obra escravas, principalmente nas perigosas missões de exploração e colonização espacial. Entretanto, constatou-se no modelo Nexus-6, o mais avançado até então, e superior em fala e agilidade, a possibilidade de, após alguns anos de vida, apresentarem reações emocionais, tornando-os, além de uma ameaça, inadequados a seu propósito. O problema foi contornado, limitando a vida do Nexus-6 a um período curto de quatro anos. Após um violento e inesperado motim causado por um grupo de Nexus-6, em uma das colônias espaciais, os Replicantes foram proibidos de retornarem à Terra. Qualquer um que fosse detectado, deveria ser imediatamente executado. Uma força policial especializada em caçar e destruir os que transgredissem à regra foi criada: os virtuosos Caçadores de Andróides, que recebiam a alcunha de Blade Runner.

Com o fim da Tyrell Corporation, após o assassinato de seu fundador, pelas mãos de uma de suas criações, a produção de novos Replicantes foi encerrada. O colapso total dos ecossistemas em meados dos anos 2020, com o fatídico e famigerado blackout na cidade de Los Angeles, obrigou que o empresário Niander Wallace fizesse uma intervenção colossal sobre o domínio natural, cuja soberania da agricultura biossintética evitou a escassez dos seus últimos produtos. Com lucros altos e um poderio crescente, Wallace adquiriu a falida Tyrell Corporation, começando a criar uma nova linha de Replicantes obedientes, inaugurando assim seu novo império, idealizado pela recém-criada e nomeada Wallace Corporation. Muitas máquinas do modelo anterior, com vida útil indeterminada, sobreviveram; atualmente, são constantemente caçadas e aposentadas. Em seus aposentos, Niander Wallace ainda insistia na produção dessa nova leva de andróides, utilizando seus conhecimentos e habilidades para criar Replicantes ainda mais perfeitos, enquanto testava, acaçapado da sociedade, uma reprodução natural maquinaria.

1

Cidade de Los Angeles. 2032.

Suas pálidas pálpebras descerravam com uma vagarosidade ímpar, os finíssimos cílios eram perfeitamente separados, longos, dotados de uma beleza sem fim e incrivelmente rara. Tua pupila contraía grosseiramente devido à alta luminosidade incidindo sobre sua superfície, rodeada por uma íris peculiar, de coloração púrpura ávida. Seu olhar, diferente da beleza visual que detinha, carregava uma áurea vaga e triste, como se não pudesse, realmente, enxergar todas as perspectivas formosas que o mundo poderia lhe oferecer. Constatava, pela primeira vez, o firmamento pelo qual fora destinado a viver — e, quando chegasse a hora, sofrer. Os equipamentos do laboratório enfileirados perfeitamente deleitavam um aspecto luxuoso, praticamente divino, o chão perfeccionadoramente limpo, formado por porcelanas cor-de-creme de alta resistência, desprovido de qualquer imundície ou bactéria, levando às paredes magistralmente produzidas, com um material similar ao aço, repleto de faixas rútilas bergamotas. Sob teu corpo, o solo assenhoreava, à sua direita, um pequeno córrego artificial, guardando uma massa líquida similar à água, que transportava umidade a cada um dos cômodos pelos quais passava. Seu corpo, assim como a pele que revestia tua face, era pálido, glabro, sem um fio sequer do pescoço para baixo. Teu couro cabeludo antagonizava o restante de sua epiderme torsal, dispunha de fios medianos recaídos em sua testa, reservando uma coloração alaranjada, assim como as sobrancelhas grossas e os parcos filetes de barba em seu maxilar. Sem espinhas ou cravos, deformidades físicas ou mentais, longe de um estado catatônico. Teus músculos eram volumosos, desenvolvidos com excelência, para que seu preparo corporal fosse imbatível, assim como seus sistemas imunológico, nervoso, sensorial e esquelético. Dotado de uma beleza inimaginável, portador de habilidades surreais; uma máquina — ou melhor: um Replicante —, em sua mais perfeita concepção.
Seu tronco ergueu-se sem dificuldades, virando-se rumo à sua aurora física: os pés resolutos foram de encontro ao solo gélido, um seguido do outro, como uma dupla perfeitamente enfileirada. Posteriormente, todo o peso da máquina estabeleceu-se perante os calcantes, de uma vez só. Estava nu, um homem de vergonhas expostas — embora, para sua índole, nada ali fosse despudorado. Caminhou vagarosamente, direcionando-se à fenda local, desejando liberdade e autoconhecimento — embora pouco conhecesse sobre essas palavras. Tua marcha parecia carente de urgência, assim como sua fuga nada mais era do que algo normal para a carnosa, e maquinaria, criatura. Os movimentos de suas pernas o levaram para um grandioso e estonteante saguão, donde faziam-se presentes inúmeros corpos replicados, há muito desacautelados de vida. Havia apenas uma carne — ou melhor, uma existência mundana — erguida; de pé, repleto de glória e poder. Teu Criador, onipresente em seus disigns e montagem. Quem lhe projetou, posteriormente lhe dando o dom da existencialidade. Detinha um cabelo castanho-escuro assombrosamente liso, alcançando suas ombreiras têxteis, toucado para trás com cuidado e agilidade, acompanhado de uma longa e bem-cuidada barba. Suas vistas, assim como de sua Criação, eram vagas e distantes, embora, diferente de seu produto, não obtivesse o dom da visão. Um humanoide cego, porém vislumbrante, de íris amareladas e esclerais glaucas; exausto após tantas tentativas frustradas. Sua respiração era débil e sua fala entroncada.
— Oh, minha criança — as palavras do homem reverberaram pelo saguão, portando uma fragilidade significativa, com ruídos decadentes. — Finalmente despertou-se. Já era hora de conhecer teu virtuoso Criador.
O Replicante admirou-o, sem proferir uma só onda sonora. Sua cabeça pôs-se para o lado, decaída, com dúvidas nadando entre seus neurônios.
— Venha. Aproxime-se — abanou suas mãos brancas, clamando pela aproximação diligente de sua Criação. — Não tenha medo, meu filho.
O organismo vivo congraçou-se com a voz do sujeito, exibindo seus primeiros esforços para uma avizinhação mais declarada, lentamente. Não portava medos ou receios. Incrivelmente, não portava nada além de uma curiosidade inacabável, convergindo pensamentos e atuações no intuito de formular sua personalidade própria. O Criador começou a apalpá-lo, sem pressa, admirando-se de sua Criação. Passou suas ásperas palmas sobre seu rosto, analisando cada um de seus pequenos — e muitos — detalhes, a perfeição de um ser praticamente idêntico aos seres humanos; posteriormente seus movimentos tocaram seu ombro branco não-peloso, seguido de seu peito e braços igualmente alisados, e mãos delicadamente bem-construídas. Suas maúças atingiram-se em seguida, logo após os dedos se entrelaçarem por completo. Conexão corporal, definindo-se aos poucos.
— Meu filho… — bradou bem baixo, ao lado da orelha sublime da Criatura. Suas palavras ascenderam sentimentos no Replicante, mesmo embora ele não fosse capaz, teoricamente, de possuí-los. — Você… agora é meu filho.
Seus dedos despediram-se, junto com o restante de suas interações manuais. O Criador perdurou a descer o palmo, movimentando seu tato rente às partes íntimas de sua criatura maravilhosa. Apalpou seu pênis e seus testículos, macios e sedosos, sentindo-os com excelência; ambos os indivíduos se deleitaram com um prazer momentâneo, que se extinguiu quando o caminhar de suas mãos partiu-se para as pernas emasculadas do vivente, suas coxas e canelas igualmente perfeitas, até chegar aos pés, com um formato herdado dos antigos gregos, grudados ao chão. Agachava-se no momento, praticamente ajoelhando-se perante teu próprio produto. Tua obra-prima. Ergueu-se no átimo seguinte, maravilhado e satisfeito.
— Está perfeito — suspirou, aliviado. — Você é perfeito, meu filho!
Despiu-se em absoluto posteriormente, removendo suas vestimentas de exorbitantes fortunas, amareladas, com fios foleados a ouro. Teus tecidos tocaram o gélido chão, vagarosos, separados por um longo espaço de tempo. Paletó, gravata, blusa social, calça. Em seguida, retirou seus, também, luxuosos mocassins de couro, acompanhado de suas meias feitas de extinta lã de novelo. Completamente nu, novamente começou a apalpar tua Criação, colando teus corpos um no outro, preenchido por uma excitação ímpar. Da maçã mordida e da nova cobra falante, surgia ali um novo Éden — agora, porém, recheado de impurezas já em sua concepção. Terminou — ou melhor, iniciou — de vez sua conexão corporal, em seguida. Seu astuto produto agora possuía um propósito — finalidade a qual o inspirou a criá-lo. O útero da Criatura, perfeitamente transplantado, seria, enfim, testado, pelas perturbadoras e inconiventes atitudes do inventor, que estimava folgazar-se de Deus.

