O duelo de O.K. Corral é uma das histórias mais míticas do Velho Oeste americano. Ninguém sabe com absoluta certeza o que motivou o embate mortal entre os irmãos Earp (Wyatt, Morgan e Virgil) e Doc Holliday contra Tom e Frank McLaury, Billy e Ike Clanton e Billy Claiborne ocorrido em Tombstone, Arizona, em outubro de 1881. Inúmeras narrativas divergem entre si, mas o mais provável (deduzido a partir do imenso trabalho de pesquisa realizado pelos historiadores Casey Tefertiller e Jeff Morey) é que a determinação de Virgil – delegado da cidade – de que ninguém poderia andar armado (ação motivada pela suspeita de que a “gangue” dos Clanton era composta por ladrões de gado), tenha provocado o primeiro atrito sério entre o grupo, que viria a culminar com a promessa de um duelo feita por Ike contra Wyatt.

O tiroteio não ocorreu nem dentro nem perto de O.K. Corral, mas sim na rua Fremont, próxima do lugar. Os dois lados da disputa estavam a menos de dois metros de distância um do outro e aproximadamente trinta tiros foram disparados naqueles que tornaram-se os trinta segundos mais famosos da história do Velho Oeste. Quando a poeira baixou, Tom, Frank e Billy Clanton estavam mortos, Virgil, Morgan e Doc, feridos – apenas Wyatt nada sofrera. Ike entrou na justiça contra os Earp e Doc, acusando-os de assassinato, por terem supostamente atirado em Tom McLaury desarmado, história corroborada por outras testemunhas, incluindo o xerife da cidade, John Behan. Os repórteres dos dois jornais locais, e outras testemunhas, contaram uma versão distinta. Legítima defesa para um lado, assassinato para o outro. No fim, o promotor foi incapaz de enviar o caso a um júri, Virgil, Morgan, Wyatt e Doc foram exonerados de seus cargos e a história não foi encerrada: Virgil seria emboscado e morto no mesmo ano e Morgan seria assassinado no ano seguinte, sem que ninguém fosse responsabilizado por essas mortes. Wyatt resolveria fazer justiça com as próprias mãos e se vingaria, assassinando quatro cowboys pelo caminho. O xerife Behan o perseguiria, mas nunca o pegaria. Wyatt morreria em 1929 – Doc morrera de tuberculose em 1887.

Essa é a história real, crua e sem glamour. Mas não foi assim que o conflito, símbolo máximo de um período de expansão para um oeste repleto de regiões fora do alcance da justiça, entrou para a história cinematográfica, tornando-se uma das passagens mais importantes da cultura pop, retratada em livros, peças e dezenas de filmes, dentre os quais destacam-se os dois de John Sturges, os de Lawrence Kasdan e George P. Cosmatos e Paixão dos Fortes, o clássico atemporal de John Ford.

Em 1946, John Ford ainda estava a distantes 16 anos de lançar O Homem Que Matou o Facínora, um dos maiores westerns da história e que cravaria na cinematografia a expressão definidora do gênero, dita pelo jornalista Maxwell Scott (personagem interpretado por Carleton Young): Este é o Oeste, senhor. Quando a lenda antecede os fatos, publique-se a lenda. Estava longe de lançar tal sentença, mas já a executava com precisão em Paixão dos Fortes.

A premissa do tiroteio foi a base: sobre ela, o roteiro adaptado do livro de Stuart N. Lake por Sam Hellman, Samuel G. Engel e Winston Miller, fantasiou. John Ford transformou imagens e diálogos em significados, sem importar-se com os fatos. Na história real não havia nenhuma Clementine, o velho Clanton morreu antes do tiroteio, Doc Holliday era dentista, não cirurgião, e permaneceria vivo após o tiroteio; os Earp nunca foram criadores de gado, James não foi brutalmente assassinado pelos Clanton e viveria até 1926, dentre inúmeras outras inconsistências. Quando perguntado sobre as incongruências do roteiro com a história real, Ford dizia tê-la ouvido do próprio Earp, que nos últimos anos de vida, com o sucesso dos filmes sobre o Velho Oeste, tornara-se amigo do diretor.

Oh my darling, oh my darling, oh my darling Clementine

Em apenas doze minutos, John Ford estabelece as bases da história. Na vastidão empoeirada dos enormes descampados que abrem o filme, os laços de fraternidade entre os quatro irmãos Earp e o antagonismo do velho Cleaton e dos seus filhos são construídos com incrível habilidade – destaque para a extraordinária introdução dissimulada do velho Cleaton (Walter Brennan) fazendo ofertas pelo gado magro que os Earp estão movendo próximo de Tombstone, com olhares e diálogos antevendo com maestria a real intenção da família e o que viria a suceder-se entre eles no decorrer da narrativa.

