A origem da palavra linchamento parece estar diretamente ligada a dois homens de sobrenomes iguais que viveram no mesmo período de tempo no estado da Virgínia, Estados Unidos da América. O coronel Charles Lynch (1736-1796) praticou julgamentos sumários de inúmeros suspeitos de subversão durante a Revolução Americana. Suas ações extralegais foram legitimadas pela Assembleia Geral de Virgínia em 1782. O capitão William Lynch (1742-1820) liderou um bando de justiceiros que capturava, julgava e enforcava bandidos ao arrepio da lei, por volta de 1780. A punição organizada – mas não autorizada – de criminosos passou a ser conhecida popularmente como “a lei de Lynch“, dando origem à palavra linchamento por volta de 1837, quando o ódio racial contra índios e negros cresceu substancialmente na América e nasceram os famigerados “comitês de vigilância“, que dariam origem a grupos como a Ku Klux Klan.

Se o termo linguístico específico para designá-la apareceu tão somente no século XIX, a infame prática do linchamento infelizmente é comum na história da humanidade desde a Antiguidade (nas escrituras temos uma referência ao apedrejamento da mulher adúltera, que é evitado por Jesus), executada por todos os povos, em todos os séculos, até os dias atuais. Quando há frouxidão das leis e das regras de convivência que constituem a civilização como a conhecemos ou situações de tensão social extremadas, o “justiçamento popular” torna-se prática corriqueira.

O incidente em Ox-Bow

Estabelecendo um retrato contundente sobre um caso de linchamento ocorrido no Velho Oeste, The Ox-Bow Incident (1940) foi o romance de estreia do escritor norte-americano Walter Van Tilburg Clark. Seu enredo logo chamou a atenção do notável diretor William A. Wellman, vencedor do prêmio de Melhor Filme por Asas (1927) na primeira edição do Oscar, e famoso pelos filmes centrados na aviação – a sua grande paixão –, que convenceu Darryl F. Zanuck, lendário executivo da Twentieth Century-Fox, a abraçar o projeto. A produção e o roteiro ficaram nas mãos de Lamar Trotti e o elenco estelar foi recheado com grandes nomes do cinema norte-americano, como Henry Fonda, Anthony Quinn, Dana Andrews, Harry Morgan e Jane Darwell.

A história tem lugar em 1885, no estado de Nevada. Art Croft (Harry Morgan) e Gil Carter (Henry Fonda) são dois andarilhos que param na monótona cidade de Bridger’s Wells e encontram uma atmosfera de tensão consumindo o lugar. Os moradores estão furiosos por causa dos recentes roubos de gado, desconfiando de tudo e de todos – inclusive da dupla, ainda que eles sejam conhecidos no local. Quando um homem irrompe no saloon anunciando o assassinato do fazendeiro Larry Kinkaid, os habitantes entram em polvorosa. Aproveitando-se da ausência do xerife (Willard Robertson) e da comoção popular em torno do caso, o Major Tetley (Frank Conroy) lidera um grupo de justiceiros para perseguir e punir os criminosos, que teriam sido avistados por Poncho (Chris-Pin Martin) nas proximidades da região. Os protestos de Davies (Harry Davenport) contra a atitude precipitada são inúteis e o grupo parte em desabalada carreira para fazer justiça com as próprias mãos, encontrando três suspeitos durante a madrugada no cânion de Ox-Bow, uma cidade vizinha: o jovem e bem-articulado Donald Martin (Dana Andrews), o mexicano Juan Martínez (Anthony Quinn) e o velho com problemas mentais Alva Hardwicke (Francis Ford, irmão do diretor John Ford). Martin tem a posse do gado de Kinkaid, mas é incapaz de provar a sua compra por não possuir um contrato de venda, e a turba vingativa, certa de haver encontrado os criminosos, resolve enforcá-los ao alvorecer.

Consciências Mortas é um dos filmes que melhor capturou (com altas doses de realismo, afastando-se completamente do edulcoramento ficcional tradicional) uma das principais características arquetípicas do western: a terra afastada e inóspita onde a força da lei não se faz presente na velocidade necessária, permitindo que toda a sorte de injustiças encontre o seu lugar. É o Velho Oeste enquanto metáfora do nascimento da civilização em paragens isoladas coexistindo com a face da barbárie que se manifesta com mais proeminência quando os pilares da convivência social ainda não encontram-se devidamente assentados.