2

Cidade de Los Angeles. 2037.

O perseverante aguaceiro desabava com agressividade do soturno e tenebroso celeste, suas gotas extremamente pesadas e compactas, de diâmetros elevados, alvejavam o solo com tamanha robustez. No nivelado pavimento, o sodalício renegado, composto por pobres seres, andava com seus guarda-chuvas transparentes, escondendo-se do dilúvio acima de suas cabeças, ou salvaguardando-se por de baixo de instalações acolhedoras. Indivíduos marginalizados, distanciados e solitários, que viviam à margem da sociedade rica contemporânea. Nesse cruel porvindouro distópico, a vida diária era impactada pela rápida mudança tecnológica, uma atmosfera de informações computadorizadas ambíguas e as modificações invasivas presentes no corpo humano.
O comércio borbulhava de fregueses, adquirindo as sobras das vestes lixosas dos ricos e poderosos, ou comidas baratas para que pudessem se alimentar, cobrindo a grandiosa fome que assolava suas barrigas, diariamente. No suprassumo céu, por cima de seus cocurutos, alguns veículos voadores pairavam entre os enormes e rebuscados arranha-céus negros, desviando dos pequenos e inesperados obstáculos que apareciam na trâmite, com agilidade e maestria; em sua maioria, eram policiais disfarçados, observando a sociedade sob seus pés, ou seres majoritariamente facultosos. As usinas a céu aberto também compunham grande parte do ambiente visual, soltando inúmeros estampidos de seus cumes — uma forma de retirar todas as combinações estrondosas e flamejantes de seu interior explosivo e tóxico.
Um virtuoso Caçador de Andróides repousava em seu carro voador, tranquilo, esvoaçando acima da comunidade decadente, revisando sua árdua, e agora longínqua, missão. Teus dedos nevados tocaram e ativaram o mediano painel em seu interior; uma tela sensível, intendente acondicionadora de dados confidenciais significativos, referentes a diversos casos policiais. Agora operante, ostentava efígies referentes ao seu encargo, acompanhadas da ficha completa do indivíduo caçado.
— Replicante Nexus-X; VP140717. Sexo: Masculino. Porte elevado, Físico A. Idade aparente: 33 anos. Funcionalidade: Indeterminada. Data de Concepção: 1 de Janeiro de 2032. Tempo de vida: Indeterminado. — A voz feminina mecânica assolava seus ouvidos, ecoando entre os vidros do veículo.
Não possuía contato com muitas pessoas, em especial mulheres — ao menos, não as de carne e osso. Aquela voz, de agradável e robótica melodia, era a única companhia feminina que dispunha em sua vida, atualmente. Não possuía tempo para relacionamentos — na mais cruel das hipóteses, não possuía tempo nem ao menos para viver de verdade. Era determinado e ocupado demais com seu trabalho, um dos mais íntegros e honrados Blade Runners que o mundo já viu. Dos vitrôs transparentes e embaçados de seu automóvel volante, refletiam luzes cintilantes, quase cegantes, de neons cativantes e chamativos — embora, para ele, fossem tão desconfortáveis quanto o assento de seu veículo e a roupa que trajava. Convivera acompanhado de tais circunstâncias diariamente, o farto extravasando de sua já débil mente, de personalidade forte.
— Envie o formulário atual para a Central. Trezentos e noventa e sete dias, nenhum resultado aparente — sua voz era rouquenha, abafada e calma, transparecia uma masculinidade assustadora. — Assim que terminar, transmita também nossas atuais coordenadas. Vou parar e comer alguma coisa.
O painel emitiu ruídos inteligíveis, acatando as ordens do sujeito. Desativou-se posteriormente, em um notável apreço por economia energética — nas hodiernas circunstâncias, aquilo era fundamental e básico. O veículo traçou rumo ao solo, bem devagar; o para-brisa completamente encharcado, os limpadores, inúteis, a todo o vapor. Caiu dos céus, chegando admiravelmente ligeiro ao seu destino. Fumaças albugíneas o cercando, retirando todo o calor e as impurezas do motor. Pousou, sem maiores transtornos, descansando suas praticamente não-utilizadas rodas de borracha no pavimento; dando sustância e equilíbrio ao corpulento carro. Sua porta faustuosa abriu-se para cima, do interior seus pés foram ao solo. Trajava um sobretudo verde-escuro, escondendo suas calças negras e camiseta manga-longa cinzenta. Do modo em que a porta fechava-se, caminhou em busca de novas especiarias para seu estômago.
Logo à frente, participou do aglomerado de pessoas famintas, pedindo um macarrão bem robusto, com alguns pedaços de carne branca, culinária comum do local. O serviço foi rápido e eficaz; o Blade Runner acolheu em tuas mãos calejadas o prato de papelão, que guardava seu pedido. Com dois palitos que a acompanharam, ele começou a fisgar os compridos e achatados pedaços de massa, extremamente bem-temperados — não que isso fosse algo desagradável.
Caminhou pelas ruas, distanciando-se ainda mais de seu veículo voador. Os neons fortes ainda atingindo seu alabastrino rosto, enquanto seu cabelo castanho, encaracolado, encontrava-se roxo pela luminosidade incidente. Ao locomover seu corpo, saboreava a especiaria sob teu queixo, lentamente, absorvendo o tempero e praticamente excitando-se com ele. À sua frente, via faixadas ainda mais luminosas, de escritos orientais, com todos os tipos de colorações vislumbrantes possíveis, misturando-se entre si; acompanhando elas, era possível notar inúmeras propagandas de produtos expostos e à venda: de prostitutas nas vitrines, abanando suas carnosas bundas e seus seios siliconados, às logos da Coca-Cola e do ainda vivente Atari. Perpetuou seus passos vagarosos, rumo a um famigerado bar das proximidades. Ainda comia, para recuperar — guardando e preservando — suas energias; no momento em que a tempestade assolava teu sobretudo com força, as gotículas de água espatifavam-se e escorriam por suas ombreiras e costas, enegrecendo-o ainda mais.
Sua memória era conflituosa, resguardava sentimentos antigos e nostálgicos, que mexiam consideravelmente com seus pensamentos. Aquela era sua última missão, estava nela há pouco mais de um ano; após finalmente concluí-la, poderia ter sua tão sonhada aposentadoria, para viver finalmente sem barreiras e, quem sabe, formar uma longeva e grande família, em alguma das colônias espaciais. Com tantos anos de serviço, dinheiro e determinação eram o que não faltavam. Fadigava uma longa busca por Nexus-X, um Replicante fugitivo e poderoso, inteligente, preparado e robusto. Ao que parecia, havia ficado inesperadamente traumatizado. Teu virtuoso Criador encomendou sua busca, pessoalmente. Ele o projetou como o mais perfeito e humano andróide que já existiu — embora fosse um projeto secreto, escondido do olhar de todos. Em sua inesperada fuga, o Replicante conservava mais sentimentos que qualquer humano atual; dotava uma personalidade forte e determinada, clamante por liberdade plena e ações cumpridas por sua própria índole — desejava, como qualquer ente vivo, ser o dono do próprio destino.
Encontrou, finalmente, a taberna que buscava. Adentrou-a, com o prato de papelão envelhecido, descartável e imundo, agora vazio, em suas mãos; jogou-o no lixo, presente logo ao lado da porta. Caminhou ainda mais vagaroso rumo ao local onde as diversas bebidas expostas residiam. Aconchegou-se em um dos bancos giratórios à frente do balcão central, sugando as atenções do garçom — e dono do pub — ali presente.
— O que vai querer, senhor? — Bradou audivelmente, enquanto a música alta do lugar não parecia ser um problema.