Wyatt (Henry Fonda) e seus irmãos Virgil (Tim Holt), Morgan (Ward Bond) e James (Don Garner), estão de passagem por Tombstone, após deixarem Dodge City. James, o caçula, permanece fora dos limites da cidade, tomando conta do gado. Enquanto os irmãos estão na cidade barbeando-se, estoura uma confusão envolvendo um índio bêbado (“Que tipo de cidade é essa que vende álcool aos índios?“, questiona Wyatt), que Wyatt imediatamente resolve, diante da passividade dos locais, incluindo os homens da lei, recebendo a oferta prontamente negada de ser o novo xerife. Na saída da cidade, os irmãos irão descobrir que o gado foi roubado e James, assassinado. Com a certeza ainda não provada de que os Cleaton foram os culpados, eles voltam para Tombstone e Wyatt aceita o cargo de xerife.

No saloon, o caminho no decorrer do balcão esvazia-se; Doc Holliday (Victor Mature) está em uma ponta, no ponto mais distante do plano. Wyatt Earp caminha em sua direção. A câmera inverte o posicionamento e vemos Doc em primeiro plano, Earp chegando por trás dele. O extraordinário diálogo que segue-se entre as duas figuras centrais de Paixão dos Fortes é uma verdadeira aula de cinema. Admiração mútua, amizade imediata, antagonismo evidente, tensão… as ricas frases e a câmera constantemente no contracampo estabelecem em poucos instantes todos (simplesmente todos) os elementos que irão pautar a relação dos personagens de Henry Fonda e Mature durante a narrativa.

Nas palavras do crítico e escritor especializado na Era de Ouro de Hollywood, Scott Eyman, “Earp é um dos últimos homens do Oeste que Ford concebe sem um conflito de caráter“. O lendário Henry Fonda entrega uma atuação soberba como Wyatt Earp. Contido e calmo, Fonda interpreta um personagem pintado com contornos heroicos e nobres mas sem cair nos maneirismos. Emociona com a sua simplicidade e encanta. Sempre educado e cortês, mas também agressivo quando necessário, Wyatt é um homem do oeste que anda perfumado e bem vestido. Doc Holliday é uma figura que consagrou vários atores no cinema. Um personagem repleto de conflitos, auto-destrutivo e ao mesmo tempo educado e culto. Exaltado e furioso com sua tuberculose e o seu alcoolismo, é interpretado brilhantemente por Victor Mature. Doc relaciona-se com a dissimulada prostituta Chihuahua (Linda Darnell) e o aparecimento da doce e delicada Clementine Carter (Cathy Downs), sua ex-noiva, trará uma nova luz a Tombstone, incomodará Doc, despertará a inveja e o ódio em Chihuahua e fará germinar a semente do amor no coração do xerife.

A trilha sonora tem o seu papel dramático, encontrando mais espaço no começo do filme, com suas orquestrações e arranjos de canções tradicionais – Paixão dos Fortes começa e termina com os acordes da clássica canção do oeste Oh My Darling, Clementine, de 1884, também assobiada por Henry Fonda em uma manhã de domingo.

Diálogos brilhantes permeados por uma ambientação incrível, conversas e tensões entre amigos e também com os inimigos liderados pelo velho Cleaton interpretado pelo extraordinário Walter Brennan, e a vida cotidiana do Velho Oeste, com suas festas, poeira, cavalgadas, bebedeiras e missas dominicais, irão desenhar o painel que culminará com o tiroteio de O.K. Corral, que é rodado sem trilha sonora, apenas os sons naturais são escutados: o vento, os passos raspando a terra do chão árido, o som do metal das armas sendo engatilhadas, o silêncio persistente do combate iminente estabelecendo a tensão. No fim, o que menos importa em Paixão dos Fortes é precisamente o tiroteio final. Toda a história que antecede o fato é o que realmente interessa.

Monument Valley

O cenário de Tombstone foi construído no Monument Valley, fantástica região norte-americana que encontra-se na divisa entre Arizona e Utah, sob administração da semi-autônoma Nação Navajo. O Monument Valley – e suas extraordinárias e vastas paisagens – foi apresentado ao mundo através das lentes do cinema por John Ford em No Tempo das Diligências (1939), e o mítico diretor retornaria ao local para mais outros nove westerns, incluindo Paixão dos Fortes – o seu desejo em ajudar os Navajos teve papel determinante na escolha do local.