Chagas dolorosas e más consciências

Um dos precursores do western psicológico, Consciências Mortas antecipa em nove anos o que Matar ou Morrer (1952) de Fred Zinnemann provocaria com mais impacto no gênero. No auge dos westerns clássicos da década de 1940, período da divulgação do mito do Velho Oeste, com seus heróis fortes e virtuosos em empreitadas épicas e batalhas lendárias, a obra de William A. Wellman subverte as expectativas, foge dos parâmetros estabelecidos e reveste-se de aspectos de outro gênero, o noir, especialmente nas várias camadas narrativas, múltiplas versões das mesmas histórias (e nunca sabemos com exatidão quem está dizendo a verdade) e no mistério sobre o assassinato (nunca mostrado) de Kinkaid, que permanece até os instantes finais, para reexaminar o western com um olhar pessimista lançado sobre chagas dolorosas e más consciências – a tradução do título The Ox-Bow Incident para o português como Consciências Mortas não poderia ser mais acertada.

Não existem heróis em Consciências Mortas. Não há ação, espetáculo, tiroteio ou grandiloquência – a reflexão sobrepõe tais elementos. A direção, a fotografia e a montagem são sóbrias: há pouca variedade de cenários, o ritmo é formal e enxuto – a duração do longa-metragem é de parcos 75 minutos. Mas não é menos genial por causa disso, já que a sobriedade serve à história. William A. Wellman realiza enquadramentos absolutamente geniais com sua câmera sutil, que se permite até mesmo um traveling estupendo no homem que traz a notícia da morte de Kinkaid. A leitura que Henry Fonda faz da carta de Martin no saloon é um primor: o chapéu do seu parceiro escondendo seus olhos enquanto vemos seus lábios proferirem as poderosas últimas palavras de um condenado, dizeres que acertam fundo a consciência de todos os presentes que anuíram com a barbárie. A confissão de Anthony Quinn a Poncho é profundamente expressionista, com os primeiros raios de sol atravessando o ambiente do cânion, o personagem de Quinn esperando que o compatriota remeta a um sacerdote a descrição dos seus pecados para que possa receber a absolvição na vida eterna. E o enforcamento não é mostrado diretamente: vemos os cavalos serem chicoteados, mas não enxergamos o desespero dos três mortos debatendo-se nas cordas: as suas sombras rígidas sibilam na terra, encontrando os joelhos no chão do pastor Farnley (Marc Lawrence), que canta e reza por suas almas enquanto o raiar do dia preenche de claridade o ambiente.

Aos três acusados não é dada nenhuma chance de defesa. São poucas as vozes entre o grupo que se opõem ao linchamento. O personagem de Henry Fonda é uma delas, mas ele não é um herói. Seu grito é surdo, sua voz é fraca, sua contrariedade é tênue – sabe que o ódio da turba ensandecida pode voltar-se também contra ele. Apenas sete pessoas ficam contra o enforcamento, entre elas Art, Carter, Davies, Poncho, Farnley e Gerald (William Eythe) o filho covarde do major Tetley. São todos votos vencidos. Os espectros dos três mortos ampliam-se com o nascer do sol e a chegada do xerife revela que os verdadeiros criminosos foram capturados em outro lugar e que Kinkaid não havia sido assassinado.

O legado de Consciências Mortas

William A. Wellman estrutura o filme em um ciclo; a composição inicial repete-se ao final com significados e pesos opostos: os dois homens que chegam a uma cidade que conhecem bem são os mesmos que partem pelo mesmo caminho, enquanto um cachorro cruza a estrada nas duas sequências. Ainda que a duração da película seja curta, o roteiro e a direção conseguem encontrar espaço nas entrelinhas para desenvolver – muitíssimo bem – a complexa relação entre o abusivo e controlador major Tetley com o seu fraco e sensível filho Gerald, além do romance inconcluso de Carter com Rose (Mary Beth Hughes), cuja diligência onde viaja com o novo esposo é equivocadamente atacada pelo grupo em um desfiladeiro no cânion de Ox-Bow.