— O mesmo de sempre. — Respondeu o Blade Runner, suspirando, com as mãos coladas no balcão.
O servente retirou uma garrada de uísque envelhecido da prateleira, apartando posteriormente um copo mediano da pia higiênica ao seu lado. Bateu-o na mesa, colocando em seu interior três pequenas pedras de gelo. Em seguida, despejou a bebida parda em teu íntimo, enchendo-o até a metade. Empurrou o objeto vitral, subsequentemente, em direção ao cliente, que o segurou firme. Suas mãos suavam, assim como seu oleoso rosto pálido.
— Obrigado. — Disse, erguendo o copo e balançando a cabeça.
Quem o serviu retribuiu a honradez com um sorriso no rosto, também maneando seu crânio. Transparecia ser um cidadão fanático pelos prestigiados Blade Runners.
Ele bebeu, a saliva encontrando-se com a bebida alcoólica prazerosamente. Teu gogó movimentou-se para cima e para baixo, três vezes. Os fiapos de barba foram molhados pelo líquido escapando pelas beiradas de sua boca rosada e diminuta. Bateu, em seguida, o copo na mesa, não muito forte. O dono da taberna novamente preencheu o objeto com mais bebida, que trincava a garrafa com sua gelidez.
— Ainda caçando aquele mesmo andróide? — Perguntou o homem, curioso.
— Ainda — bufou, após mais um gole furioso — Não consigo encontrar esse infeliz de jeito algum. Sempre que recebo uma pista, ela dá-se como falsa. Estou farto dessa busca eterna. — Finalizou, com movimentos que pediam mais uma rodada.
— Seu último serviço, não é? — despejou novamente mais líquido. — Se não me engano.
— Meu último serviço. Caralho, eu não aguento mais — resmungou, pouco antes de mais um gole; esse sem torrar toda a bebida do copo de uma vez só.
— Eu sonhava em ser um Balde Runner quando criança. — Riu o homem, olhando para o alto.
— Eu também — o policial igualmente riu — Não sabe como me arrependo de ter começado nessa vida — deixou mais uma gostosa risada escapar; seu companheiro compadeceu, acompanhando-o. — Tudo é muito tentador. Quando paramos para pensar, estamos tão investidos e cheios de serviço que não podemos parar; diversos anos perdidos, onde todo o dinheiro acumulado não nos proporciona a felicidade que tanto sonhávamos, muito menos as vitais convivências sociais saudáveis desperdiçadas.
Ele olhou para o interior de teu copo, analisando seu reflexo aquoso em movimento. Encarando a si mesmo, sob teus próprios descaídos olhos. Enxergando-se e refletindo sobre onde havia chegado.
— Esse Replicante que tanto busca… — interrompeu o pequeno devaneio de seu cliente, tentando livrar-se do embaraço — Como ele é? — A curiosidade inerente em seu olhar glauco.
— Ele é, simplesmente, o andróide mais absurdo que já procurei. O mais inteligente e perigoso… — bradou o Blade Runner, dando seu segundo gole. — Talvez, quem sabe, o mais humano.
— Hum… — expressou o sujeito, ainda curioso, pensativo. — E onde já o procurou?
— Em todos os lugares que imagina! — manifestou-se rapidamente o Caçador de Andróides — Já rodeei todo o estado atrás dele. Segui malditas pistas infundadas, de pessoas que não sabiam nem onde o cu delas estavam — olhou de cabeça baixa para o companheiro, seus olhos praticamente se encontrando com as sobrancelhas. — Caralho, eu já procurei esse infeliz em tudo quanto é lugar. Ele não pode ter ido longe; mas perto, com certeza, também não está.
O barman não manifestou-se subsequentemente, apenas repetiu alguns movimentos corporais, arrumando as porcelanas e vitrais abaixo do balcão, uma região invisível aos olhos dos clientes. Ouviu, atentamente, como sempre fazia, e pensou. Colocou seus neurônios para funcionar, a todo vapor, imaginando algum jeito de auxiliar seu extenuado freguês, que o visitava há pouco mais de um ano — embora fosse muito menos racional e mentalmente ágil que ele.
— Já parou para imaginar-se sobre a ótica deles? — inquiriu, observando o Blade Runner pelo canto de seus olhos. — Se fosse um Replicante, incrivelmente humanizado, para onde você iria?
— Eu iria para algum bar. Beber alguns belos goles de uísque, para encher a porra da minha cara. — Expressou, rapidamente.
— Isso pra você é ser humano? Pra mim, isso é ser você — rebateu o indivíduo, conciso. — Abdicar-se dos reais prazeres da vida, para dar lugar a simples prazeres gastronômicos momentâneos? — Exprimiu, levantando uma de suas sobrancelhas.
— Onde quer chegar? — Interpelou o Caçador de Andróides, arrebatado.
— Bem… — lambeu seus lábios, preparando uma retórica convincente. — Para onde você realmente iria se fosse alguém procurado, com humanidade trasbordando de sua personalidade?
— Eu não sei — disse, um pouco confuso. — Eu acho que nem sei mais o que é ser humano, sinceramente. Com o serviço que tenho, perdi isso há muito, muito tempo.
— Então pense um pouco — virou-se por completo, encarando seu freguês, dessa vez, profundamente nos olhos. — Você é inteligente, só não consegue se esforçar. — Apoiou o peso completo de seu corpo nos braços, paralelos entre si, com suas mãos esticadas, coladas no balcão.
— Eu iria… — iniciou, com seus lábios já secos, sem contato com o líquido pardo há minutos — Eu iria para um lugar agradável. Isolado e tranquilo. Sentiria o pouco que restou do mundo. O pouco que me contactaria com a natureza — suspirou agudamente, com pensamentos contemplativos — O que ainda resta sobre ser humano.
— Pois bem — bradou o homem, sorrindo agradavelmente. — Eis a resposta que tanto almejava.
O Blade Runner também riu, satisfeito e filosófico. Não retirou, por um só momento, seus olhos da linha visual de seu colega servente. Seus pulmões funcionaram com maestria e rapidez, o ar entrando por suas narinas e saindo pela boca simultaneamente.
— Mais humanos que os humanos. — Manifestou, maneando a cabeça com uma expressividade harmoniosa.
— Mais humanos que os humanos! — Repetiu o dono do pub, consoante.
O Blade Runner retirou sua mão direita do balcão, levando-a para a região esquerda de seu casaco longo, dentro de seu sobretudo. De lá, retirou algumas notas envelhecidas de dólares, quantia majoritária ao seu pedido consumido. Contou-as, retirando algumas do bolo, posteriormente levando-as à mesa larga e longa, perto do indivíduo conselheiro.
— Você é bom, Ryan — estimulou-o, ainda incrivelmente contente com a pequena conversa. — Teria se dado bem como Blade Runner.
— Obrigado, senhor Spencer! — correspondeu ao Caçador de Andróides, com os mesmos gestos delicados e sensíveis. — Eu realmente torço para encontrá-lo.
— Eu acho que já encontrei. — Disse por fim, esticando seus braços e empurrando o corpo para fora da cadeira giratória.
Ergueu-se, virando suas costas lentamente para o expositor de bebidas, com passos curtos e vagarosos, em direção à saída da taberna. Movimentou suas pernas grossas sem preocupações ou pressa; sua caça já o aguardava, ele tinha certeza. Sua atual localização não era distante, embora ainda precisasse desfrutar de informações confidenciais, futuramente adquiridas da boca de seu contratante. Não teria de procurar mais o Replicante, já que seu paradeiro era conhecido — e muito bem pensado. Enfim, conseguiu ser mais esperto que a máquina que caçava — embora ainda desconfiasse que o andróide queria ser encontrado; porém, testaria a inteligência e o empenho de seu caçador para tal tarefa. Partiu, abrindo e posteriormente fechando a porta. Caminhou mais uma vez abaixo do incessante dilúvio celeste, o mesmo em que um antigo Replicante, buscado por uma de suas maiores inspirações, havia derramado suas finas e singelas lágrimas.