As desérticas e infinitas paragens do Monument Valley tornaram-se tão intimamente ligadas a John Ford, que vários diretores de westerns não quiseram filmar no local por acreditarem que soaria como um plágio – quando Sergio Leone rodou Era Uma Vez no Oeste, o seu diretor de fotografia, Tonino Delli Colli, conta que a cada passo que davam na região buscando as locações perfeitas para o filme, o diretor italiano comentava sem parar, extremamente entusiasmado, “olha, aqui foi aquela cena daquele filme de Ford“.

John Ford era um apaixonado pela região, que é quase um personagem próprio em seus filmes. Em Paixão dos Fortes, o diretor encontra algumas das suas composições mais belas usando o Monument Valley como moldura e pano de fundo: a derradeira conversa entre Doc Holliday e Clementine Carter, que acabara de chegar à cidade, Wyatt Earp e Clementine Carter observando o baile de inauguração da igreja e posteriormente se despedindo, Wyatt Earp visitando o túmulo do seu irmão James… inúmeras são as cenas que tornam-se ainda mais líricas com o acompanhamento do rústico cenário.

O western dos westerns

A composição visual realizada pela câmera de John Ford, que sempre busca os ângulos e posicionamentos mais belos e precisos, é realçada ao extremo pela estupenda fotografia em preto e branco de Joseph McDonald, que explora ao máximo o contraste entre o claro e o escuro, flertando com o noir em inúmeros momentos e auxiliando a construir imagens transcendentes, muitas vezes sombrias – quando Wyatt Earp encontra os Cleaton no hotel logo após a morte de James, diz que é o novo xerife da cidade e sai caminhando pelo alpendre à noite e na chuva, estamos diante de uma sequência que parece saída de um filme expressionista alemão.

Paixão dos Fortes, aliás, é uma obra repleta de cenas clássicas, dotadas de um lirismo enternecedor. John Ford, que iniciou a carreira no cinema mudo, sempre dizia que tentava transmitir as ideias visualmente – e conseguia, sempre. A icônica cena em que Henry Fonda brinca com o pé apoiado na coluna do alpendre enquanto inclina as duas pernas de trás da cadeira foi uma “nota de adorno” captada pelo olhar do diretor. Tal movimento nada mais era do que a irrequietação de Fonda no set de gravação enquanto esperava pelas filmagens, mas Ford viu naquilo o que ninguém mais teria visto e decidiu adicioná-lo ao filme. Criou um momento de poesia que serve ao personagem e tornou-se marcante na história do cinema.

Outra sequência icônica é quando Doc Holliday e Wyatt Earp encontram-se no saloon. Ao final do tenso diálogo, Doc saca a arma diante de um Wyatt desarmado, e antes que Doc possa pedir uma arma ao barman, Morgan arremessa uma pistola, que desliza pelo balcão do bar até chegar nas mãos de Wyatt. Essa cena foi homenageada em De Volta Para o Futuro III, quando Marty McFly está no saloon, e em Era Uma Vez no Oeste, quando Cheyenne desliza a arma para Harmonica. E não foi a única. Paixão dos Fortes foi reverenciado e homenageado em filmes como os Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, Juramento de Vingança, de Sam Peckinpah, Jogada de Risco, de Paul Thomas Anderson, e Pacto de Justiça, de Kevin Costner, entre outros.

Uma fábula sobre a alma americana

O cinema de John Ford é um imenso mosaico. Todo filme seu possui uma série de elementos e subtramas que, ao espectador menos atento, parecem não ter nenhuma ligação com a história que está sendo contada, mas que constroem com perspicácia a alma do filme, estabelecendo um painel cristalino daquela região, daquele período, daquele povo. Seus filmes sempre dizem algo sobre a alma americana, sobre a alma dos americanos – e isso já foi amplamente estudado por inúmeros especialistas.