Consciências Mortas foi indicado ao Oscar de Melhor Filme em 1944 (sendo o último representante de um seleto grupo de filmes indicados apenas na categoria principal da premiação), perdendo para Casablanca. Em 1998, foi selecionado pela Biblioteca do Congresso dos EUA para preservação no National Film Registry para filmes que são “culturalmente, historicamente ou esteticamente significantes”. O grande western da carreira de William A. Wellman é também um dos filmes prediletos de outra lenda do cinema: Clint Eastwood.

Ainda que Sergio Leone e Don Siegel sejam os seus mentores e mestres no ofício da sétima arte, e a John Ford ele sempre se aproxime para reverenciar e homenagear, é em Consciências Mortas que encontramos aquela que talvez seja a influência mais notória no ethos cinematográfico de Clint Eastwood, significativamente nos quatro westerns que dirigiu – O Estranho sem Nome (1973), Josey Wales — O Fora da Lei (1976), O Cavaleiro Solitário (1985) e Os Imperdoáveis (1992) – e em Sobre Meninos e Lobos (2003). Influência constantemente citada em entrevistas e plenamente assimilada pelo mítico diretor, que rotineiramente se debruça sobre os temas estruturais de Consciências Mortas, adaptando-os ao seu estilo característico: o senso errôneo do que é a verdadeira justiça, a apatia das pessoas diante de atos inomináveis de seus pares e a força da lei ainda incipiente e que não consegue se fazer presente na velocidade necessária em todos os lugares.

Consciências Mortas é um filme rústico e sóbrio, repleto de nuances narrativas e estéticas e embebido em diálogos primorosos. A densidade da sua leitura social é ampliada pela caracterização extremamente crível dos seus personagens – devidamente envernizada pelas ótimas atuações do espetacular elenco. O filme lança um olhar penetrante, sombrio e pessimista sobre a alma daquelas pessoas tão variadas de uma cidade como todas as outras do Velho Oeste, cada uma com seus motivos particulares em uma expedição revoltosa e histérica em busca daquilo que denominam “justiça” – e o apelo à razão daquela turba é impossível: estão todos impregnados e cegos pela sede de violência, arvorando-se juízes, júris e executores dos suspeitos capturados.

Da absurda injustiça que se abate sobre os três homens inocentes, o legado que permanece é o da magnífica carta escrita por Donald Martin para a sua esposa. O seu conteúdo não é revelado no livro de Walter Van Tilburg Clark, mas William A. Wellman considerou que torná-lo explícito no filme era algo extremamente importante – e coube ao roteirista Lamar Trotti escrever a sua mensagem com maestria. Ao final de Consciências Mortas são os personagens de Henry Fonda e Harry Morgan que somem no horizonte em busca da esposa de Martin para entregar-lhe a carta. A missiva é pungente em todos os sentidos, um soco no estômago em seu alcance e um ensaio profundo sobre a justiça, as leis e a consciência coletiva. Um testamento para o futuro, uma herança incompreensível para as consciências mortas daquele povo retratado na obra e – infelizmente – ainda igualmente incompreensível para muitas pessoas no mundo real dos dias atuais.

“Minha esposa querida.

O Sr. Davies vai te contar o que aconteceu aqui. Ele é um bom homem e fez tudo o que pôde por mim. Havia outros homens bons, só que não perceberam o que estavam fazendo. É por eles que sinto pena, porque quando isso acabar eles se lembrarão pelo resto da vida.

Um homem não pode pegar a justiça em suas mãos e enforcar pessoas sem ferir a todos, porque eles não estarão violando só uma lei, mas todas as leis. A lei é muito mais do que palavras escritas em um livro, ou juízes, advogados e xerifes que você contrata para aplicá-la. É tudo o que aprendemos sobre justiça, sobre certo e errado. É a verdadeira consciência do que é humanidade.

Não há civilização se não houver consciência, porque se as pessoas tocam a Deus, como fazê-lo senão através de sua consciência? E o que seria a consciência de alguém, senão um pouco da consciência de todos os homens que já viveram? Acho que é tudo o que tenho para dizer, além, é claro, de mandar beijos para as crianças e pedir que Deus as abençoe.

Seu marido, Donald.”

Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident) – EUA, 1943, p&b, 75 minutos.
Direção: William A. Wellman. Roteiro: Lamar Trotti, baseado em The Ox-Bow Incident de Walter Van Tilburg Clark. Música: Cyril J. Mockridge. Cinematografia: Arthur C. Miller.
Edição: Allen McNeil. Elenco: Henry Fonda, Dana Andrews, Mary Beth Hughes, Anthony Quinn, William Eythe, Frank Conroy, Harry Morgan, Harry Davenport, Jane Darwell, Matt Briggs, Marc Lawrence, Paul Hurst, Francis Ford.