3

As proporções da fazenda abandonada eram colossais, suas planuras cinzentas, antes esverdeadas, cobriam grandes distâncias à céu aberto. As carcaças putrefatas dos obsoletos animalejos, hodiernamente defuntos, encontravam-se expostas, recheadas de insetos etimológicos, vermes necrófagos e carniça, com todas as suas ossadas à mostra; capazes de serem atentados do célebre alto, como formigas disformes disseminadas pelo campo. Imemoriais tiras agrícolas agora davam lugar à minhocas, bactérias e excedentes degradados vindos das graúdas megalópolis limítrofes; os tratores inertes, empanturrados de lodo, encontravam-se inviáveis e inúteis a seus antigos propósitos.
Da amplidão celestial, que já não era tão cárdea quanto um dia havia sido, algo singrou, veloz e berrante. O Blade Runner, à bordo de seu automóvel esvoaçante, apaziguando-se do tão expectável e escarafunchado ambiente onde seu múnus findaria; moderadamente longínquo do avultado centro urbano que vivia. Seu painel ainda constava-se operante; dessa vez, desprendido de toda e qualquer informação referente à sua arcaica caça, focando-se apenas sobre os informes concernentes às herdades naturais de seu contratante, o virtuoso Criador da Criatura. Examinava a leiva inveterada, desfrutada de novos trabalhos ou produtos, esquecida pelo tempo — e por sua própria parentela. Fitou a residência desusada, analisando seu telhado marrom-rosado, feito de telhas concretais, estabelecidas sobre vigas de madeiras, sustentadas por uma construção branca, repleta de rachaduras enormes, elaborada pelos escassos tijolos e cimentos transatos.
Em teu viridário recepcionista, nada mais havia, com exceção das vetustas flores, agora murchas, mortas e, assim como a pradaria ao redor da residência, igualmente descoloridas; seus pequenos caules um dia esmeraldos, agora pardos e mirrados, curvavam-se descaídos, sem seus vindouros antigos cumes ao céu, agora alcatruzados, arrastando no firmamento terroso. Uma exígua retorça, de dois assentos, conjuntamente fazia-se presente no local; completamente empoderecida e barulhenta, com um circunscrito ente gangorrando-se sobre ela, assustadoramente quieto. Na hipótese de o Blade Runner não caçar teu tão pretensioso Replicante, poderia facilmente catalogá-lo como um cadáver ambulante e distraído, entregue à solidão mundana.
Seu veículo aterrissou, relativamente adjacente ao portal residencial e ao provecto jardim, novamente abjungindo fumaça pelas periferias e ruídos suprassumos, como de uma robusta, porém minguada, aeronave. O indivíduo desceu do automóvel, subsequentemente, animado e aliviado. Finalmente encontrara aquele que tanto buscava — sua mais astuta e fatigante perseguição. Fitou-o, friamente, continuamente, transpondo uma poderosa algema tecnológica em suas mãos, do mais soberbo condão. Andejou moroso, sua presa aguardava-o quieta, desprovida de qualquer afecção de fuga. Segurava as correntes laterais do oscilante objeto com força, o balanço imparável da gangorra não o prejudicava, dando-lhe alguma tontura ou enjoo — teu corpo fora projetado perfeitamente, não proporcionando, assim, a preocupação de constatar nenhuma dessas experiências. Parecia estar ali há dias; ou pior: há meses. Praticamente desligado do mundo ao seu redor; desanimado, entregue ao Caçador que tanto lhe buscava.
O Blade Runner, embora obtivesse o sistema de reconhecimento em seu veículo, confirmando que aquele era o Replicante que almejava, reconheceu-o sem dificuldades, devido a seus cabelos alaranjados e crescidos. Não havia envelhecido um único dia — pelo menos não em sua aparência física. Era o mesmo, exceto pelos fios de cabelo e da barba mais alongados. Portava uma camiseta branca comum, e uma calça têxtil escura, incrivelmente resistente; seus pés estavam despidos, com as unhas no cume de suas falanges alongadas — assim como as de sua mão. O andróide olhava para o colo, cabisbaixo, tua crina caindo pela lateral de seus olhos, analisando a si mesmo pelo espelho de proporções manuais que retinha sobre suas coxas. O Caçador aproximou-se e o analisou durante minguados frios segundos, sem dizer absolutamente nada.
— Você enfim me encontrou — exprimiu miudamente o Replicante. — Já era hora.
— Quis que eu o encontrasse. — Rebateu o Blade Runner, levantando uma de suas sobrancelhas. Estava contente, acima de tudo.
A máquina levantou seu cocuruto, após muito tempo. Não houveram dores ou mau funcionamento na região de teu pescoço — ou nas proximidades dela. Junto de sua cabeça, seu torço também elevou-se, mesmo que suas finas e delicadas mãos não desgrudassem das correntes laterais do balanço.
— Sim — ele suspirou, avidamente. — Eu estava esperando por você. Sabia que uma hora chegaria. Então aguardei, quieto e calado, rezando para que não demorasse.
— Replicante Nexus-X, você vem comigo. Agora! — Bradou o Blade Runner, com uma voz grossa e grave, como um competente soldado. Alçou um de teus braços, desvelando à máquina as algemas tecnológicas que usaria.
— Não serei aposentado? — Inquiriu ele, duvidoso.
— Pelo menos não agora. Será levado vivo daqui, de volta aos aposentos de seu Criador. — Respondeu, no segundo seguinte. Suas palavras desprendidas de qualquer hesitação ou misericórdia.
O Replicante ansiou novamente, agora profunda e melancolicamente. Ambos se entreolharam pelos segundos seguintes, calados. Com o tempo nublado, ostentando uma poeira ambiente que impossibilitava a luminosidade de passar pelas nuvens rescaldas, a ventania forte alvejava-os com competência; os fios capilares da máquina balançando para trás, assim como os de sua barba partiam-se ao meio; enquanto os cabelos encaracolados do Blade Runner iam para frente, praticamente tampando seus olhos. Os braços desnudos da criatura caçada arrepiavam-se, mesmo não portando pelos, e seus pés descalços embranqueciam-se ainda mais, mostrando suas pequenas veias e músculos.