Em Paixão dos Fortes, John Ford cria inúmeros “retratos” da história dos Estados Unidos enquanto nação, em sua expansão para o oeste arredio e bravio, reconstruindo com suor e sangue a civilização em terras desconhecidas. As noites regadas a whisky, música e pôquer no saloon; o salão de barbeiro com suas loções que fazem aquele ambiente inóspito cheirar nas manhãs como “o aroma das flores do deserto” (nas palavras de Clementine); o baile dominical que comemora a construção da primeira igreja da cidade (que ainda não tem nome nem pregador) com muita música e dança (e o que seria um filme de Ford, de sangue irlandês, sem música e dança?), o palco abrindo-se para a dança tímida e elegante de Wyatt Earp e Clementine Carter, seguido de uma enorme comilança no Hotel da cidade; o genial diálogo entre Wyatt (“– Mac, alguma vez estiveste apaixonado?“) e Mac (“– Não. Fui barman a vida toda.“). Há ainda espaço para Granville Thorndyke, o ébrio trágico interpretado por Alan Mowbray. Um ator itinerante em seu solilóquio de Hamlet, de Shakespeare, para cowboys grossos e rudes, em pé sobre o balcão do saloon, música ao fundo. Quando esquece o texto, é Victor Mature, e sua persona de pistoleiro, médico e jogador inveterado, a completá-lo, olhos perdidos no horizonte, “a terra desconhecida, de cujas fronteiras nenhum viajante volta“, fumaça dos cigarros subindo ao redor do seu rosto, em close-up na cena, enquanto a expressão de Henry Fonda ao observá-lo é meditativa.

Esse é o Velho Oeste de John Ford. Onde pistoleiros recitam Shakespeare no bar e a cidade para no domingo para celebrar a construção da igreja. Situações aparentemente incomuns para quem esquece-se de que aquele período existiu verdadeiramente, mas críveis, reais. O Velho Oeste era isso: civilização se estabelecendo em uma nova região. Drama, humor, romance, amizade, violência, lazer, religião, festa, música, comida… todos os elementos da vida real de um povo.

Quem for assistir Paixão dos Fortes esperando um western arrojado, intenso e repleto de ação irá se decepcionar. Paixão dos Fortes é um western calmo, poético – lacônico, por assim dizer –, um clássico não somente do gênero, mas do cinema em geral. A contemplação é o seu coração. John Ford dominava a linguagem cinematográfica como poucos e tinha um estilo visual único, que tantos tentaram imitar e não conseguiram. Um olhar capaz de enxergar tomadas e planos que nenhum outro olhar perceberia, e que compreende profundamente a beleza. Seja no Velho Oeste, na Segunda Guerra Mundial ou nos Estados Unidos da década de 1930, Ford não filmava uma época, sujeita à datação do tempo, este senhor implacável, mas sim uma comunidade, suas histórias, seus dramas e suas alegrias. Não é à toa que os seus filmes permanecem imunes à passagem do tempo: são eternos, porque capturam pequenos retratos de vidas que hoje, no Velho Oeste, ou séculos no passado, em qualquer lugar do mundo, são exatamente iguais. Seu cinema é ordinário e simples, e por isso mesmo é tão grandioso. Ninguém resumiu melhor o tamanho e o alcance que Ford e sua arte representam como Martin Scorsese: “Ele é a essência do cinema clássico americano. E qualquer pessoa séria que faz cinema hoje em dia, saiba ela ou não, foi afetada por Ford.”

Paixão dos Fortes (My Darling Clementine) – EUA, 1946, cor, 97 minutos.
Direção: John Ford. Roteiro: Stuart N. Lake, Sam Hellman, Samuel G. Engel, Winston Miller. Música: Alfred Newman, Cyril Mockridge, David Buttolph. Cinematografia: Joseph MacDonald. Elenco: Henry Fonda, Victor Mature, Linda Darnell, Cathy Downs, Walter Brennan, Ward Bond, Tim Holt, Alan Mowbray, Roy Roberts.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Um dos principais motivos de eu gostar demais das suas críticas é a riqueza delas. Geralmente as críticas se concentram em dizer (e tentar convencer) se um filme é ruim ou bom, quase que focando só nisso. Você não, preza por tudo que envolve o filme, desde cada integrante, presente por trás dos bastidores até mesmo as histórias que envolvem a produção em si. E nesse quase documentário escrito você faz isso muito bem. Se o filme tem uma riqueza x, depois de ler sua crítica ele passa a ter 2x e creio eu, que se pudessemos passar uma tarde inteira conversando sobre ele, esse número que multiplica o x seria o maior possível. Grande parte da minha admiração por western se deve ao fato de eu ter crescido lendo Tex Willer. Cada vez que vejo um filme do tipo associo os elementos dele a algumas histórias que minha memória permite lembrar. Enfim, esse é mais um pra minha extensa lista, certo? Da maneira que eu vi, creio que seria uma boa assistir ele logo após Os Brutos Também Amam.

    • Valeu! Se pudesse passar a tarde inteira conversando sobre esses filmes, pode ter certeza que não faltaria sobre o que falar. Mas só poder ler comentários como o seu, de alguém que leu o texto e a partir dele adquiriu um interesse maior pela obra, já é sensacional. Gosto demais desses filmes e é muito bom poder fazer com que outras pessoas os conheçam também, ainda mais westerns, que infelizmente são pouco apreciados pelo pessoal de hoje.

