Mary Poppins era muito vaidosa e gostava de estar vestida sempre da melhor maneira possível. Assim, ela tinha a certeza de nunca se parecer com nenhuma outra pessoa.

Em 1934, a escritora australiana Pamela Lyndon Travers (ou P.L. Travers) lançou o primeiro de uma série de oito livros infanto-juvenis chamado Mary Poppins. A história se passava em Londres e tinha como protagonista uma babá mágica inglesa, que se responsabilizava pelas crianças da família Banks. As filhas do visionário Walt Disney amaram a história, o incentivando a trazê-la para os cinemas. O longa de mesmo nome estreou em 1964, porém a batalha foi árdua para convencer Travers a lhe dar os direitos de sua história. Ela finalmente cedeu no começo da década de 1960, quando os livros não vendiam tanto como antes. Mesmo assim, a escritora sempre reclamava de algo (tanto que a realidade da produção foi adaptada para o filme Walt Disney nos Bastidores de Mary Poppins, com Tom Hanks e Emma Thompson). Travers odiou o resultado, entretanto, Mary Poppins foi um sucesso estrondoso de crítica e bilheteria. E muitos o consideram como o melhor live-action da Walt Disney Pictures.

A babá na versão de Travers era muito mais fria, e isso com certeza não iria encantar os espectadores (ainda mais sendo um lançamento dos estúdios Disney). Bert pouco aparece nos livros e substitui outros personagens que foram cortados. Essas mudanças, propostas por Walt Disney e o trio Robert Stevenson (um dos diretores mais famosos da Disney na época, vindo de sucessos como O Diabólico Agente D.C. e O Fantástico Super-Homem), Bill Walsh  e Don DaGradi ajudaram bastante a melhorar a história.

O ano é 1910. George Banks (David Tomlinson) e sua esposa querem contratar uma nova babá para seus filhos,  Michael e Jane (Matthew GarberKaren Dotrice), após a última ter se demitido. Numa noite, enquanto escrevia um anúncio procurando uma nova profissional, as crianças lhe apresentam seu próprio anúncio apresentando as características de uma babá perfeita. A carta chega até a fantástica Mary Poppins (Julie Andrews), que junto de seu amigo Bert (Dick Van Dyke), fascinam os dois jovens com muita música e magia.

Supercalifragilisticexpialidoce
Sei que o som dessa palavra não é nada doce

Andrews ficou eternamente marcada no papel. Ela trouxe tudo que a personagem exigia e um pouco mais, ouso dizer. O talento musical dela é espetacular, e não é a toa que ela mostrou isto novamente ao público em A Noviça Rebelde (1965). Van Dyke é, ao meu ver, a melhor coisa do longa e se solta bastante nas cenas musicais. Ele também vive o velho Senhor Dawes (o antagonista), eu eu particularmente não o reconheci de tão bem que foi sua performance. David Tomlinson entrega a figura de um pai autoritário com maestria e facilidade (visto que ele já era um ator veterano).

A Spoonful Of Sugar, Feed the Birds e Supercalifragilisticexpialidocious são, ao meu ver, as melhores músicas. A última citada possui um nome complicado, mas depois que você assiste o filme, consegue dizê-la facilmente. Essas e muitas outras canções saíram da cabeça dos irmãos Richard e Robert Sherman. A combinação de desenho animado com live-action funcionou perfeitamente e naturalmente (algo que a autora também odiou). Quanto aos efeitos especiais, eles não envelheceram mal. A maior parte é bem convincente, e para aquela época então, eram de outro mundo.

Mary Poppins é um verdadeiro clássico atemporal. Estes 30 anos de trabalho (e brigas) para levá-lo às telas de cinema valeram muito a pena. Um resultado satisfatório para Walt Disney, que provou ser um gênio não só nas animações, mas também em filmes live-action.