— Você me trata como um nada. Como se eu não fosse capaz de me defender, ou possuir sentimentos. Somos idênticos aos humanos, você sabia?! — iniciou, olhando fixamente nos olhos do Caçador de Andróides — Dizem que não podemos possuir as características deles, mas somos extremamente parecidos, embora, fisicamente, infinitamente superiores.
O Blade Runner não desprendeu sua boca rosada para contra-argumentar. Apenas analisou o indivíduo, cauteloso e reflexivo.
— Temos pele, músculos, sangue, artérias, veias, coração… temos absolutamente tudo o que eles têm — descolou os lábios, mostrando os dentes, em um sorriso incrivelmente sarcástico. — Somos como eles. Exatamente como eles!
Soltou sua mão direita da corrente, agraciando suas palmas como o espelho encontrado sobre tuas pernas redobradas.
— Eu me olho aqui, diariamente. E tento entender a raiva que os humanos possuem por nossa espécie. A raiva intrínseca na mentalidade de todos, que, hipocritamente, nos criaram. Eles, criadores daquilo que mais odeiam — pareceu escancarar ainda mais o sorriso; recheado de fastio, entretanto. — E, o pior de tudo, é que continuam nos criando, nos aperfeiçoando cada dia mais, para ficarmos cada vez mais parecidos com eles.
Vocês não são como nós! — deixou escapar o policial, com seu rosto inexpressivo. — Vocês, acima de tudo, são máquinas.
— “Vocês“? “Máquinas“? — deixou um lapso de uma virtuosa gargalhada escapar. — Nós não somos máquinas, meu caro amigo. Somos tão especiais e importantes quanto os humanos. Poderíamos facilmente nos adaptar à sociedade, e vivermos sem guerras ou caçadas. Uma plenitude vislumbrante e socialista nas relações interpessoais, ou maquinarias, como quisessem chamar.
O Caçador novamente calou-se, o ar quente calcorreando por tua laringe, experienciando um escape impedido, devido à sua cavidade bucal lacrada.
— Em nossas características, acima de tudo, possuímos sentimentos. Sentimentos de verdade, embora todos os humanos duvidem ou neguem.
— Eu nunca vi uma máquina sequer possuir sentimentos. Nunca vi, e nunca verei. — Contra-argumentou o Blade Runner, ainda inexpressivo e estático; frio, como a ventania que os atingia.
— Está olhando para um — rebateu o Replicante, balançando sua mão liberta. — E, se me concede… em breve descobrirá outro, mais próximo que imagina. — Ainda esboçava um gostoso sorriso, com uma certa ironia inerente em sua locução.
— Foi criado como o mais astuto, inteligente, forte e preparado andróide que já existiu. Essas caraterísticas filosóficas, envolvendo sentimentos, nada mais são que um atributo dado a ti pelo teu próprio Criador. Ele quis que sua Criação despusesse de tais perfis.
— E o que explicaria a fuga daqueles três Nexus-6 no longínquo ano de 2019? Eles só queriam encontrar seus criadores e obter uma maneira de viver por mais alguns anos, retirando a trava de seus sistemas — interrogou, erguendo seu queixo perfeito. — Se isso não é ter sentimentos, eu não sei o que é.
— Erros do sistema, apenas isso. Eram insanos… como você! — Exprimiu o policial, descortês.
— Em minhas pequisas, descobri vários erros do sistema, então. Replicantes autodestrutivos, depressivos… e até mesmo gestantes — bufou, agora escondendo o sorriso sarcástico, dando lugar à raiva inerente em seu rosto. Esta última palavra parecia feri-lo gravemente, interiormente — Você não sabe, mas um trauma, mesmo em uma mente robótica e programada, pode levá-la ao mais alto grau de insanidade. Chama-me de louco, mas dificilmente sofrerá pelos maus que sofri, entendendo o que realmente passei. Não desejo isso a nenhum humano, e muito menos outro Replicante
Enquanto as sobrancelhas do títere se encontravam, as do Blade Runner elevavam-se. Estava surpreso com tamanha determinação — e, como sempre lhe foi falado: inteligência — de sua caça mecânica.
— Em um mundo tão violento, em que os humanos tornaram-se seres tão frios, ser Replicante tornou-se algo romântico — vociferou o indivíduo, transtornado, tomado por suas atrozes memórias pregressas. — Eu entendo tudo, observo tudo, absorvo tudo. Os humanos assumiram atos tão monstruosos, que diante deles, somos os mocinhos.
O vento ainda forte batia em seus corpos, sem a mínima misericórdia. As poucas lágrimas que escorriam pelo rosto do sociabilizado andróide ressecavam-se instantaneamente, dando a impressão de que, assim como os seres dominantes do planeta, a natureza também tentasse os impossibilitar de serem humanos.
— Nossos olhos, por vezes amarelados, não significam nada. São somente uma característica, como as dos alemães é ter cabelo loiro, ou dos japoneses é ter olho puxado.
Ele virou teu rosto para o lado, tentando esconder as vistas marejadas do arrostamento do policial à sua frente. Integralmente envergonhado.
— Você tem nome? — Perguntou, com seus lábios trêmulos.
— Tenho, sim. Meu nome é Spencer. Spencer Djendfel. — O Blade Runner respondeu, com sentenças ágeis.
— E o que faz aqui, Spencer? — fraquejou por um pequeno momento, em suas carregadas palavras. — Quer dizer… o que realmente faz aqui?
— Eu cumpro a minha última missão. — Falou o policial, subsequentemente.
Ambos se fitaram novamente. Dois pares de olhos glaucos, com as pupilas majoritariamente arregaladas, encararam-se durante segundos a fio, estáticos. Nada mais referente àquilo, continuamente o demorado olhar, deveria ser dito; coisa alguma a mais precisava ser declarada.
— Se me permite dizer… meu nome é Harrison — a máquina rogou, decadente e sofredora. — Eu mesmo me apadrinhei.
— Por que optou por não fugir, Harrison? — indagou o Caçador de Andróides, tomado pela curiosidade. — Por que quis que eu o encontrasse?
