A lenda está de volta!

Entre os anos 1960 e 1970, os Estados Unidos estavam em guerra com o Vietnã. Uma guerra que deixou milhares de mortos, tanto civis quanto e militares. Mais uma cicatriz profunda na história da humanidade e um capítulo amargo para os americanos. Durante o início dos anos 1970, os protestos tomaram conta de cidades do território americano. Eram grupos pacifistas que pediam que o governo retirasse suas tropas imediatamente do conflito. Com a falta de apoio de uma parcela dos cidadãos e as seguidas derrotas pelas tropas inimigas, os Estados Unidos optaram pelo cessar-fogo e, no ano de 1973, o então presidente Richard Nixon anunciou em rede nacional a retirada das tropas americanas do solo vietnamita. Todo esse período serve de pano de fundo para Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island). O longa, que inicialmente contém flashbacks, nos mostra a evolução dos norte-americanos desde os anos 1940 aos anos 1970. Evolução tanto na política, cultura e principalmente no poder bélico.

1973, manhã em Washington DC. Bill Handa (John Goodman) e Houston Brooks (Corey Hawkins), dois cientistas ligados à Monarch – corporação que visa encontrar e caçar organismos terrestres não identificados – se encontram presentes no gabinete do senador Willis (Richard Jenkins) e após uma fervorosa e bastante esclarecedora conversa, tentam e conseguem financiamento para uma expedição. O lugar: a Ilha da Caveira. A ilha foi descoberta no Pacífico Sul através de fotos tiradas por satélites americanos. Para tal expedição, eles irão contar com o apoio de um grupo militar liderado pelo sargento Packard (Samuel L, Jackson), com o capitão James Conrad (Tom Hiddleston), um ex- membro das Forças Especiais Britânicas “S.A.S” e da fotógrafa de guerra Mason Weaver (Brie Larson).

Na primeira fase do longa, o clima de ação chega fortemente e prende a atenção do espectador com tomadas aéreas de tirar o fôlego, helicópteros em rotas de colisão, trilha sonora com o melhor do rock da década de 1970 e, é claro, com o tão esperado Kong que entra em ação de forma ainda mais destruidora e feroz. O diretor Jordan Vogt-Roberts explorou ótimas sequências, mas, ainda assim, o filme perde um pouco de sua adrenalina (gerada para capturar o público) e dá espaço para uma breve lentidão por parte de alguns personagens na segunda fase. Contudo, isso não causa muitos problemas, pois ele volta a recuperar seu ritmo para um final digno de um filme de aventura!

Com uma trama simplória, mas com bastante ação e um elenco afiado, a mecânica do filme não se perde nas informações, uma vez que há referências claras, para os fãs de Kong, e outros monstros conhecidos do cinema como podemos ver durante a película e em cena pós-créditos. Todos os atores estão bem em seus respectivos papéis e não sufocam tanto o espectador com dramas pessoais. Além disso tudo, também temos a presença de John C. Reilly que é o alívio cômico do filme.

Os efeitos visuais são prodigiosamente arrebatadores, aliados a uma fotografia espetacular do competente Larry Fong; A trilha instrumental foi composta por Henry Jackman e acompanha positivamente o ritmo do filme, mas não chega a ser uma das melhores já compostas por ele. É visível a influência do clássico filme de guerra Apocalyse Now (dirigido por Francis Ford Coppola) em cenas do longa. E os saudosistas, que esperam encontrar a famosa e icônica cena do macaco gigante pendurado no topo do Empire State Building, vão se deparar com uma aventura recheada de rock, pôr-do-sol, explosões de napalm, um sargento sedento por vingança, um louco preso numa ilha e muitas referências ao Rei dos Monstros. E como todos sabem: Kong faz parte do MonsterVerse. um parceria nipo-americana que irá produzir filmes de um universo compartilhado de monstros. universos compartilhados. Jordan Vogt-Roberts entrega um filme apreciável em alguns pontos, mas não genial como um todo.

Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island) – EUA, 2017, cor, 120 minutos. Direção: Jordan Vogt-Roberts. Roteiro: John Gatins, Dan Gilroy, Max borenstein e Derek Connolly. Música: Henry Jackman. Cinematografia: Larry Fong. Elenco: Tom Hiddleston, Brie Larson, Samuel L. Jackson, John Goodman, John C. Reilly, Corey Hawkins,Tody Kebbell. Thomas Mann, Shea Wigham, Tian Jing, John Ortiz.

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Sobre o Autor

Helton Andrade

Cristão, músico, compositor, escritor, poeta, amante da culinária brasileira e adorador da sétima arte. Como disse Artur da Távola: "música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão."

  • Ótima crítica. Pretendo assistir!

  • Pedro, o Homem Sem Medo

    Ótima crítica, Helton.
    Infelizmente, eu não assisti ao filme no cinema. Terei que esperar o lançamento em dvd mesmo.

    • Estephano

      Já tem nos dvds via torrent da vida, Pedro. rs

      • Pedro, o Homem Sem Medo

        Bom saber…hueueheue

  • Estephano

    Vale a pena assistir ao filme para quem é fã desses monstros. O filme tem ótimas cenas de ação e o CGI muito bonito, o problema que vi nesse filme é com os personagens humanos, tirando o John C. Reilly que está ótimo, nenhum outro personagem tem presença no filme, o quê é bem estranho, já que tem vários ótimos atores no filme.
    Para quem quer ver o macacão destruindo inimigos de várias formas imagináveis, esse filme vai cumprir com êxito. Além de deixar qualquer fã empolgado para a continuação desse universo. Quero muito ver o que vem pela frente.
    Muito boa sua crítica, Helton.

    • Kleber Oliveira

      Uma história redondinha é sempre legal, só que a grande massa quando olha pro cartaz do filme pensa logo na presença do monstro. O aspecto visual parece ser interessante, apesar de todos os comentários sobre os pontos negativos ainda estou bem animado para ver o filme. Uma pena não ter visto no cinema.

      • Estephano

        Esse universo que estão criando esta ficando interessante. Eu gostei dos dois filmes até agora, ambos são bons blockbusters, visualmente estão legais também, e bem, são monstros gigantes caindo na porrada, né? É um prato cheio para quem gosta.

  • Kleber Oliveira

    Aparentemente o filme entrega o que promete. Estou bem curioso para ver o filme, os pontos positivos valem mais para mim do que os negativos. Não vejo a hora de ver os monstros na tela. Parabéns pelo texto, cara.

  • Ótima crítica, nunca parei pra assistir do início ao fim nenhum dos filmes do macacão, mas a partir desse pretendo mudar isso

  • Ótimo texto. Mas esses filmes de King Kong e Godzilla nunca me atraíram.