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Sobre o Autor

Rodrigo Oliveira

Católico. Desenvolvedor de eBooks. Um apaixonado por cinema – em especial por western – e literatura. Fã do Surfista Prateado e aficionado pelas obras de Akira Kurosawa, G. K. Chesterton, John Ford, John Wayne e Joseph Ratzinger.

  • Estephano

    Muito boa crítica.
    Como seu texto bem disse, o filme é uma desconstrução do que o gênero mostrava a torto e a direito. Não tem espaço para glamour ou honra nas ações dos personagens, além de não exaltar a figura do velho-oeste, na verdade, muito pelo contrário disso.
    É um filme para tocar a consciência das pessoas mesmo, até porque não é muito difícil ver casos semelhantes em manchetes dos jornais atuais.

    • Valeu. É justamente isso. Foi o pioneiro do psicologismo no gênero. Uma pena não ter tido tanto impacto no período em que foi lançado, e por conta disso, ser normalmente esquecido. É um filme a ser redescoberto.

      • Estephano

        Curioso que o filme tem um elenco bem recheado de atores famosos, com o diretor William A. Wellman já sendo bem conhecido, além de o filme ter tido boa recepção. Então fica ainda mais estranho não ter tido tanto impacto.

        • O mais provável é que tenha sido uma soma entre o ano em que foi lançado e o período histórico da época. O mundo em Guerra, a ameaça do fascismo e do nazismo, os Estados Unidos prestes a entrarem no conflito, e de repente surge um filme que mostra que sementes do totalitarismo existiram, e podem existir, em qualquer país, em qualquer povo e em qualquer época. Não fez sucesso. E aí de quebra ainda surge Matar ou Morrer uma década depois para inaugurar de vez a era dos westerns psicológicos, então ficou mais esquecido ainda.

          O elenco era surreal. Henry Fonda, Dana Andrews, Anthony Quinn, Harry Morgan e Jane Darwell estavam todos em grandes momentos de suas carreiras no início da década de 1940.

  • Te ver escrever sobre western é sempre de um primor único. Só pela sua crítica pude perceber o quão bom esse filme deve ser, mas competir com Casablanca é injustiça. Quando entrar de férias pretendo voltar a minha rotina de assistir um filme por dia, e se possível, com sua ajuda, gostaria de modificar ela pra um western por dia, já que desse gênero eu conheço bem poucos.

    • Obrigado. Entra de férias quando? Quer quantas indicações? Nos próximos dias devo repostar dois textos de westerns que postei no Geeks. E preciso escrever mais sobre o gênero, escrevi pouco ainda.

      • A partir das 18:20 do dia 30/06 agora tô livre até agosto. Se possível começar logo a noite, assim que chegar da faculdade e manter esse ritmo de 1 (ou até 2 caso não sejam longos) por dia. No caso cê recomendaria iniciar de que maneira? Pelos mais antigos? Mais novos? Mais conhecidos? Mais importantes?

        • Depende…rs O western teve várias fases. É o gênero com a maior variedade de subgêneros que existe – por mais que em um primeiro olhar possa não parecer, por estar preso a um período histórico que durou apenas 30 anos. Pode ter um estilo específico com o qual você se identifique mais. Não sei também se você só gosta de filme recente. Tem gente que tem problema com filme muito antigo, filme preto e branco. Tem os westerns mais clássicos e tem o spaghetti, que é mais violento e cínico. Vou reprisar um comentário que fiz uma vez sobre indicações.

          Se você quer começar pelo western clássico, alguns filmes são: No Tempo das Diligências, Rastros de Ódio, Rio Vermelho, Rio Bravo, O Tesouro de Sierra Madre, Paixão dos Fortes, Consciências Mortas, Sangue de Heróis, Winchester ´73, Legião Invencível, Os Brutos Também Amam, Matar ou Morrer, Da Terra Nascem os Homens, O Homem do Oeste, O Homem Que Matou o Facínora.