Mary Poppins Mary Poppins – EUA, 1964, cor, 139 minutos.
Direção: Robert Stevenson. Roteiro: Bill Walsh, Don DaGradi (baseado no romance de P.L. Travers). Cinematografia: Wally Pfister. Edição: Cotton Warburton. Música: Richard M. Sherman, Robert B. Sherman e Irwin Kostal. Elenco: Julie Andrews, Dick Van Dyke, David Tomlinson, Glynis Johns, Hermione Baddeley, Reta Shaw, Karen Dotrice, Matthew Garber, Elsa Lanchester.

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Sobre o Autor

Thiago Ranieri

Amo filmes, histórias em quadrinhos, livros e, principalmente, Fuscas.

  • Ótima crítica, Herbie!
    Não curto muito musicais, mas esse parece ser interessante.

    • Obrigado, Frank. Recomendo muito esse filme, mas pode ter certeza que se você tivesse uns 5 ou 6 anos e assistisse, iria amar. Mary Poppins marcou e até hoje marca a infância de muitas crianças.
      São poucos musicais realmente bons e que não são um High School Musical

  • Excelente texto. Vi esse filme muitas vezes durante a infância. Dos musicais exibidos à exaustão na TV, lembro de gostar mais desse do que da Fábrica de Chocolate. Mas Mágico de Oz segue sendo meu predileto. Está com expectativas para a continuação?

    • Obrigado, Rodrigo!
      Mano, se eu pudesse voltar no tempo, faria eu mesmo quando criança assistir esse filme. Eu assistia tanto Se Meu Fusca Falasse que é do mesmo diretor, mas nunca fui apresentado a Mary Poppins. Um dos melhores musicais que eu já assisti.
      Minha mãe ama A Fantástica Fábrica de Chocolate. É outro que eu preciso botar na minha lista.
      Mágica de Oz assisti quando criança, e gostei bastante (é impossível não gostar kk).
      Eu estou feliz, mas com medo ao mesmo tempo kkkk não conheço o trabalho do novo diretor, mas a Emily Blunt me lembra a Julie Andrews e dizem que é uma atriz talentosa. Só acho que os personagens em desenho animado não retornarão.

      Tava até achando que podia rolar um remake de Herbie, já que é também um dos melhores trabalhos do Stevenson na Disney. Mas no final decidiram fazer uma série de TV. Vamos ver o que vai sair…
      Pretendo assistir mais filmes dele também. That Darn Cat! e O Fantástico Super-Homem me interessaram.

      • Seria muito bom se os personagens de desenho animado voltassem. Aliás, tava na hora de fazerem um novo “Uma Cilada para Roger Rabbit”, mesclando atores e desenhos. Nunca mais fizeram filmes assim.

        • Eu gostaria, mas não sei…hoje as animações são pela Pixar e não tem o traço de desenho mesmo das antigonas. Mas quem sabe?
          Esse filme eu assisti também quando era criança. Um remake seria bem legal também.

    • Dave Mustaine Asgaardiano

      O remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate é muito melhor que o original.

      • Porque você acha isso?

        • Dave Mustaine Asgaardiano

          A história tem bem mais detalhes,os personagens são muito melhor desenvolvidos,e tem um visual mais bonito. O original é um clássico,eu sei,mas acho que a versão do Tim Burton é muito superior em termos de narrativa.

          • Entendi. Eu só conferi o do Burton. Preciso conferir o clássico.
            Eu me toquei que o Freddie Highmore que tá nesse remake fez o Norman Bates em Bates Motel. Ele mandou muito bem.

          • Dave Mustaine Asgaardiano

            O próprio.

      • Prefiro mil vezes o original.

        • Dave Mustaine Asgaardiano

          Saudosista.

          • Realista. E ainda temos Gene Wilder versus Johnny Deep. Covardia.

          • Dave Mustaine Asgaardiano

            Hmm,pelo menos o Willy Wonka do Johnny Depp não mata crianças…

          • Mas em compensação, ele dá mais medo kkk

          • Dave Mustaine Asgaardiano

            Quem? O Depp? De jeito nenhum. O Gene Wilder passa o filme inteiro sem piscar!