— Quatro anos! — a máquina bradou, rudemente. — Quatro anos de sofrimento nas mãos de meu Pai. Pouco mais de um ano em liberdade foram suficientes para eu perceber que minha jornada já encontrava-se acabada. Fui criado para servir a um propósito apenas, e sofri muito com isso.
— Qual propósito, exatamente? — Inquiriu o Blade Runner, ainda estimulado em continuar conversando com sua impressionante caça.
— Eu pensei que conseguia conviver com certas coisas, mas não consigo. Pensei que pudesse aceitar e tentar esquecê-las, mas é demais para mim — desconversou, com suas lágrimas ainda insistindo em cair expressivamente, a mente tomada pela nostalgia trágica. — Eu… não posso simplesmente apagar tudo isso de minha memória.
— O que exatamente aconteceu? — rogou o Caçador, ainda metediço e direto, tentando transparecer uma espécie de zelo. — Me diga.
O Replicante regressou seus olhares ao Blade Runner, incrivelmente marejados e avermelhados; teu rosto suava, mesmo com a forte ventania. Sua perfeita boca, também rosada e pequena, tremia com a ajuda de seu imparável queixo titubeante. Em sua mente, aquilo era perverso demais para se jogar no ar. Ele maneou a cabeça, melancólico, se segurando para não chorar alto, desesperadamente.
— Virá comigo. Agora! — disse o policial, já cansado de tudo aquilo. Ficava se perguntando por que havia perdido tanto tempo, atentando-se a tudo que o Replicante tinha a dizer. — Vamos!
— Não. — Rogou bem baixinho o indivíduo de cabelos alaranjados, novamente movendo sua cabeça para o lado, longe do contato visual direto.
— Eu não tenho tempo para brincadeiras, Nexus-X. Vamos! — Finalmente movimentou suas pernas, aproximando-se de sua caça com violência.
O MEU NOME É HARRISON! — bravejou o Replicante, totalmente enfurecido. — E eu não vou! Não insista.
O Blade Runner suspirou, bem fundo, tentando ser eupático e complacente com a situação. Tentando entender todo o caos e os traumas inerentes no intelecto do sujeito mecânico. Em seu íntimo, remexia uma certa pena do rapaz.
— Não sabe por que essa é sua última missão, cavalheiro? Por que estará aposentado após tudo isso acabar? — voltou a rir sarcasticamente, enxugando suas carregadas lágrimas. — Bem… eu deixarei você mesmo descobrir. Quando, ao final de tudo, perceber o que fez. Quando perceber que, diferente de sua programação, foi desumano como todo o resto.
Sua mão esquerda desgrudou-se, finalmente, da corrente lateral, juntando-se à mesma liberdade da outra maúça. Suas pernas impingiram o chão para baixo, formalizando um desmedido arroubo para erguer todo o copo replicado, dispensando outras maiores dificuldades ou esforços. Perpetuou-se de pé, com suas costas perfeitamente alinhadas e corretas, retilíneas. Tua manual sestra foi de encontro ao bolso canhoto de sua calça escura, remexendo-se e retirando de lá um pequeno pedaço de papel dobrado: um origami no formato de escorpião, realizado por ele mesmo.
— Isso é pra você — bradou ele, levantando o braço esquerdo na direção do Caçador, no intuito de entregar-lhe a oferenda folhal. — Eu pensei muito sobre qual animal faria, e, inevitavelmente, não poderia ser outro.
O Blade Runner igualmente ergueu seu braço, apalpando o presente com gratidão, sem compreender muito o que aquilo significava — porém, transpareceu uma ausência de rudimento. Tocou-o com maestria e curiosidade, analisando-o por inteiro, seus pequenos e miúdos detalhes, maravilhosamente bem-feitos; suas partes virtuosamente dobradas, endireitadas entre si com um primor ímpar. Enquanto o policial examinava atentamente teu regalo, o Replicante, ainda carregando o espelho que antes portava no colo, movimentou-se inesperadamente: levou-o com força rumo à uma de suas pernas, o quebrando em três grandes pedaços — incrivelmente pontudos, com as bordas assustadoramente afiadas. Um deles ele segurou, firme, em sua mão direita; os outros dois caíram no solo terroso, perto de seus pés descalços.
— O que está fazendo? — perguntou o policial, assustado, tirando rapidamente suas atenções do origami de escorpião e fitando novamente sua caça.
— Eu decido sobre minha própria vida — respirou fundo, sugando o pequeno catarro, que saía por suas perfeitas narinas, de volta a seu interior nasal. — Diga a meu Pai que não retornarei a seu Éden. Diga a ele que sua Criação foi tão perfeita que se tornou capaz de decidir a respeito de seu próprio destino.
— NÃO! — A expressão gritante do Blade Runner não conseguiu impedi-lo de fazer o que almejava. Assim, antes que ela pudesse adentrar seus ouvidos mecânicos, ele já acabara de concretizar seu cruel feito.
Com o pedaço afiado do espelho quebrado, que portava em uma de suas mãos, hasteou-o e arrastou-o por sua garganta branca, seguindo uma trajetória relativamente linear. Rasgou tua goela poderosamente, sem o mínimo remorso em suas atitudes — ou a respeito de si mesmo. A cortante lasca do objeto reflexo degolou-o instantaneamente, despertando uma batelada expressiva de seiva rubra da fenda descerrada. Teu corpo, subsequentemente, amoleceu-se e foi de encontro ao terreno empoeirado da herdade, ficando em contato com as flores igualmente mortas.
O policial, sucumbindo ao sentimento de arrependimento e incompetência, aproximou-se do corpo esmarrido, filosofando sobre cada vocábulo usado durante seu já terminado discurso. Observou-o com um novo olhar, abeirando o rosto ensanguentado do indivíduo, com uma poça acerejada sob o crânio inerte; curiosamente, havia sucumbido e caído logo ao lado das outras duas partes do espelho espatifado. O Blade Runner, lentamente, retirou suas vistas do sujeito morto e analisou teu próprio rosto em um dos terços revérberos; contemplou tua face inexpressiva e, por um primordial momento em sua existência, averiguou algo diferente em teus olhos azuis. Acima da coloração celeste de suas luzeiras, possuía uma camada praticamente translúcida de pigmentação amarelada.