      Infelizmente essa é a única crítica sobre John Ford que escrevi até agora. Ainda não fiz texto nenhum de filme estrelado pelo John Wayne também. Meu diretor predileto e meu ator predileto. Parece que quanto mais você gosta de uma coisa, mais reverência você tem por ela, e mais difícil é escrever sobre, já que sempre quero abordar tudo quando é algo que gosto…rs Mas nos próximos meses vou tentar escrever mais sobre o Ford. Paixão dos Fortes está no meu top 10 de melhores westerns de sempre. Pode vê-lo logo após Os Brutos Também Amam que você estará passando de um clássico inconteste para outro clássico inconteste…rs

      • Kleber Oliveira

        “Parece que quanto mais você gosta de uma coisa, mais reverência você tem por ela, e mais difícil é escrever sobre[…]”

        Haha. É exatamente assim que me sinto. Gostaria de ter o seu dom da escrita mas realmente me falta.

        • É complicado…rs Mas vença essa barreira. O resultado final compensa.

          • Kleber Oliveira

            Sim, eu tentarei. Você me instigou a isso. O foda é que tu manda um texto atrás do outro, aí intimida. Hahaha.

          • Estou mandando um atrás do outro, mas é texto velho, pô, tudo que publiquei no Geeks…rs O único novo foi o de Consciências Mortas, que comecei tem umas quatro semanas e só fui parar pra fechar nos últimos dias…rs O resto é tudo “repost”…rs

          • Kleber Oliveira

            Não me recordava deste. Ainda assim intimida, hahahaha.

          • Semana que vem vou repostar o de Os Brutos Também Amam (um dos meus 5 westerns prediletos de sempre). Esse acho que você também não chegou a ver no Geeks.

          • Kleber Oliveira

            Se não comentei é porque não li. O antigo formato do GiA atrapalhava bastante, talvez por isso tenha deixado alguns passar.

          • Sim, se a pessoa ficava poucos dias sem entrar lá, muita coisa acabava se perdendo da sua vista.

  • Estephano

    Já conversamos sobre esse filme e sua crítica uma vez, mas é sempre bom reler, meu amigo. Um dos melhores filmes desse mito.

    John Ford costumava fixar as bases dos seus westerns com poucos minutos mesmo, esse é um exemplo disso. Legal que mesmo sendo completamente diferentes, seus filmes sempre carregavam seu estilo, todos os filmes que vi dele tem como base a construção dos personagens, seu cotidiano como você disse no texto. São filmes com coração mesmo.
    Falar dos cenários dos filmes dele é chover no molhado, né?

    • Valeu. Ele Fixava não só as bases do western em poucos minutos, bem como de qualquer filme. Era um monstro.

      Sim, no livro que tenho sobre o Ford o autor comenta sobre isso. Já vi até umas análises de especialistas que dividem os filmes do Ford em períodos históricos dos EUA. Ainda não vi todos os filmes dele, muito longe disso, mas pelo que li, ele conseguiu fazer filmes sobre praticamente TODOS os períodos históricos do país. E até pra terra natal de seus pais, a Irlanda, ele foi contar histórias…rs Na análise que faziam diziam justamente isso, que em todos os seus filmes existe esse olhar aprofundado sobre o cotidiano simples das pessoas. Seus personagens são sempre criaturas comuns vivendo vidas mundanas. É o cinema do ordinário. E quando comparamos isso com as entrevistas que ele dava, respondendo que “usava uma câmera” quando lhe perguntavam como teria feito uma cena absurdamente poética e metafórica, a gente vê que não era marketing do velho, ele realmente encarava tudo dessa forma também…rs

      Falar dos cenários e das composições dele é chover no molhado. Estou até com medo quando for escrever a quarta ou quinta crítica de filme do Ford. Vou ter que consultar muito o dicionário pra não ficar me repetindo demais…rs

      • Estephano

        Pelo jeito, a simplicidade era algo do cotidiano dele também, e passava seu jeito para os filmes.

        Já deixa um parágrafo pronto só falando dos cenários, ai é só copiar e colar em todos os textos dos filmes dele. HAHA

        • É uma boa. E olha que eu meio que já fiz isso…rs Um comentário que eu escrevi em um post do Omelete sobre western, falando sobre o fascínio do gênero, eu reaproveitei, de diferentes formas, nos textos de A Qualquer Custo e Consciências Mortas. E a introdução que fiz no texto de La la Land sobre os musicais, vou reaproveitar no texto de O Mágico de Oz…kkkkkkkkk

  • Kleber Oliveira

    UAU! Que aula sobre um filme.