          Os diretores a serem procurados são John Ford, Howard Hawks, Anthony Mann, Jacques Tourneur, Nicholas Ray, entre outros. Os astros são John Wayne, Gary Cooper, James Stewart, Henry Fonda, Gregory Peck, Lee Marvin, entre outros.

          Se você quer o western moderno, no qual os heróis clássicos de John Wayne começam a ter seu lugar tomado pelos personagens cínicos de Clint Eastwood, e o western começa a ser muito mais violento, alguns filmes são: O Estranho Sem Nome, Sete Homens e Um Destino, Os Abutres Têm Fome, Django, Por um punhado de dólares, Era Uma Vez no Oeste, Bravura Indômita, Meu Ódio Será Sua Herança, O bom, o mau e o feio, Juramento de Vingança, Butch Cassidy.

          Os diretores a serem procurados são Sergio Leone, Sergio Coburcci, Sam Peckinpah, Don Siegel, Richard Brooks, Clint Eastwood, John Sturges, entre outros. Os astros são aqueles de antigamente já em suas despedidas, e os novos, Clint Eastwood, Eli Wallach, entre outros.

          Se você quer ver coisas mais recentes: Os Imperdoáveis, Bravura Indômita (sim, um remake), Tombstone – A Justiça está chegando, Dívida de Honra, Dança com Lobos, Os Indomáveis, Silverado, Rastro Perdido, Onde os Fracos Não Têm Vez, Os Oito Odiados, Django Livre, O Regresso, Pacto de Justiça, O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford. Os diretores são Clint Eastwood, Kevin Costner, Tommy Lee Jones, irmãos Coen, Quentin Tarantino.

          Listei muitos filmes, todos bem importantes em seus períodos, mas qualquer um deles é um excelente começo. A maior parte dos clássicos concentram-se das décadas de 1940 a 1960. As décadas de 1970 e 1980 vislumbraram uma diminuição nos filmes do gênero, mas no início da década de 1990 (com Os Imperdoáveis e Dança com Lobos) voltamos a ter grandes westerns feitos com mais frequência. Não voltou a ser com aquele ritmo de décadas atrás, mas ainda produzem westerns, e eles são, invariavelmente, ótimos.

          • Eu particularmente não tenho problema nenhum com filme, seja com gênero, com duração, com ano de lançamento, com nada. Contanto que eu ache ele interessante ou a recomendação (mesmo “ás cegas”) venha de alguém que sei que entende do assunto, eu assisto. Contei todos esses que você citou aí (acho que foram 40) e creio que em 30 dias consigo terminá-los, levando em conta que já vi alguns. Agora não sei se escolho uma ordem específica ou vejo aleatoriamente.

          • Citei apenas a “superfície” dos mais famosos. Boa parte desses aí são certos em qualquer lista de 10 maiores westerns da história. Qualquer um deles é um bom começo no gênero. E como são filmes variados, aos poucos você percebe quais estilos de westerns e quais diretores mais lhe agradam. E se gostar, vai mais a fundo no gênero e vai encontrar muitos outros filme. Eu vejo de todos os períodos (o mais antigo que vi foi da década de 1920), de todos os países (o western não está limitado ao Velho Oeste americano…rs), de todos os diretores…rs Mas tem gente que gosta, por exemplo, só do spaghetti, com seus filmes mais violentos e anti-heróis como protagonistas. Ou então só do western clássico, com seus protagonistas heróicos e de princípios. Eu veria aleatoriamente (foi mais ou menos o que lembro de ter feito quando comecei a pesquisar a fundo os filmes do gênero muitos e muitos anos atrás). O western é ótimo em vários períodos.

          • Não quero me limitar, até porque como você mesmo disse, é de uma abrangência enorme. Dos poucos que vi meu favorito foi O Bom, o Mau e o Feio, seguido de pertinho por Era Uma Vez no Oeste e Os Sete Samurais (esse se encaixa como western, né?). Gostei também de A Qualquer Custo do ano passado, mas dá pra notar a diferença do estilo, mesmo sem ter nada a ver com o ano de lançamento.

          • Você viu dois dos três maiores filmes de Sergio Leone (o outro é um filme de máfia, Era Uma Vez na América), e que também são dois dos maiores westerns da história. Era Uma Vez no Oeste está entre os meus cinco filmes prediletos do gênero (já tenho um rascunho sobre ele aqui). Os Sete Samurais tem muito de western sim, assim como vários filmes do Akira Kurosawa, que foi muito influenciado pelos westerns de John Ford (e tornou-se amigo do diretor), e que com Os Sete Samurais passou na década de 1960 a influenciar o próprio western, especialmente o spaghetti de Sergio Leone e companhia. A Qualquer Custo é um neo-western, um dos melhores dos últimos tempos.