FIM.

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Sobre o Autor

Victor Dourado

Fissurado por quadrinhos, cinema, games e literatura. Estudante de Matemática e autor nas horas vagas. Posso também ser considerado como um antigo explorador espacial, portador do jipe intergaláctico que fez o Percurso de Kessel em menos de 12 parsecs.

  • Comentário anti-flop porque já li no TME e demorei uma hora pra ler tudo.

  • Aragorn II, King of Gondor

    *-*

    MANOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! QUE TEXTO FODASTICAMENTE LINDO!

    Caralho, FANTÁSTICO! Arrepiei aqui em vários, VÁRIOS momentos! Tô achando incrível como você tem se superado a cada texto. Cada vez que sai um, é meu novo favorito… <3

    ….

    Descrições absolutamente sublimes, do início ao fim! Consegui imaginar cada personagem, cena e ambiente com perfeição. Pelo que vi por este texto, o universo de Blade Runner é fantástico! Conceitos excelentes, que combinam perfeitamente com a temática cyberpunk!

    Diálogos absolutamente reflexivos, que exploraram esse universo estabelecido com PERFEIÇÃO! Adorei os personagens originais seus, introduzidos, e cada uma das três cenas foram mágicas! Parabéns, meu amigo. Esse texto não fica devendo em nada para escritores profissionais. A profundidade, as reviravoltas, as palavras escolhidas por você… tudo ficou excepcional!

    Os personagens apresentados, Spencer e Harrison, funcionaram perfeitamente, e eu me apaixonei por ambos. O Harrison e sua profunda filosofia, extremamente humano; o Spencer e sua humanidade um tanto mais… crua , se é que posso falar assim. Ambos, dignos de cinema!

    Também adorei como estabeleceu pistas para a reviravolta final. A forma como o Harrison falava ”aposentado”, a maneira como você estabeleceu o conceito das marcas amareladas nos olhos… tudo enriqueceu ainda mais o texto.

    Se os filmes de Blade Runner (como eu disse, só assisti ao primeiro, mas faz tempo DEMAIS… eu sequer me lembro da trama) tiverem metade da qualidade do teu texto, já serão dois dos meus filmes favoritos.

    Parabéns, mano! Tomou o posto de ”O Conto Perdido” como o meu preferido dos teus textos, mas nem vou me ater muito a isso, porque já imagino que o próximo vai superá-lo também (ainda que ache essa uma tarefa árdua)… hahahah!

    Mais uma vez, excelente conto. Mostrou, de novo, seu enorme talento para a escrita. VOCÊ É FODA! <3

    • AWWWWWWWNNNN <3333
      Aragorn, sem brincadeira nenhuma… você é uma das pessoas que mais me inspiram a escrever. Sempre está aqui, presente, firme e forte lendo meus textos – e, bem, eu faço a mesma coisa, pois admiro demais o teu talento nato para a escrita; ainda tenho MUITO o que aprender contigo.

      Eu tentei deixar a linguagem da história bem poética e filosófica, fazendo uma referência direta aos dois filmes, que possuem essa mesma pegada. Sobre cyberpunk… Blade Runner é o pai do cyberpunk! Sem ele, talvez esse conceito não seria o mesmo.

      Eu pensei muito antes de escrever e montar esses personagens. Queria dar a eles motivações e pesos suficientes. Me arrependo um pouco de não ter feito o Nexus-X como uma mulher, pesaria mais a possibilidade de um abuso sexual por seu Criador.
      Spencer sempre foi Spencer, mas o fato de ele, além de ser um Blade Runner, apresentar características replicadas, foi algo que pensei na hora que estava escrevendo. Acho que foi uma boa reviravolta. Ele descobrir que é sua própria caça.

      Os filmes são muito bons. O primeiro eu gosto, mas não acho lá essas coisas (é considerado cult pelos amantes de cinema, um clássico absoluto), agora o segundo… é uma obra de arte. Um dos melhores filmes que já vi na minha vida, e, disparado, o melhor do ano passado. Assisti ele recentemente, por isso veio a ideia da fic. Assim como BvS, vai ser um filme que vou reassistir umas 500 vezes kkkkkkk

      Superou O Conto Perdido? Kkkkk
      Espere até chegar o capítulo 2… hehehehe!

      Muito obrigado, MITO! INSPIRAÇÃO! VOCÊ (!!!!) É FODA!

      • Aragorn II, King of Gondor

        <3<3<3<3<3

        Mano, eu só tenho a agradecer. Agradecer por você estar sempre lá, lendo os meus textos, me dando apoio, e sendo essa inspiração que você é!
        Valeu por tudo, seu porra… por sempre nos presentear com teus textos FODÁSTICOS… e por todo o resto.
        E… sou EU quem tenho muito o que aprender contigo, seu bunda! <3<3

        E conseguiu com LOUVOR! Blade Runner é o representante máximo do gênero, você mandou muito bem no estilo… hehehe!

        As motivações foram simplesmente FODÁSTICAS! Agora, eu discordo COMPLETAMENTE sobre fazer do Nexus-X uma mulher. Por mais que sejam elas quem mais sofre com esse tipo de crime horrível e asqueroso, ele é MUITO mais impactante quando ocorre com homens, ao menos na minha visão. Vai muito mais fundo na questão do homem, do seu orgulho, na masculinidade, etc. Mas, é claro, é só a minha visão… 😛

        Sim, sim. Reviravolta FODÁSTICA!

        Caraca… hehehe! Já vi que esse filme é FODA! O Max (Eisenhardt), aqui dos comentários, tinha me falado o mesmo sobre o filme na época do lançamento, mas, infelizmente, eu não consegui pegar uma sessão – quando chegou o final de semana, já tinham encerrado! Me arrependo de não ter assistido nos cinemas, mas, assim que puder, irei maratonar os dois aqui em casa, e, assim que o fizer, te digo o que achei.

        MEU HYPE FICA COMO DEPOIS DESSA, SEU PORRA? Kkkkkkk!

        VOCÊ É FODA!

  • Dave Mustaine Kryptoniano

    Caminhou mais uma vez abaixo do incessante dilúvio celeste, o mesmo em que um antigo Replicante, buscado por uma de suas maiores inspirações, havia derramado suas finas e singelas lágrimas.

    Referência entendida com sucesso!

    Cara,que texto brilhante,como você consegue ser tão detalhista? Muito bom mesmo. Eu particularmente não sou um grande fã de Blade Runner,eu assisti do filme original só aquela versão picotada que foi para os cinemas,e é uma confusão só,eu preciso ver a versão estendida e depois ver esse novo filme. E cara,eu gostei mais dessa sua história do que do que do filme. Extremamente filosófica e reflexiva,sem cair no clichê. Robôs humanizados e humanos robóticos.