    É muito bom, mesmo, ler uma paixão de alguém sobre determinado assunto, e o seus textos sobre os westerns são sempre uma gratificante experiência. A cada leitura me torno um fã do gênero mesmo tendo visto tão poucos – e arrependo de nunca ter dado valor. O mais curioso é que, apesar de amar a magia do cinema com os seus sonhos e impossíveis, também tenho profunda admiração por aqueles que conseguem captar a crueldade da vida, a sinceridade dela. O mais interessante de tudo isso é conseguir transmitir a simplicidade de forma tão bela quanto os diálogos e visuais que o Ford captura e você resume tão bem.

    Parabéns pelo texto, meu amigo. Ficarei com essa imagem martelando na minha cabeça até assistir o filme.
    http://www.ovest.com.br/wp-content/uploads/2017/06/mdc3.jpg

    • Valeu! Não se preocupe, meu amigo, nunca é tarde para começar a destrinchar os clássicos do western…rs Quando tiver se dado conta, já terá conseguido ver os filmes mais essenciais do gênero. Eu espero escrever sobre todos os que eu gosto, e a lista é imensa. A minha próxima meta é Rastros de Ódio: até escrevi dois parágrafos um pouco mais cedo. É meu filme predileto de todos. Depois que esse texto sair, acho que todos os outros serão até mais fáceis…rs

      O mais curioso é que, apesar de amar a magia do cinema com os seus sonhos e impossíveis, também tenho profunda admiração por aqueles que conseguem captar a crueldade da vida, a sinceridade dela.

      Acredito que esse seja um dos principais motivos que me fazem gostar tanto de western. É um gênero que capta como poucos a crueldade da vida e a sua sinceridade e dureza. Seu pano de fundo é sempre uma terra sem lei, a justiça está distante, nunca chega na hora (Consciências Mortas é o melhor exemplo disso), é a civilização sendo erguida na marra em terras inóspitas, bandidos fazendo o que querem em todos os lugares, e não há a quem recorrer, a não ser a si próprio.

      Essa cena do Fonda caminhando pelo alpendre à noite e na chuva parece tirada de um Nosferatu ou de um filme noir. É apenas mais uma das inúmeras composições extraordinárias que Ford captava em todos os seus filmes. Era um negócio surreal. E sabe o que torna ainda mais incrível? Ele não fazia storyboard. Tinha todas as cenas na cabeça, não desenhava posicionamento de nenhuma delas. Tem um filme dele (na minha lista de futuros textos), Depois do Vendaval, com o John Wayne e a Maurren O´Hara, todo ambientado na Irlanda, que é de outro mundo: a vontade é pegar cada cena e transformar em um papel de parede…rs

      • Kleber Oliveira

        Comecei a escrever demais sobre mim aqui, haha.

        Se a cada filme encontrar mais dessa beleza crua, com toda a certeza me apaixonarei pelo gênero. O visual em particular já me conquistou, um mais belo que o outro. Consciências Mortas tem algumas que me deixaram espantado com tamanha imaginação, se o Ford é um gênio ainda maior, impossível não me tornar obcecado, haha. Em troca só posso oferecer mais sobre o Kubrick, mas aí eu acho que você já conhece bem. 😀

        • Estephano

          Pô, Kubrick é um gênio também. Vai escrever sobre ele?

          • Kleber Oliveira

            Tenho alguns rabiscos aqui, pretendo desenvolver uns e postar aqui no site. O problema é que, como o Rodrigo disse, quanto mais você gosta e admira alguma coisa, mais você quer falar sobre ela. Eu queria trabalhar falando apenas da pessoa comum (um vendedor de balões, como diria a sua terceira esposa sobre a sua forma de vestir) que era o Kubrick, apesar das poucas informações sobre isso. Mas daí eu empolgo e começo a falar sobre como isso reflete em seus filmes. Aí tento fazer um texto sobre a ligação que tem entre seus filmes, o que é absurdo devido a diversidade de gêneros e temas que ele trabalha, e fica cada vez maior, haha.

            Enfim, o problema é organizar tantos rascunhos que tenho. Se conseguir fazer um texto, que seja bom e compreensível para os leitores, aí eu pretendo postar por aqui.