          • Até o dia 30 irei repostar textos de dois que citei: Paixão dos Fortes e Os Brutos Também Amam. Pode ser que te ajude a escolhê-los para começar. Eu preciso escrever sobre mais. Tantos filmes do gênero que gosto e ainda não consegui escrever sobre praticamente nenhum…rs

          • Esse Os Brutos Também Amam é o que o Mangold usou como inspiração em Logan né? Até aquela frase (linda e que casou perfeitamente) que a Laura diz no final é desse filme também, certo? Desde que fui na pré saí de lá morrendo de vontade de assistir ele.

          • Sim, exatamente esse. O filme é visto pelo Xavier na TV, a frase icônica do diálogo final é dita pela Laura e o Mangold ainda copia vários elementos estruturais da narrativa de Os Brutos Também Amam em Logan. Ele também fez um remake de outro western clássico 3:10 to Yuma, com Christian Bale e Russell Crowe, que aqui recebeu o nome de Os Indomáveis.

          • Acho que vou começar por ele então (Os Brutos Também Amam) na sexta que vem.

  • Um filme tão elogiado por ti, com tantas camadas e personagens bem construídos, e tão importante para a história dos westerns… Nem parece ter míseros 75 minutos.

    Excelente texto, meu amigo. Me sinto até um pouco envergonhado em dizer que nunca ao menos havia ouvido falar sobre esse filme. E, caramba, essa “tradução” para o português (como você mesmo disse em seu texto) não poderia ter sido melhor. É uma triste história. Homens inocentes serem punidos injustamente com certeza dá uma carga gigante para essa pequena (porém importantíssima) produção.

    Até o irmão do John Ford aparece! Caramba! E eu nem sabia que ele possuía um irmão ator! kkkkk
    Não só para Clint Eastwood, esse filme deve servir de inspiração para inúmeros outros cineastas. Mais uma vez, parabéns por esse incrível post, Rodrigo. E peço desculpas pela demora.

    • Valeu, meu amigo. Esse filme é pouco conhecido mesmo. O filme que é considerado amplamente como o pioneiro do western psicológico é Matar ou Morrer, que veio quase uma década depois. Esse é bem conhecido. Já Consciências Mortas acabou sendo esquecido. A carga da sua história, somada ao período em que foi feito, contribuiu para isso. É uma história fortíssima. O que achou da carta? A leitura que Henry Fonda faz dela (no enquadramento da imagem de capa do post, sem que vejamos seus olhos, encobertos pela aba do chapéu do seu amigo) é de arrepiar.

      O Francis Ford foi um dos maiores atores da época do cinema mudo, e também era diretor e roteirista, tendo sido o mentor do próprio John Ford em seu início de carreira.

      • A carta é simplesmente linda, meu amigo. E eu ESQUECI de comentar sobre ela no meu comentário acima.
        “A leitura que Henry Fonda faz dela (no enquadramento da imagem de capa do post, sem que vejamos seus olhos, encobertos pela aba do chapéu do seu amigo) é de arrepiar.”
        Sério isso? Meu amigo, só de imaginar já fiquei ARREPIADO!!! Que sacada genial.

        Irmão mais velho que estava acostumado no mundo cinematográfico… Com certeza John aprendeu muito com ele mesmo!

        • Sim, um frame dessa cena é o que eu usei na imagem de capa do post. Simplesmente incrível. Pra você ver o diferencial que o gênio do diretor faz: no livro a carta não era lida, ele achou que ser lida no filme faria toda a diferença. E aí na hora de filmar inventou esse enquadramento incomum e repleto de significado.

          • No livro ela é apenas citada como existente?
            Sim, ler o texto e enquadrar a cena assim fez toda a diferença.

          • Sim. No livro ela existe, mas seu conteúdo não é revelado. Foi uma ideia genial do Wellman e o trabalho do roteirista Trotti foi incrível.

          • Muitos diriam que deixar ela como um mistério talvez fosse a opção mais acertada, mas fazê-la/mostrá-la do jeito que o diretor fez, com certeza foi melhor.