    Então esse Blade Runner na verdade era um replicante,seria ele o “filho” do Harrison com o seu criador? Isso levaria toda essa discussão de criador e criatura à um outro patamar.

    • Hehehe… IMPOSSÍVEL falar de Blade Runner sem homenagear Lágrimas na Chuva… kkkkkkk

      Muito obrigado, seu bunda mole! Você é outro fiel escudeiro, sempre presente <33333
      Como eu consigo ser tão detalhista? Bem… as minhas maiores inspirações são, então é impossível não tentar honrá-los nesse quesito! kkkkkkkk
      Nomes como John Tolkien, Stephen King, Alan Moore, Lucas Calil (Aragorn), e etc. barulham minha cabeça! kkkkk

      Eu nunca fui um fã árduo de Blade Runner. Sempre achei (e ainda acho) o primeiro filme bom, mas nada além disso. Nada nele me fez criar um vínculo ou me tornar um alucinado, que assiste e reassiste à história centenas de vezes ao ano. Nem o livro, Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, eu li. Mas recentemente assisti a Blade Runner 2049, a continuação feita pelo DEUS SUPREMO Denis Villeneuve, e aquela porra explodiu minha cabeça. Eu fiquei fascinado, embasbacado e completamente APAIXONADO por aquela porra. Falo, sem brincadeiras, que esse pode ser um dos filmes que mais reassistirei durante minha vida. E, bem, surgiu dele a ideia e inspiração para a fic.
      Eu nunca vi a versão de cinema de Blade Runner, só a versão final, de 2007. Nem a do diretor, de 92, eu vi kkkkkkkkk.
      Ainda bem mesmo que foi um one-shot. Essa merda de história sugou TODAS as minhas energias das últimas duas semanas. Deu um trabalho do cacete kkkkkk.
      Em breve, talvez ainda essa semana, tem o segundo capítulo do Homem-Animal. Eu e o Aragorn estamos quase acabando ele.

      O Ridley Scott filmou Blade Runner na visão do Deckard ser um Replicante.
      Os roteiristas do filme escreveram a história na visão do personagem ser um humano.
      Acho que, assim como o filme, essa minha história pode ter várias interpretações.
      E, claro, eu deixei isso de propósito.
      Eu escrevi ela na visão do Spencer ser um Replicante ainda não auto-descoberto,
      sem compromisso com a história do Harrison e de seu Criador. Mas, sem dúvida…
      esse seu ponto de vista pode muito bem se encaixar na trama.

      Essa, talvez, seja uma das coisas mais legais sobre o universo de Blade Runner:
      ele nos instiga a pensar na história, mesmo depois da mesma já ter sido apresentada a nós. Eu, por exemplo, estou pensando em Blade Runner 2049 até hoje, sem tempo para tirá-lo de meus pensamentos. E, a cada vez que reanaliso uma determinada cena,
      descubro algo que passou despercebido.

      • Dave Mustaine Kryptoniano

        Osloco,até mesmo uma FANFIC de Blade Runner consegue nos fazer refletir e ficar aberta á multiplas interpretações. É o poder do Riddley Scott,rs. Assistirei com certeza o 2049!
        E estou no aguardo dos próximos capítulos das suas demais franquias.

        • Eu vou escrever uma crítica do filme.
          Assista, ficará incrivelmente MARAVILHADO. E, por favor, eu quero muito alguém pra discutir sobre aquela merda, e aquela porra de final do caralho kkkkkkkkkk

    • “Colocou seus neurônios para funcionar, a todo vapor, imaginando algum jeito de auxiliar seu extenuado freguês, que o visitava há pouco mais de um ano — embora fosse muito menos racional e mentalmente ágil que ele.”

      Daria para até para relacionar a criação do Spencer como sendo algo novo. Como se o Criador tivesse o concebido, no único intuito de ele caçar e resgatar o Nexus-X. O criou logo após o Harrison fugir. Todas as suas memórias e vontades seriam algo implantado em sua mente, o que é comum no universo de Blade Runner.

      • Dave Mustaine Kryptoniano

        Eu também havia pensado nessa possibilidade,mas o desfecho da história me fez pensar que ele era o filho do Harrison com o Criador (mas que viadagem hein? rs)

        • Hehehe… viagem, mas faz sentido.
          Acha legal eu fazer mais histórias ambientadas nesse universo?

          • Dave Mustaine Kryptoniano

            Com certeza,esse universo tem bastante potencial. Poderia fazer uma história prequel do Criador mostrando que ele era um político brasileiro que tinha uma rixa com o Levy Fidelix,autor da frase “aparelho excretor não reproduz”,aí ele fez tudo isso só pra se vingar.

            Eu sei que você é o DCneco safado,mas você tem interesse em fazer fics sobre heróis da Marvel?

          • Mas que merda, hein!
            Kkkkkkk

            Sim, pretendo. Tô com uma ideia/concepção de uma história do Surfista Prateado (não conta pro Pedro, nem pro Rodrigo. Quero fazer surpresa kkkkk). Mas ainda preciso canalizar as ideias pra formar uma história. Seria um one-shot.
            Quer me ajudar?

          • Dave Mustaine Kryptoniano

            Ajudo sim,me manda no privado o que você já planejou sobre ela até agora.

          • Por e-mail?

          • Dave Mustaine Kryptoniano

            Me manda o teu whats por e-mail,aí a gente fala por lá.

          • Pode ser. Assim que chegar do serviço eu te mando um e-mail.

          • Dave Mustaine Kryptoniano

            Beleza.

          • Mandei.

          • Dave Mustaine Kryptoniano

            Respondido.

          • Mandei outro. Me responda assim que possível.

          • Dave Mustaine Kryptoniano

            Respondido,agora foi.

          • Herbie: The Love Bug
          • Dave Mustaine Kryptoniano

            Pode deixar

          • Herbie: The Love Bug

            Nossa, funcionou rápido.

  • Herbie: The Love Bug

    Acabei, Jesus! ACABEI!!!!!!!!!
    Meu, quando for postar coisas assim no TME, DIVIDA! APRENDA A ARTE DE DIVIDIR! EU SEI, PODE TER SIDO DIFÍCIL (Divisão para mim no terceiro ano era difícil), MAS TEMOS QUE SUPERAR NOSSOS MEDOS, NOSSOS DESCONHECIMENTOS E CRESCER! ENTÃO, DIVIDA EM 3!!!!!!!
    Good texto, Jeep. Continue assim e divida.

    • Muito obrigado, seu fusca safado!!!
      EU SEI, PORRA!! kkkkkkkkkkkkkkk
      Aqui no Ovest postarei completo, mas lá sempre dividirei à partir de agora.

      Obs: Ainda lerei seus textos. O problema aqui tá sendo administrar tempo 🙁

  • Herbie: The Love Bug

    @JipeiroEspacial:disqus
    http://www.ovest.com.br/2018/01/11/critica-as-novas-aventuras-do-fusca-1974/
    http://www.ovest.com.br/2018/01/10/critica-sexta-feira-13-1980/
    Você me torturou. Você tirou todas as minhas forças restantes para ler este texto lindamente escrito, mas lindamente torturante. Então, VOCÊ LERÁ MINHAS CRÍTICAS!