          • kkkkkk

        • Só assisti o remake. Preciso conferir o clássico imediatamente. E aliás, eles referenciaram a música Pure Imagination em Thor: Ragnarok, né?
          Rodrigo, depois que estiver com tempo, passa na minha crítica do Se Meu Fusca Falasse?

  • Emanuel Pires

    Ainda não assisti esse musical, mas o meu preferido é A Noviça Rebelde

    • Se gosta de Noviça Rebelde, também vai curtir muito Mary Poppins. É o filme mais conhecido da Julie Andrews.

      • Emanuel Pires

        Eu vi que a atriz principal de Noviça é a mesma da Mary

        • Sim kkkkkk até a personalidade das duas são um pouco parecidas.

  • Aragorn II, King of Gondor

    Heheheh… ESSE EU VI!

    Mary Poppins é um filme muito mágico, cara. Eu ADOREI o musical quando vi, quando ainda era criança. Fiquei cantando ”Supercalifragilisticexpialidoce” umas duas horas.
    Excelente crítica, Fusca!

    • PELO MENOS ESSE! SÓ FALTA UM CERTO CARRINHO COM TETO SOLAR!
      Eu sonhei que tava cantando Supercalifragilisticexpialidoce, é sério kkkkkkkkkk mas não sei como demorei pra ver esse filme…
      Valeu!

    • Eis a pergunta:
      O que é mais fácil da criatura assistir? Um filme de 1964 ou um filme de 1969?
      Resposta:
      O de 69?
      Correção:
      ERROW!
      Zoeira. MAS NÃO VENHA ME DIZER QUE SE MEU FUSCA FALASSE NÃO É FAMOSO PORQUE ELE É SIM! QUASE QUE ULTRAPASSOU A MARY POPPINS EM BILHETERIA!!

      • Aragorn II, King of Gondor

        Kkkkkkkk! Vou tentar ver seu filme nas férias, fusca. Mas já vão ser dois meses BEEEM atarefados… kkkkkkk!

        • Kkkkkkkk veja quando tiver tempo mesmo. Não tem problema.

  • É realmente muito difícil uma adaptação sair parecida o suficiente com o material original para fazer alguns autores gostarem de ver suas obras na tela de cinema. Não julgo a autora.

    Bem, outro clássico que nunca assisti. Mas achei bem interessante a história. É uma comédia-musical descompromissada e isso cai muito bem certos dias. Então quer dizer que o a Julie Andrews voou antes do Chris Reeve? kkkk

    Excelente crítica, Herbie!

    • Obrigado, Jipeiro.
      kkkkkkkkkk Eu demorei pra assistir essa joça. E olha que minha infância era Disney e Disney Pixar direto kkkkk
      Mas sério, eu tenho pena do Disney. Qualquer detalhizinho pouco importante irritava demais. Ela só teve coragem de assistir o filme uns 20 anos depois, se não me engano. Já o escritor de Se Meu Fusca Falasse ao que parece enviou o livro dele diretamente para o estúdio, então meio que não dava pra reclamar muito (e acho que não houveram queixas por parte dele).

  • O Homem-Coisa

    Aeeeeeeeee
    Ótima Crítica.

    Mary Poppins sempre vai ser um clássico. É um dos meus filmes live action favoritos da Disney.

    Imagina um crossover de Mary Poppins com Herbie? HAHAHA você iria ter um AVC só com a notícia.

    • Obrigado, Homem-Coisa!
      EU IA PIRAR SÓ SE DISSESSEM QUE OS FILMES SE PASSAM NO MESMO UNIVERSO!!!!!!
      e daqui a pouco, Se Meu Fusca Falasse entrará na sua lista de favoritos hehe

  • Dave Mustaine Asgaardiano

    Ótima crítica Herbie. Tá aí um clássico que eu preciso assistir. O meu pai gosta bastante desse filme,mas ele errou,ele tinha me falado que a Sally Field era a Mary Poppins,e não é…rs.

    • Thanks, Dave.
      Quem dera se a Tia May voasse kkkkkkkkkkkkk