          • Rodrigo, não devo entrar no whatsapp pelos próximos dias, porque meu celular acabou de estragar (kkkkkkkkkkk). Bem, enquanto não arranjo um novo, ou um que pelo menos quebre o galho por enquanto, não vai dar pra te mandar mensagens no privado.

            Aliás, eu coloquei algumas imagens no sistema do site agora há pouco. Pode editá-las para mim, por favor? Desde já eu agradeço, meu amigo.
            Deixei apenas as imagens destacadas identificadas na opção de mesmo nome nos textos, para você saber quais são na hora de editar (por causa do tamanho específico delas). Tudo bem? Desculpe o transtorno.

  • Kleber Oliveira

    Meu amigo, belo texto! Achei fascinante essa abordagem sobre os heróis do oeste. O tema é interessantíssimo e com certeza filmes assim deveriam ser revisitados sempre que possível.

    Você teria uma cópia digital do filme ou esse faz parte do seu acervo físico?

    • Valeu, meu amigo. Esse foi um dos filmes pioneiros a lançar um olhar distinto, mais realista, sobre o antigo oeste. Ele nunca foi lançado no Brasil. Tenho em torrent. Você quer?

      • Kleber Oliveira

        Sim, fiquei bem ansioso para assistir. Não sei quando terei tempo de ver mas já quero deixar no ponto.

        • Enviei para o seu e-mail. Foi junto um outro do mesmo diretor sobre o qual espero escrever em breve também: Céu Amarelo. Se vier a te interessar, já tem aí…rs

          • Kleber Oliveira

            Tranquilo, já estou baixando os dois. Espero ver os dois esse fim de semana, assim já chego empolgado para a crítica, haha.

            E o texto de 2001?

          • Não comecei. Passei a última semana toda arrumando o site. O único texto que fechei depois desse período foi esse de Consciências Mortas, mas faltava apenas os dois parágrafos finais – eu já tinha feito todo o resto muitas semanas atrás…rs. 2001 tá na minha ordem de prioridades, vou tentar escrever algo no fim de semana, mas também quero escrever sobre O Mágico de Oz, vou ver o que sai primeiro. Mas ambos sairão…rs

          • Kleber Oliveira

            Puxa vida, me avisa quando for sair o texto de O Mágico de Oz, assim eu revejo também. Do 2001 eu espero tranquilo, sei que será um ótimo texto. Você conseguiu terminar o livro? Eu tive que dar uma pausa mas fico pensando nele quase todo dia.

          • O Mágico de Oz eu queria escrever semana que vem, logo depois que rever no cinema. Vou fazer dois textos, um sobre o filme e outro sobre o livro.

            Ainda não consegui terminar o livro de 2001 também. Tá complicado…rs Quero ver se consigo ler antes de terminar o texto.

          • Kleber Oliveira

            Bom, eu gosto muito de discutir sobre esse tema, por isso não resisti e tratei de ver o filme assim que pude. Acabei de assistir e achei simplesmente fantástico! Já está na minha lista de favoritos com toda certeza.

            O filme mostra uma coisa que eu debato sempre com meus colegas quando entramos nesse assunto: A exceção. Naquela situação, tudo levava a crer que o trio era realmente culpado, eram muitas coincidências para ignorar. Dentre diversas situações semelhantes, o grupo estaria certo em julgar os culpados na maioria das vezes, mas apenas uma vez em que a situação foge a regra pode custar muito caro. Neste caso, a vida e consciência de inocentes. Olha, o filme aborda a questão de forma espetacular, gostei bastante do que vi.

            Ah, bom também que eu tenha deixado para ler a carta apenas no filme. imaginei que deveria ser muito impactante e realmente foi. O mais interessante é que ele aborda a discussão sobre justiça e nas entrelinhas perdoa aqueles que estavam perdidos, a sua família fica num espaço bem menor. Verei novamente e tentarei absorver melhor, pois depois do soco no estômago ao descobrirmos o assassinato de inocentes, a carta é o elemento mais surpreendente da trama.

            Valeu pela indicação, meu amigo.