          • Caramba, Kleber, esse texto aí precisa sair. E não precisa conter os assuntos, pode usar todos esses aí. É só você estruturá-lo com uma coesão narrativa lógica. Use titulações para separar os conteúdos. E o texto ficar grande você já viu que não é o problema pra gente aqui. Meu texto de Silêncio ficou com 34 parágrafos…kkkkkkkkkkkk E acho que o de Rastros de Ódio deve chegar nisso também.

          • Kleber Oliveira

            Hahahahahahahaha

            Pô, a diferença é que você consegue deixar a leitura atraente, os meus textos ficam todos confusos. Eu sou muito objetivo, isso atrapalha muito. Os meus rabiscos tem informações para pessoas que já conhecem as obras, eu tenho que transforma-los em algo interessante para quem nunca ouviu falar no diretor. Só que aí eu acabo ficando cansativo. Mas que seja, é um desafio que resolvi encarar.

          • Bem, isso deve ser porque você nunca viu como é que eu escrevo um texto…rs Faço tudo no bloco de notas e começo com rabiscos e anotações de coisas que quero desenvolver. Logo isso fica gigantesco. Rastros de Ódio, por exemplo, tenho um rascunho aqui com umas 50, 60 linhas só de anotações soltas. Nada estruturado. Só frase solta…rs Tudo escrito rápido, cheio de erro de digitação, uns negócios que só eu entendo. Depois eu começo a desenvolver o texto por partes. Às vezes escrevo o parágrafo final antes do inicial, ou então começo pelos parágrafos do meio, vou e volto. Depois que vou relendo eu começo a alterar posicionamento, vendo que tal coisa funciona melhor depois de uma outra, e não naquele lugar em que estava, vou refinando parágrafos, reescrevendo períodos que ficaram confusos quando reli sem pausas, e por aí vai. Começa como uma zona, que no final sai estruturada. É só ter paciência pra montar…rs

          • Kleber Oliveira

            Hahahahahahaha Caraca, é um processo realmente complicado.

            Deve ser isso, paciência. Vou me dedicar um pouco mais, quem sabe saia algo. E você vai me ajudar nesse processo, haha.

          • Estephano

            Bem, o Rodrigo já te deu alguns conselhos e nisso ele é bem melhor do que eu, então não vou me alongar nisso, mas faz o texto, Kleber. Pode ser que você esta muito exigente com si mesmo, não? rs

          • Kleber Oliveira

            Penso que não. Mas tudo bem, você verá quando sair o primeiro, hahaha. Há muito tempo que eu assumi que não tenho o dom para a escrita. Pretendo expressar de alguma forma o que sinto pelo Kubrick e algumas obras, acho que a experiência de escrever irá me ajudar. No momento eu não espero que seja tão bom, quem sabe com o tempo. Eu farei alguma coisa ou outra, pode deixar. Valeu pelo incentivo, cara.

        • Putz, beleza visual é o que você mais encontrará nos westerns. Não apenas nos do Ford. Nos de Leone, Hawks, Mann, Eastwood, de todos os grandes. É uma das principais características do gênero, e a quantidade de composições de belezas absurdas que esses caras construíram não é brincadeira. Não é à toa que influenciaram escolas cinematográficas tão variadas em tantos países ao longo das décadas.

      • Estephano

        É um gênero que capta como poucos a crueldade da vida e a sua sinceridade e dureza. Seu pano de fundo é sempre uma terra sem lei, a justiça está distante, nunca chega na hora (Consciências Mortas é o melhor exemplo disso), é a civilização sendo erguida na marra em terras inóspitas, bandidos fazendo o que querem em todos os lugares, e não há a quem recorrer, a não ser a si próprio.

        E mesmo captando isso e mantendo amargues, os filmes do John Ford não eram depressivos ou melancólicos. Muito pelo contrário, são filmes bem vivos, com música, dança, humor, filmes com coração mesmo, como falei no meu comentário. Os filmes dele que não são preto e branco são coloridíssimos. Depois do Vendaval que você comentou é um ótimo exemplo disso, mesmo não sendo um western.

        • Exatamente. Do jeito que era a vida dessas pessoas. Do jeito que é, aliás, a vida das pessoas simples e sofredoras, em tudo quanto é lugar. Sempre há vivacidade, festa, humor, alma. Ele não inventava uma realidade inexistente. Recriava a vida como ela era mesmo. Hoje muita gente “entendida” de cinema diria que seus filmes não possuem peso dramático..kkkkkkk

          • Kleber Oliveira

            HAHAHAHAHAHAHAHA

            Depois de assistir Django Livre eu te mandei um e-mail. Assistindo Consciências Mortas eu pensei a mesma. Tenho que parar com isso, estou quase ficando como eles, procurando momentos de humor.

