A sua arma é a sua fé!

Senhor, ajude-me a carregar apenas mais um.”

Nunca uma frase teve tamanho impacto e reverberou como essa em minha mente. Um herói, um covarde ou simplesmente alguém que realmente compreendeu o verdadeiro sentido do cristianismo?

Mel Gibson volta à cena com Até o Último Homem. O filme retrata a vida de Desmond Doss (Andrew Garfield) que se tornou um dos maiores heróis americanos na Segunda Guerra Mundial. Desmond, que vive um dilema na trama baseada em fatos reais, nos mostra a importância da fé seguida de seu patriotismo.

A vida de Desmond Doss é narrada de forma precisa, explicando o que o levou a seguir tal caminho. O jovem adventista, na verdade, nos mostra através de suas ações o quão grande pode ser um gesto considerado pequeno e covarde na opinião de terceiros. Como ir para uma guerra sem portar uma única arma? Como seguir suas convicções sem se machucar interiormente? É o que Mel Gibson nos mostra com perfeição na tela grande, sem deixar de respeitar a veracidade dos acontecimentos.

As excelentes fotografia, cenografia, efeitos sonoros e visuais da obra descrevem perfeitamente o cenário de horror que aqueles jovens soldados vivenciaram no campo de batalha. Não é à toa que Mel Gibson explorou minuciosamente cada parte do roteiro, dando o extremo realismo que o filme necessitava. Por sua vez, a trilha sonora composta por Rupert Gregson-Williams traz um tom romântico, sombrio, dramático e épico, com temas bem propícios para cada ato do longa.

Além disso, o diretor acertou em cada cena e trouxe um elenco que nos brinda com atuações memoráveis e que não deixa o filme cair em um drama tedioso. Andrew Garfield interpreta com maestria o jovem Desmond Doss, que acabou lhe rendendo uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. Teresa Palmer dá vida à Dorothy e tem uma ótima atuação em suas cenas. Por sua vez, os grandes nomes como Hugo Weaving, Rachel Griffiths, Vince Vaughn, Sam Worthington, entre outros, também nos garantem bons momentos com suas respectivas atuações.

Com sequências de ação que deixam o espectador impressionado, Até o Último Homem é um filme que merece ser visto e aplaudido de pé em seu final apoteótico. Um filme de guerra com cenas de batalhas feitas de forma crua e com bastante fidelidade.

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge) – EUA/Austrália, 2016, cor, 139 minutos.
Direção: Mel Gibson. Roteiro: Andrew Knight e Robert Schenkkan. Música: Rupert Gregson-Williams. Cinematografia: Simon Duggan. Elenco: Andrew Garfield, Sam Worthington, Luke Bracey, Teresa Palmer, Hugo Weaving, Rachel Griffiths, Vince Vaughn, Rya Corr, Richard Roxburgh.

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Sobre o Autor

Helton Andrade

Cristão, músico, compositor, escritor, poeta, amante da culinária brasileira e adorador da sétima arte. Como disse Artur da Távola: "música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão."

  • Acabei de dizer no post anterior que não sou um homem religioso, mas ainda sim sou um grande admirador da fé. Esse filme retrata exatamente isso. Seja a fé do Desmond em Deus ou a fé dele em conseguir salvar as pessoas, ou a fé/convicção de não matar ninguém. Gosto de filmes de guerra –
    meu favorito é O Resgate do Soldado Ryan – e esse filme me fez lembrar disso.

    • Helton Andrade

      Isso mesmo! A Fé é um porto seguro para nossas aflições.

  • Boa crítica e ótimo filme!

    • Helton Andrade

      Obrigado! Paz!

  • Pedro, o Homem Sem Medo

    Parabéns pela crítica, Helton.
    Por recomendação do nosso amigo Rodrigo, eu fui ao cinema com meus primos assistir a este filmaço. No final do filme, quando mostra os relatos dos soldados, o pessoal do cinema aplaudiu. Confesso que saí do cinema com os olhos marejados:-(

    • Helton Andrade

      Obrigado! Garanto que vc não foi o único a sair do cinema emocionado!

  • Grande crítica, meu amigo Helton.
    Dos indicados ao Oscar, esse foi, ao lado de La La Land o que mais me emocionou e agradou. Como disse ao final de seu texto, Gibson tratou a guerra com fidelidade. Violência crua e visceral.

    Desmond, aquele que todos acreditavam ser o covarde, se mostrou o mais bravo de todos. Um anjo em um cenário infernal.

    • Emanuel Pires

      Esse e La La Land também foi os que mais curti dos oscar

      • Helton Andrade

        La La Land também foi formidável!

    • Helton Andrade

      Muito obrigado, meu amigo! Como vc mesmo disse: um anjo em cenário infernal.

  • Ótima análise, meu amigo. Como escrevi no final do meu texto, Até o Último Homem é uma obra explícita em seus detalhes violentos, mas especialmente comovente e inspiradora, que impressiona através de poder de suas imagens e versa sobre heroísmo, religiosidade e convicções pessoais – e sobre o quanto elas moldam e definem o nosso caráter.

    • Helton Andrade

      Obrigado, meu amigo! Ainda lembro do dia em que fomos ver esse filme. Aquele silêncio absoluto no final do filme representou nosso “um minuto de silêncio” em respeito à todos que perderam suas vidas na guerra.

  • Cleber Rosa

    Ótima critica Helton, parabens de verdade.

    Esse filme é maravilhoso, lembro que mostrei ele para o meu sogro ( que ama filmes de guerra ) e a unica coisa que ele fez foi chorar o filme todo. E sim, e não fiquei atras!! rsr

    Parabéns pelo site pessoal, ganharam mais um seguidor.

    • Helton Andrade

      O filme é muito bom mesmo! Obrigado por nos acompanhar!