          • Valeu, meu amigo. Pois é, a construção da situação é perfeita. Um exemplo magnífico de como os grupos sociais livres das amarras das leis e da civilização são capazes das piores barbáries. Além de tudo, bastava terem esperado o alvorecer e a chegada do xerife. Na ânsia de fazer justiça (por parte de alguns; de outros era a pura vontade de assassinar alguém travestida de justiçamento), assassinaram três inocentes. Não é à toa que a barbárie transcorra de madrugada, na calada da noite, e também não é menos significativo que, ao alvorecer, a verdade apareça. Tudo no filme transpira entrelinha e subtexto. E a leitura da carta é incrível. Seu conteúdo é fantástico. Martin perdoa e pede à esposa que perdoe aquelas pessoas enquanto costura uma aula sobre justiça e consciência coletiva. A opção de Wellman de enquadrar Fonda de modo que seus olhos não são vistos, encobertos pelo chapéu do amigo, assim como encobertas estiveram as consciências de todos ali, é absurdamente genial

          • Kleber Oliveira

            Os enquadramentos são belíssimos, é de uma imaginação admirável.

            A carta é um elemento fantástico, incrível como o filme ainda cause impacto nos seus últimos minutos de forma tão amarga. Mesmo o perdão não alivia o peso que a mente daqueles presentes carregarão para o resto de suas vidas. Ainda verei novamente, apesar de ser apenas 75 minutos, resta muita coisa para absorver.

          • E foi mais um toque de genialidade do Wellman, optar por usar a carta, já que no livro seu conteúdo não era conhecido. O suicídio do major ao fim, o filho na porta, foi absurdamente pesado também.

  • Helton Andrade

    Quando vi sua ótima crítica, logo tratei de ver o filme! O cinema as vezes com poucos recursos nos impressiona com um roteiro forte e esse filme é um exemplo disso. Um final surpreendente mostrando que a “justiça” com as próprias mãos pode trazer dor e consequências irreversíveis não só para um mas todos que estão ao redor!

    • Valeu, meu amigo. Filme realmente estupendo, não? E um dos finais mais “nó na garganta” que eu já vi.

  • Ghostface

    Excelente texto Rodrigo!
    Infelizmente, sinto até vergonha de dizer isso, não vi ainda os filmes que me recomendastes e, olhando no meu caderninho, vi que este filme não estava presente e estou anotando ele agora kkkkkk. Essas férias vai ser filme atrás de filme kkkkkkkkkkkkk.
    Ps: Nem li a carta no final para deixar para o filme kkkkkkkkkkkkkk.

    • Valeu! Aproveite. Eu estou doido pra conseguir uma semana com menos trabalho pra poder ver mais filmes…rs Pior que agora quero sempre escrever sobre todos os bons, então é menos tempo ainda pra ver, já que depois paro pra escrever…rs Kleber também deixou a carta para o filme e adorou. A cena é extraordinária.

      ps: E gostou de Covenant?

      • Ghostface

        Vou tentar aproveitar o máximo as minhas férias ver filmes/séries e escrever sobre elas. É complicado mesmo kkkkkkkkkkkkkkkk.
        Ps: Gostei, mas não achei extraordinário. Um bom divertimento na madrugada. Tinha horas que era muito previsível. Parecia Sexta-Feira 13 kkkkkkk. Só não entendi o final, mas quando eu acabei o filme tava com um sono bem grande e ainda nem vi Prometheus e nem os Aliens 3 e 4. Vou até dar uma relida na tua crítica. A Farris é uma personagem que ultrapassa os limites da burrice.

        • Pois é, muito pouco para um filme de Alien. E um roteiro muito conveniente e forçado ao extremo.

  • Conde Fouá Anderaos

    Parabéns pelo teu texto e pesquisa. Queria ter me aprofundado tanto quanto você. Concordo com tudo o que disse. Por acaso tinha lido minha crítica a esse filme?

    • cleber

      Boa tarde. Vc tem conta no filmow?

    • Olá. Valeu. Esse filme é realmente incrível (aliás, tudo que vi do Wellman é sensacional). Qual o link da sua crítica?

  • António

    Bom filme, com temática muito interessante e intemporal. O filme ainda seria melhor se os personagens (ou alguns deles) estivessem mais bem desenvolvidos. A personagem Rose não deveria existir, não acrescenta absolutamente nada ao filme.

    • Acho que conseguiram condensar tudo no tempo suficiente, mesmo situações como a de Rose, que não acrescentam na história de fundo. O filme é bem enxuto.