          • Quando você assistir Rastros de Ódio você vai surtar. Ou vai me enviar um e-mail ou vai comentar em algum post aqui…kkkkkkkkkkkkkk Melhor nem te dizer qual vai ser a sua reação quando começar a conferir os westerns spaghettis do Sergio Leone…rs

          • Kleber Oliveira

            É foda, cara. Alguns clássicos que revejo fico imaginando “cara, imagina se esse filme dependesse daquela galera para ser um clássico. Jamais sairia do papel”. Hahahahahaha

            Mostrei A Vida é Bela para dois sobrinhos com uns 10 anos esses dias. Amaram o filme. Mas, onde diabos um cara prestes a morrer pode fazer graça para o seu filho? LIXO! HAHAHAHAHAHAHA

          • Onde já se viu o cara prestes a morrer fazendo graça para o filho? Faltou muita seriedade adulta aí nesse A Vida é Bela…kkkkkkkkkkkk

          • Kleber Oliveira

            Seriedade adulta, hahahahahah

            Rapaz, não me canso disso.

  • Max Eisenhardt

    Rodrigo, você se supera à cada resenha que escreve. Que suas críticas sempre foram formidáveis, não há novidade alguma, mas essa… Essa foi muito mais do que uma crítica. A contextualização introdutória proporcionou uma baita imersão temporal – eu desconhecia a história do duelo de O.K. Corral – e dispensou qualquer dúvida a respeito do nível de verossimilhança na adaptação de Ford. Ainda que eu não tenha conferido a obra em si, posso afirmar que sua crítica dificilmente poderia ter sido mais abrangente e esclarecedora do que foi.

    Esteja seguro de que suas palavras nos despertaram um interesse muito maior em conhecer esses grandes clássicos da Era de Ouro cinematográfica – por mais curiosos que antes pudéssemos estar -, bem como pelo próprio gênero western, que tem sido tão determinante nos moldes de produção de um longa. Um gênero que influenciou todas as Eras.

    • Muito obrigado. Sempre tento passar nos textos sobre esses filmes a mesmas experiência que eu tive assistindo-os. E que outras pessoas sintam-se convencidas a vê-los também. Reserve um tempo para filmes clássicos, que eu te garanto que não irá se arrepender. Há uma quantidade enorme de tesouros, e essas obras realmente espetaculares simplesmente não envelhecem.

      • Max Eisenhardt

        Sua resenha foi tão instigante que me deu uma baita vontade de assistir a Era uma vez no Oeste, clássico do gênero que ficou esperando na minha lista de filmes da Netflix. É um épico sem precedentes, mas Três Homens em Conflito ainda permanece como meu western preferido.

        A boa notícia, contudo, veio depois: encontrei duas produções de John Ford no catálogo: A Batalha de Midway e um tal de Undercover. Putz, como fiquei feliz… Já havia procurado muitas vezes por filmes de Ford na Netflix e nunca me conformava com o fato de não encontrar. Agora finalmente posso conferir.

        Já assisti o primeiro, que, na verdade, tem apenas 18 minutos, mas é de um valor histórico inegável, e isso reflete o que você pontuou sobre as produções de Ford: o valor histórico-cultural de suas obras são retratados com o mais puro esmero.

        • Era Uma Vez no Oeste está no meu top 5 de westerns. Do Leone, gosto mais dele do que O bom, o mau e o feio. Undercover foi um documentário que ele dirigiu na guerra. Eu tenho muito filme dele em DVD, e o que eu não tinha como comprar, peguei em torrent, caso de Paixão dos Fortes, cuja versão em homem video esgotou tem muito, mas muito tempo. Caso você queira, eu tenho um zip aqui com dezenas de torrents de filmes do John Ford que enviei pra um amigo. Tem uns 50 filmes, eu acho. Se quiser, te envio.

          • Max Eisenhardt

            Quero, sim. Muito obrigado! Vou criar um e-mail específico pra isso, daí eu te passo dps. Valeu =D

          • E aí, beleza? O disqus vive com problemas e não está mais mostrando as atualizações do site em sua página:
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            Equipe OVEST.

  • Helton Andrade

    Mais uma crítica fenomenal e com riqueza de detalhes em seu conteúdo. Mais um filme na minha lista para ver em breve!

    • Valeu. Esse é um dos melhores filmes do Ford, o que já diz muito sobre a sua qualidade, pois o que Ford mais fez foram filmes incríveis.

  • Papaco

    Ai ai